«Ninguém nos peça o que não somos» (Pedro Homem de Mello)
A propósito de algumas ferroadas quase venenosas que aqui foram publicadas sobre o texto do Cristiano Ronaldo não podia deixar de recordar (para quem já se esqueceu) que a minha entrada no «aspirinab» foi patrocinada pelo Fernando Venâncio a propósito de um texto meu publicado na Gazeta das Caldas com o título sugestivo de «Não o ponha tão alto que ele nem é licenciado!». Tudo aquilo tinha um enquadramento: aquela frase aparecia proclamada por uma criatura que julgava exagerado tanto o espaço ocupado pelo meu verbete no Dicionário de Literatura Jacinto do Prado Coelho como a nota atribuída por Clara Rocha, Silvina Rodrigues Lopes e António Cândido Franco à tese de mestrado de Ruy Ventura sobre a minha obra poética. Eu tive o cuidado de fazer acompanhar o meu texto de duas citações – uma de José Loureiro Botas e outra da Tomás Ribeiro Colaço. Ou seja: a propósito de um incidente que me colocava no centro de uma pequena polémica eu tive o cuidado de chamar a atenção para uma outra história exemplar passada nos anos 40 com um escritor sobre o qual se dizia que não tinha nome de escritor. E também não era licenciado. Moral da história: Fernando Venâncio, que teve em 1993 a inteligência, a capacidade investigativa e o discernimento para explicar a todos nós que no tempo do Eça de Queirós quem era muito conhecido era o Pinheiro Chagas (tal como no tempo de Cesário Verde o famoso era Cláudio Nunes) terá visto nessa minha crónica um bom princípio para me convidar. Aceitei e aqui estou para o que der e vier. Quem sabe se o Valupi não verá nesta crónica sobre Cristiano Ronaldo um motivo para suspender a minha participação. Aceitarei. Mas o Pedro Homem de Mello tem razão.


