Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Archive for Janeiro, 2008

História de um beijo

Naquele tempo não era nada disso que se vâ agora, que isso é tudo um putchedo, o que elas querem é gandaiar, elas é qu’andam atrás dos rapazes, qu’um home inté fica menente com tanta franquidão das raparigas, e as mães c’ma cegas, não vêem ou fingem que não vêem, não falta agora quem viva […]

Está mesmo tudo marado do clima

O Aquecimento Global é muito mais grave do que se pensava e avança a um ritmo avassalador. Eis a última e assustadora prova.

Abertura Judicial

Ontem reuniram-se, na mesma sala, cinco dos seis principais responsáveis pela Justiça em Portugal. Foi celebrada a abertura do Ano Judicial com discursos. Que passou para o cidadão dessas elocuções? Que fica dessas ideias? Nada, arrisco impaciente. E, no entanto, não há dimensão política mais importante do que a da Justiça. É mais importante do […]

Sou agora o mais Perfeito e Acabado Corno. Traída não uma, não duas, não dez, não vinte, mas uma carrada de vezes. Sinto raiva, confesso.
Não delas…
Quero lá saber de que cor tinham a pele, de que comprimento os cabelos ou de que massas feitas as tetas. Quero lá saber o que gritavam e onde punham […]

Isabel no Aspirina B

Eles queriam gajas, mais gajas, para acabar com a ribaldaria que aqui reinava. Desde que soube que esta palavra, ribaldaria, se escreve com «i», estava mortinha por usá-la. Sorte a minha, tive logo a oportunidade de o fazer duas vezes. Convenhamos que ribaldaria, com fonema agudo, fica uma ribaldaria muito mais feminina e composta.
É tempo […]

Futebol de quarta-feira

Tenho na mão um livro brasileiro dum português. Não acontece muitas vezes. Este chama-se Mansões abandonadas e é uma antologia da poesia do José do Carmo Francisco. Tem organização de Floriano Martins, ilustrações de Sérgio Lucena e introdução de Nicolau Saião. Edita-o a Escrituras, de São Paulo.
A recolha inclui algumas das melhores produções do poeta. […]

site involuntário

Há dias o Valupi assinalou a afluência assídua a alguns posts do Aspirina que vão ficando lá para baixo. Num deles, abrir o livro, vão gotejando comentários, a uma cadência regular, de pessoas ligadas ao meio do hoquei em patins. A natureza especializada e a extensão dos mesmos indiciam uma presença cada vez mais estável […]

ilusos lusos

Um dos melhores blogues portugueses (por mais bem feitos, mais úteis) é este, de nome atormentado: Letratura, de Helder Guegués. (O patronímico é inabitual, mas o possuidor é portuguesíssimo). Nesse blogue se examina e comenta o nosso idioma com erudição, com gosto, com leveza.
Um dos últimos temas é a súbita florescência em jornais do vocábulo […]

Criminoso país

Voos da CIA: Portugal ajudou a transferir mais de 700 prisioneiros para Guantánamo
Aqui.

Minha nega Fulô

Minha Nega Fulô
Não bata não, sinhá,
Não bata não.
Nunca ninguém pegou minha mão
Por gostar,
Nunca ninguém, sinhá.
Papai morreu no negreiro.
Eu viajei segura dentro de mamãe,
Que morreu dez vezes na viagem
E a última na senzala quando nasci.
Nunca ninguém catou meu cafuné.
O sinhô abriu caminhos no meu corpo,
E nem pediu com licença nem por favor.
E eu não mando no […]

O caso José Manuel Fernandes

Quem lê o Público, e leu neste domingo, poderá ter feito o mesmo exercício que eu fiz: ligar o texto de António Barreto ao de Joaquim Vieira. Barreto despeja mais um alguidar de banalidades inconsequentes, mas desta vez ataca os jornalistas na figura das redacções. Ora, isto é o mesmo que atacar os directores dos […]

passagens

O que o temperamento arisco da adolescência faz em nós. Chega a casa, abre os braços e fecha-os à volta dos meus ombros, sem apertar. Fica assim alguns segundos, aconchegado. Filho, aconteceu alguma coisa? Nada, mãe, vinha só com vontade de te abraçar. Dá-me um beijo, escolhe um livro e deita-se no quarto, a ler. […]

- 40 anos…
- Hã?…
- 1968. Foi há 40 anos…
- Ah…
- Revolta nas universidades, Primavera de Praga, Maio de 68…
- Olha, já estamos na Parede.
- Que tempo, que esperança!
- Pois, pois…
- Sabias que o Tariq Ali diz que 68 só acabou em 74, com a Revolução dos Cravos?
- Esse Tariq… pfff…
- E depois a volta que […]

O PSD e a insónia

Num jantar de Natal do PSD, a 21 de Dezembro, Menezes profetizou o martírio e a insónia de Sócrates, logo a partir do começo do ano. A imolação teria lugar no Parlamento, a vítima cairia pela ferocidade dos deputados sociais-democratas. Antecipando as festividades, dois dias depois Menezes exigia que Cadilhe fosse para a CGD […]

Hoje ouvi na TSF que Mendes Bota comparou a ASAE à Pide, levando Sócrates à pronta defesa daquele organismo. A mim o que choca não é o ataque ao dito, mas o grotesco da comparação. É estar mais atento ao folclore que à gravidade. Ignorar 48 anos de história, e suas consequências, em troca de […]

Há no olhar de Marisa a memória dum tempo entre pedra e água. Nesse tempo tudo o que era essencial à vida (água, pão, azeite, vinho) era arrancado às pedras. Os homens tiravam as pedras da terra para a amanharem e com essas pedras construíam os muros, os redis para o gado, os abrigos dos […]

óPtimo, não é?

Se vamos passar a escrever só (mas também sempre) os «c» e os «p» que pronunciarmos, há uma forma muito simples de conservá-los:
é passarmos a pronunciá-los sempre.
Até hoje, nunca pronunciei «espeCtadores», ou «caraCterística», como ouço tanta gente fazer. Pareceu-me parvoíce. Ah, como eu estava enganado!

Clique na imagem.
Andei com ele cinco, seis horas. Não na mão, não no bolso, mas entalado entre as calças e peça mais íntima. Sabia que ele era valioso, muito valioso. Para falar mais claro: era caríssimo.
Eu já o lera. E até sabia dele coisas de cor, como «O mostrengo que está no fim do mar», e […]

Apesar de os vídeos musicais terem descoberto há já alguns anos que a Internet tinha tudo para ser o seu habitat natural, é surpreendente que apenas recentemente tenham surgido os primeiros sinais de adaptação do formato à plataforma. Não estou a falar da suposta estética pixelizada do YouTube, mas do facto dos videoclipes terem finalmente […]

Vivo em Lisboa desde 1966 e tenho tido sempre o meu trabalho e a minha casa por aqui: Rua do Ouro, Chiado, Camões, Bairro Alto, Santa Catarina. O mesmo é dizer livrarias, antiquários, editoras, leiloeiros, alfarrabistas. A Moraes, editora dos meus primeiros livros, era no Largo do Picadeiro e passou para a Rua do Século. […]




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