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Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Rio e os trocadalhos

"Se os políticos não tiverem coragem de dizer basta, um dia alguém vai dizer chega"

Rui Rio

Este trocadilho teve grande sucesso. Porque é básico. Porque parece querer dizer alguma coisa. E porque essa eventual coisa dita parece adequada a uma qualquer outra coisa que parece ser relevante ou evidente. Mas não, pá.

Ficamos tão-só completamente reféns da imagem catastrofista do Chega triunfal, a marchar na cidade por cima dos cadáveres dos tais políticos que não conseguiram dizer “basta” perante o formidável exército invasor. Nesta lógica, a frase de efeito é uma involuntária peça de propaganda a favor de Ventura. Puxa os holofotes para um cenário em que se dá não só como possível, não só como provável, mas assumidamente como inevitável que os protofascistas cheganos irão um dia conquistar o Parlamento e ocupar S. Bento.

O trocadilho que Rio deveria ter usado, de acordo com as cagadas que andou a fazer montado no PSD, era este: “Bastou oferecer os Açores ao Ventura para o vermos chegar à Madeira”.

Revolution through evolution

Belief in animal​​s’ capacity for emotion linked to better health and welfare
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Board games are boosting math ability in young children
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Pre-operative exercise substantially helps with recovery
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The great weight debate: Researchers find all forms of weightlifting build strength and muscle, details matter less
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Criticism with care is more persuasive
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Game-playing automaton acts like an ‘irrational’ human
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“Bidenomics versus Trump Adopted Trickle Down Theory” explains Dr. Larry Hill, Lewis University Professor of Economics
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Dominguice

Portanto, ignoras que ignoras que ignoras. Eu idem. É a mais densa e consequente forma de ignorância. Uma ausência presentemente ausente. Que podemos fazer? Duas cabeças pensam melhor do que uma, sim, mas só quando as duas tolas em causa pensam. Se juntarmos a nossa a uma que não pensa, provavelmente ficaremos a pensar pior. E se a nossa não pensar, de nada adianta ir ter com aquela a raciocinar na perfeição pois não entenderemos patavina. Pelo que se deve começar por conseguir pensar se a gana for a de pensar melhor. Nisso está o critério primeiro e último para sabermos que estamos a pensar: independentemente do conteúdo do nosso pensamento, achar que o podemos vir a pensar melhor.

Ignorarmos o que ignoramos ignorar não é uma negatividade. É a tangência imarcescível e gravítica de todos os pensamentos.

Rui Rio, um merdas igual a nós

Rui Rio, nesta entrevista, aparece cheio de cagança a dizer umas verdades a respeito das disfunções no Ministério Público. Se não o conhecêssemos, merecia rasgado aplauso. Como sabemos o que ele fez e não fez em Verões, Primaveras, Invernos e Outonos passados, o que fica é mais um número irrelevante de mais um hipócrita.

Na sua campanha para presidente do PSD, Rio prometeu afrontar os decadentes do seu partido que andavam desde 2004 a colocar as fichas todas na judicialização da política e na politização da Justiça, lançando campanhas negras imparáveis e golpadas onde se reunia a santa aliança de magistrados, jornalistas e Cavaco. Causou tremor (mas não temor) a sua promessa de ir combater os “julgamentos nas tabacarias e nos ecrãs de televisão”. Se bem o prometeu, de imediato o esqueceu. Poucos meses após inscrever o seu nome como 18º presidente do PSD, ali no auge da sórdida pressão da pior direita para manter Joana Marques Vidal como procuradora-geral da República, Rio não se insurgiu, sequer se demarcou. Foi ambivalente, dúbio e positivamente a favor da anomalia sugerida de dar mais 6 anos à heroína da Operação Marquês. Depois aceitou ter o tóxico e insuportável Paulo Rangel a encabeçar a lista do PSD às europeias de 2019. O resultado foi uma campanha emporcalhada do primeiro ao último dia, um espectáculo doentio de chicana e baixa política. Seguiu-se a inacreditável exploração do caso Tancos, onde o despacho da acusação foi publicado precisamente no início da campanha eleitoral para as legislativas de 2019. Rio deu-se ao opróbrio de tratar Azeredo Lopes como culpado e António Costa como cúmplice, tudo na véspera de se ir a votos. Por fim, achou que o País estava a precisar de um Ventura conquistador e de um Chega em acelerado crescimento, daí ter oferecido os Açores aos protofascistas para que a sua normalização se consumasse antes de outros voos ao colo do laranjal.

Rui Rio, pois, é um patego e um pândego. Mas isso não é o pior, o pior é a cobardia. É que na farronca agitada para consumo mediático não está o mínimo respeito pelo Estado de direito democrático, pela comunidade e pelos princípios deontológicos, sem os quais a selva invadirá a cidade. Tal fica patente ao tratar com pestilente negligência um caso onde foi vítima, em que verbalizou ter plena consciência de haver crime no Ministério Público — nomeadamente por se ter avisado a TVI do espectáculo em preparação, a qual chegou à porta do prédio de Rio ainda antes das autoridades, tal o estado de anomia e bacanal vigente entre agentes da Justiça e jornalistas amigos. Ora, não é por este ser o enésimo crime similar que deixa de ser um dos piores crimes concebíveis: o crime cometido por aqueles a quem pagamos e damos poderes exclusivos — e potencialmente totalitários — para exercerem vários tipos de violência em nome da Lei e da Constituição. Os magistrados cometem este tipo de crimes por saberem que o enquadramento penal não permite que haja escutas a respeito, resultando numa perfeita blindagem. Os colegas no Ministério Público escolhidos para a fantochada dos inquéritos internos sobre as violações do segredo de justiça limitam-se a pôr na papelada a arquivar que não foi possível descobrir os responsáveis, não existindo qualquer outra entidade que investigue esses delitos. Mas pensemos: para além dessa impunidade ser um gravíssimo ataque à República, que outros tipos de crimes esconsos não fará quem se sabe protegido para cometer estes tão expostos à sociedade e às instituições da soberania?

Ao não fazer deste exemplo o seu cavalo de batalha, lançando o escândalo que ainda ninguém teve peito para lançar, Rui Rio mostra a sua fraqueza, a sua mediocridade; isto é, a sua banalidade. Tão igual a nós, partidos e cidadãos, tão cobardes como ele.

O Pacheco e o seu Zezito

Pacheco Pereira in Mas de onde vem esta gente?

A cassete do Pacheco sobre Sócrates — para além da calúnia sistemática vinda de uma figura grada do Cavaquistão que nunca piou sobre esse tempo — oferece duas taras com interesse para psicólogos, antropólogos e autores de comédia: uma é dizer que o apanhou a mentir sobre não sei quê, a outra é agitar o papão dos “blogues”. Ambas competem ferozmente pelo título de mais ridícula, acabando fatalmente a tara dos blogues por vencer graças à natureza folclórica e psicadélica que exibe.

Mas o Pacheco tem comentadores generosos, que perdem o seu rico tempo para lhe mostrar que vai nu. Eis um bom exemplo:

Monstruosidades



Marques Mendes, conselheiro de Estado por escolha de Marcelo (portanto, representando politicamente o Presidente da República), usufruindo de antena aberta como comentador numa TV nacional, não perde uma oportunidade para caluniar Sócrates e o PS. Neste exemplo, recorre à desumanização ostensiva, tratando Sócrates como “monstro”. É um apelo ao ódio, ao linchamento moral e ao assassinato, figurado e real.

Os editorialistas pegaram na frase, destacaram-na, amplificaram-na. Fizeram o resto do trabalho sujo. Sócrates continua a ser um alvo valiosíssimo para a indústria da calúnia e a direita decadente. Para lá dos danos que se imaginam a obter contra Costa, existe uma obsessiva paixão socrática cujo único alimento é a inveja, o medo e o puro ódio.

Mas em que se baseia Marques Mendes para tratar Sócrates como um “monstro”? Sendo um retinto e profissional caluniador, nada demonstra nem justifica. Limita-se à proclamação do ultraje, chafurda no rancor. Ora, talvez faça sentido sacar da máquina de calcular para umas continhas, de forma a podermos avaliar melhor o afã com que se agarra a Sócrates. Por exemplo, imaginemos que a tese maximalista do Ministério Público a respeito dos 23 milhões de euros na posse de Carlos Santos Silva é verdadeira, correspondendo esse valor ao total arrecadado por Sócrates num qualquer acto, ou actos, de corrupção ainda por identificar. Tal vai então comparar com os 9,7 mil milhões de euros que o DCIAP indica como sendo o valor desviado no esquema de Oliveira e Costa, e amigos, através do BPN e Banco Insular. Ou seja, mesmo que a hipótese do Ministério Público fosse provada (o que já sabemos que não o foi nem irá ser), o suposto dinheiro obtido ilegalmente por Sócrates corresponderia a 0.237113% do valor efectivamente sacado pelos craques do laranjal.

Mas há mais, e melhor. O esquema montado por Oliveira e Costa envolve o Cavaquistão até ao topo. Cavaco Silva e família lucraram com os crimes. Dias Loureiro, figura grada do PSD de Cavaco e da Sociedade Lusa de Negócios, era também conselheiro de Estado por escolha directa de Cavaco Silva. Tanto Cavaco como Dias Loureiro não são alvo de suspeitas, nem foram vítimas de crimes de violação do segredo de justiça, nem de perseguição pela comunicação social, sequer de referência na luta partidária. Idem para Marques Mendes. Porém, contudo, todavia, o cheiro a cumplicidade moral e protecção política é nauseabundo.

Quando Marques Mendes acusa António Costa e Augusto Santos Silva de nada “terem visto” a respeito de Sócrates, dessa forma atingindo-os na calúnia mais pusilânime, omite que nada viram porque, 9 anos depois da detenção no aeroporto preparada para ser uma execução pública instantânea, todas as suspeitas permanecem sem prova. Não foram só eles que não viram, toda a gente continua sem ver onde ocorreu a tal “corrupção”. Já a respeito do papel de Cavaco Silva, Dias Loureiro e Marques Mendes no lançamento e amparo de Oliveira e Costa, mais umas dezenas de figuras gradas do laranjal, como o maior criminoso da história de Portugal em volume de dinheiro desviado, sobre isso está tudo à vista.

E é uma coisa, não encontro melhor parelha de advérbio com adjectivo, monstruosamente monstruosa.

“O anti-racismo nunca matou ninguém”

José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna, telefonou ao presidente do Conselho de Administração da RTP para “manifestar desagrado” relativamente a uma peça de animação anti-racista difundida no canal público. Com isso conseguiu errar 7 vezes de uma assentada só:

1ª Nunca se protesta contra mensagens anti-racistas, nunca.

2ª Não se deve sugerir, seja-se ministro ou mero cidadão, que a liberdade de expressão se deve inibir de criticar, satirizar, analisar e reflectir sobre as instituições, qualquer instituição — ou qualquer pessoa, obra, documento, símbolo desde que públicos.

3ª Ao atacar o mensageiro, na figura da entidade que publicou o conteúdo, o ministro exibe intento censório.

4ª Ao ligar para a RTP, o ministro está a juntar-se ao Chega e ao PSD, validando a estratégia da extrema-direita e a manipulação das forças policiais para se transformarem em instrumento de violência e ameaças extremistas, racistas, xenófobas.

5ª Ao ligar para a RTP, o ministro perdeu a soberana (literalmente) oportunidade de voltar a deixar o PSD colado ao Chega nesse abraço decadente e trágico.

6ª Ao ligar para a RTP, em vez de apenas ter feito um comunicado de solidariedade e elogio ao corpo policial e de saudação à luta anti-racista, o ministro arrastou o Governo para uma manifestação de fraqueza face às forças antidemocráticas e anticonstitucionais.

7ª Nunca se protesta contra mensagens anti-racistas, nunca.

A cultura do Montenegro

Perante uma crítica de Pedro Adão e Silva cuja intenção é a de melhorar a cultura da nossa democracia no seu palco mais soberano, a Assembleia da República, o presidente do PSD e líder da oposição limita-se ao assassinato de carácter, ao sectarismo e à chicana.

Esse modo de reagir, na sua posição, fica como exuberante manifestação da sua cultura política.

Porque tudo na acção humana é cultura. Porque o Montenegro sempre fez parte de uma cultura civicamente decadente. Daí não conseguir fugir dela, sequer escondê-la.

Revolution through evolution

Helping adolescents to feel competent and purposeful – not just happy – may improve grades
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Older adults who remain more active have a better quality of life, study finds
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Not eating enough of these six healthy foods is associated with higher cardiovascular disease and deaths globally
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Cognitive flexibility moderates teacher stress
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Can Dungeons and Dragons help players build social skills?
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AI tests into top 1% for original creative thinking
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Creative people enjoy idle time more than others
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Dominguice

A crise climática escapa às previsões dos modelos computacionais e tem dinâmicas caóticas que aumentam o risco de afectarem catastroficamente a produção alimentar, a saúde pública e a segurança das populações. Isto num calendário muito mais rápido, e mais imprevisível, do que o dos cálculos usados para tentar obter acordos internacionais relativos à redução do dióxido de carbono na atmosfera. Por sua vez, os acordos não são suficientes, não são eficazes e nem sequer são respeitados. O resultado parece fatal: a humanidade será atingida por problemas de sobrevivência a uma escala global, e com cenários regionais de vasta disrupção do modelo político e dos serviços públicos.

Sendo optimista, é esta mesma ameaça que nos fará querermos passar para um estádio da economia sob o primado da ecologia. A ecologia como cidade. Uma única Terra para todas as terras.

Freud explica

Passos Coelho + Cavaco Silva

Setembro de 2018. No espaço de dias, um ex-primeiro-ministro e um ex-Presidente da República lançaram publicamente a suspeita de que os então, e actuais, Presidente da República e primeiro-ministro eram parceiros numa das mais graves conspirações contra a República que é possível conceber: afastar Joana Marques Vidal da função de procuradora-geral da República precisamente por causa da sua integridade, independência e coragem no combate ao crime, especialmente à corrupção, e decisivamente à corrupção na própria Justiça a mando de políticos — esta a mirabolante tese caluniosa.

Demente? Sim, óbvio, mas aconteceu. É ler. O panegírico, sob a pena de Passos Coelho, é explícito no seu subtexto a respeito da Operação Marquês, louvando o sucesso da caçada e o tratamento dado ao animal. De caminho, esta dupla de calhordas atentou contra a honorabilidade e reputação de Lucília Gago, a magistrada nomeada para substituir a Vidal do festim de crimes de violação do segredo de justiça.

Vem esta recordação a propósito de Marco Capitão Ferreira ter sido constituído arguido, e de se ter demitido do cargo de secretário de Estado da Defesa. Ocasião para perguntar perante a lista de governantes, autarcas, deputados, políticos e empresários alvo de investigações judiciais desde que a Santa Joana bazou: voltou a impunidade ao serviço do Rato?

Aparentemente, com uma maioria absoluta do PS, devíamos estar agora perante um festival de criminalidade à solta dos governantes e demais bandidos socialistas, os quais tinham afastado a única pessoa capaz de os apanhar, assim reza o argumento de Cavaco e Passos; este o D. Sebastião da direita decadente, a qual sonha voltar a mandar nisto fazendo do Ventura o ministro dos polícias e da cor da pele. Em vez desse festival de corrupção, vemos um Ministério Público sem qualquer obstáculo à sua acção a entrar nos gabinetes ministeriais e onde quiser (até em clubes de futebol, pasme-se). E também nos chegam notícias dos pés de barro da lenda justiceira incensada pela direita do vale tudo, descobrindo-se a fraquíssíma qualidade da investigação e elaboração das acusações nalguns processos que encheram de holofotes e medalhas mediáticas os procuradores vedetas do “fim da impunidade”.

Enfim, o Freud explica com um único conceito: projecção. Aquela dupla sabe bem o que começou ou deixou fazer nos idos de 2012 e seguintes.

Tudo mentira à partida. Para quê o relatório e para quê a CPI?

Tendo o PS conquistado uma maioria absoluta, automaticamente se formou o coro da oposição conluiada, que entoa vigorosos cânticos de indignação partilhada a cada medida tomada pelo Governo, a cada resposta a reivindicações, muitas vezes provocatórias, de sinal partidário e intenções disfarçadas, a cada conclusão de comissão de inquérito (CPI), aberta por tudo e por nada. O coro conta com os poderosos megafones da comunicação social e comentadores amigos.

Saiu o relatório preliminar da CPI à TAP. À TAP, repito. À alegada interferência política na administração da TAP, a propósito da indemnização paga a Alexandra Reis pela sua saída. “Relatório fofinho”, ouvi eu hoje na rádio Radar, que citava o Expresso. Estava dado o mote para a indignação do dia. O relatório era uma vigarice.

Segundo a oposição, o que se devia ter apurado na dita comissão? Ora, que foi o Governo, na figura de Pedro Nuno Santos, que deu ordem não só para o pagamento da indemnização considerada escandalosa, como até pelo despedimento da senhora (de quem durante meses a mesma oposição – amplificada por jornalistas e comentadores amigos – disse cobras e lagartos, troçando das suas competências, aparência e guarda-roupa). Como não se apurou nada disso e quer Alexandra Reis, quer Pedro Nuno, quer o seu secretário de Estado Hugo Mendes se mostraram à altura e responderam dignamente e com verdade às perguntas dos deputados, deixando-os vazios de acusações, mas cheios de tristes figuras, agora o relatório é uma lástima, foi ditado pelo Governo e não passa de uma ficção. Esta oposição está mesmo onde devia estar: na oposição. A continuar assim, é onde vai estar por muitos anos.

Que interessa todos termos ouvido a ex-CEO da TAP declarar que foi sua a decisão de despedir Alexandra Reis e que foi a equipa de advogados convocada de acordo com as regras que chegou àquele valor? Nada, não interessa nada. E que não agradou ao ministro a saída da engenheira? E que interessa que o secretário de Estado tenha dito que, ao ter conhecimento do elevado montante, comunicou ao ministro ter sido impossível baixá-lo (inicialmente seria muito mais elevado)?  Nada, não interessa nada, até porque, para a oposição, tudo era já mentira antes de ter sido dito por qualquer dos inquiridos, excepto Frederico Pinheiro. O relatório, escrito por eles, dispensava a comissão de inquérito! A ex-CEO ter sido despedida passar de exigência das oposições a decisão reprovável do Governo também diz muito dos nós em que se metem as oposições e que ficam visíveis nas CPI. Um circo, foi a ideia que ficou.

Muito rasteira anda também a comunicação social pelo facto de o episódio do roubo numa situação inédita, e da recuperação posterior do computador de Frederico Pinheiro, assessor de Galamba, não ter sido mencionado no relatório. Esquecem, mas sem surpresa, porque é intencional, as razões por que não o foi: o caso, como todos sabem, está a ser objecto de investigação pela Procuradoria, além de que não tem nada que ver com o objecto do inquérito. Mas, meu deus, como tolerará a oposição que o ministro Galamba não tenha sido enxovalhado no relatório, como não o foi na CPI? Como tolerará o Bloco de Esquerda que o seu camarada Frederico não tenha sido descrito como um herói, na pior das hipóteses como uma vítima? Não tenha sequer sido mencionada a importância do seu acto?

Da próxima vez, os senhores deputados da oposição podem dispensar-se de ouvir seja quem for do Governo. Reúnem-se e elaboram o relatório das suas teorias e conclusões. E o Governo demite-se. Então não era?

Diz que o PS não sei quê

Parece que já foi há mais de dois anos mas foi apenas há dois meses e tal. O excelente Ricardo Paes Mamede fez um excelente artigo de desagravo a Hugo Mendes — Em defesa de Hugo Mendes — bem antes deste ter sido ouvido e questionado na comissão parlamentar de inquérito à tutela política da gestão da TAP. Na audição em causa, Hugo Mendes confirmou todos os elogios recebidos do Ricardo; para boa surpresa de uns tantos e azia de muitos mais. A imagem de tontinho, que os impérios da comunicação social nas mãos da direita espalharam e exploraram, deu lugar à realidade de ser um quadro político com que Portugal pode e deve contar, e de que nos devemos orgulhar como representante da comunidade na cidadania.

Se volto a 17 de Abril de 2023 é para ilustrar como até na melhor racionalidade cai o sectarismo e o tribalismo. Por causa desta passagem: «Mais desconcertante ainda é o modo como o PS participa no ataque a Hugo Mendes, por acção ou omissão, na esperança de que a personalização dos erros num só indivíduo permita ao governo e ao partido que o suporta saírem incólumes da polémica que envolve a TAP.» Ai sim, Ricky?

A teoria da conspiração assim vertida não prima pela originalidade nem pela sofisticação. Ora, após as prestações de Hugo Mendes e Pedro Nuno Santos na referida comissão de inquérito temos informação que não estava disponível para o autor da passagem. Essa informação é factual quanto à lisura e competência com que ambos os ex-governantes justificaram os seus actos. Consequentemente, o banzé mediático e a caudalosa chicana evanesceram-se, expondo a fétida encenação que a oposição (com a honrosa excepção do PCP) andou meses a montar.

O Ricardo não revela a que se refere na acusação ao PS. A fórmula “por acção ou omissão” serve-lhe para cobrir a plenitude dos actos de qualquer protagonista correlacionado com o PS sem ter de indicar seja o que for ou quem. A ideia de que haveria um plano sofregamente partilhado entre as entidades “governo” e “partido” para “atacar Hugo Mendes” é pura diabolização. E a alegada motivação do “saírem incólumes” é cinismo infantilóide, primarismo de comentadeiro.

Na verdade, o que é estranho num académico intelectualmente prendado como Ricardo Paes Mamede é o esquecimento de que, assim como ele tinha ficado a conhecer muito bem Hugo Mendes, outros, seus colegas no Governo e no partido, poderiam conhecê-lo tão bem ou até melhor. E, por isso e por dominarem a matéria em causa, saberem que a sua ida à comissão de inquérito para finalmente poder contar a sua versão era mais do que suficiente para estilhaçar a pulharia.

A inteligência é um instrumento. Convinha que começasse a ser usada não para a estupidificação de tratar o PS como um monstro, antes para desenvolver propostas que nos fizessem ter interesse em votar nos partidos com ideias melhores do que as dos socialistas.

Eclesiastes 3, 1-8

«A explicação dos megaprocessos não pretende esclarecer nada, mas esconder tudo. Esconder a violência cometida contra um inocente. Esconder a detenção televisionada no aeroporto e a invocação de perigo de fuga quando vinha a entrar, não a sair do país. Esconder a prisão para investigar. Esconder a violação sistemática do segredo de justiça e os prazos de inquérito sucessivamente adiados como se estes não constituíssem direitos subjetivos, direitos individuais que não estão à disposição do Estado. Bem vistas as coisas, a desculpa dos megaprocessos pretende normalizar — normalizar a campanha de difamação, normalizar as acusações absurdas, normalizar a viciação do processo de escolha do juiz. E normalizar o silêncio que se seguiu.»

José Sócrates

Este não é o tempo para avaliar a inocência de Sócrates. Este é o tempo para alinhar com os pulhas, aqueles que trocaram a presunção de inocência pelo linchamento e pelo auto-de-fé. Ou então para subir às muralhas do Estado de direito em defesa da civilização onde queremos viver. Terceira alternativa excluída. Porque não há quem admita publicamente que a Justiça pode ser usada para condenar inocentes.

Mas há quem tente usar, e quem realmente usa, a Justiça para condenar inocentes, ou para os destruir socialmente mesmo que não se chegue à condenação. Esses, inclusive quando manipulam e pervertem a Justiça para apanhar veros criminosos, são sempre infinitamente piores do que os seus alvos.

A inocência de Sócrates não é matéria de convicção, é de princípio. Outro tempo virá em que será de demonstração ou persuasão. Não é este, não é sequer o que mais importa.

O crítico de cinema do Público que vá dar uma curva

 

Ao contrário do senhor Luís Miguel Oliveira, eu adorei o último filme da série Indiana Jones. Tem acção, pancadaria, emoção, cor, movimento, variedade, substância, imaginação, história, humor, sentimento e um elenco maravilhoso. O espectador não se aborrece um segundo naquelas duas horas e meia de aventuras. O Harrison Ford está perfeito no papel despudoradamente assumido do velho e já cansado, algo amargurado e sofrido professor aventureiro, que ainda assim mantém a antiga chama. A Phoebe Waller-Bridge muito viva, arguta, excelente, cinco estrelas para ela. Perfeita naquele papel. O miúdo que a acompanha, uma bela surpresa. O Banderas muito bom, apesar do (infelizmente) reduzido papel. O Mads Mikkelsen não desilude no seu estereótipo. Depois, todos os “brinquedos”, a maquinaria: os automóveis, os aviões, os comboios, as motas, as lanças, os artefactos, tudo impecável e na medida certa para um filme deste género. É muita coisa? É. Mas, tratando-se do último filme da série (com o Harrison Ford como protagonista, pelo menos, porque conhecemos Hollywood), digamos que uma despedida apoteótica, expressionista, se justifica inteiramente. Um adeus à guisa de homenagem e muito merecido para o actor. Não esteve o Spielberg na realização, mas James Mangold provou ser um substituto mais do que à altura da responsabilidade.

Posto isto, então não é que aquela alminha do Público lhe atribuiu uma estrelinha apenas? O que quereria ou esperaria ele para um filme deste género, quatro décadas depois? Que não tivesse sido feito? Eu acho que a tarefa era arriscada à partida, claro, eu própria duvidei do interesse da minha deslocação, mas os argumentistas foram extremamente felizes nos equilíbrios e no cozinhado que obtiveram, bem como no tratamento do protagonista. O declínio dos heróis tende a descambar em tragédia e angústia. Mas não há tragédia aqui. Puro divertimento. E ainda bem.

Revolution through evolution

When Majority Men Respect Minority Women, Groups Communicate Better: A Neurological Exploration
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Reading for pleasure early in childhood linked to better cognitive performance and mental wellbeing in adolescence
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Fighting loneliness by finding purpose
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Laughter really is the best medicine research finds
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Investing in nature improves equity, boosts economy
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Toxic ideas online are spreading and growing through the use of irony, analysis shows
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No simple answer for why people believe in conspiracy theories
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