O crítico de cinema do Público que vá dar uma curva

 

Ao contrário do senhor Luís Miguel Oliveira, eu adorei o último filme da série Indiana Jones. Tem acção, pancadaria, emoção, cor, movimento, variedade, substância, imaginação, história, humor, sentimento e um elenco maravilhoso. O espectador não se aborrece um segundo naquelas duas horas e meia de aventuras. O Harrison Ford está perfeito no papel despudoradamente assumido do velho e já cansado, algo amargurado e sofrido professor aventureiro, que ainda assim mantém a antiga chama. A Phoebe Waller-Bridge muito viva, arguta, excelente, cinco estrelas para ela. Perfeita naquele papel. O miúdo que a acompanha, uma bela surpresa. O Banderas muito bom, apesar do (infelizmente) reduzido papel. O Mads Mikkelsen não desilude no seu estereótipo. Depois, todos os “brinquedos”, a maquinaria: os automóveis, os aviões, os comboios, as motas, as lanças, os artefactos, tudo impecável e na medida certa para um filme deste género. É muita coisa? É. Mas, tratando-se do último filme da série (com o Harrison Ford como protagonista, pelo menos, porque conhecemos Hollywood), digamos que uma despedida apoteótica, expressionista, se justifica inteiramente. Um adeus à guisa de homenagem e muito merecido para o actor. Não esteve o Spielberg na realização, mas James Mangold provou ser um substituto mais do que à altura da responsabilidade.

Posto isto, então não é que aquela alminha do Público lhe atribuiu uma estrelinha apenas? O que quereria ou esperaria ele para um filme deste género, quatro décadas depois? Que não tivesse sido feito? Eu acho que a tarefa era arriscada à partida, claro, eu própria duvidei do interesse da minha deslocação, mas os argumentistas foram extremamente felizes nos equilíbrios e no cozinhado que obtiveram, bem como no tratamento do protagonista. O declínio dos heróis tende a descambar em tragédia e angústia. Mas não há tragédia aqui. Puro divertimento. E ainda bem.

12 thoughts on “O crítico de cinema do Público que vá dar uma curva”

  1. !ah!, não vi, mas lembro-me imediatamente dos miolos de macaco e de todas aquelas belezuras ensanguentadas. e se não há nem tragédia nem angústia, então estou contigo, Penélope, e esse crítico que se vá encher de moscas porque as outras estrelinhas são nossas. !viva! o indiana jones cabeludo e grisalho e, marcado pelo destino, divertidamente feliz

  2. sem o Henry Jones, Sr. , o sexy escocês Sean , os indiana nao valem um corno. americanices por americanices , prefiro os mib, homens de negro, gosto do Tommy Lee Jones ou os da múmia com o inglês John Hannah para dar charme aquilo.

  3. Acabei de ver o Indiana, Penélope. Fazem muita merda na América, mas na capacidade de projectar loucuras num ecrã e nos arrastar a todos lá para dentro, águas doidas navegando como se tudo aquilo fosse normal, é difícil chegar-lhes ao calcanhares. E a merda, obviamente, está em quem não mergulha, em quem não sabe nadar. Coitados, afogar-se-iam até numa tigela de sopa e tudo indica que o rapaz do Público é um deles. Foi daquele género de loucura e imaginação sem freio que, há milénios ou há decénios, saíram Pégaso ou Medusa, Hades ou Poseidon, Quetzalcoatl, unicórnios, hidras, hobbits, elfos e o resto do infindável pacote, da Grécia a Roma, de um tranquilo cottage em Staffordshire às planíces americanas pré-colombianas ou aos líricos que, lá para as bandas do Ganges, inventaram um Ganesha louco por poesia ou uma Parvati capaz de aplicar um rotundo não na tromba de um Shiva armado ao pingarelho.

    Subscrevo tudo o que dizes sobre o filme, Penélope, mas não entendo a “adenda” de 3 DE JULHO DE 2023 ÀS 13:19. Por que porra de carga de água, tendo o nosso amigo Indy lutado toda a vida contra nazis, iria agora abrir uma excepção com os nazis ucranianos? Nem o Arquimedes consentiria, pá!

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