A fórmula da “Presidência Aberta” foi uma iniciativa de Mário Soares que marcou os seus dois mandatos. Definiu um estilo presidencial popular de acordo com a sua personalidade e ideologia, tendo sido também um relevante instrumento de contraposição face ao crescimento, e depois supremacia absoluta, do cavaquismo. Marcelo Rebelo de Sousa optou pelo conceito simétrico, o da “Presidência Fechada”: chama 18 conselheiros de Estado a Belém, fechando-se com eles numa sala, só para ter o gozo de mandar em circuito fechado para os jornalistas da cor a versão que lhe interessa sobre o acontecido.
Ontem ocorreu o 31º Conselho de Estado convocado por Marcelo, o que representa uma média de 3 meses e tal por episódio. É uma novela, com as mesmíssimas intenções de uma novela: gerar enredos para os editorialistas do laranjal, produzir entretenimento para os seus colegas comentadeiros, e alimentar a ficção de que o Presidente da República é o super chefe da oposição. De caminho, brinca aos reis. Monta o espectáculo de ter a corte reverente à sua disposição para lhe dizer coisas na cara, a partir do trono. Percebe-se que a direita paupérrima e protofascista que temos precise de liderança com algum talento político. Infelizmente para ela, e especialmente para o País, os predicados de estadista que se atribuíam ao Professor são, neste mandato, uma miragem, uma caricatura, um vexame ambulante.
A direita portuguesa vive desde a traição de Barroso fechada à inteligência e à coragem. Daí, ao longo dos últimos 20 anos, ter apostado tudo nas golpadas, no judicialismo da política e na politização da Justiça. Não produz pensamento, não se liga às populações. Limita-se a ocupar o monopólio dos seus impérios de comunicação social, satisfazendo-se com a indústria da calúnia e a cultura do ódio.
Estão fechados em si mesmos, não admira que definhem. Ou que gerem aberrações tóxicas como o Ventura e este Marcelo deturpador da Constituição.





