Todos os artigos de Valupi

Dominguice

O mais surpreendente nos sonhos não é a dita dimensão onírica. Esse teatro do absurdo, do assustador, do insignificante, do horrendo, do deleitoso, do aleatório e do indecifrável. O caleidoscópio de associações explica-se sem dificuldade quando se reconhece que o seu material está circunscrito ao que a memória adquiriu. Uma memória abraçada à imaginação e mergulhada no pulsante biológico, criando sínteses onde as leis da física e os condicionalismos sociais não influenciam a narrativa. O que é realmente, profundamente, enigmático é sermos testemunhas de uma qualquer narrativa no sonho vígil. Porque sabemos bem que não vem de nós, do eu que assiste e se emociona nesse palco. Sem saber donde vêm as personagens, o que fazem ali e para onde vão a seguir.

Temos um dramaturgo oculto que se mostra quando sonhamos. Que enredos tece quando supomos estar acordados?

O PSD tem dois presidentes

«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta quarta-feira que "mais tarde ou mais cedo" a redução da carga fiscal em Portugal "terá de estar na discussão e na decisão dos governantes". "[A descida de impostos] é uma reivindicação dos jovens e em geral de todos os portugueses", sublinhou o chefe de Estado, em declarações aos jornalistas, em Monte Gordo, no Algarve, recusando-se comentar as propostas em concreto apresentadas pelo PSD. Apesar de Portugal "viver um período difícil", Marcelo admitiu que "o Estado está com as contas equilibradas" e que, por isso, "há uma folga para desagravar os impostos". Como? O Presidente da República responde que tudo irá "depender da evolução da economia".»


Fonte

Perguntas simples

A vinda do papa à JMJ fará o milagre de transformar Carlos Moedas – o qual, literalmente, carregou com uma cruz de madeira ao ombro em tocante e elevadíssimo espectáculo de imitatio Dei – num político com alguma ideia que valha a pena discutir?

Revolution through evolution

Study finds people expect others to mirror their own selfishness, generosity
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Researchers prefer same-gender co-authors, study confirms
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Perils of not being attractive or athletic in middle school
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AI model isolates olive oil ingredients that may fight Alzheimer’s
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AI Transformation of Medicine: Why Doctors Are Not Prepared
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People’s everyday pleasures may improve cognitive arousal and performance
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Poverty alleviation breakthrough: How a switch to a ‘growth mindset’ empowers entrepreneurs in developing nations
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Dominguice

O jornalismo é, logo a partir da sua etimologia, um exercício de atenção ao presente, ao que ocorre no “dia”. Com o desenvolvimento histórico da actividade, moldado pelas inovações tecnológicas que lhe deram cada vez maior e mais imediato alcance, o jornalismo tornou-se num exercício hiperbólico de atenção ao instante. Existe actualmente, mas já com décadas, um fluxo ininterrupto de “notícias” vindas de qualquer parte do Mundo onde haja meios de comunicação. Quem passar o dia a consumir essas notícias passa igualmente o dia a ser pressionado para se sentir à beira de um qualquer tipo de evento decisivo para uma coisa qualquer. Jornalistas e publicistas reproduzem sistemática e maniacamente uma retórica apocalíptica — não por acreditarem nela, ao contrário, mas porque o negócio precisa dessa psicose.

O que acontece nunca é tal como vemos acontecer.

A pulhice é rápida, a integridade é lenta

O inacreditável, e aberrante, sucesso político de Trump em parte deve-se à rapidez sempre crescente do consumo mediático. Para esse ecossistema, Trump oferecia o produto perfeito: a pós-verdade. Ele não tinha programa, não tinha ideologia, não tinha decência. E por isso podia dizer o que lhe passasse pelo bestunto sem se preocupar com a credibilidade e a coerência, ainda menos com a veracidade.

Ao princípio, a imprensa profissional apostava que a sua candidatura não passaria de um número de circo, prevendo-se que o Partido Republicano escolhesse rapidamente nas primárias um candidato que representasse os seus valores tradicionais para enfrentar Hillary Clinton. Daí, a atenção inicial dada a Trump pois ele produzia o melhor espectáculo — e havia que aproveitar enquanto durasse. Parecia uma questão de tempo, e pouco, até o eleitorado republicano carimbar Trump como um palhaço e se passar para as questões sérias. Só que a história não foi exactamente essa, antes se transmitindo e ampliando o início a uma bola de neve de mentiras descaradas e insanas que acabou por destruir o sentido de responsabilidade dos republicanos numa avalancha de ódio político.

Não sabemos se Trump será condenado por tentar reverter os resultados das eleições de 2020. Neste momento, é inocente face a essa e outras acusações entretanto recebidas, tendo todos os meios legais para se defender. Mas sabemos que Trump é culpado de ter atiçado, apoiado e validado a invasão do Capitólio, a qual causou cinco mortos e feriu 140 polícias. Sabemos que essa invasão foi um dos mais graves ataques à democracia ocorridos nos EUA, ou até no mundo pelo seu simbolismo. E sabemos que a violência da retórica de Trump é manifestamente um projecto fascista, onde a violência de sangue se assume como chantagem preferencial para subverter e destruir os princípios constitucionais, os limites legais e o fundamento democrático da comunidade.

A lentidão da justiça norte-americana não podia ter impedido a turbamulta trumpista de cometer os crimes de 6 de Janeiro de 2021 em Washington. Esperemos que essa lentidão possa agora provar que a rapidez, fúria e alucinação dos pulhas não quer o nosso bem comum.

Revolution through evolution

Women and men react differently to strain and stress
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How Breast Milk Boosts the Brain
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Rural environment supports children’s immune systems
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Research into aromas while sleeping sparks 226% cognitive increase
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Analysis of Court Transcripts Reveals Biased Jury Selection
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Nuclear spin’s impact on biological processes uncovered
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New study: Political animosity is global
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Dominguice

Sou amigo de Jesus. O Jesus de quem sou amigo existe. Está vivo. Uma das razões sendo a de que não morreu na cruz, com esse Jesus da agonia não fiz amizade. Outra das razões está na sua substância, as palavras (muito mais do que uma). Essa substância imaterial dá-lhe uma essência literária. E, na literatura, Jesus é imortal enquanto tiver leitores. Mas será também divino? Depende. Que coisa será o divino? Apenas duas naturezas à escolha: ou o totalmente estranho, ou o completamente próprio. A nós, animais com partes racionais.

Como o Jesus de quem sou amigo é (para mim) um exemplo de lirismo rebelde e coragem ética, não duvido que seja divino. O que nos é próprio é o que há de mais estranho.

Nove séculos disto

«Entre os muitos estudos de estradas, de que os governos em Portugal fazem preceder, vinte annos antes, a construcção definitiva de uma só, que de ordinario sae sempre como se não fôsse tão estudada, um houve que levou á aldeia, em que eu e o leitor nos achamos, um engenheiro que ahi fez quartel e centro de operações, durante tres mezes inteiros.»


A Morgadinha dos Canaviais_Júlio Dinis_1868