Todos os artigos de Valupi

Informação útil

Informo os estimados ouvintes de que poderão enviar para este blogue os vossos presentes destinados ao casal Kate e William. Por razões de simplificação do processo, aconselho a entrega de numerário ou a opção pela transferência bancária. Em tempo útil, encarrregar-me-ei de fazer chegar à Coroa Britânica as manifestações da vossa amizade. Muito obrigado.

Viva os noivos!

Relvas, o Educador

Convidado para falar aos alunos de mestrado em ciência política do Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCP), em Lisboa, numa aula aberta à comunicação social, Miguel Relvas afirmou também que o PSD recusa “fazer campanha como o engenheiro Sócrates: discurso escrito, teleponto e muita falta de vergonha”.

Para começar, quem foi a luminária que convidou o Relvas para falar com alunos, e logo de ciência política? Quem irá assumir responsabilidades no ISCP quando metade desses alunos – alegando stress pós-traumático ou a súbita urgência de irem inscrever-se na Legião Estrangeira – abandonarem o mestrado em resultado da palestra?

“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele”.

Não há engano, é mesmo como está escrito. Relvas anuncia que irá governar para a filha. A sua filha será a bitola do sucesso ou insucesso do Governo a que pertencer, avaliação medida pelo orgulho expresso pela menina e percepcionado pelo pai ao chegar a casa.

Relvas também tem mensagens para os parentes de Sócrates, presumindo-se, pela proximidade da referência, que esteja a dirigir-se directamente aos filhos do actual Primeiro-Ministro. Para Relvas, esses miúdos devem sentir vergonha do pai que têm. Caso não a sintam, algo de muito errado lhes está a acontecer. Há ainda uma forma de salvarem a face, mesmo que se reconheçam deficientes em matéria de sentimentos próprios da gente de bem, e tal via consistirá em passarem a esconder que são filhos de tão vergonhoso pai, negando que alguma vez tenham sequer falado com ele e trocando de passeio calhando cruzarem-se na rua por algum infortúnio do destino.

Percebido? Pelo menos a mim, parece-me cristalino o que Relvas está a dizer com as letras todas, todinhas.

Na sua intervenção sobre comunicação política, Miguel Relvas disse que o PSD se vai apresentar nestas eleições com a mensagem de que o PS é “mais do mesmo” e de que esta “é hora de mudar” de política para pôr a economia a crescer, como aconteceu “nos Estados Unidos em 1992, salvaguardadas as devidas diferenças”, com Bill Clinton.

Finalmente algo de tangível acerca do programa do PSD: vamos ter mamadas em S. Bento.

No entanto, o secretário-geral do PSD reconheceu que há resistência à mudança: “Nós temos sondagens, ‘tracking diário’, e vejo a evolução, como é que a coisa está, e vejo que sempre que falamos verdade, sempre que vamos mais longe na mudança, os portugueses retraem-se”.

Até parece que os portugueses vos topam, não é, Relvas? E logo vocês que compraram a patente da Verdade… Grande azar, pá.

“Sabem que é uma coisa que me custa muito, é que a sensação que eu tenho é que ainda há uma parte do eleitorado que quer ser enganada. Ainda há uma parte do eleitorado que quer ser iludida, quer ser enganada e quer ser iludida”, lamentou.

Neste observação, estamos todos de acordo. Relvas não se engana nem engana. Ele só se esqueceu de referir, porque é educado e humilde, que a parte do eleitorado que quer ser enganada tem vindo a diminuir de tamanho – mérito inquestionável do PSD.

Segundo Miguel Relvas, contudo, “é bom que haja sondagens que aproximem” PSD e PS: “Na hora da verdade vai ser o clique de que os portugueses vão precisar. Boas sondagens para o engenheiro Sócrates é o clique da nossa mensagem para ganharmos as eleições”.

Puro génio. Quão melhores as sondagens para o engenheiro, mais perto o PSD fica da vitória. É a famosa teoria do clique, quem não a conhece. Se sair uma sondagem que dê 90% de votos para o PS, nem precisamos de ir votar. É só fazer clique e abre-se uma janela no monitor a dizer que Relvas já é ministro.

“Estou convencido de que as pessoas vão arriscar a mudança, porque nós merecemos o benefício da dúvida”, reforçou.

Mas qual dúvida? Ninguém tem dúvidas, homem. Toda a gente sabe o risco que corre se votar no PSD.

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Eu também teria dificuldade em acreditar

Sites do jornalismo amarelo


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Os nossos jornais de referência abastardam tranquilamente a Língua, nem sequer tendo uns segundos para carregar no botão de itálico tal a lufa-lufa com que nos entregam as notícias fresquinhas. Itálicos era no tempo dos tipógrafos, esses seres muito lentos que arranjavam pachorra para estar ali a montar o texto letra a letra. Os novos licenciados jornaleiros têm mais o que fazer. Há muito site para visitar, muito site onde aparecer, sites cheios de colegas, outros sites cheios de amigos, mais os sites onde dormem, comem, dançam e lêem uns books ou downloadam os files dos movies. No fundo, os jornais modernaços querem-se tal e qual como browsers para atravessar rapidamente a realidade, permitindo um bookmark aqui, outro ali. Mas só se não for bué da chato e não tivermos de fazer itálico, essa sinalética morta e tão pouco bold.

Louçã e a sua crescente impaciência para aturar a democracia

Segundo Louçã, esta questão ficou muito clara na entrevista de José Sócrates à TVI na terça-feira. “É como abrir um ovo da Páscoa e descobrir a prenda que lá está dentro. E a prenda que lá está dentro é o PSD. Querem ajudar agora juntando-se”, sublinhou.

O líder do BE afirmou assim que “Sócrates governa mas quer ajudar governando com o PSD” e, por seu lado, “o PSD quer ajudar o PSD mas governando com o PS”.

“E percebemos bem que a eleição se vai transformar num truque: votar em José Sócrates é votar em Passos Coelho e votar em Passos Coelho é votar em José Sócrates, para que uns e outros vão governando perante esta chantagem imensa do interesse económico, do poder financeiro, desta utilização da economia e do país todo para ir pagando uma dívida que não tem”, condenou.

Fonte

Disfarcem uma beca, olha o nível

O Público faz o que pode para ajudar o PSD. Nada contra, até porque o PSD está bem à rasca, todas as ajudas que conseguirem sacar não serão demais. Só peço é que o façam com um bocadinho de decoro, assim em memória dos tempos longínquos em que não eram um pasquim. Veja-se esta displicência:

Dirigente do PS chama “foleiro” ao Presidente da República

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Lello, além de ser um dos socialistas mais próximos do líder José Sócrates, é dirigente nacional do PS, onde ocupa diversos cargos, deputado e presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República.

O dirigente socialista já tinha ofendido publicamente o Presidente da República depois deste ter feito o discurso da tomada de posse, classificando-o como “ressabiado”.

Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Mário Soares e Ramalho Eanes foram unânimes esta segunda-feira durante as comemorações do 25 de Abril, no Palácio de Belém, a pedirem para que não houvesse crispação entre os dirigentes políticos.

José Lello diz que Nogueira Leite quer “abifar uns tachos”

[…]

Lello, além de ser um dos socialistas mais próximos do líder José Sócrates, é dirigente nacional do PS, onde ocupa diversos cargos, deputado e presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República.

Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Mário Soares e Ramalho Eanes foram unânimes na segunda-feira durante as comemorações do 25 de Abril, no Palácio de Belém, a pedirem para que não houvesse crispação entre os dirigentes políticos.

Duas notícias diferentes, em dois dias distintos, levam com dois títulos similares e dois parágrafos iguais. Para quê? Para um único objectivo: transformar declarações informais e pícaras na ideia de que Cavaco está a ser atacado, ou desrespeitado, indirectamente por Sócrates. Daí a repetição do mesmo texto no mesmo contexto – ou a repetição do mesmo subtexto com o mesmo pretexto.

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Dumping cinéfilo

Leia-se este resumo do Cinecartaz e a seguir o original. O Público informa que o texto vem da Cinemateca Portuguesa, pelo que a pergunta a fazer é a seguinte: quanto é que a Cinemateca está a pagar ao bacano das sinopses para ele copiar comentários do IMDB? Seja o que for, eu farei o mesmo trabalho por metade do que ele ganha.

Good food for good thought

Seed: How, if at all, does steady-state economics apply to the current financial crisis?

Finance is based heavily on things called “present value maximization models”—which means, essentially, that you’re discounting the future by a presumed rate of growth. You run an exponential growth equation backward to get a present value. So via the discount rate, growth is fundamentally built into finance. Well, that’s a very big assumption because the biosphere of which we’re a part is not growing.

One of my intellectual heroes, the Nobel Prize– winning chemist Frederick Soddy, put it another way. He said the problem in our economy is the one thing that economists have in their system which does not obey the laws of physics. And that is money. Money is the symbol of wealth, and yet it operates on laws which contradict the laws that wealth operates on. It’s very strange to have a symbol system that operates in ways that are fundamentally different from the thing being symbolized.

Seed: Do you think that in the future all economics will necessarily be ecological economics?

That’s what I expect. I mean, we’re faced with two impossibilities. On the one hand, it’s politically impossible to stop growth. On the other hand, it’s biophysically impossible to continue it ad infinitum. So, which impossibility is fundamentally impossible? Well, you know, I’ll take my chances with trying to change the politically impossible, because I don’t think I can change the biophysically impossible.

Rethinking Growth

Que vos falta? Querem vir cá a casa?

Já segunda-feira, num almoço com militantes do PCP, o líder comunista havia catalogado a entrada do FMI e BCE como uma traição: “Traindo os valores e ideais de Abril, pende sobre o país uma intervenção externa por via da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma decisão ilegítima tomada no quadro das cedências do Governo PS, com o apoio de PSD e CDS e do Presidente da República, ao grande capital.”

Fonte

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O PCP votou a favor da entrada do FMI quando chumbou o PEC, assim provocando a queda do Governo – será que Jerónimo já foi informado disso? Este partido quer concorrer a eleições, ocupar o Parlamento, usufruir de todas as benesses e regalias que o regime democrático lhe concede mas não mexe uma palha para defender o tal povo que lhe dá as bandeiras e o berreiro. Agora andam felizes e contentes a brincar aos puros e aos intocáveis. Nada de misturas com o grande capital, esse monstro de mil cabeças que suga a alma e nos condena ao mais fundo dos infernos, repetem orgulhosamente sós. É o equivalente a não querer disparar contra o inimigo invocando repulsa pela sua visão.

Haverá pessoas excelentes no PCP, tal como há nas Testemunhas de Jeová – sendo que se trocássemos algumas de uma organização para a outra ninguém daria por isso, nem nós nem elas. Pessoas que estão convencidíssimas de terem as melhores, ou as únicas, soluções para alcançar o fim da pobreza, a paz entre as nações, a felicidade universal. Pessoas que abdicaram de procurar outras ideias porque aquelas a que chegaram chegam e sobram para o gasto. Que fazer com estes fanáticos? Isto: pedir-lhes para explicarem o que está a faltar para que a sua boa nova chegue aos explorados e famintos com número de eleitor. Será que o Avante é boicotado nalgumas regiões do País? Estão com problemas em manter o website do partido actualizado? Querem ter mais espaço na via pública para colarem cartazes? O que estará a impedir que os milhões de vítimas do grande capital abracem a ditadura do proletariado quando o PCP só precisa de mais umas centenas de milhares de votos para expulsar o imperialismo e criar o homem novo?

O PCP, e o BE não será muito diferente, é hoje uma proposta de fuga mundi para extremos da vivência política, aqueles que estão a desabrochar e aqueles que secaram. Por isso não estranha que atraia por igual super-cagões armados em eruditos e taralhoucos para quem partir montras e agredir polícias é preferível a ter de estudar Marx.

Que sorte estar em Lisboa

Nesta quinta-feira e poder ir à próxima sessão do Café dos Blogues. Estive nas duas anteriores e muito agradeci às inteligências e vontades que criaram esta singela iniciativa, onde podemos ver e ouvir alguns autores da blogosfera que só conhecíamos por escrito ou encontrar amigos. Com a Fátima e o maradona assisti a um gargalhado festival de iconoclastia e libertinagem e com o Manuel Falcão e Luís M. Jorge passeei por paisagens crepusculares e introspectivas.

No meio, antes e depois dos convidados, as palavras de Carla Quevedo. Charme hipnótico.

Desertores de verdade

Não há quem consiga associar uma pobre e solitária ideia política ao PSD, pois as poucas que vão apresentando duram menos do que bolas de sabão, talvez por terem a mesma consistência. Mas qualquer um sabe que, desde 2008, o PSD tem como única mensagem a calúnia de que Sócrates é mentiroso. Este ataque tem sido feito com o alto patrocínio de Belém e seu exótico respeito pela Constituição. As duas frentes reclamam serem possuidoras de uma qualquer verdade que guardam só para efeitos de ofensa aos adversários, não perdendo um segundo a partilhá-la com o povoléu.

Ora, nunca se viu – nem verá – um governante tão investigado em Portugal como Sócrates. Do seu percurso académico aos bens adquiridos pelos familiares, passando pela actividade profissional e telefonemas privados, dezenas (centenas?) de agentes de diferentes departamentos e instituições do Estado gastaram horas, dias, semanas, meses, anos e recursos no levantamento das grandes, médias e pequenas mentiras a que puderam deitar a mão. Que se descobriu? Que o objectivo era apenas o de violar a sua privacidade e usar qualquer elemento ambíguo ou inexplicado, ou eventualmente ilegal ou imoral, para campanhas difamatórias. Tudo o que chegasse aos procuradores e juízes, chegaria à vasta e poderosa comunicação social laranja (SIC, TVI, Expresso, Sol, Correio da Manhã, Renascença, parte do DN, parte da RTP). E agora sabe-se que ainda existem cópias de telefonemas captados nas escutas a andar de um lado para o outro entre tribunais, sabe-se lá quantas, sabe-se lá onde e sabe-se lá que mais.

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Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Empowered Workers Are Better, More Productive Workers
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Different Views of God May Influence Academic Cheating
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Mindfulness Meditation Changes Decision-Making Process
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Did the Early Universe Have One Dimension?
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Childhood Music Lessons May Provide Lifelong Boost in Brain Functioning
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Study Reveals New Data on Sexiness on Screen
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Happiest Places Have Highest Suicide Rates Says New Research
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Reversing Aging: Two Authors Use Science to Slow Aging’s Effects
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Highly Trusting People Better Lie Detectors

Libertemo-nos da sonsice

Os programas de cada partido têm de ser apresentados ao eleitorado com serenidade. Não podem ser feitas promessas que não poderão ser cumpridas. Vender ilusões ou esconder o inadiável é travar a resolução dos problemas que nos afligem.

Dos agentes políticos exige-se que actuem com transparência e com verdade, que esclareçam devidamente os Portugueses, sem subterfúgios e crispações artificiais, sem querelas inúteis.

Os Portugueses não se revêem num estilo agressivo de actuação política, feito de trocas constantes de acusações e de tensões permanentes. Esta é uma prática de que temos de nos libertar, como há trinta e sete anos nos libertámos de um regime que nos oprimia.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

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O político há mais tempo no activo, tendo ocupado absoluta e longamente o poder governativo, o cidadão que tem uma suspeita relação de enriquecimento familiar com um grupo financeiro criminoso criado e gerido por indivíduos da sua confiança política e pessoal, o candidato presidencial que vilipendiou os seus competidores logo após ter sido reeleito, o Chefe de Estado que atacou o Governo e pediu a sua demissão no acto mesmo de tomar posse, é o Presidente da República que volta a repetir um discurso repleto de insinuações, vacuidades e delírios.

Que promessas não poderão ser cumpridas? A que ilusões alude? Que inadiável é esse que não deve ser escondido? Como é que se resolvem os problemas que nos afligem, senhor Cavaco Silva? Alguém sabe do que ele está a falar?

Ver um fulano que usou, ou deixou usar, os recursos do Estado ao seu mais alto nível para lançar uma conspiração que visava alterar o resultado das eleições legislativas em 2009 vir falar em transparência e verdade é o cúmulo do desaforo. Mas será que este homem não tem a noção da vergonha por que nos faz passar? Será que ninguém à sua volta o confronta com as suas figuras patéticas e humilhantes? Será que ele está convencido de que discursos como o do Estatuto dos Açores, ou da putativa explicação da Inventona de Belém, esclareceram alguma coisa para além da tragédia de o termos com 1ª figura do Estado? O que ocupará aquela cabeça, já que respeito próprio e responsabilidade comunitária não é com toda a certeza?

Do que nos temos de libertar não é das acusações e da tensão permanente, é dos sonsos com décadas de empáfia.

Sai do quartel

“Os portugueses querem agora é resultados, que saia um Governo que resolva os problemas dos portugueses. Os portugueses, se pudessem abreviar a campanha eleitoral e votar daqui a 48 horas, votaram. É evidente que a campanha eleitoral é elucidativa, é esclarecedora, mas só é se as pessoas não se pegarem pessoalmente, não se chamarem nomes, se não se perder tempo com o que não é fundamental”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa

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Um dos problemas ainda por resolver na democracia portuguesa (sei, nunca será resolvido) é este de estarmos continuamente a levar com debochadas lições de moral de gabirus que ganham muito dinheiro por e para fazerem ataques pessoais, chamarem nomes impunemente, perderem tempo com raivazinhas de estimação, lançarem perseguições nascidas do ressabiamento e impotência. Como o faz Marcelo com exímia facilidade, viciada contumácia e supremo gozo.

Só deixaremos de sofrer esta fractura ética quando os cidadãos saírem dos seus quartéis mentais e marcharem para o espaço público armados com critérios que derrubem uma casta de publicistas perversa, oligárquica, daqui a nada com 40 anos de ditadura mediática.

Soluções novas para os problemas de sempre

Ainda não li, mas irei comprar com duplo interesse, pela temática e pelo autor. O Eduardo tratou da apresentação, pelo que vou só aproveitar para abordar de fugida um aspecto lateral relativo ao Porfírio Silva: o cruzamento da sua formação e investigação na área da epistemologia e o seu interesse e/ou paixão pela política.

A política tem estado maioritariamente ocupada por licenciados de Direito, Economia e Engenharia. É lógico: precisamos de quem faça as leis, as contas e as obras. Mas estas áreas não esgotam, sequer representam maioritariamente, a paleta de competências intelectuais de que a política precisa – e cada vez mais, e urgentemente – para lidar com questões que crescem em exigência de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. Pura e simplesmente, a epistemologia política reunida no modelo direito-economia-engenharia está obsoleta, como se prova pelas crises financeiras e económicas, pela crise ecológica e pela crise da energia.

Olhando para a realidade nacional, podemos constatar como PCP e BE se apresentam absolutamente conservadores nessa hermenêutica de utilizar os instrumentos clássicos da Economia segundo as ideologias marxistas e, simetricamente, CDS e PSD barricam-se na retórica moralista e conspirações mediático-judiciais para reclamarem um alegado direito natural a ser Poder. Resta o PS, ocupado com a governação e tendo desenhado um modelo de desenvolvimento que procurou acudir ao essencial: reforma do Estado, requalificação dos recursos humanos, através do ensino, formação e investigação, redução da dependência do petróleo por troca com as energias renováveis e agressividade na exportação de bens e serviços de alta qualidade. Faltaria agora ao PS o trabalho teórico de ir desenhando uma fundamentada e abrangente proposta política para o século XXI e seus originais desafios.

Pois bem, o tipo de racionalidade que o Porfírio introduz no debate político leva-nos para esse terreno onde se encontram as soluções novas para os problemas de sempre: como viver em paz e alegria. Ou como diriam os cristãos, fazer com que a Páscoa dure todo o ano.

Inúteis e sectários

Lembrando que já em Agosto de 2009, antes das últimas eleições legislativas, defendeu que perante a crise internacional “não devia ser constituído um Governo que não tivesse maioria no Parlamento”, Ferro Rodrigues sublinhou que mantém a mesma posição.

Contudo, ao contrário do que defendeu na altura, dizendo que se deveria tentar “um Governo à esquerda”, afirmou agora que isso será “completamente impossível”, porque ao longo do último ano e meio os partidos de “extrema-esquerda”, mais não fizeram do que “colaborar com a direita em relação à queda do Governo”.

Fonte

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Acresce a estas palavras de Ferro Rodrigues a constatação de que tanto BE como PCP evitaram criticar Cavaco Silva em variadas alturas de puro escândalo presidencial porque apreciavam a sua activa oposição ao Governo e respectiva estratégia de calúnia contra Sócrates.

Não há dignidade nesta esquerda inútil e sectária.