Disfarcem uma beca, olha o nível

O Público faz o que pode para ajudar o PSD. Nada contra, até porque o PSD está bem à rasca, todas as ajudas que conseguirem sacar não serão demais. Só peço é que o façam com um bocadinho de decoro, assim em memória dos tempos longínquos em que não eram um pasquim. Veja-se esta displicência:

Dirigente do PS chama “foleiro” ao Presidente da República

[…]

Lello, além de ser um dos socialistas mais próximos do líder José Sócrates, é dirigente nacional do PS, onde ocupa diversos cargos, deputado e presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República.

O dirigente socialista já tinha ofendido publicamente o Presidente da República depois deste ter feito o discurso da tomada de posse, classificando-o como “ressabiado”.

Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Mário Soares e Ramalho Eanes foram unânimes esta segunda-feira durante as comemorações do 25 de Abril, no Palácio de Belém, a pedirem para que não houvesse crispação entre os dirigentes políticos.

José Lello diz que Nogueira Leite quer “abifar uns tachos”

[…]

Lello, além de ser um dos socialistas mais próximos do líder José Sócrates, é dirigente nacional do PS, onde ocupa diversos cargos, deputado e presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República.

Cavaco Silva, Jorge Sampaio, Mário Soares e Ramalho Eanes foram unânimes na segunda-feira durante as comemorações do 25 de Abril, no Palácio de Belém, a pedirem para que não houvesse crispação entre os dirigentes políticos.

Duas notícias diferentes, em dois dias distintos, levam com dois títulos similares e dois parágrafos iguais. Para quê? Para um único objectivo: transformar declarações informais e pícaras na ideia de que Cavaco está a ser atacado, ou desrespeitado, indirectamente por Sócrates. Daí a repetição do mesmo texto no mesmo contexto – ou a repetição do mesmo subtexto com o mesmo pretexto.

Para os carolas do Público, os vocábulos ressabiado e foleiro são ofensivos para a pessoa e/ou figura do Presidente da República. Obviamente, esta malta não se adaptaria a trabalhar na comunicação social norte-americana, mais facilmente teriam uma carreira de sucesso na imprensa norte-coreana. Mas é a paternalista invocação dos apelos presidenciais ao fim da crispação que sela a badalhoquice. Pelos vistos, só existe crispação no Facebook do Lello, e esta está a violar solitariamente o repto de quatro supremos magistrados da Nação. Ficamos cheios de curiosidade, então, para saber em que modalidade de pacificação, concórdia ou armistício se enquadram estas declarações proferidas no mesmo período temporal (duas, mas podiam ser vinte):

Em declarações à Agência Lusa sobre a entrevista de terça-feira de José Sócrates à TVI, onde afirmou que está disponível para entendimentos com qualquer que seja o líder do PSD, Aguiar-Branco disse que “os portugueses estão cansados da hipocrisia do primeiro-ministro”.

Carlos Moedas, cabeça de lista pelo círculo de Beja, foi esta terça-feira apresentado aos militantes alentejanos, a quem deixou um cenário sombrio da situação económica do país.

Para o economista social-democrata, o momento que os portugueses vivem “ vai ficar na história” e acusa o Governo socialista de ter “destruído a economia do país e colocado os nossos filhos a pão e água” por força de uma crise económica e financeira que classifica de “gravíssima”.

13 thoughts on “Disfarcem uma beca, olha o nível”

  1. Aqueles que agoram protestam contra quem chamou foleiro ao presidente Cavaco, são os mesmos, mais Victor Ramalho e Ferro Rodrigues, que não levantaram a voz da indignação quando o mesmo presidente reeleito chamou caluniadores aos adversários derrotados na corrida a Belém. E, no entanto, a ofensa foi imensamente maior. Esses mesmos (mais o Victor e o Ferro), ficam caladinhos e devem achar normalissimo que se chame mentiroso ao PM Sócrates quando falha uma previsão económica ou uma promessa eleitoral, quase sempre porque ninguém prevê e controla o futuro. Os mesmos (mais o Victor e o Ferro) não se indignam com a mentira despudorada do presidente Cavaco, só porque vem embrulhada no papel dourado do cargo da suprema magistratura, quando este senhor presidente escamoteia a imensa crise internacional, a fim de fazer cair toda a responsabilidade da nossa crise actual sobre o governo de Sócrates.
    Estou farto de ver aceitar as mentiras “finas” da linguagem cheia de retórica dos altos responsáveis, por parte dos mesmos “snobs” sempre prontos a atacar a linguagem desbragada do “cidadão comum”, quando lhes convém.
    Já não posso ouvir mais as mentiras de colarinho branco e as mentiras de face oculta.
    Bardamerda para essa “gente de linguagem fina”, para o Jaime Gama dos elogios ao senhor da Madeira e para os comentários condoídos de Ferro e Victor Ramalho, por alguém ter comentado a foleirice evidente do PR que tudo tem feito para desmerecer o cargo para que foi eleito.
    O direito ao bom nome não é inerente ao cargo mas à pessoa que o exerce. E se o exerce de uma forma reles, merece que se lhe chame o nome reles adequado.
    Era o que faltava, em pleno século XXI endeusar as figuras e os figurões!

  2. A questão essencial aqui não é um suposto desrespeito para com o PR, mas sim os termos utilizados, demonstrativos do carácter da figurinha em causa, que ainda teve a lata de dizer que foi um engano no envio da mensagem via Facebook. A política não precisa de trauliteiros como Lello, que só servem para consolidar a má imagem que as pessoas em geral têm dos políticos. Além disso, não foram os próprios deputados que decidiram não celebrar o 25 de Abril no Parlamento? Queixa-se ele de quê, afinal?

  3. Para quem ainda não aprendeu a distinguir as questões mais básicas, advirto: a linguagem que se usa NUNCA define o carácter de uma pessoa! Poderá indiciar, quanto muito, a sua formação e o seu nível cultural, ou meio social. O que, como quem já ultrapassou as fases precoces da sua formação essencial bem sabe, são coisas muito distintas daquilo que se costuma designar por CARÁCTER. Um borra-botas colérico e de linguagem brejeira pode ser um Cidadão honrado e digno, enquanto que qualquer um falinhas mansas pode ser o maior cobarde, ou o mais vil dos patifes.

    Como é que uma mente tão confusa e impreparada se atreve a vir botar faladura num fórum intelectualmente elevado como este, permanece um insondável mistério, que só poderá desvendar quem conhecer de perto esse edifício de cal e areia podre, que só tem fachada, em que consiste o mundinho da vida social da provinciana e inculta burguesia urbana portuguesa, da Boavista à Foz e da Lapa a Campo de Ourique.

  4. Pensava que os politicos serviam para nos representar.
    E, de facto, eu sinto-me representado por quem chama foleiro e ressabiado ao presidente que nos saiu na rifa. E não serei o único…

    por uma vez que os politiocs cumpram a sua verdadeira função de representação.

    è certo que vindo de Lello, temos de colocar uma molinha no nariz. Mas…que raio, o homem disse a mais pura das verdades, vamos criticá-lo agora?

    miguel

  5. Cada vez o “Povo Livre”, com mais paginas, vai perdendo o seu publico. O Belmiro deve vender mais quilos de nesperas do que o seu jornal. Mas os escribas do Publico, ja se esqueceram da intriga das escutas a Belém que montaram para tramar o primeiro ministro, com a colaboraçao de um “conselheiro de Belém”?

  6. Realmente, depois de um ministro do Governo demissionário ter dito “eu cá gosto é de malhar na direita” e de um vice-presidente da bancada do partido que suporta o Governo ter furtado um gravador, não sei porque é que as declarações de Lello são sequer notícia?! Tudo favorecimento jornalístico, está bem de ver, até porque as personagens em causa nem fazem parte do mainstream nem nada.

  7. quem é que furtou gravador? por acaso estarás a referir-te a uma gravação abusiva cuja arma do crime foi entregue juntamente com a respectiva providência cautelar? é que se é isso, existe um crime de gravação de som e imagem e o tal gravador é prova.

  8. Marco Alberto Alves, para ti:

    carácter (át ou áct)caráter (át) ou carácter (áct)
    (latim character, -eris, sinal, marca)

    s. m.1. O que faz com que os entes ou objectos!objetos se distingam entre os outros da sua espécie.
    2. Marca, cunho, impressão.
    3. Propriedade.
    4. Qualidade distintiva.
    5. Índole, génio.
    6. Firmeza.
    7. Dignidade.
    8. Artes gráf. Molde de letra escrita.
    9. Sinal, figura (usada na escrita).
    10. Artes gráf. Tipo de imprensa. = letra
    11. Sinal de abreviatura.
    12. Med. Aspecto!Aspeto.

    Mal conheço a Lapa e Campo de Ourique, fui criado e vivo nos subúrbios no seio de uma família de classe média com origens humildes. Desconfio que estás mais perto dessa tal burguesia urbana do que eu. A arrogância nojenta do segundo parágrafo do teu comentário, questionando a minha legitimidade em participar num blogue que aparentemente é aberto a todos, sem olhar para opiniões ou ideologias, teve pelo menos o dom de me abrir os olhos e concluir, definitivamente, que não volto a comentar aqui. Deixo isso para mentes brilhantes como a tua.

  9. Sejamos claros, o Lello é foleiro, por ter numa conversa privada chamado foleiro ao PR e que, por erro ou não, transpirou para a zona pública.
    Será um troglodita, por ter afirmado que o Nogueira Leite quer abifar uns tachos, o que nao sei se é verdade ou não, mas segundo a Wilkipédia, o homem coleciona-os a uma velocidade e quantidade de respeito. Será que recebe por todos e se reformará por todos também?!
    Jardim chama bastardos a jornalistas para não lhes chamar fdp’s, bando de loucos aos membros da Assembleia Legislativa da Madeira, iletrado ao ministro das Finanças, bando ao governo da República, e trem direito a que se lhe desculpe tudo dizendo que são exageros de linguagem.
    Filipe Menezes chama canalha a Pacheco Pereira ou tirano a Mendes e são apenas desavenças entre comadres.
    Paulo Rangel chama Chavez a Sócrates e pândego ao ministro da economia e devem ser considerados elogios.
    Pedro Pinto chama camaleão a Maria José Nogueira Pinto e é apenas um estilo de linguagem.
    Ferreira Leite chama mentiroso ao primeiro ministro e é apenas chicana política.
    Jaime Ramos chama Pinóquio ao PM e é levado em ombros.
    Louçã chama “manso” ao PM e está tudo bem.
    É este o país em que vivemos, por isso gosto de ver as virgens ofendidas que andam por aí a clamar aos quatro ventos contra o Lello.
    Tenho saudades do velho lobo-do-mar Pinheiro de Azevedo e da sua famosa frase.

  10. Depois de uma deputada do PSD ter chamado “palhaço” a um deputado do PS em pleno Parlamento; depois de um deputado do PSD ter chamado “f .. …. ” a um deputado do PS em pleno debate parlamentar , que importância tem a adjectivação de ‘foleiro’ aplicado a Cavaco Silva numa conversa entre amigos numa rede social? Quantas coisas, bem piores , não terão já sido ditas entre correlegionários do próprio Cavaco sobre ele, em privado?

  11. Não sabia que neste blog também se fazia humor jurídico. Muito bom!
    Acho que o anónimo acaba de inventar a jurisprudência do olfacto.

  12. Teófilo M., Impagável o teu texto. Insuperável! Só tenho pena que tenhas evitado usar a celebérrima palavra do Pinheiro de Azevedo. Aqui fica ela: BARDAMERDA! Para que conste destes comentários dado que, na história ou pelo menos na estória (como querem os brasileiros), já está inscrita.

  13. HG,

    farás como entenderes, mas não precisas de amuar. Acertei-te em cheio desta vez, mas volto de peito feito para aceitar os teus golpes, desde que leais. Aqui aprendemos todos uns com os outros. E se não “enfias a carapuça” do estereótipo social com que te respondi, tanto melhor. Mas fica sabendo que não estou mais perto dele do que tu estás, já que também só conheço a Lapa e Campo de Ourique de passagem (como igualmente a Boavista e a Foz). Mas chega-me (com o conhecimento de outros lugares similares) para tirar uma “radiografia” representativa a essa burguesia inculta e provinciana (apesar de urbana), que se arroga (de arrogância, sim) o direito de se julgar constituída pelos “verdadeiros portugueses” – muito à semelhança de uns palermas homónimos de um País gélido (em vários aspectos) lá dos confins do Norte da Europa, que não consta dos livros de História (e cujo nome nem me vem agora à memória)…

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