Louçã e a sua crescente impaciência para aturar a democracia

Segundo Louçã, esta questão ficou muito clara na entrevista de José Sócrates à TVI na terça-feira. “É como abrir um ovo da Páscoa e descobrir a prenda que lá está dentro. E a prenda que lá está dentro é o PSD. Querem ajudar agora juntando-se”, sublinhou.

O líder do BE afirmou assim que “Sócrates governa mas quer ajudar governando com o PSD” e, por seu lado, “o PSD quer ajudar o PSD mas governando com o PS”.

“E percebemos bem que a eleição se vai transformar num truque: votar em José Sócrates é votar em Passos Coelho e votar em Passos Coelho é votar em José Sócrates, para que uns e outros vão governando perante esta chantagem imensa do interesse económico, do poder financeiro, desta utilização da economia e do país todo para ir pagando uma dívida que não tem”, condenou.

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11 thoughts on “Louçã e a sua crescente impaciência para aturar a democracia”

  1. A grave questão destas eleições é termos uma certa % de cidadãos com formação universitária, que se considera “superior face ao povo anónimo” e para quem o PS e sobretudo o “arrogante engenheiro” já estão ultrapassados! Para esses, o BE é o partido da “verdadeira esquerda”, o que melhor lhes reflete o “ego” – põem em causa todas as medidas tomadas pelo Governo, sublinhando sempre que há uma concubinagem com o PSD, mas nunca apresentando uma alternativa concreta e enquadrada nesta sociedade pluralista e democrática! O BE não tem nada, nem de democrata nem de republicano, pois o seu “gene” continua a ser a “ditadura dos mais dotados, designados – e não eleitos – por eles próprios”. Basta relembrar as últimas decisões do seu chefe quanto à “moção de censura” e a recusa de se encontrar com a “troika”!

  2. Que bom que é ter alguém que nos explica os truques, mas o que Louçã devia explicar é o que significou e para que serviu o voto no BE nas últimas eleições. Quantas vezes o seu partido se aliou ao PSD neste último ano e meio. É que provavelmente muita gente que votou no seu partido também ficou com a sensação que o seu voto resultou num truque que acabou em inúmeras, e antes impensáveis, coligações negativas.

  3. O padreca passou-se e ja se esqueceu que foi ele um dos que chumbou com o PPD o PEC IV, abrindo o caminho ao FMI. Julga que perdemos a memoria como ele! Vai pregar para o deserto, Anacleto! A mim ja n voltas a enganar!

  4. Pois. Mas o que ele diz é verdade…

    Eu sou um reformista realista normalmente avesso aos aventureirismos irresponsaveis da esquerda folclorica. No entanto, o que esta claro, inclusive no programa publicado ontem, é que o PS tem como plano continuar a apostar nos beneficios cada vez mais duvidosos do crescimento economico a vir, esperando que este advenha milagrosamente de uma maior internacionalização da economia. A aposta é portanto : continuar a cortar nas despesas publicas, sem procurar saber se a diminuição correlativa de serviços publicos é ou não do interesse nacional. E, claro, continua a prometer não aumentar os impostos. Ou seja : continuamos a fazer o que nos mandam na esperança de que melhores dias virão. Falar em sacrificios ou em mudanças de rumo para quê, quando é mais simples esperar que eles nos sejam impostos do exterior ?

    Este é exactamente o programa do PSD. Até a propria dehonestidade é a mesma que o PSD : este não apresenta programa, mas o PS apresenta um programa sem nunca se referir ao FMI e às cedências que ele sabe que vai ter que fazer. Portanto apresenta um programa que sabe perfeitamente que não vai poder cumprir…

    Dêem as voltas que derem, a proposta eleitoral do PS é continuar a governar à direita, na linha que nos levou onde estamos, ou seja na linha que o impediu de cumprir as suas anteriores promessas, incluindo a de não aumentar impostos !

    O pais, a democracia, precisa que tenhamos consciência de que existe uma alternativa. Se a dependência externa nos coloca na impossibilidade de financiar os nossos serviços publicos minimos (aqueles que são indispensaveis para que o pais se desenvolva, para que produza mais e melhor), então devemos diminuir a dependência externa e voltar às bases, comendo o que produzimos e produzindo o que comemos. Não de forma brutal, mas marcando progressivamente, junto dos nossos parceiros europeus, que a internacionalização tem um preço que achamos mais elevado do que o de voltarmos a ter mãos na nossa politica financeira. Portanto começando a falar sériamente num abandono temporario do Euro e talvez mesmo na renegociação da divida.

    Enquanto os paises ricos da Europa continuarem a olhar para nos, exclusivamente, como um mercado, que sentido tem a união politica ? Mercados ha muitos, e bem mais atrativos la fora…

    Se este PS não tem a coragem de ter este discurso, então que venha outro PS…

    Expliquem-me, por favor, o que é que o voto no PS de Socrates (nas proximas legislativas) contribui para o fortalecimento e o desenvolvimento de uma democracia social em Portugal ?

    Boas

  5. Outra vez, João Viegas?
    “Dêem as voltas que derem, a proposta eleitoral do PS é continuar a governar à direita, na linha que nos levou onde estamos, ou seja na linha que o impediu de cumprir as suas anteriores promessas, incluindo a de não aumentar impostos !”
    A notícia da maior crise internacional dos últimos 80 anos, que ainda não acabou, não chegou aí? Nem via satélite? Se a tua mulher ou filhos morrerem, não alteras em nada os teus planos de vida? Se o banco onde tens as tuas poupanças falir, como vais pagar a casa, os colégios, etc? Não tens de rever nada no teu esquema de vida?
    Homem, vota no Bloco e não se fala mais nisso!

    Agora: se fosse fácil, vantajoso ou até possível sair do euro (e porque não da UE?), porque será que nem a Irlanda nem a Grécia o fizeram até agora? Não lhes propuseste tu ainda essa saída?
    Imaginas o custo de tal decisão? Imaginas o que é pagar uma enorme dívida em moeda forte com um escudo a valer coisa nenhuma? Entrámos numa gaiola que temos à viva força de manter dourada, porque fora dela é o abismo, parece-me, e o diabo é que só podemos contar praticamente com os outros pássaros mais gordos.

  6. Sobre o Louçã nem vale a pena gastar tempo, mas caro joão viegas, governar à direita! Acha que governar à direita é criar mais apoio a alunos deficientes, aumentar o número de alunos na escola pública, aumentar o nº de docentes, distribuir mais manuais escolares, criar um Plano Nacional de Leitura, em que a esperança de vida aumentou, as listas de espera para cirurgias diminuiram muito embora tenha havido um aumento de casos, o cheque-dentista, o esforço muita das vezes mal compreendido (e porque não dizê-lo, deficientemente informado) na racionalização de serviços, a agilização dos serviços públicos, a implantação cada vez mais forte da informação ao cidadão, a aposta nas exportações, o corte de regalias sumptuárias, e por aí fora.
    Poder-se-á dizer que poderia ter sido feito mais, pois podia, mas poreque é que os que lá estiveram antes e agora para lá querem voltar não tiveram coragem (para não dizer outra coisa) para o fazer.

  7. CARO JOÃO VIEGAS, DIGA-ME LÁ POR FAVOR: VOTAR NO BE, PARA QUÊ? PARA NA PRIMEIRA ESQUINA ELES SE VOLTAREM A ALIAR À DIREITA PARA BLOQUEAR QUALQUER REFORMA, OU EM EXTREMO, DEITAR ABAIXO O GOVERNO. É CURIOSO, TAMBÉM EU VOTEI NO BE; MAL EMPREGADO VOTO. SE SOUBESSE EM QUE É QUE SERIA EMPREGUE, BEM QUE TINHA CORTADO A MÃO.

  8. “Comendo o que produzimos e produzindo o que comemos”. Linda frase; magnífico efeito retórico. Eis a receita de João Viegas mai-lo seu BE. Mas que retórica é esta?! É com frases destas que se propõem resolver-nos os problemas? Eu não sou economista mas tenho ouvido falar muito de bens transaccionáveis e, nesse quadro, julgo que essa do “eu não te compro mas gostava que me comprasses umas coisitas” não me parece que ajude grande coisa. Ou ajuda?!

  9. Caros e especialmente ANIPER,

    Estamos a desconversar.

    Dando de barato que se deve aplaudir aquilo que o governo de Socrates fez até hoje, a questão é constatar que estamos num impasse, como ele proprio reconhece, e que a unica coisa que interessa, ou antes que devia interessar, é saber como fazer para sair dele no futuro.

    Sou um fervoroso internacionalista e continuo a acreditar na construção europeia.

    So que, na Europa, e fora dela, o desenvolvimento vem do interior, o que passa necessariamente pela questão de saber se estamos, ou não, a comer mais do que aquilo que produzimos. Se não estivéssemos, não teriamos o problema da divida, ou teriamos como resolvê-lo facilmente.

    Mais uma vez pergunto : o que é que o PS de Socrates propõe para sair da crise : mais cedências aos credores, sem limite, aceitando qualquer preço em troco de benesses ou de empréstimos, para que venha um pouco mais de coconhol (a juros altissimos, ou a troco de mais privatizações) e de paz social (que é exactamente o programa do PSD, pouco ou nada interessado em destruir os poucos e incipientes serviços publicos que temos) ?

    Ou então fazer contas e definir claramente um limite a partir do qual o preço a pagar para continuarmos no Euro sera considerado maior do que o preço a pagar para re-havermos um pouco dos instrumentos tradicionais da politica financeira de um Estado soberano (o que implica, claro, poder fechar provisoriamente a torneira externa, assumindo as consequências e a austeridade que dai resultar) ?

    Ou seja, sendo mais do que obvio que o PS, se ganhar, vai ser minoritario, como é que ele propõe governar : aliando-se ao PSD como fez até hoje ? ou abrindo-se à esquerda, explicando que as cedências que ele quer implementar são a contrapartida necessaria para preservar os serviços publicos e apostando num posicionamento mais à esquerda ?

    O que eu vejo é que o PS se esta a preparar para a primeira dessas duas alternativas.

    E confesso que, embora ainda não tenha decidido em quem vou votar, estou muito longe de compreender esta postura.

    Até pelo seguinte : esta politica foi a que se seguiu nos ultimos anos e os resultados estão à vista !

    E, por favor, não me venham outra vez falar na culpa da maior crise economica internacional desde a peste negra de 1348. Ninguém nos garante que não vai haver outra semelhante depois de amanhã. Portanto a questão é fazer com que o pais esteja mais bem preparado do que esta hoje. So isso.

    Ah, e finalmente, também não estou a dizer que tem de ser uma solução radical absoluta milagrosa para amanhã de manhã, tipo amuamos e saimos estrondosamente da Europa. Ninguém defende isso.

    Apenas uma politica realista alternativa a fazer o jogo do PSD.

    Arranja-se ?

    Senão, não tenho a certeza de votar PS, mas também não ha de ser nada…

    O meu singelo voto não vai impedir o Socrates de alcançar a estrondosa vitoria por 89 % a zero que vocês cantam dia sim, dia sim.

    Boas !

  10. emenda : o PSD pouco ou nada preocupado com a destruição dos poucos e incipientes serviços publicos que temos

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