Mais do mesmo, diz uma espécie de voto nulo

Ontem assisti à apresentação do Programa de Governo do PS. Coube a Sócrates apresentar as linhas gerais do mesmo, claro, e não ler o documento na íntegra. Mas apresentar as linhas gerais não é coisa pouca, porque fica claro, claríssimo, quais são os pontos basilares do programa de governo apresentado a tempo e horas daqueles, imagine-se, que não são Governo em plenitude de funções, que não estão a continuar o seu trabalho árduo porque o PSD, de punho erguido com toda a oposição, preferiu a crise ao país. O mesmo é dizer, preferiu a hipótese de poder mais rápido às pessoas, aos cidadãos e cidadãs que estavam a ser alvo das consequências de um esforço tremendo para que não chegássemos aos dias de hoje.

Os dias de hoje são os dias em que é esse mesmo PM que foi varrido na AR sem que o PSD tivesse uma única ideia alternativa, uma única proposta de convergência, uma única resposta aos pedidos de diálogo, que está a negociar a ajuda externa a Portugal, discreto em cada reunião, com o interesse nacional evidenciado em cada gesto. Ironias do destino.

Ao mesmo tempo, quando estamos a ser avaliados para efeitos de recebermos a tal ajuda externa, o PSD lança perguntas ao Governo sobre o estado da Administração e das suas contas, explica que não haverá entendimentos com o PS após as eleições sem a substituição de Sócrates, etc, etc, etc.

Passos Coelho escolhe para cabeça de lista de Lisboa quem não tem cultura democrática. Podia ser lapso. Podia não dizer nada sobre o presidente do PSD. Mas diz. Passos Coelho, na tradição de alguns sociais democratas, tem problemas com regras elementares da democracia. É quase aterrador ouvir um candidato a PM, neste momento de crise em que estamos a ser observados à lupa ou noutro qualquer, deitar por terra as regras democráticas partidárias.

Só vejo uma receita para Passos Coelho. Ele que se inscreva no PS e entre no processo democrático para afastar Sócrates.

Hoje, depois de tudo o que ouvi ontem, que tem muito que ver com o assegurar de linhas mestras essenciais para a esquerda que vêm sendo ameaçadas pela direita através de recados, isto é, que tem muito que ver com não usar a ajuda externa como pretexto ou desculpa para destruir traves mestras do Estado social, dou com a extraordinária declaração reactiva do PSD: mais do mesmo.

A sério?

Leram o programa todo?

Eu lia o do PSD, mas não há.

O Partido que provocou esta crise tinha o dever ético e moral de nesse momento ter propostas alternativas. Não tinha.

Passada essa vergonha histórica, esperava-se que fosse o primeiro a surgir com um programa, ideias sólidas, mesmo que sem a nossa concordância, uma equipa unida, um líder que diz o mesmo de manhã e à noite.

Nada.

Não me lembro de um momento político assim.

O PSD é um voto nulo.

24 thoughts on “Mais do mesmo, diz uma espécie de voto nulo”

  1. Aspirina tomada com a quantidade de sal aconselhada a uma comentadora que é também candidata a deputada.

    Verificar a posologia, e consultar o farmacêutico de serviço no caso de continuidade dos sintomas…

  2. «Passos Coelho (…) que se inscreva no PS e entre no processo democrático para afastar Sócrates».

    Bem, parece-me que Passos Coelho, no PS, poderia ter algum papel mínimamente válido antes de pretender afastar José Sócrates. Que tal começar a aprender tudo desde o início (para os conhecimentos ficarem bem consolidados…), candidatando-se, já não digo à Junta de Freguesia de Massamá, mas por que não à própria Câmara Municipal de Sintra, que é já o segundo maior Concelho do País? Nada mau, para quem ainda não tem qualquer currículo político! Até podia levar, como candidato à presidência da Assembleia Municipal, o seu colega de aprendizagem democrática, o caloiro Fernando Nobre, penso que o PS/Sintra não iria levantar grandes problemas…

    E daqui a uns oito ou doze anitos, caso se portasse bem e a Regionalização avançasse com passos firmes, talvez estivessem ambos em boas condições para enfrentarem com sucesso, sob as cores do PS ou já como Independentes, as primeiras Eleições Regionais para a Região Administrativa de Lisboa, quem sabe até se, nessa altura, em papéis trocados: Passos Coelho candidato à presidência da Assembleia Regional e Fernando Nobre (com muito maior experiência de gestão…) à presidência do órgão executivo (confesso aqui que detesto solenemente o nome de “Junta” Regional…)!

  3. Mais do mesmo é o que o PSD tem para oferecer aos eleitores. Perderam as últimas eleições, mudaram de líder e a única ideia que têm é a mesma que a Ferreira Leite defendeu: Sócrates é mentiroso. E sendo assim basta afastá-lo e os problemas do País resolvem-se como que por magia. Talvez por isso pensem que não necessário qualquer programa alternativo.
    O que estranho é ver alguns que na última campanha escreveram cobras e lagartos acerca da falta de um verdadeiro programa do PSD de Ferreira Leite agora integrarem as listas do Passos com um ‘programa’ igualzinho.

    Pagava para ver o Passos Coelho explicar aos senhores do FMI e companhia que a causa de todos os nossos problemas é da exclusiva responsabilidade do aldrabão do primeiro-ministro. Que sem ele a crise que afectou uma boa parte do Mundo em 2009 não teria cá entrado, o mesmo para a crise das dívidas soberanas. Quais ataques especulativos qual quê… E justificar assim as cartas com as perguntas ao Governo e a recusa em negociar o que quer que seja com o PS de Sócrates.

  4. No momento em que atravessamos uma das mais graves tempestades que há memória, a resposta do PSD é não só a falta de rumo, mas dezenas de timoneiros, cada um com a sua bóia de salvação devidamente assegurada e colocada, a querer puxar o leme para o seu lado, enquanto o pretendente a capitão se limita a observar com aquele ar nunca ter visto uma carta de navegação na vida. E a única coisa que conseguem, com o argumento que o barco estava a meter água, e tempestade-qual-tempestade, é dar um toque na altura exacta para embater no rochedo. É este o pais de marinheiros?

    (já agora Isabel, parabéns pela sua candidatura a deputada.)

  5. vou ver se escrevo sem erros, não vá andar por aí o DS…etas.

    “Marco
    Abr 28th, 2011 at 12:20
    Aspirina tomada com a quantidade de sal aconselhada a uma comentadora que é também candidata a deputada.

    Verificar a posologia, e consultar o farmacêutico de serviço no caso de continuidade dos sintomas…”

    em que é que isso, retira a razão daquilo que a Isabel escreveu????

  6. Olá Isabel,
    de facto, o PSD, mais uma vez, dá-nos mais do mesmo, exercitando a máxima de que uma mentira dita 1000 vezes se torna numa verdade absoluta, atira para o éter a mesma estafada e esfarrapada alegação de que a culpa é do Sócrates.
    Se o Sócrates pergunta aos partidos se pretendem integrar o governo e eles recuam torna-se falso.
    Se Sócrates diz que são necessárias reformas e as enceta impedem-no de todas as maneiras e feitios e apoiam as corporações em que se tenta mexer.
    Se Sócrates lhes bate à porta com propostas, respondem com exigências.
    Se Sócrates estende pontes, eles derrubam-nas liminarmente afirmando que não dialogam com ele.
    Se quem cala é mentiroso e quem mente fala muito, logo os papagaios apelidam quem não fala de mentiroso e verdadeiro quem mente.
    Se Sócrates nada vê provado na justiça, logo é condenado na praça pública pelos democratas que levantam autos de fé em nome da justiça e defendem a independência dos tribunais.
    Depois de tudo sabotarem, meterem os pauzinhos que entenderam na engrenagem, terem os boys deles em locais priveligiados, levarem bancos à falência, entrarem em negócios pantanosos, fazerem tropelias mil continuam sem uma única ideia para a governação do País.
    E ainda há quem diga que estes personagens não pertencem a nenhuma companhia que leva à cena apenas óperas bufas e onde os seus atores são pagos como príncipes embora representem como aprendizes.

  7. @jpferra, onde é que eu disse que retiraria?

    Mas é conveniente estar-se atento quando uma situação pré-existente possa entrar em conflito com opiniões imparciais, e é de bom tom os opinadores assinalarem essa situação – chama-se, apropriadamente, declaração de interesses.

    Há quem o faça, há quem não o faça. Não faço juízos de valor sobre os dois grupos de pessoas. Mas registo e assinalo essas situações.

  8. Marco a Isabel já há muiiiittttooooo tem as mesmas opiniões, diria, salvo erro, bem antes de ser candidata a candidata…

  9. Comentário a Marco Alberto Alves (Abr 28th, 2011 at 12:34 )

    Discordo que diga que Passos Coelho não tem qualquer currículo político. Não
    posso deixar passar tamanha falsidade, pois que, além de presidir à jsd até à idade em que atingiu a consistente maturidade que tem evidenciado desde que o puseram a presidente do psd, previu e quis as consequencias economicas e políticas do chumbo do PECIV, que é um marco marcadamente marcante da sua presonalidade e acçao política. Além disso tambem não lhe falta experiencia autarquica: foi candidato DERROTADO à Camara da Amadora…

  10. Desde os tempos da mais pura ortodoxia marxista que julgava não ser possível ter uma visão tão maniqueísta das coisas. Pelos vistos enganei-me. Ah, e já agora, acho delicioso que seja a esquerda a trazer de quando em vez venha à baila o pormenor Massamá; mas também se fosse Lapa em vez de Massamá, logo se arranjaria outro estribilho.

  11. Hum. Sugestão de “declaração de interesses” para descansar algumas almas:

    Isabel Moreira é candidata a deputada pelo PS, pelo que as suas opiniões sobre este partido e seus adversários devem ser encaradas, até mudança de estatuto, como campanha eleitoral e não verdadeiras opiniões imparciais, como têm aqueles que não são candidatos. Uma vez eleita, Isabel Moreira será deputada pelo PS, pelo que as suas opiniões sobre este partido e seus adversários devem ser encaradas, até mudança de estatuto, como defesa do seu lugar e serviço ao chefe, e não como provenientes das suas convicções pessoais e visão do mundo particular, como têm aqueles que não são deputados ou portadores de cargos públicos. Para além disso, Isabel Moreira é filha de Adriano Moreira, ex-presidente do CDS, pelo que as suas opiniões sobre esse partido, se positivas, devem ser encaradas como tendo um bias familiar, e se negativas ver o primeiro e segundo items. Para além disso, Isabel Moreira é jurista e constitucionalista, pelo que todas a suas opiniões sobre a justiça e o direito devem ser vista como tendo bias profissional, ao contrário daqueles que opinam sobre o tema sem terem qualquer formação na área. Para além disso, Isabel Moreira é do sexo feminino, pelo que todas as suas opiniões sobre homens, mulheres, e relativas relações humanas poderão não ser imparciais, ao contrário que quem escreve sobre estes temas de uma posição assexuada. Para além disso, Isabel Moreira é colaboradora num blog intitulado Aspirina B, pelo que as suas opiniões sobre a saúde e medicina em geral e a industria farmacêutica em particular podem não ser imparciais, contendo um bias favorável à Bayer. E finalmente, Isabel Moreira tem “Mayer” como nome, embora omita frequentemente e estranhamente este facto quando assina os textos, pelo que a interpretação do que escreve deve ter em conta este facto, por razões que agora me escapam mas que devem ser relevantes.

    Pronto. Colocar no final de todos os posts e está feito. Não sei se é tudo, mas é um começo…

  12. @Vega9000, para ficar mesmo completo, só falta alertar os incautos para a trupe de acéfalos ruidosos, cultores da velha e boa tradição do nacional-engraçadismo, que sempre gravita em torno de pessoas com meio pintelho de poder. Mas não preciso de o avisar a si, não é verdade?

    Já agora, e fica a saber – porque o saber não ocupa lugar – as declarações de interesses servem para os dois lados: é possível, e bastante mais comum do que pessoas sem esse tipo de experiência calculam, que a parcialidade tenda para uma maior cultura de exigência em relação ao que está próximo, levando a críticas mais contundentes, do que para os adversários, seja qual for a área. Analisando, aliás, os textos de Isabel sobre constitucionalismo, poderá constatar isso mesmo; e bem.

    Finalmente, e se era à minha alma que se referia, pode estar descansado: a minha alma está sossegadíssima. Estou-me positivamente nas tintas se Isabel está ou não correcta nas suas opiniões, e se será ou não deputada. Mais deputado, menos deputado, para a bela merda que andam a fazer desde meados do século XIX, com raríssimas excepções, nem se nota quando faltam 100 (e faltam muitas vezes).

    Será que Isabel irá constituir uma dessas raríssimas excepções? Bom seria; pessoalmente, do pouquíssimo que vi da mesma na televisão, acho que o mais provável é aumentar o já elevado nível de peixeirada na Assembleia. Queira o belo busto da República que eu me engane.

  13. Marco, não deixa de ser curioso que quem escreve isto:

    Aspirina tomada com a quantidade de sal aconselhada a uma comentadora que é também candidata a deputada.

    Verificar a posologia, e consultar o farmacêutico de serviço no caso de continuidade dos sintomas…

    Venha depois falar em nacional-engraçadismo que gravita em torno de pessoas com meio pintelho de poder. Sendo assim, parece-me que sofremos ambos do mesmo mal, apenas tu utilizas para uma posição hostil, e eu no sentido contrário.

    Quanto às declarações de interesses, das quais sou um grande defensor para profissões que têm o dever de imparcialidade, como jornalistas, não me parece que seja aplicável aqui (até porque é mais que público), daí achar que esse ponto de vista é não só um perfeito disparate, mas insultuoso para a autora. Porque implica que, a partir do momento em que aceita um lugar de candidata, as suas opiniões perdem o que quer que seja de validade e objectividade. Por isso, deixa-te de rodriguinhos e vai lá ao cerne da questão: achas que a Isabel Moreira está a formatar os seus textos de modo a aumentar as hipóteses eleitorais do partido pelo qual concorre, logo as suas? É que o teu comentário implica isso mesmo: temos que ter cuidados acrescidos com o que a Isabel escreve, porque agora ela tem alguma coisa a ganhar.

    Parece-me uma opinião lamentável.

  14. dada a taxa de cumprimento dos programas e promessas eleitorais dos últimos 6 anos ( já deve ser negativa :)) ) podiam-nos era poupar à literatura de cordel. pura perda de tempo. acho que o voto nulo dá para os dosi lados.

  15. Não é a autora, são todas as pessoas que ficam parciais pelas mais variadas situações. É intrínseco ao ser humano. Como já disse, essa parcialidade dá para os dois lados: tanto esforço para não beneficiar, e prejudica-se.

    O meu comentário não “implica”, o meu comentário “diz”: temos que ter cuidados acrescidos com o que as pessoas dizem quando existem condições que alterem os seus julgamentos nas matérias em apreço. Para cima, ou para baixo. Neste caso concreto, a direcção é por demais patente, o que é só triste, mas que se coaduna com a atitude caceteira da maioria dos comentadores políticos da bloga portuguesa (e doutros sítios também).

    Se achas lamentável, oh, well, não vou perder o sono. Podes ir lamber sabão.

    O que eu acho verdadeiramente lamentável, mas a culpa é inteiramente minha, é que eu, por variadíssimas razões, gosto mesmo muito de vários escritos de Isabel Moreira; quando se põe com estas coisas “foleiras” (usando este vocábulo tão em voga no “politiquês”), essa minha condição pré-existente altera-me o julgamento imparcial sobre a autora, neste caso, num sentido penalizante, de exigência redobrada.

    Anyway, e rematando, idealmente, os deputados teriam a obrigação deontológica de serem imparciais, colocando o bem da Nação acima de tudo. O propósito é logo desfeito nessa “coisa” absurda da “disciplina de voto”, inquinando toda a política parlamentar. Mas isso sou eu e a minha aversão à “real politiks”.

    Citando um dos meus autores preferidos:

    «- E não houve alguém que disse em tempos que “a política é a arte do possível”?
    – Sem dúvida… o que justifica que apenas gente de segunda categoria se meta nela.»

    (Arthur C. Clarke in 3001 Odisseia Final)

  16. Gostei da discussão. Um especial agradecimeneto ao Vega 900
    Se me permitem
    1. Não omiti que sou candidata a Deputada. A candidatura foi noticiada em todos os jornais e em todos os canais de televisão. Pensei, imagine-se, que chegava, para o facto ser do domínio público.
    2. Se me enganei, cá vai: sou candidata a Deputada pelo PS, como independente, pelo círculo de Lisboa. Estou em 9º lugar na lista.
    3. Nunca fui totalmente imparcial na vida, nem a provar uma tosta mista. Alguém é? Não me parece. E ainda bem.
    4. O nível de imparcialidade que se exige às pessoas é outro. Quando vou à televisão explicar por que razão entendo que uma lei é inconstitucional, ou os passos seguintes à demissão do PM, ou por que entendo que a proposta de revisão constitucional A ou B são juridicamente inconcebíveis, estou a falar como especialista numa matéria, não interpreto as normas ao contrário do que faço à 11 anos “a ver se tramo” um partido político que não é o da minha simpatia. Era absolutamente incapaz de violar a minha consciência jurídica.
    5. Sempre defendi causas de esquerda e sempre fiz uma leitura da história recente do país favorável à esquerda e desfavorável à direira. Foi e é a minha opinião. Tenho direito a ela.
    6. Entretanto sou convidada para vir a ser Deputada.
    7. Que norma é essa e onde está, já agora, que manda os Deputados ou candidatos a Deputados fecharem a boca e não fazerem análise política?
    8. Não existe e se existisse seria inconstitucional.
    9. Importam-se de ligar a televisão e verem todos os dias Deputados e Deputadas opinarem sobre os factos políticos do momento? Alguns até pagos para isso?
    10. Importam-se de abrir os jornais e encontrarem colunas de opinião de Deputados?
    11. Importam-se de ler as opiniões de Deputados em blogues que não este?
    12. Pequena nota de humor: desde um remoto prós e contras que alguns me colam com a história da peixeirada. Sim, foi intenso, duro, muito difícil. Fui uma “peixeira”, sendo certo que se fosse homem teria sido “assertiva”. Mas desde aí devo estar a provocar, a irritar gente que continua a escrever coisas destas, porque já lá vão mais vinte aparições na televisão, entre debates e entrevistas, sem um ambiente de violência como aquele do prós e contras que só viu quem lá esteve, e a malta não aguenta que eu seja só isto ou aquilo, mas não “peixeira”, na definição deles. Prometo fazer uma “peixeirada” qualquer para que a acusação, ainda que injusta, tenha pelo menos actualidade.

  17. Leio comentários no Aspirina B sobre o texto de Isabel Moreira, concordâncias e discordâncias. Ainda bem. É o poder da democracia. Alguns mais exaltados, para não dizer fanáticos, usam as armas mais ignóbeis para atacar quem não é da sua cor. Isabel Moreira há muito que é colaboradora deste blogue e sempre demonstrou que é de esquerda, assim não tem de fazer declarações de interesse, nem abandonar o Aspirina, porque o que aqui escreve não tem efeitos remuneratórios. Sei que muitos gostavam que isso acontecesse ou que não fosse candidata pelo PS.
    Como faz impressão ver um burro olhar para um palácio. É evidente que o burro não tem a noção da figura que faz mas, muita gente que se julga mais esperta que este ser infeliz, sabe o que quer! São os Relvas deste País. Nunca julguei ver gente desta espécie. São uns invertebrados. Rastejam por tudo que lhes é acessível.
    Uns dizem que Passos Coelho não apresenta nenhum programa – só sabe fazer farófias – outros, que não precisa de ter relações com Sócrates. O que eles esperam – Passos também incluído – é que os responsáveis pela Troika não o aceitem ou que não haja eleições – dizem uns para não se gastar dinheiro. Isto era a cereja em cima do bolo.
    Mas como tudo na vida, temos que nos habituar, com o que de mais nobre a democracia nos oferece: igualdade de oportunidades.

  18. Caro Manuel Pacheco,
    estou quase de acordo consigo, mas eis que falou num dos animais com mais personalidade que esta terra conhece eque mais vilipendiado é – pois está claro que é dos burros que falo.
    Esses ternurentos quadrúpedes que são meigos, ágeis e de uma vivacidade extrema, para além de companheiros de jornada muito nos ajudam nos carregos a troco de uma parca alimentação e boa água, mas disparando uns valentes pares de coices quando a mosca lhes pega.
    O maior defeito deles, é a sua variante bípede, que presume ser detentora de aguda inteligência, ter uma sagacidade genial, omniscientes, usando permanentemente uns antolhos limitadores da visão periférica pelo que só conhecem o caminho que lhes está em frente do focinho.

    P.S.: Não confundir com o jumento, pois esse é animal de fino trato e estrebaria concorrida.

  19. Sobre peixeiradas e lateralidades não vou pronunciar-me.
    Apenas gostaria de contribuir para a discussão democrática (que se quer elevada) com três notas:
    1. Surpreende-me que se confunda “programa eleitoral” com “programa de Governo”, sobretudo tratando-se de uma especialista na matéria.
    2. Confunde-me que se argumente que esta é a maior crise internacional depois de uma série de eventos, a gosto (da crise do petróleo de 1973, da 2.ª Guerra Mundial, da Grande Depressão de 1929, etc.) e não se explique por que é que, sendo tão severa, “só” três Estados tiveram necessidade de um resgaste financeiro, se estima que Portugal seja o único Estado da UE (e da OCDE) a ter crescimento negativo pelo menos em 2011/12 e seja também Portugal o Estado da UE que menos cresce (e mais divergiu da média europeia), desde há, seguramente 10 anos (muito antes, portanto, da crise do “subprime”).
    3. Choca-me que as vozes que agora pedem clemência na avaliação do Executivo por não ter atingido os objectivos do seu “programa de Governo” (agora sim) – dado que eram impossíveis de alcançar, não por erros políticos, económicos e financeiros próprios, mas em virtude da referida crise – tenham calado a falaciosa campanha eleitoral de Setembro de 2009, toda ela feita no pressuposto que a grave crise não tinha chegado a Portugal (o que até tinha permitido um dos maiores aumentos dos vencimentos da Função Pública nos últimos 30 anos) e tenham colaborado na humilhação pública da única pessoa que anunciou, à época, que estávamos endividados.
    Certamente não é por não estarmos endividados que estamos agora a ser financeiramente resgatados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.