Que vos falta? Querem vir cá a casa?

Já segunda-feira, num almoço com militantes do PCP, o líder comunista havia catalogado a entrada do FMI e BCE como uma traição: “Traindo os valores e ideais de Abril, pende sobre o país uma intervenção externa por via da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma decisão ilegítima tomada no quadro das cedências do Governo PS, com o apoio de PSD e CDS e do Presidente da República, ao grande capital.”

Fonte

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O PCP votou a favor da entrada do FMI quando chumbou o PEC, assim provocando a queda do Governo – será que Jerónimo já foi informado disso? Este partido quer concorrer a eleições, ocupar o Parlamento, usufruir de todas as benesses e regalias que o regime democrático lhe concede mas não mexe uma palha para defender o tal povo que lhe dá as bandeiras e o berreiro. Agora andam felizes e contentes a brincar aos puros e aos intocáveis. Nada de misturas com o grande capital, esse monstro de mil cabeças que suga a alma e nos condena ao mais fundo dos infernos, repetem orgulhosamente sós. É o equivalente a não querer disparar contra o inimigo invocando repulsa pela sua visão.

Haverá pessoas excelentes no PCP, tal como há nas Testemunhas de Jeová – sendo que se trocássemos algumas de uma organização para a outra ninguém daria por isso, nem nós nem elas. Pessoas que estão convencidíssimas de terem as melhores, ou as únicas, soluções para alcançar o fim da pobreza, a paz entre as nações, a felicidade universal. Pessoas que abdicaram de procurar outras ideias porque aquelas a que chegaram chegam e sobram para o gasto. Que fazer com estes fanáticos? Isto: pedir-lhes para explicarem o que está a faltar para que a sua boa nova chegue aos explorados e famintos com número de eleitor. Será que o Avante é boicotado nalgumas regiões do País? Estão com problemas em manter o website do partido actualizado? Querem ter mais espaço na via pública para colarem cartazes? O que estará a impedir que os milhões de vítimas do grande capital abracem a ditadura do proletariado quando o PCP só precisa de mais umas centenas de milhares de votos para expulsar o imperialismo e criar o homem novo?

O PCP, e o BE não será muito diferente, é hoje uma proposta de fuga mundi para extremos da vivência política, aqueles que estão a desabrochar e aqueles que secaram. Por isso não estranha que atraia por igual super-cagões armados em eruditos e taralhoucos para quem partir montras e agredir polícias é preferível a ter de estudar Marx.

26 thoughts on “Que vos falta? Querem vir cá a casa?”

  1. Excelente texto, Valupi.
    Os “explorados e famintos” do Norte nunca votaram no PCP, talvez por influência da seita rival, mais antiga e bem implantada – a igreja católica (uma seita, mesmo assim, um pouco menos fechada). Os do Sul, da zona de Lisboa, neste momento também não, até porque nem sabem bem o que é o comunismo. Querem é ser ricos, como toda a gente e não vêem interesse nenhum em pôr em comum a riqueza produzida (esqueçamos o que isso deu). No Alentejo, não sei se ainda haverá explorados e famintos. Há seguramente quem vote no PCP por tradição, por simbolismo ou por cultura da singularidade regional.
    A avaliar pelas listas de candidatos a deputados do PCP, uma grande parte dos votantes neste partido serão professores ou funcionários públicos interessados em manter os privilégios e adaptarem-se o menos possível a uma nova realidade mais exigente.
    Concordo contigo: o espírito da “tribo” PCP é o de um bando de lunáticos que se aproveita da democracia, ao mesmo tempo agitadores saudosistas da “luta de classes” e de grandes conflitos sociais que já não se resolvem com a revolução de operários e camponeses. Para eles, quanto pior, melhor, mas com a nuance que também referes: quanto pior para o PS, claro. O curioso é que isso não lhes dá um único voto a mais.

  2. “O PCP votou a favor da entrada do FMI quando chumbou o PEC, assim provocando a queda do Governo – será que Jerónimo já foi informado disso?”

    Exacto… rigoroso….”objectivamente” assim como a própria cartilha de Jeronimo ensina, quando este o quer, e com este ultimotermo…

    abraço

  3. “Haverá pessoas excelentes no PCP, tal como há nas Testemunhas de Jeová – sendo que se trocássemos algumas de uma organização para a outra ninguém daria por isso, nem nós nem elas..”

    maravilha… abraço

  4. Andei por aquelas paragens quando jovem, quando não podia deixar de admirar e estar grato a tantos como aqueles que falam no documentário 48 que está a passar nos cinemas! Hoje quando os ouço falar, aos de hoje, não sei se me ria, se chore, mas o que me vem é uma raiva… e penso que, objectivamente, (há sempre coisas e palavras que nos ficam!) com o seu sectarismo cego, alheio ao mundo em que vivem estão a desonrar e a tornar inútil o sacrifício dos que os antecederam.

  5. La estas tu a deitar foguetes para recolher a ovação dos que ja estão convencidos.

    Aceito a critica ao pc e ao be.

    Mas falho em compreender qual é a diferença entre o PEC IV (?) e o programa de austeridade que vamos aceitar apos negociação com o FMI. Não se trata de uma diferença exclusivamente calendar, o primeiro antecedendo o segundo de 6 ou 8 meses ?

    Continuo a achar que devias abrir uma rubrica especial para diminuidos mentais como eu, que não percebem bem porque é que hão de votar num partido que tem como unico programa visivel continuar paulatinamente a politica que levou o pais à crise actual…

    Ja sei que vais dizer que a “culpa” não é do PS. Mas, precisamente, não seria mais logico, e mais consentâneo com as ideias do PS, colocar no poder quem tem a “culpa” da situação ?

    Ah, ja me lembro, é que desta vez trata-se de dar ao PS e ao Socrates uma maioria absoluta clara, assim uns 75 %, com que possam sacudir de uma vez por todas esses inuteis criticos das oposições e começar a governar isto mesmo a sério, de forma democratica.

    Estou-me sempre a esquecer desta parte…

    No fundo, aquilo de que o pais precisava, o choque tecnologico capaz de fazer andar isto para a frente, seria um bode que levasse para os confins dos desertos o FMI e as outras pragas com que a estupida realidade teima em aborrecer-nos. Um Partido do Bode, reunindo os Bodes de esquerda e os Bodes de direita.

    Assim sim, a democracia passaria de novo a fazer sentido : uma luta do Partido do Bom contra o Partido do Bode, com uma clausula tacita mandando que vença sempre o primeiro, sob pena do pais ficar sob tutela externa.

    Abraços

  6. Parabéns Valupi, este PCP está cada vez mais na mesma.
    É um paradoxo.
    Evolui cristalizando.
    Anacronismo que subsiste através dos idosos mais iletrados, pelo voto familiar e por uma súcia de intelectualóides que procuram manter-se à tona e viver dependente do aparelho.
    Há alguns, jovens ainda, que como alguns de nós o fizeram, alimentam utopias, sonham com os amanhãs que cantam e com o Sol que finalmente iluminará a internacional operária do porvir.
    Não são de desprezar os quatrocentos e tal mil votos que vão aparecendo, muito longe já dos quase oitocentos mil de 76 ou dos mais de um milhão em 79 e 83, mas a tendência lá está, esmagadora, definitiva.

  7. João Viegas, uma vez que me incluo nos que ovacionaram o Valupi, permito-me responder que dizes algumas coisas bastante absurdas. “Colocar no poder quem tem a culpa da situação?”
    1. Finges não saber o que é o poder e que é cobardia não lutar por aquilo em que se acredita.
    2. Os culpados imediatos da subida a pique dos juros da dívida soberana e do abandono da solução “europeia” podem ter sido as oposições, mas a situação internacional obrigou a agravar o défice e a dívida com as ajudas à economia e às pessoas desempregadas, agravamento que agora estamos a ser obrigados a corrigir rapidamente “or else”. Quem sugeres para pôr no poder? A Moody’s, a Fitch, Frau Merkel, o PSD, o BE, o PCP, o FMI itself??
    3. Não foi a política conduzida pelo PS que levou à situação actual. Além disso, vai haver novo programa de governo, tendo em conta a nova situação financeira e política do país. É hoje apresentado.
    4. A tua forma irónica de colocar a coisa em termos de “ditadura” da maioria absoluta PS v. democracia autêntica (já agora, com quem?) é curiosa. Não tenho ideia nenhuma de ter vivido quatro anos (de 2005 a 2009) em ditadura, apesar de haver uns que inventaram a asfixia democrática para melhor nos asfixiarem na comunicação social. Vi, pelo contrário, que se fizeram ou lançaram importantes reformas e se introduziu bastante transparência na governação e contas.
    Deve governar quem obteve a maioria dos votos. Caso não seja maioria absoluta, deve governar em coligação. Acontece que coligação com partidos que só governam fora do regime capitalista, portanto em ditadura comunista, é, por definição, impossível. Coligação com PSD parece-me desaconselhável, dada a necessidade de alternância. As eleições não vão provavelmente trazer um cenário claro de governação. E isto era sabido.

  8. ANIPER tocou com o dedo na ferida: os Comunistas de hoje são como os Fariseus dos tempos bíblicos, cumprindo apenas rituais vazios de sentido e guardando “templos” que eram já meras fachadas. O Espírito já não os habitava e a sua cegueira moral impediu-os de reconhecer Jesus Cristo como fonte de renovação para a sua Fé.

    Assim são os Comunistas de hoje em Portugal, de quem os Comunistas dos anos trinta e quarenta, se vivessem hoje, teriam certamente muita vergonha.

    Este Artigo não é sobre o PEC IV, nem sobre o F. M. I., é um mini-ensaio sobre a cegueira de quem hoje se reclama fiel seguidor de algo que já não sabe bem como nasceu, porque apenas conhece a narrativa do mito, não a realidade, e que hoje não passa da carcaça seca do que foi o fantasma de uma Ideologia extinta, como todos os dinossauros, biológicos ou mentais…

    Bravo.

  9. Caro Aniper

    fiquei com suas letras gravadas desde a manhazinha quando as li…

    acho sei bem

    o significado de cada silaba, palavra!!!

    as passagens por certos sitios marcam…

    os que la ficam,

    pensam-se, detentores verdade revelada

    e ela é

    factor sua felicidade sem duvidas, nem questões desmobilizadoras…

    os que saiem, seriamente,

    – não me refiro a bufaria que sempre ha em todo lado…

    aqueles tentam manter nestes,

    um complexo de culpa, que tentam condicionante de actuações futuras…

    por sua vez,

    ver hoje onde poderiamos eventualmente estar ainda acantonados

    faz-nos perceber um pouco,

    esta dialectica de vida e de pensamento, tão erratico

    e todos seus riscos possiveis em termos nossa liberdade, moral, personalidade

    num contexto politico em mutação..

    abraço amigo, eu tambem la estive em 64, aos meus 17 anos

    e arrostei com varias pides nesse/desse tempo…

    é por isso, que gosto de dizer, cantar, gritar

    …a luta continua…

    sempre!!!

  10. Um post à maneira: a inteligência, a leveza do discurso, a análise soberba, o verbo distinto. Enfim não me restam dúvidas:
    Viva Valupi o grande marxista, tendência Groucho !

  11. O «Luís» Valupetas é um dos tais que está a precisar de estudar Marx, é o que se conclui da leitura deste texto ridículo cheio daquelas banalidades e caricaturas que os papagaios do sistema tanto repetem. Este tipo de «texto» preguiçoso equipara o marxismo a uma religião, ignorando a critica de Marx ao discurso religioso, e de forma pouco ou nada original oferece aos socretinos eufóricos (os mesmos que andam a prestar culto a um produto de marketing) um tipo de «análise» própria de quem é incapaz de qualquer critica séria ou com sentido.
    Mas, «prontos», façamos a vontade ao caricaturista «Luis» pouco dado a inovações, e que, num tempo dominado pelo copy/paste, se limita a ser expressão do pensamento formatado. Aceite-se a ideia de que o marxismo se assemelha uma religião. Ora, o próprio Marx, na sua critica à religião, reconheceu virtudes à religião, pois se ele afirmou que esta é «a expressão da miséria real» também disse que era «um protesto contra a miséria real». Assim, a religião, ainda que seja alienação, traz-nos de facto uma revelação: a revelação da insatisfação dos homens com as suas condições de existência. Mais: como disse o conhecido «neomarxista» e teórico da utopia Ernst Bloch (conhecido por quem não se limita a vomitar slogans publicitários e banalidades para socretino aplaudir), «onde há esperança há religião». Aliás, já o próprio Kant tinha dito que a pergunta «o que posso esperar», é uma pergunta religiosa. Nesta medida, até se poderá dizer que o marxismo é de facto uma «religião», e pode-se dizer também que a religião é um movimento revolucionário, na exacta medida em rejeita o mundo como ele é opondo-lhe um outro mundo: o mundo do «ainda não», para usar a expressão do próprio Bloch.
    Assim a pergunta a fazer é: o que é que se pode considerar como um discurso não religioso? A resposta é: todo o discurso onde esteja eliminada a perspectiva e o desejo por um mundo melhor. Ou seja, todo o discurso acomodado, conformado e resignado ao mundo que existe. E que discursos são esses? São os discursos do sistema, do pensamento dominante e segundo o qual a realidade se reduz ao mundo de que ele é uma imagem, não havendo qualquer outra alternativa ou possibilidades. São, por exemplo, os discursos do situacionista de serviço, o «Luís» Valupetas, para quem «ideias novas» consiste em apresentar «ideias velhas» como sendo «modernas». Isto é apresentar soluções neoliberais como sendo coisas originais. O que até nem é completamente falso, tendo em conta que essas «soluções» são publicitadas como sendo de «esquerda» (da «esquerda» moderna) e contra a «cartilha neoliberal». Se calhar «originalidade» até não lhes falta, portanto.. Mas talvez seja melhor avisar os socretinos que o que eles pensam ser «original» não passa de contrafacção barata em que o vendedor de feira Pinto de Sousa se tornou especialista.
    Enfim, os socretinos, ao contrário dos marxistas, não são «religiosos», mas não o são como não o são os animais, porque como é tipico nos animais selvagens agem apenas por instinto, ou como é tipico nos animais domesticados obedecem às ordens do seu dono. Já, antes de Marx, Feuerbach dizia que a diferença entre os homens e os animais é que estes não têm religião….

    PS: Depois deste «texto» do «Luís» Valupetas, estou certo que é desta que o gajo vai parar ao Parlamento. Se a sua colega de blogue foi convidada porque não também o «great» Valupetas, né? Porreiro, pá! Valeu a pena tanta manipulação ao serviço do aldrabão…

  12. jpferra, parece-te mal… Porque uma coisa é citar determinados autores (e as citações vêm entre aspas) para desenvolver certas ideias. Outra coisa bem diferente é papaguear, como faz o Valupetas, discursos da treta e nem sequer ter consciência disso. Como os papagaios, lá está!
    Mas, jpferra, a tua má percepção tem uma explicação: a quantidade de erros ortográficos que deste numa única frase denunciam que tens também grandes dificuldades na leitura… Mas para ti o copy\paste, ou os velhos ditados da primária, até são capazes de ser o mais bem indicado para resolveres o teu problema….

  13. Jerónimo é um robot ferrugento que debita uma velha cassete, com a fita já roufenha e a ensarilhar-se. Os ‘valores e ideais de Abril’, para ele como para os robôs que o antecederam no lugar, são o programa do PCP, esse rol de idiotices do século XIX a que os outros povos, que as sofreram, já deram o merecido destino – mas que em Portugal continuam expostas em monturo, à espera da incineradora História. Quando os comunistas falam em traição, querem dizer traição ao leninismo, crime que dava forca na velha URSS.
    O PCP tem sido desde 1977 o maior aliado da direita no parlamento, sempre pronto a deitar abaixo governos de centro esquerda e sempre indisponível para qualquer solução que não seja a velha cassete. Sá Carneiro agradeceu-lhes em 1977, Cavaco em 1985, Durão em 2002, Coelho em 2011. Do alto dos seus 7 por cento de votos, a vanguarda leninista só aceita ditar o seu próprio programa ao governo eleito pelos outros. Há trinta e tal anos que não saem disto nem nunca sairão. PCP pró ferro-velho!

  14. E o “Avante” (de 31 a 74), essa preciosidade, também queres enviar para o ferro-velho? (Agora não te dava jeitinho nenhum, certo?)

  15. Ó DS, olha que eu quando andei lá pelas tuas bandas, uma das coisas que aprendi foi a ter respeito pelo adversário. Então não percebeste que os erros com que topaste no minitexto do jpferra eram uma forma de gozar contigo?! Não chegou até aí a tua dialéctica?!

  16. Estes socretinos têm, de facto, um qualquer défice na sua capacidade de julgamento. A Associação Nacional de Incentivo aos Pintos E Ratos, que tem o costume de insultar qualquer comentador anti-Pinto de Sousa que apareça, disse que aprendeu a respeitar os adversários! Deve ter aprendido na mesma escola onde o jpferra aprendeu a escrever: a escola onde se ensina que a exibição da burrice (ou da socretinice, claro) é uma forma de gozar com os outros. Suponho, portanto, que este último comentário da dita associação é mais um comentário a gozar comigo… Estes gajos têm piada, de facto.

  17. ds, com o devido respeito, as tuas piadas, além de bem escritas, são muito mais giras.
    “Assim a pergunta a fazer é: o que é que se pode considerar como um discurso não religioso? A resposta é: todo o discurso onde esteja eliminada a perspectiva e o desejo por um mundo melhor.”

  18. Ó DS, a tua descodificação tem piada, mas olha que o Pinto não precisa dos incentivos! Ainda há pouco o vi na apresentação do programa eleitoral do PS e nem imaginas como está motivado!

  19. Mais um a juntar-se à festa da «gozação» socretina: o VM achou piada e «gozou» com o que eu disse àcerca do discurso não religioso… Claro que neste seu «gozo» de ignorante nem se apercebeu que por detrás dessa ideia estão filósofos como Kant e Bloch…
    Os socretinos, como seres robotizados e formatados que são, olham para a política e para o mundo determinados pela visão consumista e mediática dos tempos que correm, e por isso nem fazem ideia do significa desejar ou esperar um mundo melhor. Ou melhor: os seus eventuais desejos reduzem-se a serem satisfeitos com o que a propaganda ou manipulação socretina lhes transmite, e daí que não sintam qualquer necessidade de negar o estado de coisas actual, e de perspectivar um futuro diferente. Olhe-se, uma vez mais, para o que a associação dos pintainhos diz, pois é bem demonstrativo deste estado de adormecimento e hipnotismo a que os socretinos estão sujeitos…

  20. Ó DS, eu sou ateu, vá lá, agnóstico, mas o que dizes deu-me vontade de trazer à baila um frase que ouvia quando em menininho ia à missa e que nunca esqueci. Cito-a porque não tenho à mão o teu Kant nem o teu Bloch. Era assim a tal frase lá da Biblia: “há quem veja o argueiro (não achas gira a palavra?!) no olho do vizinho e não veja a tranca no próprio olho”.

    Precisas, de facto, de ter muita lata para vires falar em “seres robotizados e fanatizados”!
    Quando te leio e vos ouço penso, por vezes, que o vosso ódio a tudo a que cheire a social-democracia é mesmo do domínio do patológico. Não tenho outro remédio senão conformar-me. Afinal sempre foi esse o vosso comportamento ao longo da história. Sempre instituiste como vosso principal inimigo (cá vêm os chavões!) a social- democracia! A razão é simples: São os que ideológicamente têm mais pontos de contacto convosco mas que se “aburguesaram”. Leia-se: decidiram abrir os olhos ao mundo que os rodeia! São, por isso, aqueles que vos roubam os melhores quadros, não são! Pensa lá.

    Apesar de tudo, penso que tenhas percebido a minha intenção quando te disse o que disse ácerca do escrito de jpferra.

  21. Depois deste último comentário da associação dos pintainhos, serão precisas mais demonstrações àcerca da formatação e robotização que eu apontei aos socretinos? Social-democracia?! Onde?! Quando?! Lá está: basta o vendedor da banha da cobra vir para a televisão dizer que defende o Estado Social ou que é da «esquerda» moderna para os socretinos ficarem certos, convencidos e descansados (ou seja, hipnotizados, manipulados e adormecidos) àcerca do «seu» projecto económico e social. Isto depois das inúmeras promessas que o impostor fez e não cumpriu; depois das inúmeras medidas de carácter neoliberal que implementou (desde os cortes nos diversos subsídios à crescente liberalização das leis laborais); depois das privatizações que fez e projecta fazer. Mas os socretinos continuam convencidos que estão perante um social-democrata, quando até diversos opinadores de direita (como o Júdice) dizem abertamente que apoiavam o dito impostor e que, no geral, a direita estava satisfeita com o seu desempenho no governo!
    Mais: a dita associação ainda não se apercebeu que até a expressão «social-democracia» está a caír em desuso. Começa a ser cada vez mais habitual ouvir os lideres da socretinada a definirem-se como «sociais-liberais». Isto é, no inicio eram apenas socialistas, depois passaram a ser socialistas democráticos, mais tarde tornaram-se sociais-democratas, e agora assumem-se cada vez mais como sociais-liberais. Não falta muito para o «social» desaparecer de vez. Mas estas alterações devem ser feitas de forma pausada, pois uma mudança mais rápida pode confundir as cabeças adormecidas dos socretinos. A «social-democracia» a existir só existe como nome de um partido: o PSD. Mas isso é só um nome para enganar os eleitores e não os afugentar, dirão os socretinos. Os mesmos que acreditam na propaganda «social-democrata» do Pinto de Sousa… Tão «diferentes» e tão iguais que eles são…

  22. ds, até podia estar o mundo inteiro por detrás dessa ideia, é-me indiferente, mas aqui fica a correcção: os filósofos Kant e Bloch…, tinham umas piadas giras.

    Quanto a essa conversa de formatação e robotização assenta-te que nem uma luva, onde se torna por demais evidente no teu discurso anti-socretista(s).

  23. VM, agora que fizeste a correcção, trata lá então de contestar a ideia em causa. Ou preferes continuar apenas a «gozar», isto é, a rir da tua ignorância?
    Olha que essa indiferença (ou o ridículo) pode matar! A inteligência, pelo menos…

  24. ds, a ideia é completamente redundante por muito papel filosófico que utilizes para a embrulhar. Associar “discurso religioso” à “perspectiva e desejo por um mundo melhor” é o mesmo que associares a inteligência à ignorância, será verdade para uns casos não o será para outros.

    Mas essa de invocar a santíssima trindade para, por exemplo, controlar as contas públicas e os demais problemas do Pais tem a sua piada.

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