Relvas, o Educador

Convidado para falar aos alunos de mestrado em ciência política do Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCP), em Lisboa, numa aula aberta à comunicação social, Miguel Relvas afirmou também que o PSD recusa “fazer campanha como o engenheiro Sócrates: discurso escrito, teleponto e muita falta de vergonha”.

Para começar, quem foi a luminária que convidou o Relvas para falar com alunos, e logo de ciência política? Quem irá assumir responsabilidades no ISCP quando metade desses alunos – alegando stress pós-traumático ou a súbita urgência de irem inscrever-se na Legião Estrangeira – abandonarem o mestrado em resultado da palestra?

“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele”.

Não há engano, é mesmo como está escrito. Relvas anuncia que irá governar para a filha. A sua filha será a bitola do sucesso ou insucesso do Governo a que pertencer, avaliação medida pelo orgulho expresso pela menina e percepcionado pelo pai ao chegar a casa.

Relvas também tem mensagens para os parentes de Sócrates, presumindo-se, pela proximidade da referência, que esteja a dirigir-se directamente aos filhos do actual Primeiro-Ministro. Para Relvas, esses miúdos devem sentir vergonha do pai que têm. Caso não a sintam, algo de muito errado lhes está a acontecer. Há ainda uma forma de salvarem a face, mesmo que se reconheçam deficientes em matéria de sentimentos próprios da gente de bem, e tal via consistirá em passarem a esconder que são filhos de tão vergonhoso pai, negando que alguma vez tenham sequer falado com ele e trocando de passeio calhando cruzarem-se na rua por algum infortúnio do destino.

Percebido? Pelo menos a mim, parece-me cristalino o que Relvas está a dizer com as letras todas, todinhas.

Na sua intervenção sobre comunicação política, Miguel Relvas disse que o PSD se vai apresentar nestas eleições com a mensagem de que o PS é “mais do mesmo” e de que esta “é hora de mudar” de política para pôr a economia a crescer, como aconteceu “nos Estados Unidos em 1992, salvaguardadas as devidas diferenças”, com Bill Clinton.

Finalmente algo de tangível acerca do programa do PSD: vamos ter mamadas em S. Bento.

No entanto, o secretário-geral do PSD reconheceu que há resistência à mudança: “Nós temos sondagens, ‘tracking diário’, e vejo a evolução, como é que a coisa está, e vejo que sempre que falamos verdade, sempre que vamos mais longe na mudança, os portugueses retraem-se”.

Até parece que os portugueses vos topam, não é, Relvas? E logo vocês que compraram a patente da Verdade… Grande azar, pá.

“Sabem que é uma coisa que me custa muito, é que a sensação que eu tenho é que ainda há uma parte do eleitorado que quer ser enganada. Ainda há uma parte do eleitorado que quer ser iludida, quer ser enganada e quer ser iludida”, lamentou.

Neste observação, estamos todos de acordo. Relvas não se engana nem engana. Ele só se esqueceu de referir, porque é educado e humilde, que a parte do eleitorado que quer ser enganada tem vindo a diminuir de tamanho – mérito inquestionável do PSD.

Segundo Miguel Relvas, contudo, “é bom que haja sondagens que aproximem” PSD e PS: “Na hora da verdade vai ser o clique de que os portugueses vão precisar. Boas sondagens para o engenheiro Sócrates é o clique da nossa mensagem para ganharmos as eleições”.

Puro génio. Quão melhores as sondagens para o engenheiro, mais perto o PSD fica da vitória. É a famosa teoria do clique, quem não a conhece. Se sair uma sondagem que dê 90% de votos para o PS, nem precisamos de ir votar. É só fazer clique e abre-se uma janela no monitor a dizer que Relvas já é ministro.

“Estou convencido de que as pessoas vão arriscar a mudança, porque nós merecemos o benefício da dúvida”, reforçou.

Mas qual dúvida? Ninguém tem dúvidas, homem. Toda a gente sabe o risco que corre se votar no PSD.

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Eu também teria dificuldade em acreditar

21 thoughts on “Relvas, o Educador”

  1. Certamente, para quem o conhecer, não é felizmente o meu caso, não é difícil acreditar que ele disse o que disse. E se assim aconteceu, o que ele merecia era com um pano encharcado na cara, e digo cara porque sou uma pessoa educada.

  2. É o que se chama uma aula de grande qualidade. A ser uma aula, pois não se percebe o que estavam lá a fazer os alunos de mestrado. Não era para a comunicação social presente que Relvas falava?

  3. Já nao me lembrava de rir tanto logo de manhã.

    “Finalmente algo de tangível acerca do programa do PSD: vamos ter mamadas em S. Bento.”

    DE MESTRE

  4. Continuação da estratégia da verdade embrulhada no ataque pessoal mais sues! Ideias, nenhumas, apenas a linguagem do insulto e do dislate puro e simples.
    E ficam ofendidos quando o Lello acusa o PR de foleiro, porque não convidou os deputados. Este, pelo menos. disse a razão porque fazia a afirmação.
    Depois do Santana PM, para descer mais só nos faltava o Passos em São Bento com o Relvas, o Nobre na AR, e o tipo da casa da coelha em Belém, com o Oliveira e Costa no B. Portugal e o Loureiro na CGD.
    Assim, estava o circo montado, muito próximo do que é descrito na Farpas.
    Volta Ramalho Ortigão e vem lançar uma farpas a ver se o país acorda!

  5. Parabéns Valupi,
    hoje que para mim é um dia especial, nada como acordar dando umas boas gargalhadas lendo o que mister Relvas disse a quem estuda ciência política. Infelizmente não temos o vídeo que mostre a cara dos assistentes, que cerrtamente de olhos esbugalhados e boca aberta deveriam olhar horrorizados para o personagem questionando-se sobre o que é que aquele triste andaria por ali a fazer.
    Mas quem manda um licenciado em Controlo de Gestão falar em Ciência Política?
    Então não querem lá ver que só por ser companheiro dos copos do PPC já tem direito a falar sobre tudo!

  6. Manuel Loureiro, na era na cara, era mesmo nas trombas. E o pano não era encharcado com água mas sim com aquilo que se agarra às solas e não é lama.

  7. Qual “benefício”, qual “dúvida”, qual quê!? Este boçal trauliteiro já governou este País! Já se sentou no Conselho de Ministros! Não foi assim há tanto tempo como isso, não fez nada que alguém se lembre (para além da colossal trapalhada da “regionalização tranquila”, em boa hora desmantelada) e, por isso, NINGUÉM QUER VÊ-LO DE VOLTA!

    Fora com esta pandilha! 5 de Junho, vem depressa acabar com esta fanfarronice estéril e agoniante! Relvas, volta lá para a Borda d’Água (*) e deixa-nos em paz!!!

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    (*) Nome tradicional do Ribatejo, antes da criação das onze Províncias continentais (1911).

  8. Vale tudo para esta gente canalha, só se aproveita neste tipo de discursos o facto de o PSD se enterrar cada vez mais. Só pode ser o desespero das “sondagens diárias”.

  9. MESTRADO?! em Ciências Políticas do Instituto de Ciências Políticas e Sociais de Lisboa?! E não coraram de vergonha perante as alarvidades do “conferencista”?! E não lhe perguntaram, como ilustres Licenciados em Ciências Políticas e Sociais, se era assim que se propunha ganhar eleições?! E não lhe perguntaram se não tinha vergonha na cara?! E não o mandaram “ir lamber sabão” ou “dar uma volta ao bilhar grande”?! Mas que ricos “mestres” dali hão-de sair?!

    E, depois, vão para a rua gritar que são a “geração à rasca” e que não há quem lhes dê trabalho! Na parte que me toca, acho que se nem um, um ao menos para salvar a honra do convento, se nem um teve a coragem de se levantar e dizer calmamente àquele bandalho que, na qualidade de licenciado em Ciências Políticas, entendia não ser maneira de um qualquer político se referir a outro seu adversário, se nem um houve capaz de o fazer, então estamos mesmo perante, não uma “geração à rasca” mas perante uma “geração ultra-rasca”.

    Certo é, porém, que mais rasca que aqueles candidatos a “mestres”, foi a direcção de uma escola superior?! que sabia muito bem ao que ia quanto se atreveu a convidar este pedacito de político par botar discurso. Enfim, uma miséria que diz bem do desgraçado momento que estamos a viver!

  10. Muito bem, ANIPER! Devia ser mesmo este o tipo de linguagem que o fantoche de Belém pediu, expressamente, para ser usada neste período pré-eleitoral. E logo num Estabelecimento de Ensino público, no âmbito da formação das novas fornadas de políticos! Que lindo exemplo…

  11. Ola, Ja aqui tive oportunidade de dizer que penso que em circunstancias normais, Socrates deveria perder as eleicoes. As circunstancias normais seriam, entenda-se, se o PSD tivesse um programa coerente, se apresentasse uma lista de candidatos a AR constituida por pessoas com experiencia politica (Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, Pacheco Pereira, Antonio Capucho e nao um populista ingenuo como Fernando Nobre), em vez de ter como unicos argumentos o odio visceral a Socrates e o argumento queixinhas de que ‘o PS ja fez mal que chegasse, agora e chegada a nossa oportunidade de ir ao pote e pouco importa que nao tenhamos mostrado ate agora qualquer competencia para exercer o poder’. Mas aqui Relvas passa das marcas. O que um discurso destes mostra e uma total e completa falta de humildade democratica. O que ele diz e que quem vota PS quer ser enganado (o que quer dizer que e burro, ou entao tem interesses ocultos, o que e ainda pior). Pois bem, Dr. Miguel Relvas, eu estava a pensar em me abster, porque estou a viver no estrangeiro e nao mudei o Recenseamento. Agora, esta-me a dar ganas de gastar 200 ou 300 Euros para ir a Portugal no fim de semana de 5 de Junho dar o meu voto a quem acho que nao o merece (o PS). E isto so para chatear!

  12. Eu que julgava que o destino do país era muito mais que benefício da dúvida, achava que devia ser baseado num projeto e em certezas acerca do que queremos, ou qualquer coisa do género, estava enganado?

  13. “Só me apetece ganir” dizia em tempos um ‘entertainer’ , se não me engano, da SIC , esse canal exemplar de isenção comunicacional. Pois é isso mesmo que me apetece também fazer em relação a estes ‘cães’ raivosos que julgam que na política vale tudo. Porém , se calhar ,é bom que continuem nesta toada pois é disto que o ‘povo’ NÃO gosta.

  14. É que eles falam, falam, mas NÃO DIZEM NADA. Não dizem nada do que têm na manga ou, melhor, quando dizem alguma coisa e veem as reacções dos portugueses, correm logo a emendar a mão. Finórios.

  15. A linguagem do Dr. Relvas revela,fundamentalmente, a mediocridade intelectual do sujeito.
    Não será certamente por acaso que hoje no DN o Dr. Vitor Bento-promovido a senador pelo jornal- afirma que os governos que governam bem não ganham eleições.
    Isto é : o panico começa a intalar-se e o melhor é ir culpando os eleitores
    EGR

  16. No meu comentário anterior não passou uma frase, na qual escrevi que convinha reter, apesar de tudo, a referencia nas afirmações proferidas a ideia de que os portugueses são resistentes a mudança.
    EGR

  17. O comentário que fez em relação as frases de Miguel Relvas não no mínimo ridiculos

    A forma com O sr. primeiro ministro tem enganado e mentido a todos os Portugueses é escandalosa… gostava de acreditar no que ele diz… mas desde que o ele foi para o poder o pais apenas ficou mais pobre, mais individado e cresceu menos

    ainda assim ele promete que tudo sera como dantes, havera mais emprego, o estado social manter-se-a como esta and so on and so on…

    É um grande sonhador o Socrates … mas esta na hora de acorda , e o povo portugues tambem tem que acordar … custe o que custar…

    tambem gostava que existisse mais emprego, que a sauded fosse mais barata e que as familias ganhassem mais , mas isso ( com a actual situacao em que portugal se encontra) é simplesmente e realisticamente impossivel

    espero que os portugueses saibam isso…

  18. O Relvas é pacóvio. E incontinente. Passa o dia a dizer palermices às mijinhas.
    Não é melhor levar também a tribunal o responsável do mestrado que o convidou?

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