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Vamos lá a saber

O Pingo Doce insultou o simbolismo do 1º de Maio, explorou os seus trabalhadores, tratou Portugal como uma região do Terceiro Mundo e levou os seus clientes a comportarem-se como animais ou o Pingo Doce ajudou os mais pobres, melhorou o rendimento mensal dos seus empregados, contribuiu para a recuperação da economia nacional e deu um exemplo que devia ser repetido em todos os feriados de agora em diante e por todas as cadeias de super e hipermercados?

Proverbial

A necessidade de pôr as contas públicas em ordem impede o Governo de assumir a possibilidade de baixar os impostos até 2016, o que implica não reduzir a carga fiscal para famílias e empresas durante esta legislatura. Quem o admite é o Executivo, no Documento de Estratégia Orçamental para o período 2012 a 2016.

Fonte

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Os partidos que juraram ser melhor a troika do que o PEC IV, que juraram ter a situação económica toda estudada de trás para diante pelas suas brilhantes cachimónias, que juraram ir acabar com os sacrifícios impostos pelos xuxas, que juraram só cortar gorduras e deixar músculos formosos e nervos intactos, que juraram ser a crise dos mercados um problema apenas moral a ser resolvido logo que se trocasse os gatunos rosa pela gente séria do laranjal, que juraram não ser preciso aumentar impostos ou cortar salários assim que fossem Governo, são os mesmos que mais mentem aos portugueses, e com pleno à-vontade e gozo, desde que há memória de mentirosos a mentirem em S. Bento.

Tinha de ser assim? Tinha, os provérbios nunca se enganam.

Sê rei de ti próprio – IV

O nascimento da democracia, essa espantosa ideia que acelera o passado, ocorreu em vivência urbana. Sem cidades, sem aglomeração de indivíduos que ultrapasse os laços familiares mais distantes num espaço que obrigue à interacção quotidiana, a democracia deixa de ser necessária, ou útil, ou urgente.

O grau de participação dos primeiros democratas, na soalheira Atenas de antanho, era elevadíssimo quando comparado com a nossa concepção moderna de democracia representativa. Para lá das causas culturais e históricas que explicam as diferenças entre as duas formas, um factor incontornável é o da quantidade de habitantes: quão maior for a população com direitos políticos, menor será o poder exercido directamente por um cidadão. Hoje é comum ouvir-se dizer que não vivemos num autêntico regime democrático por nos limitarmos a eleger aqueles que decidem por nós, mas quem assim infantilmente se queixa nunca demonstra a viabilidade de um qualquer modelo alternativo.

Estaremos, pois, condenados a limitar a nossa actividade política ao preenchimento de boletins de voto e à participação em caminhadas ocasionais no centro das cidades? Será obrigatório entrar para um partido para exercer um efectivo poder político? Acaso alguém consegue iniciar um movimento transformador da sociedade apenas contando com a sua magnífica pessoa? Se respondermos afirmativamente a qualquer uma destas perguntas estaremos a envergonhar e ofender todos aqueles, incontáveis, a quem devemos o Estado de direito e uma civilização que tem como um dos seus valores supremos a liberdade.

Se eu consigo escrever estas palavras, tu consegues escrever outras palavras. Se tu consegues ler as minhas ideias, eu consigo ler as tuas. Podemos comunicar, podemos tomar decisões. E conseguimos aprender, estudar, investigar. O mundo precisa de mais blogues, mais tuítes, mais facebookianos? Sei lá. Mas sei que a democracia precisa de mais inteligência e de mais coragem. Para todo o sempre e ainda mais um bocadinho. E isso atinge-se com aquilo que faz a inveja dos anjos e deixa os demónios a chuchar no dedo, a força de vontade. Depois, se queremos ser de direita, esquerda ou centro, assim ou assado, com esta utopia ou com aquele realismo, tanto faz. Estar rodeado de quem se ajuda a si próprio a ficar mais inteligente e corajoso é a realização perfeita do sonho democrático.

Campeões da portugalidade

Pinto da Costa e João Jardim, que revelam de nós, Portugal e portugueses? São dois vencedores supremos, com décadas de poder incontestado, total. Cresceram como líderes a partir de regiões e entidades menorizadas face ao centralismo e arrogância lisboetas. E fizeram dessa fraqueza a alavanca dos seus históricos sucessos.

Ambos se especializaram numa retórica primária onde exploram as identidades locais com o entusiasmo e subtileza dos vendedores de atoalhados. Pinto da Costa percebeu que a dimensão política do futebol seria um dos pilares das vitórias no relvado. Jardim percebeu que a rivalidade desportiva seria a lógica ideal para aplicar nas relações com a República. O povo adora-os e não quer saber do que fizeram ou fazem para continuarem a ganhar.

Outra característica comum, e aquela mais interessante para a reflexão a respeito da portugalidade que eles consubstanciam e representam, está no facto de ninguém lhes conhecer sucedâneos à altura dos feitos passados, ou tão-só do carisma presente. À volta de Pinto da Costa vemos figuras pardas, perfeitamente adaptadas ao ambiente de reclusão que faz a imagem de marca do FCP. À volta de Jardim vemos figuras folclóricas, cópias boçais da boçalidade kitsch e estratégica do chefe. E isso tanto pode significar um traço cultural deste país, a incapacidade para criar legados de liderança, como uma consequência da mudança de paradigma ocorrida desde 1974, finalmente pronta para trazer ao poder uma nova e mais democrática geração de campeões.

Good food for good thought

A flexible workplace initiative improved employees’ health behavior and well-being, including a rise in the amount and quality of sleep and better health management, according to a new study by University of Minnesota sociology professors Erin Kelly and Phyllis Moen, which appears in the December issue of the Journal of Health and Social Behavior.

“Our study shows that moving from viewing time at the office as a sign of productivity, to emphasizing actual results can create a work environment that fosters healthy behavior and well-being,” says Moen. “This has important policy implications, suggesting that initiatives creating broad access to time flexibility encourage employees to take better care of themselves.”

Using longitudinal data collected from 608 employees of a white-collar organization before and after a flexible workplace initiative was implemented, the study examined changes in health-promoting behaviors and health outcomes among the employees participating in the initiative compared to those who did not participate.

Introduced at the Best Buy headquarters in Richfield, Minn. in 2005, the workplace initiative – dubbed the Results Only Work Environment (ROWE) – redirected the focus of employees and managers towards measurable results and away from when and where work is completed. Under ROWE, employees were allowed to routinely change when and where they worked based on their individual needs and job responsibilities without seeking permission from a manager or even notifying one.

KEY FINDINGS:

– Employees participating in the flexible workplace initiative reported getting almost an extra hour (52 minutes) of sleep on nights before work.

– Employees participating in the flexible workplace initiative managed their health differently: They were less likely to feel obligated to work when sick and more likely to go to a doctor when necessary, even when busy.

– The flexible workplace initiative increased employees’ sense of schedule control and reduced their work-family conflict which, in turn, improved their sleep quality, energy levels, self-reported health, and sense of personal mastery while decreasing employees’ emotional exhaustion and psychological distress.

– “Narrower flexibility policies allow some ‘accommodations’ for family needs, but are less likely to promote employee health and well-being or to be available to all employees,” says Kelly.

Flexible Workplaces Promote Better Health Behavior And Well-Being

Cineterapia


Un amour de jeunesse_Mia Hansen-Løve

Conheciamo-nos há muito pouco tempo e ela ofereceu-me o Siddhartha, de Hermann Hesse, avisando que só oferecia esse livro a pessoas especiais e que o voltava a ler sempre que o voltava a dar. O livro é, ou era nos anos 80, um clássico das preferências adolescentes naqueles um bocadinho mais dados à leitura. E a obra, depois de um périplo existencialista, termina em apoteose mística com um êxtase fluvio-contemplativo. Nunca mais nos voltámos a ver, rios transbordados fugazmente num abraço de margens e separados pelos acidentes da paisagem.

A releitura, suscitada a cada nova atracção, era para ela a finalidade secreta das paixonetas, o contexto e o pretexto para o mergulho no subtexto onírico que fluía daquelas palavras sempre as mesmas e outras. Tal como nos efémeros namoricos, sempre diferentes mas cada vez mais iguais, o encanto imorredouro estava guardado alhures, nesse espaço sem tempo e nesse tempo sem espaço da imaginação. Um mundo imobilizado na correnteza das páginas.

Logo ao começo de Un amour de jeunesse, o rapaz diz à rapariga que o seu corpo é lindo, perfeito. Ele olha para ela, ela observa-se no espelho. É quanto baste para o destino. O que se segue são as variações deste acontecimento fundante, contadas pelos olhos cinematográficos de uma mulher de 30 anos que vai ajudar a rapariga de 15, embevecida frente ao seu narcisismo, a compreender qual é o sentido e a densidade dessa fonte de enamoramento caudaloso.

Este é um filme onde se ensina, delicada e pacientemente, a reconhecer que o amor ao corpo é um amor do corpo. Este é um filme que mostra a profundidade sem fundura das superfícies, o brilho da especulativa juventude. Este é um filme de alguém que aprendeu que o amor pode ser pesadamente vazio e algo que deva ser trocado pelo Sol. Este filme é um rio.

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Revolution through evolution

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É bem verdade, ainda ninguém percebeu o que se passou com o Freeport

A oposição desapareceu. O PS não existe, nem sei o que é aquilo. O líder não tem carisma, não sabe o que há-de fazer, está condicionado pelo acordo com a troika. E sucede a um delinquente político chamado Sócrates, o pior exemplo que jamais, na História de Portugal, foi dado ao país: ir para Paris tirar um curso de “sciences po”, depois daquela malograda licenciatura – à qual não dou a menor importância, pois há muitos excelentes políticos que não são licenciados. O engenheiro Sócrates foi o pior que a política pode produzir. Depois de tantos processos em que mentiu, aldrabou, não depôs, ninguém percebeu o que se passou com o Freeport, os portugueses perguntam-se onde foi ele buscar dinheiro para estar em Paris. Quem é que lhe paga as despesas e o curso?

Maria Filomena Mónica

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Filomena Mónica representa o que há de mais típico na oligarquia portuguesa, a qual se alimenta da sarjeta que é o Correio da Manhã, o qual serve os interesses do PSD e CDS. É um círculo vicioso e viciante. O à-vontade com que trata como criminoso um ex-primeiro-ministo, ex-secretário-geral do PS e cidadão na posse dos seus direitos, sem sequer se dar ao trabalho de justificar seja o que for, mostra à saciedade o sentimento de impunidade que a habita.

Portugal é um país de analfabetos e de analfabrutos, o resultado de séculos com esta oligarquia no poder e seus exactos simétricos na esquerda sectária nas últimas 4 décadas. E não foi um acaso termos lido tantos direitolas a maldizer o 25 de Abril neste ano, permitindo-se escrever distorções grotescas e dementes a respeito do que acontecia antes e veio a acontecer depois da queda do anterior regime. Este tipo de ignorância não é só atrevido, é também sórdido e rapace.

Sócrates provocou a ira descontrolada das oligarquias, à direita e à esquerda. Quem tiver neurónios, que pense.

Alívio para dentro da área

Os nossos heróis caíram em terras espanholas. Cristiano, o melhor futebolista do mundo, falha penalidades decisivas. Mourinho, o melhor treinador do mundo, é incapaz de eliminar alemães mesmo jogando contra eles em casa durante 120 minutos. Sá Pinto, o mago da mística, não convenceu os deuses a darem-lhe a sorte do jogo.

É um alívio. Vamos ser poupados a dias, semanas e meses de nacionalismo esférico produzido em doses industriais pelas nossas rotundas classes jornalística e comentarista. Carlos Moedas não dirá que a presença nas finais era um sinal de confiança dos mercados. Relvas não irá a Bucareste dizer que a sua filha tem muito orgulho no pai viajado que tem. Cavaco não fará um comunicado a enaltecer a sua gloriosa visão para Portugal: um imenso relvado, com rapazes em calções a correr atrás de bolas fabricadas na China e vaquinhas a sorrir.

Pode-se tirar o homem da jota, mas não se consegue tirar a jota do homem

Os desequilíbrios existentes em Portugal são resultado de más decisões tomadas por nós mesmos. Usámos mal o dinheiro, seleccionámos mal os projetos de obras públicas, aumentámos os impostos, não abrimos a economia. Os líderes europeus não agravaram os nossos problemas, pelo contrário, ajudaram-nos.

Penso que a data do 1º de Maio pode gerar algum tipo de debate a nível domés­tico.

Estou habituado a que ao longo dos anos algumas figuras queiram assumir protagonismo em datas especiais.

Passos Coelho, mostrando como os jovens têm sempre uma visão mais relaxada das coisas e da vida

A cassete dos piratas

Durante as jornadas parlamentares do CDS-PP, que decorrem hoje e terça-feira nos Açores, o líder da bancada democrata-cristã referiu, contudo, que “é justamente em nome da liberdade, neste caso da liberdade política, da liberdade financeira”, que o Governo “está obrigado a cumprir um programa de assistência financeira muitíssimo difícil, com medidas muitíssimo exigentes, com grandes sacrifícios” provocado por “sete anos de desvario público do Partido Socialista”.

“É uma opinião, como tantas outras, mas, de facto, a democracia plena e a soberania plena ficou muito afectada, para não dizer parte dela perdida, quando fomos obrigados a pedir dinheiro a instituições internacionais para pagar salários de polícias, de enfermeiros, de médicos, de professores”, argumentou.

Fonte

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Estive na semana passada a ouvir umas horas seguidas de discussão parlamentar e confirmei que existe uma obsessiva cassete do PSD e CDS, a qual se mantém inalterada desde que formaram a coligação: o PS/Sócrates é o culpado pelo acordo com a troika, tanto pela sua necessidade como pelo seu conteúdo – por isso, comam e calem. O modo como os agentes laranja e os Jacintos Capelos Regos repetem a lengalenga oscila entre o fanatismo bronco e o deboche prestes a explodir em gargalhada.

Esta cassete é tão ou mais básica do que as cassetes do PCP e do frei Anacleto, e, tal como a desses fósseis vermelhos, reduz a realidade a uma caricatura que parece desenhada por um gorila bêbado. Eis aqueles que passaram um ano e meio em campanha pela vinda do FMI a dizerem que a responsabilidade pela realização do seu desejo é daqueles que tudo fizeram para evitar a ruína do empréstimo de emergência. Eis aqueles que anunciaram ufanos a gula de irem ainda mais longe do que a troika a dizerem que a responsabilidade pela sua vontade é daqueles que alertaram contra esses abusos e violências a caminho. Eis aqueles que condicionaram o programa de assistência impondo condições e metas durante a sua 1ª negociação a dizerem que a responsabilidade pelas suas alterações posteriores é daqueles que já não foram tidos nem achados desde que saíram do Governo. Eis, pasmai gentes, aqueles que boicotaram e anularam uma solução que evitava a presente situação de imposição política externa a dizerem que a responsabilidade por essa perda de soberania – que o actual Governo explora entusiasticamente – é daqueles que tinham o acordo da Europa para manterem o domínio sobre as contas e protegerem o País dessa armadilha ideológica.

As lideranças do PSD e CDS instruíram tudo o que é dirigente, deputado e publicista para repetirem à exaustão esta cassete rasca, tonta, canalha. Isso significa que eles a consideram suficiente para conservarem o domínio político da situação, algo que as sucessivas sondagens confirmam para surpresa de alguns. E também significa que a estratégia de Seguro é intencionalmente cúmplice desta cassete, pois o PS não desmonta as falácias, nem sequer as mais grosseiras e obscenas. Só individualmente, por fogachos, aparecem ex-ministros socialistas a chaparem com os factos por elementar decência ou já para defesa da honra. O PCP e o BE, por sua vez, servem de coro à cassete, pois nem para protegerem causas comuns com o PS estão disponíveis; tirando singulares excepções à regra nas ocasiões em que o silêncio do PS, como nas questões da Parque Escolar por exemplo, é incómodo até para um sectário de vocação e destino.

Que fazer? Já que nenhum partido político os afronta, nenhuma organização cívica tem algo a dizer acerca da colossal estupidez que se despeja no espaço público, nenhuma personalidade de referência na sociedade se mostra especialmente preocupada com a indecência reinante, é deixá-los a tocar essa cassete sozinhos. Que os felizes votantes em Passos-Relvas continuem em festa, gozando a facilidade com que esta merda é toda deles. E, um dia destes, com sorte, talvez surjam dois cidadãos, ou três, ou quatro, ou mais que muitos, que comecem a criar pensamentos originais, inteligência de improviso, contra a cassete dos piratas.

Prémio Américo Thomaz – encontrado o vencedor do mês de Abril

Fazendo uma retrospectiva da história portuguesa, mais concretamente da batalha dos Atoleiros, Aguiar-Branco considerou importante copiar a atitude positiva registada no passado e aplicá-la aos tempos de crise que agora se vivem.

«É preciso criatividade e inovação, tal como aconteceu à época para conseguirmos ultrapassar essas dificuldades e, quando nós dizemos que é preciso fazer o que nunca foi feito, esse exemplo passado mostra que é preciso fazer, muitas vezes, o que não foi feito até então para ultrapassar essas dificuldades.»

Aguiar-Branco

No hablas inglés?

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Take five

Agora que estou outra vez a tempo inteiro na sociologia, tem-me dado para imaginar hipóteses corroboraráveis em investigações empíricas. Tenho uma para oferecer, hoje, a quem quer que esteja interessado em compreender este facto aparentemente surpreendente: caíram a pique os apoios públicos à criação artística nas artes do espetáculo (38% de corte nos apoios pluarianuais, 100% nos apoios pontuais, muito menos dinheiro nos teatros nacionais para programação própria e coproduções) e caiu também a pique a contestação pública, designadamente dos artistas e suas associações, a esses mesmos cortes.

A hipótese é a seguinte:

A contestação dos artistas à política pública de apoio à criação artística é tanto maior:
1. Quanto maior for o financiamento público envolvido nesse apoio;
2. Quanto mais evidente for o discurso político de defesa desse apoio;
3. Quanto menor for o peso, no discurso dos responsáveis políticos, da estigmatização dos artistas como subsidiodependentes;
4. Quanto maior for a importância concedida, no discurso e na organização dos governos, à cultura;
5. E, “last but no the least”, quanto mais estranho for o ou a responsável política ao “milieu”.

O que seja o “milieu” é tema que vale uma nova meditação.

Augusto Santos Silva