Homem mata ex-companheira grávida, fere pais da vítima e acaba com a sua vida
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Os Portugueses, uma vez mais na sua História, estão a dar provas de maturidade e de sabedoria. Aperceberam-se da dimensão da crise e da necessidade de mudança, adaptaram os seus hábitos de consumo, muitas vezes combatendo o despesismo e o desperdício. Têm demonstrado, por outro lado, um admirável espírito cívico e de entreajuda perante o agravamento das situações de pobreza: a sociedade civil mobilizou-se de forma notável através de inúmeras iniciativas de voluntariado e de apoio social, seja a título individual, seja com base em instituições particulares de solidariedade e nas autarquias.[…]
Ao longo destes tempos de sacrifícios, não perdemos o sentido da coesão nacional. Percebemos claramente que o conflito pelo conflito não nos conduz a lugar nenhum. De facto, não podemos exigir a coesão europeia se não mantivermos a coesão nacional. Os exemplos dramáticos de alguns países evidenciam até que ponto a legitimidade para reclamar ajuda depende da credibilidade que tivermos. E a credibilidade conquista-se por nós próprios, não é um elemento que possamos ter por adquirido.
Australia Widens Definition of Domestic Violence
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Dark Chocolate Could Prevent Heart Problems in High-Risk People
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Do Dogs Feel Guilty?
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Predicting Burglary Patterns Through Math Modeling of Crime
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Do Plants Think?
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Listening to Your Favorite Music Boosts Performance
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The Power Of Suggestion
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A Strong Bond to an Idea Makes Collaboration More Challenging
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What Does It Mean to Be Cool? It May Not Be What You Think
Os políticos que alimentaram o carnaval patético, e a miséria ética, das comissões de inquérito à “asfixia democrática” e aos “atentados à liberdade de expressão” – cujo matéria de facto resultava da violação da privacidade, de mentiras à canzana acerca de investimentos publicitários do Estado e de calúnias a respeito de um negócio que nem sequer existiu – estavam em Portugal quando o Ministro Relvas ameaçou e chantageou o jornal Público como não há notícia de alguma vez ter sido feito em democracia?
Como tenho dito sempre que calhou falar no tema ao longo destes anos, já que me incumbe essa responsabilidade que advém da história do blogue, no Aspirina B cada autor exerce por si a gestão das suas caixas de comentários, direito onde se inclui a sua absoluta liberdade para decidir não abrir as feéricas caixas, ou sujeitar os comentários a aprovação prévia, ou excluir comentários, ou mesmo a alterá-los (por exemplo, apagando partes do comentário ou acrescentando texto, etc.).
Porquê? Porque um blogue, tal como aqui o entendemos até manifestação em contrário, é um veículo de comunicação privado que nada cobra aos eventuais leitores e comentadores, nem sequer exibe publicidade, pelo que apenas se rege pelo arbítrio dos autores. Como ninguém é obrigado a suportar as suas escolhas – seja de conteúdos, frequência de escrita e modo de interacção – assim os autores não estão obrigados a sujeitarem-se ao gosto de terceiros.
Isto é simples, isto é bom. Para todos nós.
É grande a admiração que sinto pela forma como os portugueses – independentemente da sua orientação ideológica ou política, quer tenham votado em nós ou não tenham – as pessoas hoje sentem que o que está em causa é o seu próprio futuro, não é a avaliação do Governo, não é saber se este político ou aquele está melhor ou está pior, é saber se nos estamos a aproximar ou não do caminho que nos retirará da situação de aflição em que nos vimos há um ano.
Do tipo que nos salvou dos xuxas
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Logo após este Governo ter sido empossado, Passos fez várias declarações que davam conta do estado de alarme que se vivia no seu seio, revelando que os diversos ministros esperavam graves convulsões sociais em resultado do ataque brutal que iriam começar a fazer de imediato à classe média e aos pobres. De facto, esses receios faziam sentido, pois tinha sido essa a promessa das mobilizações contra os Governos socialistas e da retórica de violência – assumida e mutuamente promovida pela oposição e pelas corporações – fulanizada em Sócrates, Correia de Campos e Lurdes Rodrigues, para dar os exemplos maiores. Até se falou que os sectores das polícias seriam aqueles que não teriam cortes orçamentais, antes reforços de recursos humanos e material, precisamente para conseguirem lidar com um Portugal a ver-se grego. Com o passar dos meses, viesse a porrada que viesse, o temor foi dando lugar à estranheza, depois à surpresa e finalmente ao espanto. Soprava uma levíssima brisa pela rua. As oposições, as corporações e os agit-prop da moda estavam numa letargia impensável para quem calhasse ter visitado o País antes de 5 de Junho de 2011. As sondagens confirmavam a observação empírica, dando conta de uma sociedade completa e enigmaticamente alinhada com o esbulho a que estava sujeita.
Politólogos, sociólogos, psicólogos, antropólogos, historiadores e astrólogos que avancem com as suas teorias e hipóteses explicativas para o fenómeno do nosso entroncamento voluntário à miséria. Para o cidadão apaixonado pela cidade bastam estas palavras de Passos para obter uma certeza. O que o homem nos está a dizer é que teria sido possível, em Março de 2011, ter escolhido um caminho que evitaria esta actual situação de aflição em que nos vemos desde há um ano, e na qual não se vê qualquer horizonte de saída, pelo contrário. Teria sido possível, reconhece candidamente, unir o País para conseguir lidar com um desafio sem paralelo na contemporaneidade nacional e de uma dimensão internacional sem qualquer controlo, e cada vez mais complexa e imprevisível, de forma a que se infligisse o menor sofrimento possível à população. Porém, continua o novel Primeiro-Ministro, os partidos da oposição, com o empurrão e aplauso do Presidente da República, preferiram avaliar o Governo anterior a menos de meio da legislatura, nem que para isso tivessem de espezinhar o nosso já ameaçado futuro e levarem-nos a perder a soberania. Porquê? Isso Passos já não diz, porque não precisa, porque está à vista: para poder louvar a paciência dos borregos que suportam o preço a pagar pela urgência do PSD em ir ao pote.
Convidado para falar aos alunos de mestrado em ciência política do Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCP), em Lisboa, numa aula aberta à comunicação social, Miguel Relvas afirmou também que o PSD recusa “fazer campanha como o engenheiro Sócrates: discurso escrito, teleponto e muita falta de vergonha”.
Na sua intervenção sobre comunicação política, Miguel Relvas disse que o PSD se vai apresentar nestas eleições com a mensagem de que o PS é “mais do mesmo” e de que esta “é hora de mudar” de política para pôr a economia a crescer, como aconteceu “nos Estados Unidos em 1992, salvaguardadas as devidas diferenças”, com Bill Clinton.
“Sabem que é uma coisa que me custa muito, é que a sensação que eu tenho é que ainda há uma parte do eleitorado que quer ser enganada. Ainda há uma parte do eleitorado que quer ser iludida, quer ser enganada e quer ser iludida”, lamentou.
“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele”.
Declarações finais do debate que, garantiram uns senhores importantes na televisão segundos após ter acabado, Passos ganhou:
Eu creio que o País tem hoje muito claro que a partir do dia 5 de Junho precisa de ter um Governo que seja competente e capaz. E que seja realmente possível entregar um resultado que aqueles portugueses que hoje estão desempregados, que estão assustados com o futuro, porque sabem que o País foi conduzido a uma situação de praticamente bancarrota – quer dizer, de não ter dinheiro para honrar os seus compromissos – esses portugueses sabem que há um responsável por essa situação, essa responsabilidade cabe ao Eng. José Sócrates, e ele não tem desculpa na medida em que o PSD já cooperou, e cooperou bastante, para que o Governo pudesse ter alcançado um resultado que fosse satisfatório para todos os portugueses. O que está em causa agora aqui, portanto, é de saber se devemos ou não mudar a liderança. E não há dúvida que o País precisa de mudar a sua liderança. Precisa de alguém que respeite os compromissos, alguém que tenha capacidade de diálogo, alguém que pode não ter experiência governativa, como eu, mas não traz na sua consciência ter 700 mil desempregados e um Estado Social que está em perigo se não conseguirmos colocar a economia a crescer. Esse é o meu compromisso com os portugueses. Formarei um Governo coeso e sólido se essa for a vontade dos portugueses, e se eles tiverem, como eu, confiança em que podemos ser capazes em Portugal de fazer diferente do que fizemos nestes 6 anos.
Os portugueses sabem que eu sempre assumi as minhas responsabilidades. E sabem também que nunca virei a cara nos momentos difíceis. Pela minha parte, os portugueses conhecem-me e sabem que tomei sempre as medidas difíceis, exigentes, que foram necessárias para defender o interesse nacional. Para vencer a crise, o País precisa de um Governo responsável, com uma liderança forte, uma liderança preparada e uma liderança segura de si. O que o País dispensa são as aventuras e o radicalismo ideológico que nos levariam a mudanças perigosas, insensatas, e muitas vezes nocivas àquilo que são os interesses das pessoas. Pela minha parte, o que tenho a propor aos portugueses é um caminho de uma governação responsável e moderada. Que resolva os problemas nacionais cumprindo os objectivos que estamos comprometidos com a União Europeia e com o FMI. Mas que também modernize a nossa economia ao mesmo tempo que defende o nosso Estado Social e aquilo que é a protecção social do Estado. Com um Serviço Nacional de Saúde acessível a todos os cidadãos, com uma Escola Pública que esteja disponível para promover a igualdade de oportunidades e com uma Segurança Social Pública que seja uma Segurança Social ao serviço dos mais idosos e dos mais carenciados. Esta é a escolha que temos pela frente. Eu, pela minha parte, confio nos portugueses e confio em Portugal.
José Manuel Fernandes quis dizer coisas a seu respeito usando como desculpa Jorge Silva Carvalho. Nada contra, o narcisismo é uma prerrogativa da condição humana, especialmente se calha estarmos convencidos de que nos estão a dar atenção. De caminho, aproveita para continuar a malhar em Sócrates, actividade que o faz sentir vivo (ou um bocadinho menos mortiço), com estas sui generis recordações:
É também bom ter memória no que respeita à Ongoing, uma empresa que agora todos colocam no pelourinho, incluindo muitos dos que a defenderam quando ela participou na vergonhosa tentativa de compra e controlo da TVI.
[…]
Este mesmo jornal publicou, há tempos, uma excelente investigação de Cristina Ferreira sobre a teia de interesses e ligações daquela empresa onde ficava muito claro como ela tinha sido instrumental e servil (até uma zanga no Verão de 2010) relativamente ao anterior poder político. É isto alguma novidade? Não devia ser. Eu próprio denunciei essas ligações e essas práticas durante uma audição na Comissão de Ética da Assembleia no início de 2010. Muitos dos “indignados” de hoje também se indignaram nessa altura, mas comigo. É esta memória que nos permite estar alerta, pois empresas deste tipo não agem por ideologia, actuam antes em função dos seus interesses e do poder do momento. Há mais do género no sector da comunicação social, todos o sabemos. Tal como sabemos que estamos a pagar caro a condescendência com que encarámos as manobras de 2009, como já sublinhou Pedro Lomba neste jornal.
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Faço minhas as palavras de Estrela Serrano – Comissões parlamentares: o lugar onde os deputados melhor se dão a ver – realçando a tipologia destas sessões onde convocados e deputados estão muitos próximos uns dos outros, à volta de uma mesa, e onde ninguém se levanta para falar; mantendo uma horizontalidade que, para além de promover uma contida informalidade que pode ser benéfica para as interacções, é ainda símbolo do ideal democrático. Claro que talvez seja justo reconhecer que o trabalho mais valioso para a República não se encontra nos momentos em que os deputados tomam a palavra, seja nas comissões ou no plenário, mas nas horas, dias, semanas, meses e anos invisíveis para o espaço público em que investigam, reflectem e procuram consensos entre os seus pares. Outra questão essa, que não impede a valorização das comissões de inquérito como instrumento de fiscalização por excelência dos poderes do regime. Qualquer cidadão pode aferir por si próprio das participações de todos os intervenientes, posto que as sessões abertas são publicadas na íntegra, e daí chegar às suas conclusões.
É exactamente o que podemos fazer com esta intervenção de Miguel Tiago, um deputado comunista que exibe regularmente em versão hooligan-pintarolas a ortodoxia do partido. Aqui limita-se a alinhar com o pior da pior direita, lançando o seu fel para cima dos responsáveis do projecto Parque Escolar sem fazer prova seja do que for e sem reconhecer qualquer mérito ao que foi alcançado. Estamos perante o indestrutível maniqueísmo do PCP: se não são comunistas, então são corruptos.
A isto responde Lurdes Rodrigues de forma implacável, reduzindo a uma papa caluniosa a intervenção do deputado. A resposta da ex-ministra, até pela sua impaciência controlada e sem ilusões, dá azo a que pensemos na possibilidade do PS se partir em dois, onde de um lado ficariam os que como Lurdes Rodrigues, Teixeira dos Santos, Luís Amado, Santos Silva, Pedro Silva Pereira, Vieira da Silva e mais um variável etc. – ex-governantes que têm dado irrepreensíveis lições de responsabilidade, competência e dedicação à causa pública sempre que foram chamados a prestar contas – e do outro todas aquelas figuras e figurinhas que andaram alinhadas com o boicote sistemático do PCP e BE ao trabalho da “ministra-sinistra”.
A audição de Maria de Lurdes Rodrigues deu a ver uma cidadã apaixonada pela educação, falando de cor, entusiasmada, sobre os projectos que se conseguiram fazer e de como foi possível fazê-los. No ímpeto da sua entrega aos deputados que a tinham convocado, e para responder a uma provocação primária dos primários, largou a tal expressão que fez a felicidade dos decadentes: “Parque Escolar foi uma festa”. A festa da recuperação do que estava degradado e do acrescento de qualidade ao que está a educar o nosso futuro. Algo que faz rir à gargalhada a actual direita – e como tal espasmo se compreende imediata e completamente.
Se ainda não viste, se queres descobrir quem é quem no coração da cidade, vê tudo.
Vou juntar-me à Fernanda [this pun may or may not be intended] para esfregar a ramela que o mui estimável Francisco Teixeira da Mota espalhou pelos incautos leitores do Público da passada sexta-feira. Recitemos:
O facto de vivermos com alguém não é, em princípio, um facto privado, antes fazendo parte do domínio público, no sentido de ser, pelo menos, do conhecimento de quem nos conhece.
Desculpa? Chico, chega aqui: mesmo admitindo o dogmático corolário – quem nos conheça, conhece com quem vivemos – como é que daí passamos para a legitimidade da divulgação ao arrepio da nossa vontade do facto primeiro entre aqueles que não nos conhecem? Não vês aqui nenhum problemazinho, hã?… Pensa lá outra vez no assunto e esquece o modelo de família patriarcal. Pensa nas multíplices e desvairadas formas de vivermos com alguém, e como algumas delas pressupõem discrição, recato, sigilo ou segredo como condição, fundamento ou primeira e inalienável preferência. E depois como é que saltas para o domínio público só precisando de imaginar terceiros na posse de uma qualquer informe informação? Que bandalheira é esta, Chiquinho Lambreta? Então essa maltósia não pode estar a guardar confidencialidade ou não saber da missa nem a metade de um milionésimo? E estamos a falar de quantos indivíduos para além do casal em ordem a haver quórum para o chibanço? Duas pessoas? Uma? Menos?
Mas não era de questões bizantinas que te queria falar, desculpa a minha má educação. O que te queria mesmo dizer era isto: é possível que não haja neste mundo quem nos conheça. Se num lance reflexivo intencional ou fortuito chegares à mesma conclusão, não mais deixarás escapar o domínio púbico para o domínio público.
Uma edição do Bloco Central para ouvir, sentir e partilhar, onde os magníficos Pedros tocam no fulcro do presente momento político e, pasme-se, vocalizam o que nenhum senador da República, mesmo daqueles cobertos de medalhas e títulos, consegue verter no espaço público. Um generation gap que não é para lamentar, antes para alargar e aprofundar. Os mortos que enterrem os seus mortos.
Aproveito também para realçar a excepcionalidade de Pedro Marques Lopes como figura representativa da direita na comunicação social. É que enquanto será fácil encontrar na esquerda democrática quem defenda o Estado de direito como se da própria vida se tratasse, já na esquerda verdadeira são raros e na direita da verdade não há vivalma, a sua aparente defesa é meramente instrumental e hipócrita para protecção apenas dos seus quando apanhados em tramóias. Pois este Pedro não precisa de caluniar e conspirar contra os adversários para defender um modelo de sociedade onde há menos Estado e a iniciativa privada é a locomotiva da economia. Acima e antes de tudo, ele tem na decência a condição sine qua non para a viabilidade do próprio regime democrático. Um PSD com líderes como ele à frente, muito provavelmente teria conquistado a maioria absoluta a solo em 2009. Porém, não vemos ninguém deste calibre no partido, ninguém de ninguém. É assustador e trágico.