Sexist stereotypes dominate front pages of British newspapers, research finds
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Male Politicians Have ‘Bigger Heads’ in More Gender-Equal Cultures
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Link Between Creativity and Mental Illness Confirmed in Large-Scale Swedish Study
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Antiscience Beliefs Jeopardize U.S. Democracy
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Romantic Outcomes In Adulthood Predicted By First Sexual Experience
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The Power of Music: Mind Control by Rhythmic Sound
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Scientists Read Dreams
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Science Reveals the Power of a Handshake
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Study Suggests How Expanding Waistlines May Contribute to Cancer
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Even Professional Scientists Are Compelled to See Purpose in Nature
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Plant-Based Diets Can Remedy Chronic Diseases
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Ladies, Don’t Let Stress Make You Sick; How to Fight It and Win
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New Book “Governpreneurship” Presents Compelling Argument for Increased Focus on Public Sector Entrepreneurship
Todos os artigos de Valupi
Já agora, vale a pena pensar nisto
A relação do signo com o significado morreu; o jogo de trocas entre signos multiplica-se em si mesmo e por si mesmo. E a complicação crescente exige signos de signos…
Entre as características do mundo moderno, não esquecer a impossibilidade de pensar concretamente a relação entre esforço e o resultado do esforço. Demasiados intermediários. Como nos outros casos, esta relação, que não consiste em nenhum pensamento, consiste numa coisa: dinheiro.
Como o pensamento colectivo não pode existir enquanto pensamento, atravessa as coisas (signos, máquinas…). Daí o seguinte paradoxo: é a coisa que pensa e o homem que é reduzido à condição de coisa.
in A GRAVIDADE E A GRAÇA, Simone Weil
O descoco de um homem sem o mínimo sentido de Estado
Passos Coelho reagiu à notícia do ‘Expresso’ declarando que tem “todo o prazer, e gosto, que essas escutas sejam tornadas públicas”.
Exactissimamente
Diz um primeiro-ministro de Walt Disney
Vou rasgar o cartão de militante do CDS
Um devedor irresponsável tem escassas hipóteses de ser levado a sério. No colete-de-forças que nos é imposto pelo resgate, não há espaço para ânimos fracos, estados de alma e profissionais da desistência. Não há lugar para países imaginários.
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Relvas lida com o CDS como se estivesse a chicotear escravos na sua plantação de cana de açúcar. E o CDS fica-se, baixa a bola, come e cala. Ora, não admito pertencer a um partido que perdeu a coragem e o brio, que se deixa tratar a pontapé seja lá por quem for – e que, ao permitir-se ser enxovalhado por um profissional da ofensa, da negociata e da chantagem, como esse espécimen, perde a última gota de dignidade que ainda mantinha periclitante. Decidi, pois, rasgar o meu cartão de militante do CDS. Para tal, terei primeiro de enviar a proposta de adesão e esperar uns dias até ser informado de ter o cartão à minha espera na sede. Mas, logo que me chegue à mão, faço questão de o rasgar. Caso seja de plástico, pedirei uma tesoura ao funcionário mais próximo e tratarei de o cortar em pedacinhos.
Atenção. Peço a vossa atenção. Se, porventura (ou mesmo por ventura), os estatutos do CDS não autorizarem o empréstimo de tesouras aos novos militantes para que eles cumpram sem demoras a nobre tarefa de exibirem a sua indignação com o estado a que chegou o partido, então é favor avisarem em ordem a que saia de casa devidamente armado para essa luta política da maior importância: mostrar aos Relvas deste mundo que no CDS ainda há quem se dê ao respeito.
Cavaco, Cavaco e Cavaco
Cavaco passou o mês de Fevereiro de 2011 a ouvir as personalidades mais relevantes para a política nacional e a preparar a sua intervenção na tomada de posse. Sabia que o Governo estava a negociar uma solução com a Alemanha e com os parceiros europeus que até tinha gerado um título na imprensa que deixou a direita partidária a espumar-se de raiva: “FMI já não vem”. Por estas exactas razões, quando decidiu atacar o Governo explorando o tema dos “sacrifícios” e apelando à revolta popular estava a antecipar-se ao anúncio iminente, por dias, do PEC IV.
Cavaco e Passos poderiam ter atendido à racionalidade óbvia daquele momento, onde o interesse nacional obrigava a aprovar o plano acordado com a Europa para tentar escapar ao resgate. Poderiam ter esperado pelo Orçamento de 2012 para derrubarem os socialistas, mas aí num contexto onde continuaria a ser viável manter a soberania. Ou poderiam ter esperado ainda mais, que o Governo provasse ter a capacidade de encontrar e concretizar as melhores soluções numa conjuntura de emergência pátria e caos político europeu. Não o fizeram por uma única razão: temiam que Sócrates vencesse o Adamastor da crise. Nos seus cálculos rapaces, ver o Governo a chegar à elaboração do Orçamento para 2012 sem quebrar e com o apoio da Europa, quiçá da China e do Brasil, tornaria cada vez mais difícil a golpada para interromper a legislatura.
Ter agora Portugal nas mãos de um desqualificado irrecuperável como é Passos, cujo braço-direito é esse farrapo de seu nome Miguel Relvas, e ambos a servirem de lacaios para um economista fanático e com asco aos políticos e à política, tem uma história, uma lógica e uma moral. Estas: Cavaco, Cavaco e Cavaco.
Trouble in Expresso

Parece ter sido há 25 anos que abria o Expresso para ler com sofreguidão as críticas aos filmes. Primeiro a realidade do cinema, só depois a ficção do real. O facto de não compreender, ou mesmo perceber, 80% do que lia, por me faltar leituras e vida, não impedia a recolha de um gosto culto que convidava à experiência. É esta a suprema função da crítica, ser uma força que leve ao encontro presencial da obra. Devo, pois, aos entusiasmantes escribas da Revista nos anos 80 o sofrimento atroz de ter visto As Lágrimas Amargas de Petra von Kant numa daquelas sessões maradas do Quarteto das sextas-feiras duplas (um formato que permitia ver dois filmes seguidos madrugada adentro, um hino ao cinema como não me ocorre outro exemplo) algo que não se deve nunca fazer quando se tem 15 anos. Tirando esse episódio, traumático, obrigados muitos por tudo o resto.
Eis que o Expresso, nos idos de 2012, se lembrou de fazer uma lista intitulada 50 filmes que toda a gente deve ver. Porquê 50 e não 51 ou 49, ou porquê para toda a gente quando são raros os que gostam de cinema, magnas questões que ficam sem resposta. Mas foi dado a entender um critério na listagem: não se repetir o realizador. Esta regra é tão decisiva que alguém no jornal deveria ter tido a honestidade de alterar o título do exercício para: 50 filmes de 50 realizadores, um filme por realizador, que toda a gente deve ver, o que equivale a dizer que se trata na verdade de uma lista de 50 realizadores, tendo nós escolhido um filme mais ou menos ao calhas para representar o seu currículo. Resultado deste disparate pegado: foi seleccionado One Hour with You, de Lubitsch, o que implicou deixar de fora Trouble in Paradise, curiosamente ambos de 1932.
Sim, certamente haverá milhentas razões para incluir Uma Hora Contigo em milhentas listagens. Porém, contudo, todavia, jamais em 2012, e jamais em Portugal em 2012. Porque não existe outro filme no Universo inteiro que retrate melhor os tempos que estamos a viver do que o eternamente jovem de exactos 80 anos Ladrão de Alcova – ou, como lá se repete 5 ou 6 vezes, o que se passa à nossa volta e connosco in times like these. E o que se passa fica à mostra logo nos primeiros segundos: um almeida veneziano anda a recolher o lixo da cidade para uma barcaça na qual segue viagem cantando O Sole Mio. É o brilho ofuscante do lixo que os restantes 82 minutos de película se ocupam em fazer chegar à nossa alma em êxtase cinematográfico.
2012 é 1932. Então estava-se a viver a Grande Depressão. Esta obra documenta obliquamente essa situação, registando em segundo plano da narrativa a luxúria dos ricos, a corrupção dos administradores de empresas, a política de redução de salários aos trabalhadores e de recusa de corte de bónus e benefícios aos gestores, a venda desesperada de jóias e ouro na alta sociedade, a vaga dos “noveaux poor”, a incerteza e insegurança financeira generalizadas. Sounds familiar? Até o Louçã aparece neste filme a citar Trostky em russo, e de modo tão eloquente que nem precisamos da tradução. Ver para crer.
Para lá da dimensão sociológica, a qual por si só não chegaria para merecer qualquer elogio, o que nos é dado em Trouble in Paradise é uma impossível sucessão de cenas geniais. Normalmente, recordamos uma ou duas cenas por filme se calhar termos apreciado a fita. Usualmente, recordamos uma mão-cheia de cenas de todos os filmes vistos que ficaram indeléveis na nossa memória. Com este monumento à 7ª arte, os quadros onde o corpo dos actores, o texto e a câmara se fundem de forma sublime ocorrem com intervalos de dois minutos – do princípio ao fim.
Mas ainda mais impossível é o Expresso achar que este feito de uma inteligência libertina em estado de graça não deva ser visto com urgência.
O Gomes Ferreira já foi servido, tragam agora o Medina Carreira e o Marques Mendes
A entrevista de José Gomes Ferreira a Paulo Campos é um documento notável. Sem dúvida, um dos melhores espectáculos de televisão dos últimos anos. E, para quem se interessar por política, economia, jornalismo e moral pública, trata-se de um objecto de análise e referência incontornável.
O entrevistador é um jornalista, especializado em temáticas económicas, que trabalha para o militante nº 1 do PSD. Seja por isso ou por outra causa qualquer, o nosso José permite-se praticar uma actividade profissional que extravasa o código deontológico dos jornalistas a partir logo do primeiro ponto:
1. O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.
A sua crescente fama, ao invés do preceito, tem vindo da promiscuidade e confusão entre o que seja notícia e o que seja a sua excitada opinião. Os tempos têm sido de instigação ao ódio e de populismos, e o valente José cavalga o tigre com a displicência dos deslumbrados. Foi com essa confiança, e esse cinismo letal, que partiu para o confronto com um adversário que julgava já derrotado à partida, o qual imaginou poder sovar do princípio ao fim e ainda dançar por cima do seu cadáver. Vai daí, a primeira pergunta a Campos foi um ataque sofístico em forma de fulanização hipócrita: Sente-se culpado por estarmos a viver esta austeridade, a qual é necessária para pagar dívidas?
Continuar a lerO Gomes Ferreira já foi servido, tragam agora o Medina Carreira e o Marques Mendes
Revolution through evolution
Child-Free Women Feel Intense Pressure to Have Kids, but Rarely Stress Over It
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New Psychology Study Reveals Unexamined Costs of Rape
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UC Study Finds Flirting Can Pay Off for Women
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Negative News Stories Affect Women’s Stress Levels but Not Men’s
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Happiness and mental health are highest among people who eat seven portions of fruit and vegetables a day
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Testosterone Increases Honesty, Study Suggests
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The Good, the Bad, and the Guilty: Anticipating Feelings of Guilt Predicts Ethical Behavior
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Is there any way to pursue self-interest without feeling bad about it?
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Can Eating Tomatoes Lower the Risk of Stroke?
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Potential Debt Problems More Common Among the Educated, Study Suggests
Azarinho
Dizer-se que a vitória do PS nos Açores é também uma vitória de Seguro é estar a juntar presbiopia à miopia. O que aquele resultado confirma, e lança, é a candidatura de Carlos César para secretário-geral do PS ou Presidente da República. No caso de ambicionar chefiar o PS, o que só lhe ficaria bem, terá de primeiro perder com António Costa, idealmente, ou ficar na varanda a ver essa caravana passar, convencionalmente. Seja como for, o PS volta a mostrar que é o esteio do regime, não lhe faltando quadros à altura das suas diversas responsabilidades governativas e representativas.
Quanto a Seguro, é apenas mais uma peça da tempestade perfeita que se abateu sobre Portugal. A prova de que a política também está dependente da sorte e do azar.
Dito isto
Ninguém sabe o que viria a seguir ao PEC IV caso tivesse sido aprovado, como é que os mercados reagiriam, como é que a economia nacional se comportaria, como é que a Europa evoluiria nas suas medidas sistémicas face à crise. Mas sabe-se que Merkel ficou furibunda com Passos e que Barroso tentou até à última que o PSD não chumbasse o PEC. Estava em jogo muito mais do que o destino de um país, era a Europa toda que temia o alastrar dos resgates. Cada nova vítima fazendo aumentar a probabilidade de novo episódio, seria muito benéfico para os parceiros europeus que Portugal continuasse a ser o improvável tampão de uma UE com rachas cada vez mais fundas. E Sócrates era a personalidade política com melhores capacidades para o tentar, pois aliava a liderança carismática à competência técnica e à credibilidade internacional. Merkel e Lula, Eua e China, Chávez e Sarkozy, por todo o lado Sócrates cativava e abria portas. Menos em Portugal.
Caso o PEC IV tivesse sido viabilizado, não temos dificuldade em imaginar as consequências domésticas: os processos de desgaste e boicote ao Governo continuariam como até aí ou pioravam. A santa aliança dos direitolas com os esquerdolas seguiria entusiasmada o seu plano de enfraquecimento do País. Belém e São Caetano acertariam agulhas para a golpada decisiva por alturas da aprovação do Orçamento para 2012. Sócrates e o PS não teriam qualquer poder para impedir o mesmo desfecho ocorrido em Março de 2011, nem mesmo com resultados sofríveis, ou até razoáveis, na economia, pois do Presidente da República aos partidos da oposição, passando pelas corporações, grandes patrões e patrões de imprensa, o desejo de vencer Sócrates e destruir a sua força era avassalador. O clã oligárquico queria vingança e desforra.
Dito isto, colhe persistir nas evidências: quem chumbou o PEC IV traiu Portugal.
Coitadinhos dos açorianos
É bem sabido que Carlos César gastou o que tinha e o que não tinha (mas mais do que não tinha, claro) na construção de altos muros em betão armado com que cercou o arquipélago. A intenção era só uma: impedir que chegassem aos delicados tímpanos dos ilhéus as escabrosas notícias vindas de Lisboa. Foi assim que os açorianos foram votar neste domingo, completamente a oeste da verdade continental. E agora temos de nos interrogar acerca da legitimidade desse acto eleitoral.
Como pode um cidadão votar em consciência e liberdade se ninguém ainda lhe disse que Sócrates falcatruou projectos de casas na Guarda, embora tal não tenha sido provado nas investigações feitas pelas autoridades, que Sócrates obteve a sua licenciatura através de irregularidades académicas, embora tal não tenha sido provado nas investigações feitas pelas autoridades, que Sócrates recebeu dinheiro para aprovar o Freeport, embora tal não tenha sido provado nas investigações feitas pelas autoridades, que Sócrates mandou a PT comprar a TVI para conseguir transformar os portugueses em zombies e despedir a Moura Guedes, embora tal não tenha sido provado nas investigações feitas pelas autoridades nem o Rei de Espanha o confirme nos intervalos em que não anda a despachar elefantes, que Sócrates espiou Cavaco na Madeira e em Belém, embora tal só se explique em pastelarias seleccionadas da Avenida de Roma, que Sócrates entre 2005 e 2011, ou entre 2008 e 2011, ou entre 2010 e 2011, encheu Portugal de auto-estradas, fundações, aeroportos e linhas de TGV, o que fez com que os mercados ficassem muito zangados connosco e também com os gregos e os irlandeses e os espanhóis e os italianos e ainda com os cipriotas para já, que Sócrates mentia que se fartava e que andou a engonhar meses e meses e meses, ou anos, o que nos impediu de ter o laranjal a ir além da Troika muito mais cedo e com resultados ainda mais melhores bons do que os actuais?
Coitadinhos dos açorianos. Voltaram a meter-se nas mãos de uns aldrabões, uns broncos, uns loucos como nunca se viu nem se julgava poder ver neste país com a gente séria mais séria do Mundo.
Lar doce lar
Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito.
Perguntas simples
Pinto Monteiro: “O processo Freeport é uma fraude”
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Que têm os ranhosos, os pulhas e os canalhas a dizer destas declarações?
Não foi pela sua estupidez que os atenienses ficaram na História
A história do populismo em Portugal está ligada ao PCP e à extrema-esquerda em geral, na forma da sua recusa em serem parte de um regime democrático e pela sua constante intoxicação demagógica, ao Paulinho das feiras, da lavoura e do contribuinte, ao PSD desde Menezes até Passos e, em especial, a Cavaco Silva. Talvez o discurso mais populista alguma vez feito cá no burgo, desde Abril de 74, tenha sido o da tomada de posse do Presidente da República Portuguesa em 9 de Março de 2011. Para além de ter funcionado como a “Grândola Vila Morena” para o derrube do Governo e a capitulação do País à lógica da austeridade destrutiva, nele encontramos um repúdio verrinoso dos políticos por atacado e um apelo às manifestações populares de rua como veículos de condicionamento e alteração do poder eleito. Sabemos que o alvo estava no Governo PS, mas para Cavaco o prazer era duplo pois igualmente lhe permitia despejar todo o desdém que sente pelos que o rodeiam na vida política. Cavaco conhece de ginjeira as fortunas que o seu exercício governativo permitiu gerar, e como elas se geraram. Cavaco não teria qualquer dificuldade em explicar como foi possível acontecer o BPN. Mas Cavaco é igualmente um beneficiário directo e indirecto desse modo de usurpação de riqueza. A saída psicológica para o dilema é a neurose: detesta o vício e os viciados, mas não pode nem quer largar a droga.
Continuar a lerNão foi pela sua estupidez que os atenienses ficaram na História
How low can you all go?
“Eu pertenço a uma raça de homens que gosta, mesmo quando não é o próprio a causa do endividamento, de honrar os compromissos do país, de pagar aquilo que deve – mesmo que por essa razão tenha de solicitar aos portugueses um sacrifício ainda maior”, disse, usando um tom de voz elevado e recebendo uma prolongada salva de palmas das bancadas do PSD e do CDS.
Um país de ficção
Imaginemos um país onde aqueles para quem a recessão global começada em 2008 foi um abalozinho se juntavam àqueles para quem os mercados só estavam à espera que um certo primeiro-ministro fosse afastado para acabarem em seis meses com a crise do financiamento externo. E que iam todos juntos para o Governo aplicar um programa de empréstimo destrutivo que tinham desejado, apoiado, influenciado, assinado e transformado.
Qual podia ser o único desfecho desta experiência que, felizmente, só é concebível na literatura de fantástico terror?
Como uma luva
Temos uma elite de pessoas mal-educadas a conduzir pessoas bem-formadas.
Orfeu Bertolami Neto, professor de Física na Universidade do Porto
BCP, da glória à Paula
Magalhães e Silva, advogado de defesa de Jardim Gonçalves, diz que este julgamento serve apenas para justificar o assalto levado a cabo pelo governo do PS ao BCP: “A transferência dos administradores do banco do Estado, a Caixa Geral de Depósitos, para o BCP significou a autoria, em última instância, desse assalto.”
Segundo o advogado a nomeação de Carlos Santos Ferreira e de Armando Vara para a administração do banco é prova do envolvimento socialista. “Falei em comissários políticos e disse expressamente Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, nomeados pelo accionista Estado e o Governo, que era efectivamente o Partido Socialista. Em última instância, não há a menor dúvida de que a responsabilidade por esse assalto é do Governo do tempo”.
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A Ministra da Justiça comprou milhares de acções do BCP a mais de dois euros por título. Hoje valem menos 90%.
Talvez por influencia do ex-marido, ex-presidente do BCP, ou por iniciativa própria, mas o grosso dos seus investimentos são em acções, com um peso substancial dos títulos deste banco. Na conta que detém no BCP, 61.7% do investimento é em acções do banco, em dois lotes distintos, um comprado a 2.42 euros por acção e outro por 2.33. O total investido atinge os 376 mil euros quando ontem, as mesmas acções foram transaccionadas a 0.26 euros – uma desvalorização de quase 90%.
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Jardim Gonçalves foi uma lenda viva da direita portuguesa, um dos homens mais poderosos da nossa oligarquia. Representava a excelência suprema para uma sociedade culturalmente rural, politicamente inculta e civicamente reprimida: o poder financeiro embrulhado na santidade católica. O BCP era o Vaticano da banca nacional, com o mesmo secretismo e a mesma misoginia ao serviço de um papa engenheiro. Quando em 2005 anuncia uma pseudo-retirada, surpreendeu pela escolha do sucessor: o jovem Paulo Teixeira Pinto, 44 anos então. Parecia um aggiornamento feliz, a renovação que realiza na essência a tradição, e dizia-se que o BCP tinha encontrado um presidente para mais 20 anos.
De imediato, o novel manda-chuva começou a meter água. Primeiro, perdeu a privatização de um banco romeno, em Dezembro de 2005. Três meses depois, mergulha de cabeça no abismo para onde arrastou o banco: a OPA sobre o BPI. Esse negócio falhou e destruiu a relação entre Jardim Gonçalves e Teixeira Pinto. Entraram numa guerra civil que arrasou com a credibilidade dos envolvidos e desembocou na denúncia de crimes agora em julgamento. O banco foi alvo de uma operação de salvamento que envolveu os principais accionistas. Nesse contexto, a ida de Santos Ferreira para o BCP foi a solução que melhor salvaguardou os interesses daqueles que pretendiam restituir credibilidade à instituição face às opções disponíveis. A complexidade deste processo ilustra-se com um singelo aspecto anedótico: Filipe Pinhal, um braço-direito de Jardim Gonçalves, apoiou a ida de Santos Ferreira para o BCP.
A tese de que o Governo Sócrates tinha conseguido captar o BCP ficou larvar e entredentes, mas foi ganhando sonoridade nos escritos e ditos da guarda pretoriana da oligarquia, furibunda por ver o seu mais excelso símbolo ocupado pelos nojentos socialistas. Ainda por cima, um deles era amigo íntimo de Sócrates. Exigia-se uma vingança que apanhasse os dois e lhes desse o castigo merecido: tribunal, cadeia, ostracismo, vergonha, morte política e social.
Uma das mais activas figuras públicas na campanha pela criminalização de socialistas foi precisamente Paula Teixeira da Cruz. Antes das eleições de 2011, os seus comentários públicos invariavelmente sugeriam que algo do foro criminal deveria ficar associado a Sócrates e seus próximos. O ódio que transmitia era autêntico, visceral, ilimitado. Aquela pessoa não tinha a mínima dúvida acerca da culpa das outras pessoas e da pena a aplicar. Só lhe faltava a oportunidade para fazer justiça pelas suas próprias mãos.
A ser verdade que a Paula partilha da mesma opinião do Gonçalves, então quem a levou para o cargo de Ministra da Justiça, e quem permite que lá permaneça depois do que ela já fez e disse, é responsável pela entrega de um enorme poder a alguém sem condições mentais e morais para o exercício do cargo.