Já agora, vale a pena pensar nisto

A relação do signo com o significado morreu; o jogo de trocas entre signos multiplica-se em si mesmo e por si mesmo. E a complicação crescente exige signos de signos…

Entre as características do mundo moderno, não esquecer a impossibilidade de pensar concretamente a relação entre esforço e o resultado do esforço. Demasiados intermediários. Como nos outros casos, esta relação, que não consiste em nenhum pensamento, consiste numa coisa: dinheiro.

Como o pensamento colectivo não pode existir enquanto pensamento, atravessa as coisas (signos, máquinas…). Daí o seguinte paradoxo: é a coisa que pensa e o homem que é reduzido à condição de coisa.

in A GRAVIDADE E A GRAÇA, Simone Weil

10 thoughts on “Já agora, vale a pena pensar nisto”

  1. Devido a alguma dislexia e passada curta que deus me deu, custa-me a analizar o que leio aqui, que deve ser bem profundo.

    Mas aproveito o espaço para dizer que se Gaspar não ceder nem um milímetro, ficará na história, porque mesmo que caia,”a traz dele virá quem bom dele fará”.

  2. vale a pena pensar, não na pressa má que é esta em que a corrida rápida produz sempre um sentido utilitário de embriaguez – tal e qual como a fama e o dinheiro, na pressa boa: no que a velocidade do e no tempo produz para que sejamos felizes em lentidão. é na lentidão que nascem e florescem os sentimentos como o amor e a amizade e todos os sentimentos positivos que nos descoisificam. vem-me à memória: já não há quem saiba saborear o encanto da demora e do ócio? – interroga-se Kundera quando estigmatiza a pressa da modernidade.

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