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Vem aí um Estado novo

Imaginemos que conseguíamos reunir um grupo abrangente representando o escol nacional, do Adriano Moreira ao Garcia Pereira, do Marinho e Pinto ao Roberto Carneiro, do PCP ao CDS, dos sindicatos aos empresários, dos académicos aos artistas. E que lhes dávamos esta tarefa: reavaliem as funções do Estado. Quanto tempo seria adequado estabelecer para esse levantamento e reflexão, tendo em conta as três décadas passadas na construção do actual modelo e as perspectivas a respeito dos factores internacionais que irão condicionar o nosso crescimento económico? Seria um ano muito ou pouco tempo? E que tal seis meses? Mas não seriam os seis meses ridiculamente curtos tendo em conta a magnitude, complexidade e relevância do que está em causa? E que tal 5 anos, seria de mais face ao desafio ou o mínimo para que as decisões fossem fundadas na realidade e nas nossas capacidades?

Consta que Portugal vai entregar à rapaziada da Tecnoforma e das equivalências folclóricas, os mesmos que concorreram a eleições para libertarem a economia da amarra dos impostos mas que têm primeiro de despachar uns negócios antes de tratarem dessa parte, a feitura da coisa. E que vai ser rápido, uma ou duas reuniões e aparece um Estado novo prontinho a usar.

Colhe dizer que o seu à-vontade e completa ausência de pudor dizem mais de nós do que deles. Eles sabem muito bem com quem estão a lidar, os mesmos que os levaram ao pote. Os mesmos que foram avisados do que iria acontecer. Os mesmos que nada aprenderam apesar da gula pudenda ter estado obscenamente à mostra.

Revolution through evolution

Computer Simulation Shows Grandmas Made Humans Live Longer
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Exercise the Body to Keep the Brain Healthy, Study Suggests
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Short Interval Training Burns Big Calories
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Moderate Drinking Decreases Number of New Brain Cells
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Exercise Boosts Satisfaction With Life, Researchers Find
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Lifting Weights Protects Against Metabolic Syndrome, Reports Journal of Strength and Conditioning Research
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Self-Affirmation Enhances Performance & More
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Parenting and Temperament in Childhood Predict Later Political Ideology

O meu 29 de Setembro

Naquele sábado em que a maior manifestação dos últimos anos da CGTP encheu o Terreiro do Paço com alguns 9 milhões de valentes, estimativa cautelosa tendo em conta a força popular do PCP e sua incontável frota de camionetas e furgonetas, os quais deixaram a Capital e o capital a tremerem de medo perante uma luta bem organizadinha como só esses profissionais do poder da rua conseguem montar, estive noutra manifestação. Tão ou mais impressionante. Aliás, muito mais impressionante. Mas mesmo muito mais. Falo, e aposto que já adivinhaste, do 11º Encontro Nacional de Tocadores de Concertina.

As manifestações de 15 e 29 de Setembro, que quase mandaram o Governo abaixo, são ridículas perante este evento ocorrido no meio da Serra de Aire. Porque qualquer manifestação política corresponde sempre a uma percentagem da população total. Será que a 15 de Setembro tivemos 1 milhão de portugueses em protesto pelo País fora? A ser verdade, não chegaram aos 10% da população total. Será que a 29 de Setembro a CGTP conseguiu reunir 300 mil indivíduos em Lisboa? A ser verdade, e não é, nem nada que se pareça, tal corresponderia a pouco mais de metade da população residente ou a 10% da população da Grande Lisboa. Ora, este super-acontecimento de que vos falo ainda embargado faz com que um nico de terra onde habitam 42 cidadãos seja invadido durante um dia por 4 a 6 mil concidadãos – portanto, a população aumenta 100 ou mais vezes. E como eles comeram, beberam e bateram os pezinhos ao som das concertinas os cidadãos e cidadonas e concidadonados, olá.

Os cínicos dirão que isso não é nada comparado com os festivais de música que levam quantidades estupidamente maiores de visitantes para lugares igualmente remotos e despovoados. Mas é precisamente por isso que os cínicos são cínicos, porque um cínico está condenado a carregar com uma sensibilidade calejada e uma inteligência anoréctica. Já não se conseguem alimentar, perdem o gosto e a fome. Ficam enjoados. Passam os dias e as horas enjoados. Acima de tudo, os cínicos ignoram os aspectos essenciais do tecido espácio-temporal; no caso, de que estamos a lidar com o 11º Encontro Nacional de Tocadores de Concertina.

E estamos na Barrenta. Pouco mais do que a Rua Principal, mas ainda oferecendo a Rua do Emigrante, para partir ou regressar, e a Rua da Felicidade, para morar ou atravessar. Foi para lá que fomos nessa tarde de suave luminosidade outonal. E não fomos sozinhos, nem a pé. Fomos a cavalo, fomos a saltar e a voar através dos caminhos da serra que nos saudavam à passagem. Uma festa antes da festa. E outra festa dentro da festa. Os rostos abertos em sorriso, as mãos a tocarem medrosas ou confiantes nas montadas, olhares hipnotizados, fotografias, pedidos de miúdos e graúdos para subirem à sela. E um devir de encantamento e temor que a mera presença do cavalo desperta nos humanos. O cavalo como símbolo vivo do equilíbrio entre a natureza domável e a liberdade indomável.

Já sabes o que vais fazer aquando do 12º Encontro Nacional de Tocadores de Concertina? Exacto: vais participar na maior manifestação que ocorre em Portugal, ali num pachola fim do mundo. Cavalagem opcional.

Agora que a impunidade finalmente acabou

A gente séria andou anos a garantir diariamente que os socialistas eram ladrões, incompetentes e doidos. Em simultâneo. Fartaram-se de pedir a criminalização dessa bandidagem. E chegaram ao ponto de terem ido entregar ao Ministério Público carradas de documentos para comprovar as colossais falcatruas.

Pois bem. Neste momento, a gente séria manda na Presidência da República, no Parlamento, no Governo, na Procuradoria-Geral, na Madeira e em dois submarinos novinhos a estrear. Por que estão a demorar tanto para apanharem Sócrates (pelo menos o Sócrates), Paulo Campos (pelo menos o Paulo Campos, há mínimos…) e todos os ex-ministros e ex-secretários de Estado que usaram os seus cartões de crédito para oferecerem jóias aos amantes, viagens aos amigos e gelados aos filhos (pelo menos tratem de expor essa pouca-vergonha, organizem-se!)?

Isto da impunidade ter acabado é muito bom e já fazia muita falta. Mas sem um ou dois socialistas no chilindró, idealmente para aí uns duzentos numa primeira fase, é como se a impunidade continuasse em vigor.

Gente séria, vamos lá a apresentar resultados, ’tá?

Technology loves Amália

I have discovered Amalia through a PBS (Public Radio)….the announcer was telling how he, not knowing a word of Portuguese, upon hearing her voice…fell in love with it. Went to Lisbon on his 40th birthday just to learn more about Amalia and Portugal. He was right. This has become one of my favorite songs….and am learning a lot about Amalia through You Tube. The lyrics are very sensitive…got to google translator! Thanks Amalia for being with us…and for the technology today!

Fonte

Aprender com o Pedro Marques

Há boas e excelentes razões para estar 9 minutos com o vídeo abaixo no centro da nossa atenção. Começa logo pela problemática do que se discute, passa pelo que mostra acerca da falta de coerência e de integridade do CDS e termina pela qualidade da intervenção de Pedro Marques. Nesta dimensão do episódio, realço a sua acutilância, assertividade e pujança. É notável, e uma lição ao dispor de qualquer outro tribuno, o equilíbrio conseguido entre o conteúdo, a forma e a intenção. Numa cultura política onde a oratória tende usualmente a ser bacoca ou balofa, quando não inane – e onde a emoção descontrolada anula a eficácia retórica e torna disfuncional o confronto de ideias – o que aqui vemos é um poderoso momento político em que o verbo alimenta o intelecto e promove a acção.

Quando finalmente Seguro abandonar o poleiro e puder dedicar-se a 357% à criação do tal Código de Ética prometido com que vai limpar o partido da sujidade socrática, então o PS poderá voltar a reunir os seus melhores talentos e começar a oferecer saídas para a desgraça que Cavaco, PSD, CDS, BE e PCP causaram pela sua imperdoável irresponsabilidade. Só o PS está em condições de juntar figuras históricas da democracia, líderes tarimbados no exercício governativo, independentes de mérito com ou sem experiência anterior e jovens quadros partidários com estas evidentes e superiores capacidades de comunicação.

Louçã saiu-nos muito caro

Louçã merece todos os elogios que tem recebido. É, por conquista própria, uma figura que pertence ao património cívico e político da comunidade que somos. Há valor na sua pessoa, no seu trajecto profissional e na sua entrega à causa pública. Portanto, ainda bem que pudemos contar com ele e melhor para nós se pudermos continuar a ter o seu verbo e a sua energia.

Mas Louçã igualmente merece algumas das repreensões que calhe receber. Como eu, muitos votaram no PSR e no BE só por adesão à sua promessa de renovo da esquerda, estagnada pelo conservadorismo e sectarismo do PCP desde o 25 de Novembro. Muitos se emocionaram com as suas tentativas para entrar no Parlamento, onde o imaginávamos a concretizar a imagem do pauzinho na engrenagem. E muitos, durante a maioria socialista, viram nele uma via para puxar o PS mais para a esquerda, essa esquerda romântica e imobilista, em negação face ao tempo e seus ecossistemas globais. Uma esquerda, enfim, já esquecida de Marx, por isso sem defesas perante aqueles que garantiam consistir a luta pela protecção dos mais frágeis e dos remediados na permanente recusa de tornar o presente dialéctico. A migração de eleitores do PS para o BE, em 2009, tinha vários factores na sua origem, sendo a reacção corporativa dos professores um dos principais, todavia um e só um propósito: retirar a maioria a Sócrates e forçar um Governo de coligação ou um acordo parlamentar com o BE. Nenhum daqueles que ofereceu a Louçã a melhor noite da sua vida política, em que até se viu à frente do PCP, pretendia que o Bloco mandasse nisto, queriam era castigar Sócrates por este ter realmente ousado governar o País.

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Tens um partido e vais concorrer às próximas eleições legislativas? Podes começar já a preparar o programa eleitoral

Basta que recordes ao eleitor estas passagens:

Da curiosidade

“É curioso que o programa eleitoral que nós apresentámos no ano passado e aquilo que é o nosso Programa do Governo não têm uma dissintonia muito grande com aquilo que veio a ser o memorando de entendimento celebrado entre Portugal, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional”, disse Passos Coelho.

Ou seja, quando o actual Governo e partidos que o formam repetem maniacamente que foram o anterior Governo e o PS quem chamou a Troika e assinou o Memorando, estão apenas, no fundo, a mostrar toda a sua gratidão ao anterior Governo e ao PS por lhes terem facilitado tanto a vida.

Da crença

O primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou na terça-feira à noite que os sociais-democratas têm um “grau de identificação importante” com o programa acordado com a ‘troika’ e querem cumpri-lo porque acreditam nele.

Ou seja, Troika e PSD são uma e a mesma coisa. Trata-se de um casamento feito no Céu e que nem que nos leva a todos para o Inferno se irá dissolver.

Da alegria

Segundo o presidente do PSD, por esse motivo, “executar esse programa de entendimento não resulta assim de uma espécie de obrigação pesada que se cumpre apenas para se ter a noção de dever cumprido”.

Ou seja, Passos Coelho está verdadeiramente entusiasmado com tudo aquilo que o Memorando lhe permite fazer a Portugal. E nas partes em que o Memorando for insuficiente, prudente, tímido, lá estarão os social-democratas prontos a irem além, a chegarem ao osso, a não deixarem pedra sobre pedra, sempre com um sorriso rasgado e o coração palpitante de alegria.

Da cruz

“Por isso, não fazemos a concretização daquele programa obrigados, como quem carrega uma cruz às costas. Nós cumprimos aquele programa porque acreditamos que, no essencial, o que ele prescreve é necessário fazer em Portugal para vencermos a crise em que estamos mergulhados”, reforçou.

Ou seja, na Via Crucis da austeridade, culminando no Calvário do empobrecimento, não contem com Passos para carregar a cruz, sequer por alguns instantes. Contem é com Passos para dar uso ao chicote, cumprindo um programa de carnificina generalizada que merecemos pelos muitos pecados cometidos a tentar desenvolver uma sociedade de maior inclusão, superior nível de vida e fundada esperança no futuro.

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Fonte (bem lembrada pelo Porfírio):

PSD tem um “grau de identificação importante” com o programa da troika

O triunfo da transparência

Segundo a gente séria e seus capachos, Sócrates era corrupto. A Justiça vasculhou a sua vida e a da família, indo até ao período escolar, e o que descobriu entregou aos jornalistas amigos para eles fazerem manchetes. Pelos vistos, posto que nunca foi suspeito ou sequer arguido fosse do que fosse, era só disso que se tratava: produção de conteúdos para ajudar a imprensa do laranjal e a malta do eixo do bem, esse que vai da Lapa a Belém e vice-versa.

Segundo a gente séria e seus capachos, Sócrates era mentiroso. Era mentiroso logo por nunca ter confessado ser corrupto, o que muito irritou o Pacheco Pereira, era mentiroso porque jurou não ir aumentar uns certos impostos e depois aumentou uns outros e era mentiroso porque tinha prometido 150 mil empregos na campanha eleitoral de 2005 e apenas conseguiu oferecer 134.459* com a maior crise económica internacional dos últimos 80 anos pelo meio a dar-lhe cabo das contas. Parece que também mentiu no Parlamento, quando confrontado com uma devassa da sua privacidade. Os mentirosos têm esse péssimo hábito de tentarem preservar a sua intimidade, o que é que se há-de fazer…

Segundo a gente séria e seus capachos, Sócrates era arrogante. Talvez o primeiro teórico da arrogância socrática tenha sido Paulo Rangel, o qual em 2007 fez um discurso solene no Parlamento a dizer que nunca como então a democracia e a liberdade se viam perante tão tenebrosas ameaças. A prova que ele deu sem se rir, feito só ao alcance de um verdadeiro herói, foi a seguinte: Pina Moura ter ido para a Media Capital, a mesma empresa que daí por um ano estava a pagar fortunas ao casal Moniz para fazerem o belo servicinho que fizeram com o Freeport e o mesmo Pina Moura que deu o litro como um dos mais notáveis e facundos anti-socráticos. Mas foi aqui que nasceu o espantalho de um primeiro-ministro tirano, prepotente, sanguinário – finalmente dando ao PSD e restante oposição uma estratégia moralista para lidar com aquele que surgia politicamente imbatível e imparável. O facto de a realidade não permitir mais do que alguns segundos deste estado alterado de consciência não impediu o sucesso da fórmula. Uma vez estabelecido que o homem era arrogante, então qualquer manifestação sua passava a ser por inerência uma manifestação da sua arrogância. Se respondia com rispidez a quem o ofendia, estava a ser arrogante. Se respondia com uma ironia a quem o insultava, estava a ser arrogante. Se desmontava entusiasmado uma argumentação do seu adversário, estava a ser arrogante. Se não respondia a uma pergunta feita com má-fé, estava a ser arrogante. Se questionava os jornalistas que o entrevistavam, estava a ser arrogante. Se tentava expor as suas ideias para o público ao arrepio do interesse agendado ou fútil do jornalista, estava a ser arrogante. Se transmitia emoções de indignação perante qualquer facto, estava a ser arrogante. Se sorria em silêncio perante um facto qualquer, estava a ser arrogante. Se inspirava, estava a ser arrogante. Se expirava, estava a ser arrogante. Se entrava em apneia, estava a ser super-arrogante.

Felizmente, conseguimos expulsar o monstro. Agora, a gente séria e seus capachos já podem descansar e sair à rua em segurança. Os actuais governantes não são corruptos, muito menos são mentirosos, muito menos ainda são arrogantes. Eles são apenas aquilo que são, aquilo que não conseguem esconder, aquilo que está à mostra.

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* Não é este o número? Então, envia aí o número certo, faxavor.

Sporting, presta atenção

Nunca mais ponham por cima do coiro trapos cor-de-lampião-desmaiado:

Sporting, tu atina: peguem nestas camisolas todas e fogo à peça (peça a peça, fogo). Equipamento alternativo é a branco, a cor das origens. E acabou a mariquice.

Sporting, não brinques com coisas sérias. Muda o equipamento alternativo para acabar com a maldição cromática. Já. Esta semana. Agora.

Sporting, foda-se. Foda-se, Sporting.

Não é um Governo, é um traseiro

Governo recua nos cortes ao subsídio de desemprego
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Governo recua e só despede 10 mil contratados a prazo
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Governo recua no IMI
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Governo recua no corte salarial aos gestores de entidades reguladoras
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Governo recua e mantém taxa sobre gorjetas em 10%
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Governo recua na compra da Caixa Seguros e Saúde à CGD
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Governo recua nos exames do 12.º ano
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Governo recua no regime de mobilidade da Função Pública
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Governo recua no despedimento por inadaptação
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Governo recua na lei do tabaco
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Governo recua na excepção aos cortes aplicados na CP
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Governo recua e admite entrega da casa ao banco para saldar dívida
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Governo recua e abre corrida às reformas na função pública até ao final do ano
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Governo recua na TSU
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Governo recua e mantém RTP2
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Governo recua e garante que não vai alterar tabelas salariais
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Governo recua na Lei dos Compromissos para o Superior
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Governo recua na eliminação das “férias frias”
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Governo recua nos 30 minutos extra de trabalho diário
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Governo recua na mudança de vínculo dos docentes
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Governo recua e volta a conferir estatuto especial ao Turismo de Portugal
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Governo recua nas restrições a empresas municipais
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Governo recua no IVA sobre a cultura
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Governo recua na venda de centro de secagem de Alcácer do Sal
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Governo recua na extinção da Parpública
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Governo recua no RSI e volta à fórmula de Sócrates

fashion, shamanism, fascism, coke, cake, rococco, tears, sperm, spears, jewells, carreers

Um dos programas mais simpáticos da rádio portuguesa é o A Playlist de… na TSF. Os convidados trazem as músicas da sua predilecção e apresentam-nas em registo biográfico e/ou informativo. O resultado é uma viagem emocional e intelectual à interioridade – tanto a diacrónica como a sincrónica – de variadíssimas figuras públicas. No exemplo que realço, o da Carla Maia de Almeida, tive um duplo prazer acrescido ao prazer do todo: a recordação das calças à betinho e do estilo de dança respectivo, fenómeno folclórico do princípio da década de 80; uma canção e uma intérprete inesquecíveis – estas mesmo aqui por baixo.

Ninguém nasce democrata

Ver as famílias dos candidatos à presidência dos EUA subirem ao palco no final dos debates televisivos, e ficarem uns minutos à conversa uns com os outros com genuína estima, ou ver os mesmos candidatos juntos num evento onde é suposto brincarem à política através do humor, faz-nos ficar cheios de inveja. Estes protocolos são celebrações da essência da democracia, demonstrando que antes e depois do combate político está a nação – isto é, a comunidade, o respeito de todos por cada um e o de cada um por todos. E também nos deixa a pensar que após a eleição de um homem com um tom de pele um bocadinho mais escuro do que o daqueles que chegaram no Mayflower, e depois da previsível eleição de um presidente que não mije de pé a acontecer nas próximas eleições, a grande conquista para a democratização completa da sociedade norte-americana será a eleição de um cidadão solteiro ou divorciado. Seguramente, ainda nesta primeira metade do século.

Por cá, reina a decadência. Cavaco, a figura mais importante da direita portuguesa após o 25 de Abril, fez do seu discurso de vitória na noite eleitoral em que foi reeleito um vendaval de rancor como ninguém poderia ter imaginado possível. Na altura, Freitas do Amaral apareceu a defendê-lo, dizendo que o que realmente importava para o correcto exercício dos seus deveres era o discurso da tomada de posse, e que aí, garantia Freitas, iríamos ver um Cavaco a unir os portugueses e a levá-los para uma convocação de esforços tão necessária nos idos de Março de 2011. O que se seguiu foi outro acto impossível de prever à luz da prática dos anteriores Presidentes da República e à luz do mero bom senso democrático. O que se seguiu, pois, foi outra explosão de rancor, mas essa ainda mais violenta porque longamente pensada e preparada com o máximo detalhe.

Cavaco não está só, claro. A prática da direita partidária actual, a que se juntam os comentadores arregimentados, os jornalistas engajados e a arraia-miúda assanhada, é a da promoção do ódio, a hipocrisia moralista levada ao seu extremo alucinatório, a cultura da calúnia como substituto do programa político.

Felizmente, somos só 10 milhões e os americanos mais de 300 milhões. A democracia nada tem a temer da nossa falta de educação.

Fazer justiça

A situação da Justiça portuguesa é calamitosa. E ninguém se salva – ou melhor, ninguém nos salva. A gravidade é tão indescritível que até ao PS, principal vítima política das disfunções e perversões dos magistrados, falta um discurso sobre o problema. Repare-se: não tinha de ter uma solução, por mais difícil, morosa ou improvável que fosse, já bastava ter algo a dizer. Bastava, para dar sentido cívico aos acontecimentos e servir de base para a reflexão urgente a fazer, que o PS introduzisse no debate público a denúncia do que se passa no Ministério Público e nos tribunais. Mas nem isso, a desgraça é quase absoluta.

Quase, porque entretanto a saída de Pinto Monteiro do cargo de Procurador-Geral, num mandato onde aconteceram os mais obscenos e violentos ataques do poder judicial ao poder político na história do regime, veio permitir uma síntese que fica à disposição dos interessados:

“Existe hoje uma ‘interferência’ do poder executivo no poder judicial e que consiste, fundamentalmente, em resolver problemas políticos através de processos judiciais”, escreve o procurador-geral na introdução do livro. “Atente-se quantos políticos pós 25 de abril tiveram contra si processos instaurados, que criam correntes de opinião alimentadas por alguma comunicação social, e que, após investigações completas, se conclui não ter existido qualquer ilícito criminal”.

Pinto Monteiro despede-se com críticas a tudo e todos

Quem é que está a tentar resolver judicialmente aquilo que são apenas problemas políticos? Basta listar os alvos para descobrir donde vem o tiro. À volta destes casos pairam os abutres que os aproveitam para a baixa política, os assassinatos de carácter, a cultura da calúnia. Todavia, se pressentirem a menor possibilidade de um dos seus ser vítima de iguais processos, transformam-se imediatamente nos mais fervorosos defensores do Estado de direito e da decência, para logo a seguir voltarem às filhas-de-putice contra os seus ódios de estimação ou ocasião sem o menor vestígio de terem neurónios alocados ao registo do passado recentíssimo.

O problema da politização da Justiça leva à judicialização da política, e os principais mentores destes processos estão neste momento no poder no Parlamento, no Governo e na Presidência da República. Recordemo-nos de Marcelo Rebelo de Sousa e do seu modo estouvado de revelar os bastidores mais sórdidos das guerras políticas. Disse várias vezes que o PS perdeu a maioria por causa do Freeport, um caso nascido para influenciar as eleições de 2005, que foi mantido em banho-maria durante anos e que ressurgiu para influenciar as eleições de 2009. Este caso, mesmo com uma última e nunca antes vista tentativa de prolongamento por parte de um juiz, foi finalmente encerrado por falta de provas. Acaso alguém acredita que a haver provas elas não tivessem aparecido ao longo de 8 anos de investigações, ainda por cima tendo em conta a dimensão dos recursos, estatais e privados, que foram reunidos para apanhar Sócrates e tramar o PS?

Marcelo também repetiu com gosto, ao longo do conflito entre Cavaco e Sócrates, que a posição do Presidente da República era única, pois quem atacasse essa figura institucional imediatamente perderia a razão e o apoio popular. Neste quadro, a “Inventona de Belém” pode ser vista como a concretização suprema de um poder que escapa a qualquer responsabilização, fiscalização, averiguação e limitação. A apatia da Justiça e do Parlamento na reacção a esse caso consagrou um estado de excepção que é parte principal da crise da Justiça portuguesa: quando o mais alto magistrado da Nação, o chefe de Estado, dá um exemplo de absoluta negação da sua obrigação constitucional, sendo a seguir reeleito no cargo, não é crível que exista uma sociedade interessada em resolver os problemas que impregnam todo o sistema judicial e que destroem vidas e a economia.

Quando alguém fica anos e anos à espera de uma resolução judicial, podendo por isso perder bens, dinheiro, saúde, esperança e o seu futuro, está a experimentar individualmente o mesmo prejuízo que se abate sobre o País quando a Justiça é usada para denegrir adversários e derrubar Governos. Não precisamos dos partidos demissionários, muito menos dos que são cúmplices, para começar a pensar no fundamento da nossa coexistência e regulação colectiva. Só precisamos que todo aquele que já foi prejudicado pela actual Justiça esteja disposto a fazer justiça pela sua própria inteligência e vontade.