Agora que a impunidade finalmente acabou

A gente séria andou anos a garantir diariamente que os socialistas eram ladrões, incompetentes e doidos. Em simultâneo. Fartaram-se de pedir a criminalização dessa bandidagem. E chegaram ao ponto de terem ido entregar ao Ministério Público carradas de documentos para comprovar as colossais falcatruas.

Pois bem. Neste momento, a gente séria manda na Presidência da República, no Parlamento, no Governo, na Procuradoria-Geral, na Madeira e em dois submarinos novinhos a estrear. Por que estão a demorar tanto para apanharem Sócrates (pelo menos o Sócrates), Paulo Campos (pelo menos o Paulo Campos, há mínimos…) e todos os ex-ministros e ex-secretários de Estado que usaram os seus cartões de crédito para oferecerem jóias aos amantes, viagens aos amigos e gelados aos filhos (pelo menos tratem de expor essa pouca-vergonha, organizem-se!)?

Isto da impunidade ter acabado é muito bom e já fazia muita falta. Mas sem um ou dois socialistas no chilindró, idealmente para aí uns duzentos numa primeira fase, é como se a impunidade continuasse em vigor.

Gente séria, vamos lá a apresentar resultados, ’tá?

13 thoughts on “Agora que a impunidade finalmente acabou”

  1. Esta coisa do fartar vilanagem percorre o espectro político de fio a pavio. E, num modelo parlamentar rotativo, é mais ou menos como as noras: ora estão uns em cima, ora estão outros em baixo que é para não dizer umas coisas mais coloquiais…

  2. Valupi: Não são os “socialistas” que são ladrões e incompetentes, da mesma forma que os “outros” não são gente mais “séria”. São os portugueses que, na sua maioria, são mais ladrões e incompetentes, porque vivem numa sociedade onde a corrupção se tornou um modo de vida para a maioria dos cidadãos. Não vale a pena estar sempre a dividir os portugueses entre “maus” e “bons”, PS versus PSD, ou Sócrates versus Passos Coelho, porque a realidade é bem mais complexa do que isso e estas coisas são mais culturais do que políticas ou ideológicas. E, depois, podemos sempre comparar-nos com outros países e povos e vermos as diferenças: para o mal e para o bem (que cá também existem pessoas e coisas boas).
    Logo, estar sempre a martelar nesta dictomia entre esquerda e direita num país como Portugal, onde a baixa instrução, baixa formação, pouco rigor, falta de transparência e de ética profissional, são uma constante do quotidiano, é passar ao lado do essencial. Sim, somos um país onde há (relativamente) mais patrocinato e compadrio, logo mais corporativismo e corrupção em todos os estratos sociais, independentemente das profissões e funções. O resto é folclore para entreter o pagode.

  3. Portugal ocupa o 34º lugar no índice de corrupção (transparency) do PNUD (ver relatório de 2011). Ou seja, numa lista de 193 países, somos o 34º mais corrupto. Get it?

  4. 1. a teixeira da cruz já tratou de manter todos as mordomias do pessoal da justiça para que este fique quieto relativamente ao ppd actual. a tecnoforma, um exemplo da corrupção de que falava o rui mota (creio não estar enganado) ao nível do estado central, vai ficar em águas de bacalhau (+ uns tempos, pelo menos).
    2. a corrupção em portugal não é agora maior do que há 25 anos embora as pessoas agora sejam mais sensíveis a isso. porque será?

  5. Classificação de Portugal na escala de transparência (o oposto de corrupção):
    Relativa: 32º lugar em 182 países
    Absoluta: 6,1 numa escala de 0 a 10, onde 0 significa completamente corrupto;

    A classificação de Portugal corresponde a 12,2 valores na escala 0-20. A Grécia, por exemplo, ocupa o 80º lugar com 6,8 valores (0-20), enquanto a Islândia ocupa o 13º lugar com 16,6 valores (0-20).

    “The 2011 index draws on assessments and opinion surveys carried out by independent and reputable institutions. These surveys and assessments include questions related to the bribery of public officials, kickbacks in public procurement, embezzlement of public funds, and the effectiveness of public sector anti-corruption efforts. Perceptions are used because corruption is to a great extent a hidden activity that is difficult to measure. Over time, perceptions have proved to be a reliable estimate of corruption.”

    http://cpi.transparency.org/cpi2011/results/

  6. Teófilo M. e Valupi.
    Não ando a ler as estatísticas ao contrário. Estamos em 41º lugar no índice de desenvolvimento do PNUD (estamos a descer) e estamos em 34ª no índice de corrupção (estamos a subir)
    Ambos mostram os países em ascensão, mas a interpretação é oposta. No segundo caso, os países classificados nos primeiros lugares são os mais corruptos. Devo, no entanto, acrescentar que o índice de corrupção (transparency) é baseado em duas variáveis: os casos reportados e a assumpção da corrupção que existe numa sociedade. Algo subjectivo, concedo, mas é o que há.
    Porque, apesar de todos os casos que enchem diariamente os jornais, nenhuma personalidade (verdadeiramente importante) da nossa sociedade é condenada, só posso concluir que, das duas uma: ou não há corruptos em Portugal; ou há e ninguém é preso porque se protegem uns aos outros.
    O que é que vocês pensam?

  7. rui mota, acho que tens aí umas sérias dificuldades com a literacia. Basta que releias o que escreveste nesta caixa de comentários e penses uns minutinhos no que estás a transmitir pelas palavras.

  8. O que eu penso é que a classificação absoluta (12,2 valores de 0-20) corresponde mais ou menos à nossa realidade. Certamente que a classificação absoluta é muito mais informativa que a relativa, que nos dá o 32º lugar em 182 países.

    Infelizmente, o mundo é maioritariamente corrupto. Basta ver que a mediana (dos 182 países analisados) é 6,4 valores — próximo da Grécia, portanto. Por outro lado, há apenas 49 países com classificação de 10,0 valores ou superior. Se isto fosse um exame teríamos 73% de países chumbados e apenas 27% de aprovados.

  9. Concluindo.
    Somos menos corruptos do que a maioria.
    Não se vislumbram grandes resultados dos famosos “mega-processos”, a não ser os mediáticos.
    São mais as vozes do que as nozes.
    A corrupção passou a ser acha de arremesso.

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