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Já temos defeitos que cheguem e sobrem

Não existem erros. O subsídio de férias será pago por defeito em duodécimos, ao setor privado. De fora ficam apenas os subsídio de férias em atraso, que não entram para este fracionamento.

Subsídios em atraso não contam para duodécimos

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Haveria muito para dizer a respeito dos defeitos governativos que levaram a esta medida do pagamento antecipado e mensal de parte dos subsídios, mas neste momento só me interessa a praga do “por defeito” estar consagrado como tradução do inglês default. Trata-se da vitória da preguiça mental, criando uma aberração semântica. E a importância da perversão não me parece pequena, pois estamos a aceitar que os significados vocabulares sejam abastardados sem ninguém se incomodar. Como alguns mais avisados, ou tão-somente lidos, dirão: quem fala mal, pensa mal.

Poderemos dar Olivença como perdida, mas, raios, haja módico brio para resistir à estupidez. Na notícia do DN acima qualquer uma destas alternativas cumpriria a função informativa:

O subsídio de férias será pago por norma em duodécimos ao setor privado.

O subsídio de férias, salvo excepções, será pago em duodécimos ao setor privado.

Por princípio, o subsídio de férias será pago em duodécimos ao setor privado.

Para além das óbvias vantagens, ainda se oferece de borla a correcção da aplicação – essa, sim, por inquestionável defeito – da puta da vírgula.

Já não é possível regressar aos mercados

Porque já regressámos. Já lá estamos. Já está feito. Foi mais fácil do que fatiar manteiga com uma lâmina de barbear aquecida. Um notável caso em que a união fez a força. Só que não estamos a falar da união dos portugueses, da união da coligação governativa ou até da união dos neurónios na iluminada cachimónia do primeiro-ministro. Falamos da União Europeia, falamos do sistema, falamos de um contexto já com largos meses de tendência que por pouco até permitiria à Grécia igualmente regressar aos mercados e anunciar que se tinha afastado de si própria. Portantos, triunfo propagandeado e trunfo gastado, segue-se o quê, pazinhos? Um anticlímax ao retardador.

Por um lado, o empobrecimento da classe média e o empurrão dos pobres para a indigência fará o seu inexorável caminho. Tendo em conta os constrangimentos do quadro partidário, onde não há neste momento nenhum partido que acene com uma qualquer alternativa à situação, a sociedade irá tomar directamente nas suas mãos a manifestação dos seus interesses. 15 de Setembro lá para Abril ou Maio. Por outro lado, os mercados continuarão a ignorar olimpicamente a retórica dos capatazes que nos desgovernam e manterão os olhos fixos no BCE. A aritmética continuará a esmagar a semântica no que diga respeito à descida ou subida dos juros. E a economia internacional não vai deixar de se manter caótica só para agradar ao Excel do nosso ministro das Finanças.

A emissão de dívida, numa operação para português ver, acaba por ter uma enorme vantagem: permite afastar essa cenoura do arsenal demagógico da direita que nos atraiçoou, dado que fica patente a completa ausência de nexo entre a lógica dos leilões da dívida pública e os números dos principais parâmetros económicos nacionais. Quer dizer que até um Governo de coligação MRPP-PNR regressaria aos mercados a correr e a saltar nesta altura do campeonato. Falta apenas que apareça alguém interessado em fazer oposição.

Revolution through evolution

Why did men stop wearing high heels?
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Like Lance Armstrong, we are all liars, experts say
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Doctors urged to screen women for domestic abuse
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Men More Likely Than Women to Commit Scientific Fraud
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People Seek High-Calorie Foods in Tough Times
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Irish council approves motion to allow rural drink-driving
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Disease Outbreaks Trackable With Twitter
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Marines studying mindfulness-based training
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Forget About Fair: It’s Better When Bosses Pick Favorites
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Large Vehicles Begin Shift to Electric Drive
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No Link Found Between Facial Shape and Aggression
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Music, Multivitamins And Other Modern Intelligence Myths
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An eternity of infinities: the power and beauty of mathematics
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What a fake Mars mission says about our own sleep habits
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No More ‘Empty Nest:’ Middle-Aged Adults Face Family Pressure On Both Sides
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Many Apples a Day Keep the Blues at Bay
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Emotional Smarts Tied to General IQ
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Motorists Overrate Ability To Talk On Cell Phones When Driving

O presidente de todos os aldrabões

O Presidente da República apelou hoje a uma campanha eleitoral de “verdade e de rigor”, sublinhando que não é tempo de “vender ilusões ou falsas utopias”, porque prometer o impossível ou esconder o inadiável é enganar os portugueses.

“A campanha eleitoral deve ser uma campanha de verdade e de rigor. Ninguém deve prometer aquilo que não poderá ser cumprido. Este não é o tempo de vender ilusões ou falsas utopias”, afirmou o chefe de Estado, numa declaração ao país, onde anunciou a realização de eleições legislativas antecipadas para 05 de junho.

Considerando que “prometer o impossível ou esconder o inadiável” seria “tentar enganar os portugueses e explorar o seu descontentamento”, Cavaco Silva sublinhou, contudo, que confia na “maturidade cívica” do povo.

Fonte

Take five

Tenho de abandonar por uns momentos a caverna soturna em que me fechei com os testes para corrigir, porque acho que ninguém está a entender a notícia da RTP:

1. Há umas semanas atrás, no auge da novela Relvas, Passos Coelho fez constar que a remodelação de Relvas só aguardava que ele concluísse o dossier RTP.

2. Ora, manifestamente, Passos não tem poder para remodelar Relvas,

3. Porque Relvas é que tem poder para fazer saltar Passos.

4. Assim, se Relvas sairia no dia seguinte à privatização da RTP e se Relvas não pode sair, a RTP não pode ser privatizada.

5. Elementar, meus caros Watson’s.

Augusto Santos Silva

Ai Portugal, Portugal

Portugal vende dívida a juros mais baixos

O Tesouro português colocou hoje obrigações a dez anos com uma taxa de juro de 6,716%, inferior à da emissão anterior, que atingiu os 6,806%, tendo tido uma procura 3,2 vezes superior à da oferta.

Esta foi a primeira colocação portuguesa de Obrigações do Tesouro a cinco e dez anos desde que a Irlanda recebeu auxílio internacional. Na maturidade a quatro anos, a taxa de juro foi de 5,396%.

Fonte

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Foi assim que um Governo minoritário, cercado e boicotado por todos os lados, começou o ano de 2011. Parece que os mercados de então, altura em que o caos político e financeiro europeu estava ao rubro, não se importavam de baixar juros e triplicar ofertas de dinheiro a criminosos como esse bandido do Sócrates. Mais tarde, dois meses apenas, esse mesmo Governo já tinha negociado um plano com a Europa que impediria a perda da soberania para os credores e seus algozes.

Portugal congratulou-se com a desistência e a derrota. Portugal premiou os traidores com o poder absoluto: uma maioria, um Governo e um Presidente. Portugal, és uma trágica anedota.

Hossanas nas alturas, chegou o salvador!

A notícia de que Portugal conseguiu pedir dinheiro emprestado a entidades que negoceiam no mercado das dívidas soberanas provocou uma justificadíssima explosão de alegria no povo e nos sábios. Aqui fica um pequeno apanhado, retirado da TSF, onde podemos apreciar o profundo impacto que esse acontecimento já está a ter no ânimo, confiança e qualidade de vida de tantas e tantas excelentes pessoas:

Inês “Não Sei Se é Engenheiro” Vilhena

Rui “Como Pai Muito Feliz” Silva

António “Meio da Ponte” Costa

A bilheteira como espelho

Entre os filmes portugueses estreados em sala em 2012, o mais visto foi «Balas & Bolinhos: O último capítulo», de Luís Ismael, com 256.158 espetadores e 1,29 milhões de euros de receita.

Abaixo deste ficou a transposição para cinema da série televisiva «Morangos com Acúçar», por Hugo de Sousa, com 238.200 espetadores e 1,23 milhões de euros.

Com resultados muito distantes destas duas produções, o terceiro filme português mais visto foi «O cônsul de Bordéus», de Francisco Manso e João Correa, sobre o diplomata Aristides de Sousa Mendes, com 50.919 espetadores e 254.182 euros de receita de bilheteira.

Fonte

Revolution through evolution

When Mom Is CEO at Home, Workplace Ambitions Take a Back Seat
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Undercover with Europe’s dangerous neo-Nazis
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Many researchers taking a different view of pedophilia
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Father’s Mental Health Linked To Child’s Behavior
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How to Avoid the Temptations of Immediate Gratification
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Childhood Trauma Leaves Its Mark On the Brain
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Born to Lead? Leadership Can Be an Inherited Trait, Study Finds

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Good food for good thought

New research by Scott Wiltermuth, a USC Marshall School of Business assistant professor of management and organization, and co-author Francis Flynn of the Stanford Graduate School of Business, found that providing a sense of power to someone instills a black-and-white sense of right and wrong (especially wrong). Once armed with this moral clarity, powerful people then perceive wrongdoing with much less ambiguity than people lacking this power, and punish apparent wrong-doers with more severity than people without power would.

“We noticed in our MBA classes that the students who seemed to feel most powerful had these absolute answers about what’s right and what’s wrong,” said Wiltermuth.

“We found the same phenomenon when we made other people feel powerful, and we also found the resulting clarity led people to punish questionable behavior more severely. That link between power and more severe punishment could cause a huge problem for managers. What a manager sees as appropriate punishment could be seen as absolutely draconian by other people.”

Wiltermuth and Flynn set up four experiments in which they made some individuals feel powerful — giving them the ability to control resources and administer rewards or punishments. When presented with cases of transgressions, the powerful participants were more likely to say “yes, the behavior is immoral,” “no, it is not immoral.”

Very few powerful people answered with “it depends,” which was a much more popular answer among the less powerful. Owing to this certainty, the participants made to feel powerful felt that the transgressions deserved harsher punishments.

Significantly, the researchers found that moral clarity was more clearly connected to delivering punishments than administering bonuses for good behavior. “Our findings do not imply that having this moral clarity leads people to obtain power. Rather, the findings imply that once you obtain power you become more likely to see things in black-and-white,” he said.

Power’s Punishing Impact: Power Linked to Tendency to Punish Harshly

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Tradução:

A oligarquia é sempre igual a si mesma, não importando qual seja a época ou o lugar onde exerça o seu poder. É moralista, hipócrita, velhaca, ressabiada, vingativa, rancorosa. E em Portugal viveu em pânico desde 2008 até 5 de Junho de 2011.

apatia <-> anomia

Em qualquer das hipóteses, não pode deixar de espantar que pareça haver tão pouca gente, no País, determinada a levar até ao fim a sindicância de um documento com estas características e da responsabilidade da organização que o produziu. Dir-se-ia que nem se trata de um dos nossos principais credores nem de uma das instituições que se arrogam a capacidade de nos dizer qual o caminho certo e qual o errado. E que não ocorre à generalidade das pessoas que para repensar é preciso ter pensado antes. Vulgo usar a cabeça.

Fernanda Câncio – Pensar o repensamento

1913-1990

A outra noite

Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.

Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:

- O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?

Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.

- Mas, que coisa...

Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.

- Ora, sim senhor...

E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.

Rubem Braga

It’s a bird… it’s a plane… no, wait… oh, my god… it’s Super-rabbit!!!

A austeridade literalmente a mata-cavalos está a resultar em Portugal. A receita do empobrecimento é um sucesso. Os supostos falhanços orçamentais são apenas soluções mais avançadas, portanto inatingíveis pela rarefeita inteligência dos simples, para nos livrarmos dos socráticos e seus crimes contra a humanidade. Portugal merece a pancada, até aguentará mais e pior. E só tem é de agradecer à gente séria estar esta a sacrificar-se, a faltar a jantares, a sair mais cedo das festas, em ordem a conseguir pôr este pardieiro na ordem. Todos o dizem, a começar pelas pessoas que a direita honrada respeita e admira, como um tal de Hollande – e se ele o diz, é porque é a verdade verdadinha. Mas não nos fiquemos pelo paleio, olhemos para os números, para os factos, para a realidade.

Portugal

Cá está. Tomem e embrulhem, seus cães sem pai nem mãe. Juros a descer. E a descer para baixo, de modo a não haver dúvidas na cambada que não trabalha e se limita a sacar subsídios e mais subsídios. Isto tem uma causa, tem um autor: o Pedro, o nosso amigalhaço. Todavia, para que não se diga à boca pequena estarmos perante um acaso, ou uma cena não sei quê do não sei quantos, veja-se o que o Pedro anda igualmente a fazer noutros países aflitos com a herança dos malvados socráticos.

Espanha

Pimba. Juros também a baixar. A receita que o Pedro aplicou em Portugal a funcionar tal e qual em Espanha; e isto apesar de Espanha ter muito mais socráticos por ser um país maior. É obra. Uma obra que continua, que chega mais longe.

Itália

Ciao, bella Italia. Olhem para este espectáculo. Juros a caírem com mais velocidade do que as balas de canhão que Galileu mandou Torre de Pizza abaixo. Só o Pedro poderia ser capaz deste feito, tendo em conta que os socráticos italianos têm a reputação de serem os mais mafiosos do Mundo (por incrível que pareça à luz do que conhecemos deles em Portugal). Enfim. Avancemos para o que é um autêntico milagre apenas ao alcance de um colossal talento para dominar os mercados.

Grécia

Peço um momento de silêncio. Que aqueles que estejam sentados se levantem. Aqueles que estiverem de chapéu, boina ou cartola descubram a cabeça e a verguem em recolhimento. Houve um tempo em que os socráticos estiveram quase a mandar a augusta Europa para o galheiro só com o que andavam a fazer na Grécia. Se tal tivesse acontecido, provavelmente o alvo seguinte seria a América, e logo depois o todo da civilização ocidental. Isto esteve mesmo para acontecer, e foi há menos de 1 ano. Muitos já se davam por perdidos, inclusive ponderando fugir a nado até à Madeira; o último reduto para a gente séria e o único lugar inviolável pela socratagem comandada a partir de Paris. Felizmente, numa manobra genial que só agora começa a poder ser compreendida, o Pedro em Setembro de 2012 lançou a ideia da TSU como acção táctica de diversão de modo a poder entregar-se secretamente à resolução da crise das dívidas soberanas na Zona Euro. Enquanto andava a sociedade distraída e assarapantada, indo para a rua fazer figuras tristes, o Pedro agia com determinação e força letal pela calada da noite. Sempre com o inestimável apoio do seu fiel companheiro de longuíssima data, o dr. Relvas (também tratado por “doer” por razões que se encontram sob segredo de Estado), começou a dar ordens aos Governos de Espanha, Itália e Grécia. E também a outros, operações heróicas que ainda é cedo para revelar ao povoléu.

Os gráficos não mentem, tornando estupidamente fácil a escolha. Os portugueses só têm dois caminhos. O dos socráticos, cheio de auto-estradas, comboios malucos, aeroportos a estrear, dinheiro esbanjado em pobres e em novas oportunidades para a velharia. E o do Pedro, onde ele acaba com o regabofe, desterra os piegas, desliga a ventoinha da porcaria, salva a Europa, encontra a cura para o cancro, inventa uma forma de pôr Messi a jogar ao lado do Ronaldo na Selecção e entrega a RTP ao Correio da Manhã, um jornal que tem notícias para dar e vender.

Boa sorte, cidadão.