Take five

Tenho de abandonar por uns momentos a caverna soturna em que me fechei com os testes para corrigir, porque acho que ninguém está a entender a notícia da RTP:

1. Há umas semanas atrás, no auge da novela Relvas, Passos Coelho fez constar que a remodelação de Relvas só aguardava que ele concluísse o dossier RTP.

2. Ora, manifestamente, Passos não tem poder para remodelar Relvas,

3. Porque Relvas é que tem poder para fazer saltar Passos.

4. Assim, se Relvas sairia no dia seguinte à privatização da RTP e se Relvas não pode sair, a RTP não pode ser privatizada.

5. Elementar, meus caros Watson’s.

Augusto Santos Silva

One thought on “Take five”

  1. Santos Silva a divertir-se com falsos silogismos, obviamente irónicos. De facto, a privatização da RTP não se faz e fica adiada para o dia de são nunca porque não há quaisquer condições para a fazer. Balsemão e o marquês da TVI não querem outro canal privado e o governo teme que os dois canais se virem contra ele. O comprador que se perfilava era a mafia angolana, que já toda a gente percebeu que pretende controlar a economia e a comunicação social portuguesas. O esquema da concessão do serviço público a um privado era uma imbecilidade inqualificável do broches da Goldman Sachs. Adivinhava-se já o Tribunal Constitucional com aquela trampa toda nos braços. Por muitas e ponderosas razões, a venda da RTP iria transformar-se num mega-escândalo, muito pior do que a venda do BPN, e o governo acagaçou-se. O outro partido da coligação opõe-se, o que não é inteiramente despiciendo. O governo simplesmente teve que deixar cair esse ponto do programa, mas nunca o confessará. Optou por dizer que vai dar cabo da RTP, quase extingui-la, sob o especioso pretexto de a tornar mais apetecível para futuros compradores. Mais apetecível quer principalmente dizer despedir umas largas centenas de trabalhadores, talvez mil. Se depois não tiverem tomates para tal, fica sempre a ameaça, para intimidar toda a gente no canal público. Doravante, jornalista ou apresentador da RTP que não lamba as botas ao governo, fica na lista para despedir – é a mensagem que quer fazer passar o réptil asqueroso da tutela (não digo o nome desse filho da puta).

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