Todos os artigos de Valupi

O esforço foi titânico, ainda estão a descansar

A entrevista de Seguro do passado dia 30 tem os usuais elementos de interesse para o retrato da sua pessoa política, mais umas novidades que importa realçar numa próxima oportunidade. Entretanto, colhe dirigir o foco para o José Gomes Ferreira. Como noutras ocasiões, estamos perante um jornalista que introduz no exercício da sua função uma explícita tomada de posição política. Nesta entrevista, o Zé Gomes faz ditirâmbicos elogios ao Governo Passos-Relvas e utiliza Seguro – numa cumplicidade não desmentida – contra Sócrates.

Ora, bá lá ber. Não tem mal. A cena nem sequer está mal. É fixe termos órgãos de imprensa que assumam as suas preferências e aversões ideológicas, partidárias ou tão-somente fulanizadas. Correcção: era fixe termos órgãos de imprensa que assumissem as suas preferências e aversões ideológicas, partidárias ou tão-somente fulanizadas. Mas não temos, temos pena. O que apenas temos é uma paisagem mediática onde o PSD e o CDS podem contar com canais oficiosos para as maiores canalhices políticas e perversões do espaço público de que forem capazes, tais como o Correio da Manhã e o Sol (outrora, também a TVI do casal Moniz, o Público do Zé Manel e o Expresso do Monteiro), a que se junta o softcore com interlúdios hardore, como se faz na SIC, no DN, na Renascença e até na TSF. A própria RTP, sob asfixiante domínio socrático, quando não estava a ser escrupulosamente pluralista e neutra estava a ser juditedesousada. O coitado do Pacheco Pereira até se via obrigado a andar à babugem no Jornal da Tarde a fiscalizar o alinhamento e a contar os segundos das peças em ordem a conseguir manter os níveis da sua hipertensão. Moral desta imoral história: a oligarquia domina a comunicação social portuguesa e tem na mão os partidos e poderes fácticos que lhe permitem todo o tipo de violação do suposto compromisso de idoneidade, respeito democrático e integridade cívica.

Houve um tempo em que um célebre candidato a presidente do PSD se levantou no hemiciclo do Parlamento Europeu e declarou que Portugal já não era um Estado de direito. A razão? Esse célebre candidato a presidente do PSD estava com a impressão de que o primeiro-ministro de então poderia ter censurado um artigo de opinião num jornal. Houve um tempo em que 15 reaças se abraçaram a 15 comunas e foram todos juntos passar meia hora da hora de almoço ali para os lados de S. Bento. Alguns iam de branco, os restantes revelavam-se alvares. Esses foram magníficos tempos para a defesa da liberdade de expressão e para a exaltação da imprensa livre. Compreendemos, pois, que tamanho esforço de tamanhos valentes tenha gerado um desgaste tamanho que os esteja a impedir de dizer seja o que for quando um sabujo como o José Gomes Ferreira faz propaganda a coberto da carteira de jornalista.

A ameaça da legionela na comissão que gripou o apuramento de responsabilidades do laranjal

Alguns Srs. Deputados queixam-se do calor. É assim: as senhoras queixam-se do frio e os Srs. Deputados queixam-se do calor. Se ninguém levar a mal os Srs. Deputados homens tiram os casacos, se as senhoras não se importam, até porque este ar condicionado vai muito dirigido àquele lado e penso que até para ali, para a bancada dos Srs. Jornalistas.

Não se esqueçam que é a época das rinites alérgicas provocadas pelos vírus dos ares condicionados e, se bem que eu tenha a sincera expectativa de que a manutenção dos nossos ares condicionados seja devidamente assegurada e não corramos o risco da legionela, não há nenhum problema em tentar evitar isso e, Srs. e Sr.as Deputados, nós fomos feitos para suportar alguma amplitude térmica, o que obriga o nosso organismo às adaptações que são inerentes à nossa natureza humana, de maneira que, se não se importam, ficamos com a porta aberta para tentar arejar e logo veremos como isso se processa.

Então, Sr. Deputado Nuno Melo, pode usar o método pergunta/resposta, pedindo-lhe para ser muito parco na utilização desta facilidade.

COMISSÃO DE INQUÉRITO SOBRE A SITUAÇÃO QUE LEVOU À NACIONALIZAÇÃO DO BPN E SOBRE A SUPERVISÃO BANCÁRIA INERENTE, 24 de Março de 2009

Três importantes questões do empresário Lucílio Cavaleiro

O Fórum TSF é o meu focus group diário para o conhecimento do nobre Povo que se deixa tourear pelo casal Passos-Relvas. O espécimen que se pode ouvir abaixo apresenta-se como empresário e acaba com uma extraordinária pergunta onde consegue ligar um queixume contra a empresa que representa, a qual o obrigará a andar de fato e gravata no Inverno, à falta de autoridade do PS para falar em ética. Sim, é mesmo como estou aqui a resumir e a antecipar.

Pelo meio, discorre-se acerca do Anticristo e do atrevido do Nuno Galamba – perdão, Sérgio Galamba – que tem o descaro de ir para o Parlamento de brinco na orelha. Sim, é mesmo como estou aqui a resumir e a antecipar.

Escutai

Revolution through evolution

Facebook profiles may expose mental illness
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Data shows domestic violence, rape an issue for gays
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Empathy Varies by Age and Gender: Women in Their 50s Are Tops
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Toddlers start lying as early as age 2
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More Sex for Married Couples with Traditional Divisions of Housework
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Want to Lose Weight? Take a Bite and Wait
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Penicillin, Not the Pill, May Have Launched the Sexual Revolution

Continuar a lerRevolution through evolution

Indústria da calúnia

Vermos alguém que se considera de esquerda, e de uma esquerda intelectual e moralmente superior nem que seja por se conseguir exibir com as mãos sem vestígios da “sujidade” do poder, a alinhar com a escória da direita na redução da política aos assassinatos de carácter e à fúria persecutória é sempre uma grande lição de antropologia. Desta vez, aconteceu com o melífluo, e por vezes muito interessante (e outras um letal bocejo), Viriato Soromenho-Marques:

Macbeth ao Rato

No seu afã de se mostrar amigo de Seguro – ou mais provavelmente na sua pressa de se mostrar inimigo de Sócrates – este pensador profissional apenas encontra vis conspiradores na oposição interna do PS. Serão uns seres danados que tentaram entrar dentro da cabeça do probo Costa para o manipularem a bel-prazer, porém, conta-nos o preclaro Viriato, falharam a sórdida golpada urdida contra os neurónios e alma do presidente da Câmara de Lisboa.

Que se devia fazer com essa gente malvada? O texto é claríssimo: como se trata de um bando de incompetentes que entregaram Portugal à troika e a Passos-Relvas por, lá está, serem tão incompetentes que raia a actividade criminosa, eles terão agora de se penitenciarem pelo que causaram na sua estultícia e deboche – caso não o façam, e tendo em conta que ainda não o fizeram, então os seus direitos cívicos devem ser reduzidos e a actividade política ser-lhes vetada até que a humilhação pública ocorra. Quanto à explicação dos acontecimentos e decisões que sustentam a culpa lavrada em poucas linhas, devemos contentar-nos em fazer fé na autoridade do confiante e soberbo plumitivo.

Nestas como noutras ocasiões, em que já ninguém se lembra do que este bacano escreveu um dia depois da coisa ser publicada, fico sempre a roer-me com a pergunta: quanto é que se saca por mês a despachar pulhices destas?

O que há para dizer sobre o Sporting e que só um leão teve juba para assumir

O Professor Mário Moniz Pereira, esta terça-feira, à margem do descerramento de uma lápide comemorativa dos 50 anos do Grupo Stromp, no Estádio José Alvalade, criticou certos adeptos leoninos e afirmou que o fim do futebol não significa o fim do clube.

Para o “sr. Atletismo”, o “futebol é uma modalidade como outra qualquer”.

“Se o futebol acabar, continua o Sporting” apesar de “as pessoas acharem que o futebol é que é importante”, opinou.

19 de Dezembro, 2012

Se os famélicos ainda não morreram, porque é que insistimos em querer comer?

Se os sem-abrigo aguentam, porque é que nós não aguentamos?

Ulrich, alguém cuja pesporrência já não se suporta

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Faz sentido ver na insana pergunta uma ilustração desbragada, por vir de quem vem, do usual desprezo pelo sofrimento dos outros, dos pobres, dos não-ricos, que caracteriza a direita do poder, a oligarquia e os seus fanáticos. Por aí, nem sequer comporta qualquer originalidade, sendo apenas notável a pulsão provocatória que o banqueiro se permite exibir.

O que me importa registar é o seguinte aspecto: Ulrich está mesmo convencido de que os sem-abrigo estão a “aguentar”; ou seja, que estão a resistir às adversidades, antigas ou recentes, e a cumprirem-se livres na plenitude da sua dignidade. Isso dito numa entrevista para a função de caixa num banco era suficiente para o mandar imediatamente sair da sala com a recomendação para consultar um sem-abrigo, um psicólogo e um padre (mas não necessariamente por esta ordem).

Gente séria é outra coisa

A taxa de desemprego em Portugal aumentou 0,2 pontos percentuais em Dezembro de 2012 e atingiu um novo máximo histórico de 16,5%, segundo os resultados divulgados nesta sexta-feira pelo Eurostat. Os números do desemprego voltam assim a subir depois de terem ficado nos 16,3% em Outubro e Novembro.

Desemprego: novo recorde de 16,5%, segundo o Eurostat

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Eu não estou agarrado ao meu lugar, não quero ser Primeiro-Ministro a qualquer preço. Mas ninguém no PSD quer ganhar mais estas eleições do que eu porque numa altura em que o País enfrenta, provavelmente, a última grande oportunidade nos próximos anos de inverter esta tendência de empobrecimento em que tem caído, Portugal tem crescido, nos últimos dez anos, em média 0,5%, o que significa que se não inverter esta situação os 700 mil desempregados que hoje tem crescerão para perto de 900 mil muito rapidamente – o que significa uma situação absolutamente desastrosa e caótica. Nós hoje só não temos 15% de desemprego em Portugal porque temos a maior taxa de emigração dos últimos 90 anos em Portugal. Portanto, ou vamos inverter esta situação rapidamente e as pessoas acham que é importante fazê-lo, e escolher um Governo que, de uma vez por todas, entregue este resultado e lute por ele, ou não temos isso e então o País terá escolhido o seu destino e eu assumirei a minha responsabilidade; é porque eu não fui suficientemente convincente. Mas estou muito determinado em entregar este resultado e não será por falta, nem de preparação, nem por não escolher as pessoas com melhor perfil, nem de levar a maior isenção e abertura para o Governo, que a estratégia não será bem sucedida.

Passos, a 1 mês das eleições de 5 de Junho de 2011

Um típico chefe de família

Este Fórum da TSF emitido ontem, intitulado “Agitação no PS”, regista 4 convidados e 14 participantes. Metade dos convidados fez a apologia de Seguro e a outra metade analisou objectiva e criticamente a situação. Entre os 14 cidadãos que se ouviram, nenhum manifestou apoio a António Costa. Dois deles estavam contra o PS. Os restantes 12, 85% dos “espontâneos”, repetiram as seguintes mensagens, na maioria dos casos usando as mesmíssimas expressões e sua ordem de exposição:

– Seguro tem tido uma vida difícil.
– Seguro aceitou ser líder depois da segunda maior derrota de sempre do PS.
– Seguro não é responsável pela assinatura do Memorando.
– O grupo parlamentar do PS está cheio de intriguistas de corredor que apenas criam problemas ao partido e a Seguro.
– A actual agitação deve-se a um pequeno grupo de antigos membros do Governo de Sócrates que têm sede de poder.
– Com Seguro o PS está à frente nas sondagens.
– Costa, e quem o apoia, está a servir os interesses do Governo.
– Costa deve dedicar-se exclusivamente a Lisboa.
– Costa deve ser candidato a Belém.
– Seguro chega sempre primeiro onde o Governo de Passos chega atrasado.
– Seguro é o garante da unidade do PS, ficou mais forte com o episódio da contestação e agora é tempo de se acabar com as discussões internas.
– Seguro tem ética, seriedade, princípios, determinação, coragem, ousadia, espírito de missão. É o grande líder.

As máximas acima coligidas, disparadas bovinamente pelos apparatchiki de mão, imitam e desenvolvem as declarações de Seguro e sua guarda pretoriana vindas a público desde que rebentou a crise socialista. A actual direcção do PS acha que Portugal está ao nível deste confrangedor e patético exercício de manipulação de um espaço de intervenção pública. Tudo bem. Na verdade, é até natural que assim pense, o que só vem acrescentar coerência ao que conhecemos destes valentes noutras situações um bocadinho mais importantes para o presente e futuro dos portugueses. A questão que trago, porém, é de uma ordem mais comezinha. É que dois dos zelosos participantes conseguiram reproduzir uma citação atribuída a Gandhi. Esta:

Primeiro eles ignoram-te, depois riem de ti, depois combatem-te, e depois tu vences.

Ora, podendo ser uma fiel tradução de algum dito do filho de Karamchand e Putlibai, sei lá eu, não deixa de ser uma frase enconada. Revela um sentimento de humilhação, seguido de vocação martirizadora, culminando na descida ex machina de um contentor de Prozac. Não pode, pois, surpreender a aversão ao passado que estes amigos exibem dado que não consta haver memória de tal promoção da boçalidade no longo historial do partido. No passado, esta macacada pura e simplesmente não teria acontecido.

Seguro, tu que és o grande chefe desta família e de outras famílias, pelo menos assoa o nariz à rapaziada antes de os deixares sair à rua.

Seguro contra terceiros

Proponho-vos também uma forma diferente de fazer política, com ética e
com transparência.

As palavras, em política, estão gastas. Os portugueses estão desiludidos
com a forma como fazemos e dizemos a política.

Só ganharemos a confiança dos portugueses através do exemplo. E a
política portuguesa está carenciada de bons exemplos.

Tomaremos muitas iniciativas neste domínio da transparência. Começo
já, por dar o exemplo, no interior do PS.

O Partido Socialista vai adoptar um Código de Ética para o exercício de
funções públicas. Todos os membros do Secretariado Nacional do PS
assinarão, tal como eu, um compromisso de honra de que respeitarão esse
Código de Ética. O mesmo acontecerá para todos os candidatos do PS às
futuras eleições autárquicas, europeias e legislativas.

Seguro, discurso de encerramento do XVIII Congresso Nacional do Partido Socialista