Se os famélicos ainda não morreram, porque é que insistimos em querer comer?

Se os sem-abrigo aguentam, porque é que nós não aguentamos?

Ulrich, alguém cuja pesporrência já não se suporta

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Faz sentido ver na insana pergunta uma ilustração desbragada, por vir de quem vem, do usual desprezo pelo sofrimento dos outros, dos pobres, dos não-ricos, que caracteriza a direita do poder, a oligarquia e os seus fanáticos. Por aí, nem sequer comporta qualquer originalidade, sendo apenas notável a pulsão provocatória que o banqueiro se permite exibir.

O que me importa registar é o seguinte aspecto: Ulrich está mesmo convencido de que os sem-abrigo estão a “aguentar”; ou seja, que estão a resistir às adversidades, antigas ou recentes, e a cumprirem-se livres na plenitude da sua dignidade. Isso dito numa entrevista para a função de caixa num banco era suficiente para o mandar imediatamente sair da sala com a recomendação para consultar um sem-abrigo, um psicólogo e um padre (mas não necessariamente por esta ordem).

10 thoughts on “Se os famélicos ainda não morreram, porque é que insistimos em querer comer?”

  1. só espero que toda a gente perceba bem o que são bancos e banqueiros e os deixem de lado de vez e que nunca mais os ponham de sócios maioritários das suas vidas. as coisas plantam-se e depois demora uns tempos a crescer , e é melhor ter paciência , postecipar a satisfação , a usar adubos venenosos de “crescimento” rápido com pés de barro.

  2. E, pasme-se, não haver ninguém dos muitos presentes na reunião onde essa criatura disse tal javardice, uns por serem simples acólitos e outros, os jornalistas, por estarem formatados a nunca confrontarem esta canalhada. Porque o que lhe devia ter sido dito na altura era que, aqueles argumentos que o dito cujo estava a dizer da boca para fora, não passavam era de insultos miseráveis e cobardes aos muitos portugueses que estão a ficar cada vez mais pobres e àqueles que lutam já pela sobrevivência. O que aquele sujeito disse, não foi mais do que uma afronta arrogante e canalha, para com todos aqueles que sofrem. Típico dos que estão com a barriga bem cheia com o muito que sugam aos seus semelhantes, e que sabem que nunca irão perder as suas mordomias. Gente como aquele sujeito, não passam de reles criaturas sem moral nem dignidade, não obstante falarem do alto dos poleiros onde outros os colocaram.
    O único Jornalista que tomou uma digna posição, de contundente critica, perante tal dasaforro foi, Constança Cunha e Sá, ontem na TVI24, às 21,30 horas. Honra lhe seja feita.

  3. “Isso também nos pode acontecer”, disse o gajo quando pretendeu explicar o inexplicável, reincidindo na cabronice e na filhadaputice que lhe são ingénitas.

    Ao Ulrique, de facto, “isso” nunca poderé acontecer.

    Não só, nem principalmente, porque aos Ulriques isso nunca acontece.

    É que esse reles banqueiro está muito abaixo daquele mínimo de categoria e de dignidade humana exigido para poder dormir numa arcada enrolado num cobertor.

    Mas se acaso um dia aparecesse por lá, travestido de pobre, tenho a certeza de que os verdadeiros sem abrigo não lhe cuspiriam em cima, como ele agora cuspiu neles.

    Ulrique, tu és a genuína escória da sociedade.

  4. o que o gajo precisa é dum boicote ao bpi para ver se os accionistas correm com ele para baixo da ponte e abrir uma rede de balcões clochard, uma espécie de jonette investment ou assim uma bimbice cascaleja.

  5. Por Maria Antonieta ter dito ao povo faminto, que protestava por um simples pão, “eles que comam bolos”, foi guilhotinada a família real francesa, em 21 de Janeiro de 1793, em Paris. Fica como exercício, para os acessores de Fernando Ulrich, dizerem-lhe o que aconteceu em Portugal, da última vez que um político influente afirmou:

    “Por muito menos do que sua majestade disse, rolaram do cadafalso as cabeças de Maria Antonieta e Luís XVI, em França”.

    Será que ensinaram estes factos — de cultura política elementar — a Fernando Ulrich, nas escolas onde foi educado? Eu duvido! Pois a meninos com bom berço haverá sempre quem conceda que os crocodilos voam mesmo, nem que seja muito baixinho!

  6. Parece escapar-vos que, na verdade, o que Ulrich pensa (e tem muita companhia…) é que para este pulha, o facto de a maioria dos portugueses sobreviverem é já um enorme favor.

    Dai que “sem-abrigo” que é o estado de desenvolvimento imediatamente a seguir a “morto”, já seja uma espécie de luxo que devia motivar agradecimentos a quem manda nisto.

    Esta é a perspectiva que encara o direito á alimentação, habitação, emprego, saude ou educação, como luxos absolutamente insuportáveis para a classe de pulhas que nos dias que correm nos governa.

    E assim….tudo se torna claro, consistente e até, imagine-se, bem executado.

    A única coisa surpreendente nesta cambada de filhos da puta é a tendência auto-destrutiva que evidenciam.
    É que desta vez, se fizerem o que pretendem, podem mesmo acabar agrupadinhos no campo pequeno, mas agora rodeados de “sem-abrigo” dispostos a limpar-lhes o sebo.

    Migul

  7. Boicote ao BPI, a ver se estes canalhas aprendem! A nossa arma é deixar o gajo a falar sózinho….anulem as contas que possuem no BPI, caramba!

  8. Caro Val,

    Proponho que quem tenha conta no BPI transfira em cada mês 10% dos depósitos para outros bancos enquanto o Ulrich for Presidente. Aí é que vamos ver se o Ulrich aguenta…

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