Indústria da calúnia

Vermos alguém que se considera de esquerda, e de uma esquerda intelectual e moralmente superior nem que seja por se conseguir exibir com as mãos sem vestígios da “sujidade” do poder, a alinhar com a escória da direita na redução da política aos assassinatos de carácter e à fúria persecutória é sempre uma grande lição de antropologia. Desta vez, aconteceu com o melífluo, e por vezes muito interessante (e outras um letal bocejo), Viriato Soromenho-Marques:

Macbeth ao Rato

No seu afã de se mostrar amigo de Seguro – ou mais provavelmente na sua pressa de se mostrar inimigo de Sócrates – este pensador profissional apenas encontra vis conspiradores na oposição interna do PS. Serão uns seres danados que tentaram entrar dentro da cabeça do probo Costa para o manipularem a bel-prazer, porém, conta-nos o preclaro Viriato, falharam a sórdida golpada urdida contra os neurónios e alma do presidente da Câmara de Lisboa.

Que se devia fazer com essa gente malvada? O texto é claríssimo: como se trata de um bando de incompetentes que entregaram Portugal à troika e a Passos-Relvas por, lá está, serem tão incompetentes que raia a actividade criminosa, eles terão agora de se penitenciarem pelo que causaram na sua estultícia e deboche – caso não o façam, e tendo em conta que ainda não o fizeram, então os seus direitos cívicos devem ser reduzidos e a actividade política ser-lhes vetada até que a humilhação pública ocorra. Quanto à explicação dos acontecimentos e decisões que sustentam a culpa lavrada em poucas linhas, devemos contentar-nos em fazer fé na autoridade do confiante e soberbo plumitivo.

Nestas como noutras ocasiões, em que já ninguém se lembra do que este bacano escreveu um dia depois da coisa ser publicada, fico sempre a roer-me com a pergunta: quanto é que se saca por mês a despachar pulhices destas?

3 thoughts on “Indústria da calúnia”

  1. Olha a coincidência, Valupi. Acabei de escrever sobre o mesmo tema. Como dois nunca são demais contra as imbecilidades, vou “postar”.

  2. Este Viriato, não é de longe comparável com o Viriato dos nossos bancos de história, pois enquanto o outro foi um mui digno líder dos Lusitanos que se opuseram ao invasor estrangeiro, este, pelos vistos, prefere andar numa de atacar os seus ódios de estimação.
    Raro é o texto que publica onde a aldrabice e a falta de rigor não estão lá escarrapachados de maneira a poder levar a água ao seu moinho, e simultâneamente tentar que outros o acompanhem nessa deriva persecutória.
    Muitas das suas análises pecam por uma leviandade atroz! Fala do que não sabe com a vacuidade própria do rei que vai nu. Os lugares comuns são vulgares num discurso que se pretende culto mas acessível aos demais.
    Presunção e água benta, cada qual toma a que quer, e pelos vistos este anda a abusar da receita.

  3. Eu que estou de fora vejo aquilo como uma luta entre a linha negra e al linha vermelha dos tempos do MRPP. Embora tambem se possa pensar que existe uma linha trotzista. O senhor Manel do talho que é mais pratico que eu disse-me que aquilo tudo era uma canalhice.

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