Todos os artigos de Valupi

Portugueses com defeito

É a maior praga da estupidificação nacional através da fala. A repetição da expressão “por defeito” como tradução do inglês “default“.

Ao contrário do que se escreve no Ciberdúvidas, e sendo suficiente para desconfiar de tudo o resto que lá esteja escarrapachado tal a gravidade da calinada, não estamos perante uma tradução literal por aquela que devia ser uma óbvia razão: “defeito” não é sinónimo de “falta” – “falta” é que pode ser sinónimo de “defeito”.

Quando se começou a usar “default” no contexto informático de língua inglesa, a situação descrita remetia para uma ausência de alteração num dado estado de um dado sistema, geralmente considerado inicial do ponto de vista da utilização. Não consta que a definição tenha mudado entretanto. Essa “falta” não tem nada de errado, pelo contrário. É apenas a circunstancial privação da mudança. Logo, carimbar uma condição bondosa, nascida da alta inteligência dos magníficos engenheiros informáticos, com o selo de “defeito” é uma prática curiosa, até exótica, mas a qual devia preocupar os que ainda não desistiram de falar português.

Claro, para falar português é preciso pensar. Para traduzir “default” apenas de ouvido, acabando por usar uma palavra que transmite o seu oposto, já não é preciso nem é recomendável. Mas talvez a explicação do fenómeno seja a de que, por defeito de origem, os portugueses estão demasiado ocupados com os seus problemas e não conseguem arranjar tempo para pensar.

Bronco de Carvalho

Antes de não gostar do Bruno de Carvalho já não gostava dele. Cheirava-me a fraude, soava-me a bazófia de quarta categoria. Chungaria engravatada.

Depois ganhou. Depois acalmou. Depois, na ânsia de se apresentar como o novo Pinto da Costa, começou a mostrar que era meio tonto. E agora provou que é completamente chanfrado da corneta.

Eis o que este bronco se lembrou de ir dizer para o Facebook:

“Este fim-de-semana jamais poderá ser esquecido. Quer a equipa principal quer a equipa B brindaram os sportinguistas com péssimas exibições que não dignificaram o nosso clube e a nossa camisola. Não demonstraram garra nem vontade de vencer e isso é lamentável só nos restando pedir desculpa por não termos sido dignos do clube que representamos”, referiu o presidente através de uma mensagem no Facebook.

“Agora não é tempo de levantar a cabeça, é tempo de nos mostrarmos dignos deste clube e demonstrar que não são apenas os nossos sócios e adeptos que se esforçam ao limite das suas forças durante os jogos, mas que nós profissionais também somos capazes de o fazer em todos os jogos”, acrescentou Bruno de Carvalho.

Em que livro de gestão ou recursos humanos, de psicologia ou dinâmica de grupos, o animal foi buscar o conselho para humilhar publicamente um conjunto de profissionais que praticam uma actividade sujeita a factores aleatórios e ao mérito do adversário, a qual depende para o seu eventual sucesso não de ameaças mas de prémios, honras e boa comunicação interna? Que acha ele que vai acontecer a seguir?

Tragicamente, é cristalino o que lhe passa na cabeça. Estamos perante um ogre narcísico e primário, o qual acredita que as vitórias são um efeito do temor que consegue espalhar na rapaziada. Encontramos esta disfunção amiúde em cargos de chefia, é uma das perversões relacionais mais comuns onde haja hierarquias. Neste caso, revela também uma concepção mecânica e voluntarista da prática desportiva, uma visão infantil – portanto, alucinada – onde as vitórias seriam a consequência directa de uma superior ambição. É o reino do pensamento mágico. É o inferno dos tiranetes.

Citando Umberto Eco muito à distância na memória, só os fúteis consideram que as coisas fúteis são fúteis. O futebol é fútil. Mas já não há nada de fútil na importância social e antropológica, e também económica, do futebol. A função de dirigente de um clube como o Sporting oferece um palco mediático de enorme influência. Algo de belo pode ser alcançado a partir daí. Por exemplo, imaginemos que um presidente de um grande clube pedia aos sócios e adeptos para passarem a aplaudir as equipas adversárias e os árbitros à entrada e à saída do relvado nos jogos em casa, fosse qual fosse o resultado. Seria revolucionário, para além de ser excelente marketing. Mas com alimárias como o Bruno de Carvalho aquilo que nos sai na rifa é um fulano que pensa que ainda está na Juventude Leonina a fazer esperas aos jogadores para os insultar e agredir quando há derrotas.

É fácil de resolver

Caso Guterres não queira concorrer nas presidenciais de 2016, o melhor candidato passa a ser Carlos César. E que bem que Portugal ficaria com um açoriano como Presidente da República, olá.

Porém, se fosse eu a decidir dos destinos do mundo, Sócrates candidato às presidenciais em 2016 seria a receita de que a política nacional precisa para voltar à vida. E ganhando, esse ficaria como o maior castigo que Cavaco poderia sofrer.

Infelizmente, não vejo nenhuma mulher como potencial candidata na área da esquerda. Diz muito do País, mas talvez ainda mais da esquerda.

Revolution through evolution

Liberal or Conservative? Brain Responses to Disgusting Images Help Reveal Political Leanings

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Ancient Auditory Illusions Reflected in Prehistoric Art?

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A Battle for Ant Sperm

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Giant Tortoises Gain a Foothold on a Galapagos Island

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To Reap the Brain Benefits of Physical Activity, Just Get Moving!

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The Science of Charismatic Voices

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Scientists propose existence and interaction of parallel worlds: Many Interacting Worlds theory challenges foundations of quantum science

"The idea of parallel universes in quantum mechanics has been around since 1957," says Professor Wiseman.

"In the well-known "Many-Worlds Interpretation," each universe branches into a bunch of new universes every time a quantum measurement is made. All possibilities are therefore realised - in some universes the dinosaur-killing asteroid missed Earth. In others, Australia was colonised by the Portuguese.

Στρατηγός

Esperei pela última Quadratura para saber qual seria o desfecho do imbróglio em que Costa se meteu por causa das suas críticas à utilização do QREN, tanto a actual como a prevista no Orçamento para 2015. O prognóstico era reservado depois de uma semana em que Poiares Maduro e, em especial, Manuel Castro Almeida saíram vencedores imaculados da contenda. Foi até do secretário de Estado que veio a eficaz analogia da confusão entre quilos e metros que Poiares repetiu ao voltar à carga.

Nesta quinta-feira o assunto foi discutido no programa. Confirmou-se o pior, tendo Lobo Xavier feito aquela que ficará como a mais dura acusação que lançou contra Costa na sua vida, a de ele não estar a ser intelectualmente honesto nem ter a coragem moral para assumir que errou. As imagens registam um António Costa incapaz de anular essa percepção.

Tal como escreveu Ricardo Paes Mamede logo em cima do início do caso – A gaffe de António Costa não é tecnicamente colossal, politicamente… – este assunto passa por entre as gotas da chuva para a quase totalidade dos portugueses que têm mais em que pensar e são alérgicos à complexidade técnica e processual que está aqui em causa. Rapidamente a coisa ficará esquecida. Contudo, para quem não estiver reduzido ao sectarismo ou ao tribalismo, para quem ame a cidade, o episódio é relevante e merece reflexão.

Que Costa é mil vez melhor do que Seguro para os interesses do PS e da democracia e que é o primeiro-ministro de que o País precisa para começar a recuperar a sanidade económica e social vai sem discussão. Não por ser um D. Sebastião, felizmente, mas por ser o que de mais parecido com um Nuno Álvares Pereira nós temos no horizonte dos candidatos a chefe de Governo. De facto, após uma direita que ocupou o poder recorrendo à invasão estrangeira e que se serviu dos estrangeiros para explorar o povo (foi assim, não foi?), está em causa encontrar quem esteja disposto a enfrentar um exército muito mais forte recorrendo à astúcia militar. Costa promete ser esse líder, o embaraço com as contas do QREN levanta dúvidas sobre a sua capacidade.

Um dado biográfico poderá explicar algumas das características mais desconcertantes que ficaram expostas na campanha das primárias. Ele terá dito algures, há anos e anos, que jamais pretenderia ser primeiro-ministro. A ser exacta esta memória, tal poderia dar sentido à displicência com que foi para a disputa com Seguro e a displicência com que tem tratado a conquista do PS. Uma displicência com laivos paradoxais, seja na rapidez e generosidade com que dentro do partido se abraçou a quem o carimbou como corrupto, seja na lentidão em dar ao PS um discurso estratégico que reposicione a oposição, a esquerda e a opinião pública para o período eleitoral já em curso. Não se entende a amoralidade interna e o desconcerto externo, só factores subjectivos poderão explicar tal conduta.

Há vários tipos de líder. Costa é, e o seu currículo o comprova, um líder poderoso e tarimbado. Mas será um general? Ou estaremos perante um tenente? A forma como se lançou numa ataque ao Governo que de imediato se revelou pífio e que de seguida lhe deixa exposto o flanco para investidas do adversário é particularmente grave por ocorrer em matérias onde o seu perfil de estadista está na berlinda. Donde, se acaso se souber mais tenente do que general, o que isso implica é a necessidade de fazer um exercício de humildade que o leve a confiar num estado-maior donde nasça a estratégia. Sem estratégia não há general.

Dá gosto ler o Rui Ramos só para

ler quem lhe responde. Este Rui é uma das grandes vítimas do socratismo, por pouco não tendo de ser internado à força tal o grau da perturbação exibida até 5 de Junho de 2011. A política gera amiúde animosidades exaltadas, é inevitável, e mesmo explosões de ódio, é provável. Mas o rancor é um estado de ódio doentio por se prolongar no tempo. A legião de rancorosos nascida da passagem de Sócrates pelo poder, chefiada por Cavaco, inclui alguns dos mais activos publicistas e jornalistas da comunicação social profissional. Num acto de grande coragem, vários desses carrascos emplumados reuniram-se no Observador, um bastião dos seus direitos, das suas liberdades e das suas garantias. Foi lá que o senhor Ramos publicou esta maravilha – Porque é que a imprensa não foi “preguiçosa” a favor do governo? – e na qual espalhou pérolas desta pureza:

"Passos Coelho tem razão: poucos governos, em tempos recentes, enfrentaram um coro mediático tão hostil."

"António José Seguro saiu em cruzada contra a direita, e nem por isso deixou de ter uma imprensa tão má como a de Passos."

"Se o governo nunca acreditou muito no caminho da troika, também nunca lhe viu alternativa."

Que dizer? Como argumentar com um fanático que se atreve a querer comparar a normal expressão da opinião no espaço público com a anormalidade deontológica e até legal das campanhas negras contínuas contra Sócrates das quais Rui Ramos foi um fervoroso apoiante e divulgador? Como discutir com um sectário que tem o topete hilariante de visualizar uma “cruzada contra a direita” no seu mais dilecto cúmplice ao longo de 3 anos de pseudo-oposição? Como dialogar com um traste que abdica da sua honestidade intelectual para virar o mundo ao contrário ao ponto de dizer que o Governo além-Troika, nascido da vontade de afundar Portugal de forma a tornar inevitável o resgate de emergência, cujo primeiro-ministro declarou que entre o Memorando e o programa que queria aplicar não havia diferenças, é, afinal, um grupo de infelizes a representar um papel que não escolheram?

Por mim, não sei o que dizer. Mas dois leitores do revisionista deram-se ao trabalho de lhe responder.

Rogério Sousa

O meu espanto relativamente a este historiador não tem limites! Impressiona-me a sua subserviência intelectual e politica relativamente a esta maioria! O seu raciocinio politico navega sempre em perfeito estado de negação. Não existe nele qualquer espécie de acriticismo, joga com o desconhecimento e o sectarismo politico de simpatizantes e militantes, como um vulgar e mediocre manipulador.
Para este historiador, intelectual e politicamente desonesto, deturpador da história politica recente, lançando o anatema de todas as nossas desgraças para cima do anterior governo socialista, e como dá sempre jeito ter à mão um Sócrates é claro!!!
Entre 2007 e 2010 todas as dividas publicas dos Estados da Zona Euro sofreram um enorme salto levando Estados já em pânico a atuar para evitar o colapso sistemico dos seus bancos.
Entre 2007 e 2010, a dívida portuguesa em relação com o PIB subiu cerca de 25 pontos percentuais. Mas, por exemplo no mesmo período, a divida da poderosa Alemanha aumentou cerca de 18 pontos percentuais.
Todos assistimos em 2008 a uma UE, a um BCE ambos sem liderança e sem qualquer união cada um puxando para o seu lado, a um patético pânico do ” gastem, gastem, gastem” não se preocupem com o aumento do défice nem da divida, façam investimento público, evitem o colapso da UE!
Estes incompetentes, só preocuparam com a disciplina orçamental dos estados… era pec para aqui e pec para ali. Tudo bem, mas o incrivel foi terem permitido que o sistema financeiro ficasse em total roda livre, sem qualquer controlo, ao sabor das ganâncias agindo sem redea como autênticos crápulas! consequência: sub prime nos USA o rebentar das bolhas imobiliárias os derivados tóxicos o celebre lixo tóxico a inundar todo o mundo financeiro!
Pois é mas quem foi chamado a pagar esta “orgia Financeira”? os Estados e os seus contribuintes é claro!
Mas como se isto não bastase, quando em 2010 por exemplo Portugal crescia a 1.9% do Pib e o défice tinha descido para 7,6 , estes”crâneos” Europeus tinham que inventar a “sua” própria crise lançando a crise das dividas soberanas, criando assim foi o atual círculo vicioso entre bancos feridos por imparidades e os Estados a serem completamente esmagados pelo garrote da “austeridade virtuosa” dos neoliberais e conservadores que comandam infelizmente esta Europa!
Para alem disso as dividas resultam também de um BCE inepto que, antes de Mario Draghi, cruzou os braços perante o agravamento da crise, e mesmo com este só a actuar, perante os berros de Mario Monti, com as barbas da sua querida Itália já a começarem a arder!
A falta de lucidez e bom censo de Berlim e Paris que em 2009, escolheram o lema de “cada um por si”, quando só a sua liderança e garantia firmes teriam impedido os juros da dívida dos “países periféricos” de terem atingido níveis insustentáveis.
Podiam ter-se inspirado nas pegas de caras das touradas à Portuguesa.
Para enfrentar a besta só a união faz a força!!!
Não o fizeram e o resultado é o que se vê…
A tudo isto Rui Ramos e apaniguados dizem NIM! é mais fácil viver em estado de negação, e ter um Sócrates à mão…

Rui Ribeiro

Rui Ramos é humano e nem ele está imune à influência do espaço ideológico em que se insere. A pulsão do grupo (ideológico) é grande, embora seja um pouco surpreendente num académico acabe a escrever textos onde parece mais forte a pulsão ideológica, do que a sustentação das ideias apresentadas.
Uma das coisas que ainda me surpreende no Observador é a forma como se transformam asserções de qualidade duvidosa em alicerces sólidos para teorizações subsequentes (se a crónica fosse da D. Helena Matos já nem ficaria surpreendido, tal é a frequência com o que o faz). Aqui transformou-se uma hipótese – “O facto é que ninguém acreditou na possibilidade do ajustamento, e portanto na permanência do governo”, – numa certeza e construiu-se uma teoria explicativa para o comportamento da imprensa, que passou a ser tratada não como uma hipótese, mas como uma certeza.

O problema é que não só a hipótese parece manifestamente fraca, como parece evidente que Rui Ramos se esqueceu do que devia ser evidente – a possibilidade das críticas feitas ao governo serem feitas pelo mérito dessas mesmas críticas e o demérito da governação de Passos. Quase lhe fugia a escrita para a verdade quando falou de dúvidas e hesitações governamentais, mas também lhe fugiu para incorrecções grosseiras. Dizer que o governo que publicamente manifestou a vontade de “ir para além da troika”, nunca acreditou no caminho por ela proposto é difícil de aceitar. Dizer que só agora ocorreu a ideia da conveniência dos ministros explicarem o que fazem é esquecer, convenientemente, a ideia das conferências de imprensa diárias de Poiares Maduro, em 2013, depois deste ter chegado ao governo, que acabaram pouco depois de terem começado.

Em conclusão, está é uma crónica fraquinha na substância e na fundamentação, cuja motivação se percebe num jornal com os cronistas politica e ideologicamente alinhados como o Observador, mas que fica muito mal a um académico como Rui Ramos. É pena.

O regabofe socialista acabou, os liberais estão a pôr isto na ordem

Ana Dias (nome fictício) deve 1.900 euros ao Fisco, de Imposto Único de Circulação (IUC), porque há cerca de cinco anos mandou abater os dois carros da família e não deu baixa nas Finanças. "Eu sei que a culpa é minha, que devia ter dado baixa dos carros nas Finanças. Mas na altura nem me lembrei disso, não tive o cuidado de pedir os papéis na sucata. Não foi por mal", justifica.

Às dívidas do IUC, não mais de 500 euros, somam-se agora as coimas avultadas. Diz que não tem ninguém que lhe possa emprestar esse dinheiro. Ana Dias tem 52 anos, é viúva e mãe de seis filhos. A casa, onde vive com três dos filhos e mais duas netas, é posta à venda hoje às 10 horas. A notícia chegou-lhe há um mês.

Ana Dias tem o salário penhorado há cinco meses. Além disso, tem feito entregas semanais no serviço de Finanças da sua residência, de 50 ou 100 euros, conforme pode. É técnica de seca de bacalhau e ganha o salário mínimo. Antes disso estava desempregada, tal como os filhos.

"Nas Finanças, o que me dizem é que como não tenho hipóteses de pagar me vão vender a casa". A "casa" é na verdade um pequeno casal, situado numa colónia agrícola, o que significa que também todo o terreno será vendido. Ora, nesse terreno está ainda construída a casa do sobrinho de Ana Dias, incluída no lote em venda. A casa vai hoje a leilão, avaliada em 19.500 euros, dez vezes mais do que a dívida que tem com as Finanças.

Ana Dias é apenas uma dos 59.590 contribuintes portugueses a quem o Fisco já iniciou processos de venda de imóveis este ano. Tantas quanto as iniciadas nos dois anos anteriores - 27.995 em 2013 e 27.902 em 2012 - e mais do dobro das marcações de venda de veículos (27.745) realizadas este ano.

Segundo a própria Autoridade Tributária e Aduaneira, em resposta ao Tribunal de Contas, "a marcação de vendas é o mais eficaz instrumento de coerção do ponto de vista da cobrança das dívidas em execução fiscal". No entanto, uma vez iniciado o processo, não existe forma de o suspender. A suspensão só é possível com o pagamento de 20% do montante em dívida (suspende a venda por 15 dias) ou com a abertura de um processo em tribunal. Aliás, a partir de 2015, os contribuintes que tenham processos fiscais em tribunal até 5.000 euros deixam de poder recorrer das decisões dos tribunais tributários de primeira instância. O limite era até agora de 1.250 euros, e é assim alargado para os 5.000 euros pela lei do Orçamento do Estado para 2015. O montante pode parecer irrisório, mas por bem menos existem casas a serem penhoradas e vendidas, como o caso de Ana Dias ilustra.

Mas o caso de Ana Dias ilustra ainda uma outra realidade. Em resposta enviada ao Diário Económico, há cerca de um mês, a Autoridade Tributária negava que as famílias mais carenciadas fossem alvo de penhoras e vendas de imóveis, uma vez que a sua situação económica as isenta de IRS e IMI. "Cerca de 53% das famílias portuguesas estão isentas do IRS e mais de 1,2 milhões de prédios urbanos estão isentos do IMI, sendo que neste universo, cerca de 800 mil contribuintes não pagam IMI porque possuem rendimentos baixos", avançava a AT. No entanto, a penhora de imóveis acontece hoje não apenas por dívidas de IRS ou IMI, mas também de Imposto Único de Circulação, de IVA ou IRC. Neste último caso, os bens pessoais de muitos empresários e gestores têm respondido por dívidas de pequenas empresas.

O Diário Económico questionou o Ministério das Finanças sobre este caso concreto e sobre a sua actuação nestas situações que integram o combate à fraude e evasão fiscal, mas não recebeu qualquer resposta até ao fecho da edição.


Fonte

A ciência e a saúde tratadas com os pés num jornal de “referência”

É caso para dizer que já pode comer chocolate à vontade sem se sentir culpado. Mas o melhor será sempre optar pelo amargo, o mais rico em cacau. Um estudo da Universidade de Columbia, nos EUA, indica que o cacau tem benefícios para o cérebro, pois ajuda a reverter a perda de memória resultante do envelhecimento.

Está a perder a memória? O melhor é comer chocolate

Liberais sem misericórdia

Dos 190 milhões de euros que alguém poderá reclamar serem seus até meados de Janeiro de 2015, 38 irão para o Estado. Menos 38 milhões de euros em 190 caídos do céu parece que não farão qualquer diferença a quem pode meter 152 milhões no bolso. Mas 38 milhões de euros (ou que fossem 20, 10, 2) permitem comprar segurança, saúde, conforto e novos rendimentos – para o próprio e para quem ele quiser – que o cidadão de classe média não consegue adquirir ao longo de uma vida de trabalho. É muita felicidade junta, como diria Locke. E se o conceito de “felicidade” não for aqui aplicável por ser ambíguo ou estar datado, seguramente que o conceito de “liberdade” chega e sobra para avaliar o atentado aos direitos fundamentais que constitui a decisão de retirar 20% aos prémios de jogo da Santa Casa da Misericórdia a partir dos 5 mil euros.

Essa foi uma decisão do actual Governo sob o pretexto da “crise”. Uma crise que os partidos da direita atribuíram, até 5 de Junho de 2011, exclusivamente ao “socialismo” que retirava o dinheiro da sociedade, daí prometerem em campanha eleitoral o fim dos “sacrifícios” para a população e jurarem não aumentar impostos, para de imediato após terem metido a bocarra no pote passarem a dizer que a crise tinha nascido do excesso de dinheiro que o “socialismo” tinha injectado na sociedade, daí ser necessário retirá-lo à bruta através do maior aumento, e do maior peso, da carga fiscal de que há memória. O “Governo mais liberal de sempre”, com ministros da “social-democracia” e do “partido dos contribuintes e dos pensionistas”, iria esbulhar, espoliar e esmifrar quantos pudesse pelo maior tempo que pudesse. Se mais não fizeram e fazem, tal deve-se unicamente ao Tribunal Constitucional.

Acabar com viagens aéreas em 1ª classe para ministros numas poucas de rotas e despedir uns motoristas será apenas uma piroseira populista. Acabar com feriados definidores da nossa identidade comunitária alegando que Portugal é uma terra de madraços a precisarem de chicote fica como um retrato de alma da oligarquia portuguesa. Mas ir sacar aos prémios de jogo da Misericórida, e logo a partir de tostões, o dinheiro que resulta do livre contributo para causas sociais é uma exibição de fanatismo que só compara com os comunistas acabados de chegar de um centro de estudo na União Soviética nos idos de 70.

São estes os nossos liberais. Mentirosos, traidores, cruéis e anedotas ambulantes.

TSF, não se abandalhem

A TSF publicou nesta segunda-feira um artigo indigesto: O chocolate faz bem à memória, palavra de investigador. Não está assinado, pelo que nem sei se tem autoria na casa. O certo é que saiu com um título descontraído, brincalhão. Há neste momento uma praga de títulos a armar ao pingarelho – gerada pelo Observador e Expresso, pelo menos, e até o Público já mostra querer imitá-los – que suponho estejam a dar muito gozo aos editores mas que ao mesmo tempo aumentam a descredibilização da imprensa escrita para níveis de um amadorismo nauseabundo.

Ora então, afiança a TSF, a tal rádio cuja única missão é dar notícias e fazer notícias, existem algures neste mundo investigadores que estudaram o chocolate e o relacionam com ganhos de memória. Eis a abertura da peça:

"Há prazeres que não são pecado e o chocolate, em doses moderadas, é um deles. A revista científica "Nature Neuroscience" acaba de publicar um estudo que comprova, pela primeira vez, os seus benefícios para o cérebro."

Prazer, pecado, chocolate e um estudo pioneiro. Qual destes elementos tem alguma relação com a fonte da notícia – Dietary Flavanols Reverse Age-Related Memory Decline – a qual até vem citada com ligação digital? Nem um. A investigação não foi feita com chocolate. A investigação nem sequer foi feita com cacau. A investigação foi feita com certos ingredientes do cacau, devidamente separados e preparados para a experiência. Donde, não é possível repetir o mesmo processo usando para o efeito chocolate ou cacau. Aliás, no texto do artigo que, aparentemente, o autor da peça (não) leu pode-se passar os olhos por este aviso:

The researchers point out that the product used in the study is not the same as chocolate, and they caution against an increase in chocolate consumption in an attempt to gain this effect.

Será este um assunto importante? Alguém se incomodará pela deturpação grosseira de uma notícia do foro científico sem qualquer relevância imediata para a segurança ou saúde das pessoas? Diria que quão melhor, mais funda e larga, for a memória de cada qual, mais as respostas tenderão a ser sim e sim. Quem nos engana, ou se engana, a respeito do chocolate deve largar o jornalismo antes que nos engane, ou se engane, a respeito do cacau. Do nosso.

Revolution through evolution

Daylight Saving Time: Keep it year round
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Blinded by Non-Science: Trivial Scientific Information Increases Trust in Products
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The Myth of the Digital Native
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