Dá gosto ler o Rui Ramos só para

ler quem lhe responde. Este Rui é uma das grandes vítimas do socratismo, por pouco não tendo de ser internado à força tal o grau da perturbação exibida até 5 de Junho de 2011. A política gera amiúde animosidades exaltadas, é inevitável, e mesmo explosões de ódio, é provável. Mas o rancor é um estado de ódio doentio por se prolongar no tempo. A legião de rancorosos nascida da passagem de Sócrates pelo poder, chefiada por Cavaco, inclui alguns dos mais activos publicistas e jornalistas da comunicação social profissional. Num acto de grande coragem, vários desses carrascos emplumados reuniram-se no Observador, um bastião dos seus direitos, das suas liberdades e das suas garantias. Foi lá que o senhor Ramos publicou esta maravilha – Porque é que a imprensa não foi “preguiçosa” a favor do governo? – e na qual espalhou pérolas desta pureza:

"Passos Coelho tem razão: poucos governos, em tempos recentes, enfrentaram um coro mediático tão hostil."

"António José Seguro saiu em cruzada contra a direita, e nem por isso deixou de ter uma imprensa tão má como a de Passos."

"Se o governo nunca acreditou muito no caminho da troika, também nunca lhe viu alternativa."

Que dizer? Como argumentar com um fanático que se atreve a querer comparar a normal expressão da opinião no espaço público com a anormalidade deontológica e até legal das campanhas negras contínuas contra Sócrates das quais Rui Ramos foi um fervoroso apoiante e divulgador? Como discutir com um sectário que tem o topete hilariante de visualizar uma “cruzada contra a direita” no seu mais dilecto cúmplice ao longo de 3 anos de pseudo-oposição? Como dialogar com um traste que abdica da sua honestidade intelectual para virar o mundo ao contrário ao ponto de dizer que o Governo além-Troika, nascido da vontade de afundar Portugal de forma a tornar inevitável o resgate de emergência, cujo primeiro-ministro declarou que entre o Memorando e o programa que queria aplicar não havia diferenças, é, afinal, um grupo de infelizes a representar um papel que não escolheram?

Por mim, não sei o que dizer. Mas dois leitores do revisionista deram-se ao trabalho de lhe responder.

Rogério Sousa

O meu espanto relativamente a este historiador não tem limites! Impressiona-me a sua subserviência intelectual e politica relativamente a esta maioria! O seu raciocinio politico navega sempre em perfeito estado de negação. Não existe nele qualquer espécie de acriticismo, joga com o desconhecimento e o sectarismo politico de simpatizantes e militantes, como um vulgar e mediocre manipulador.
Para este historiador, intelectual e politicamente desonesto, deturpador da história politica recente, lançando o anatema de todas as nossas desgraças para cima do anterior governo socialista, e como dá sempre jeito ter à mão um Sócrates é claro!!!
Entre 2007 e 2010 todas as dividas publicas dos Estados da Zona Euro sofreram um enorme salto levando Estados já em pânico a atuar para evitar o colapso sistemico dos seus bancos.
Entre 2007 e 2010, a dívida portuguesa em relação com o PIB subiu cerca de 25 pontos percentuais. Mas, por exemplo no mesmo período, a divida da poderosa Alemanha aumentou cerca de 18 pontos percentuais.
Todos assistimos em 2008 a uma UE, a um BCE ambos sem liderança e sem qualquer união cada um puxando para o seu lado, a um patético pânico do ” gastem, gastem, gastem” não se preocupem com o aumento do défice nem da divida, façam investimento público, evitem o colapso da UE!
Estes incompetentes, só preocuparam com a disciplina orçamental dos estados… era pec para aqui e pec para ali. Tudo bem, mas o incrivel foi terem permitido que o sistema financeiro ficasse em total roda livre, sem qualquer controlo, ao sabor das ganâncias agindo sem redea como autênticos crápulas! consequência: sub prime nos USA o rebentar das bolhas imobiliárias os derivados tóxicos o celebre lixo tóxico a inundar todo o mundo financeiro!
Pois é mas quem foi chamado a pagar esta “orgia Financeira”? os Estados e os seus contribuintes é claro!
Mas como se isto não bastase, quando em 2010 por exemplo Portugal crescia a 1.9% do Pib e o défice tinha descido para 7,6 , estes”crâneos” Europeus tinham que inventar a “sua” própria crise lançando a crise das dividas soberanas, criando assim foi o atual círculo vicioso entre bancos feridos por imparidades e os Estados a serem completamente esmagados pelo garrote da “austeridade virtuosa” dos neoliberais e conservadores que comandam infelizmente esta Europa!
Para alem disso as dividas resultam também de um BCE inepto que, antes de Mario Draghi, cruzou os braços perante o agravamento da crise, e mesmo com este só a actuar, perante os berros de Mario Monti, com as barbas da sua querida Itália já a começarem a arder!
A falta de lucidez e bom censo de Berlim e Paris que em 2009, escolheram o lema de “cada um por si”, quando só a sua liderança e garantia firmes teriam impedido os juros da dívida dos “países periféricos” de terem atingido níveis insustentáveis.
Podiam ter-se inspirado nas pegas de caras das touradas à Portuguesa.
Para enfrentar a besta só a união faz a força!!!
Não o fizeram e o resultado é o que se vê…
A tudo isto Rui Ramos e apaniguados dizem NIM! é mais fácil viver em estado de negação, e ter um Sócrates à mão…

Rui Ribeiro

Rui Ramos é humano e nem ele está imune à influência do espaço ideológico em que se insere. A pulsão do grupo (ideológico) é grande, embora seja um pouco surpreendente num académico acabe a escrever textos onde parece mais forte a pulsão ideológica, do que a sustentação das ideias apresentadas.
Uma das coisas que ainda me surpreende no Observador é a forma como se transformam asserções de qualidade duvidosa em alicerces sólidos para teorizações subsequentes (se a crónica fosse da D. Helena Matos já nem ficaria surpreendido, tal é a frequência com o que o faz). Aqui transformou-se uma hipótese – “O facto é que ninguém acreditou na possibilidade do ajustamento, e portanto na permanência do governo”, – numa certeza e construiu-se uma teoria explicativa para o comportamento da imprensa, que passou a ser tratada não como uma hipótese, mas como uma certeza.

O problema é que não só a hipótese parece manifestamente fraca, como parece evidente que Rui Ramos se esqueceu do que devia ser evidente – a possibilidade das críticas feitas ao governo serem feitas pelo mérito dessas mesmas críticas e o demérito da governação de Passos. Quase lhe fugia a escrita para a verdade quando falou de dúvidas e hesitações governamentais, mas também lhe fugiu para incorrecções grosseiras. Dizer que o governo que publicamente manifestou a vontade de “ir para além da troika”, nunca acreditou no caminho por ela proposto é difícil de aceitar. Dizer que só agora ocorreu a ideia da conveniência dos ministros explicarem o que fazem é esquecer, convenientemente, a ideia das conferências de imprensa diárias de Poiares Maduro, em 2013, depois deste ter chegado ao governo, que acabaram pouco depois de terem começado.

Em conclusão, está é uma crónica fraquinha na substância e na fundamentação, cuja motivação se percebe num jornal com os cronistas politica e ideologicamente alinhados como o Observador, mas que fica muito mal a um académico como Rui Ramos. É pena.

3 thoughts on “Dá gosto ler o Rui Ramos só para”

  1. desculpa, valupi a deriva. há dois dias, pablo milanés de 71 anos,qualificou os lideres cubanos como “reacionários de suas próprias ideias” .este senhor foi um apoiante do regime cubano.

  2. fiquei a pensar em duas coisas: a primeira é que também é, para os ódios serem breves, por isso que morremos e acordamos todos os dias. a segunda é que fico sempre contente quando descubro coisas que não sabia. :-)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.