Costa, vai a Évora. Vai dar dois abraços ao homem. O homem que é teu amigo e camarada. E o homem que é teu camarada e amigo. Um abraço à chegada e outro à partida. Como fazem os amigos e os camaradas.
Costa, vai a Évora. O preso 44 está inocente. É a Justiça quem o diz e não sabemos quando voltará a falar do assunto. Tu que conseguiste sair aclamado do congresso assombrado, aproveita o balanço e mantém-te com a iniciativa. Candeia que segue na frente alumia duas vezes, algo especialmente útil se estiveres a pensar ir muito cedo ou em regressar à tardinha.
Costa, vai a Évora. Lembra-te de Pascal. Dizem que não era tolo de todo. Apostar que Deus não existe é só para os otários. Tens de apostar tudo na inocência do indiciado. As fichas todas. Em Évora. Porque em Lisboa já apostaste na existência desse outro Deus chamado Estado de direito, como deve fazer qualquer estadista. Dá a Évora o que é de Évora, como deste a Lisboa o que é de Lisboa.
Costa, vai a Évora. Não podes esperar pela Justiça. A comunidade não pode esperar pela Justiça. E tens de ser justo antes de seres político. A comunidade não te castigará por estares agora a mostrar-te frágil, triste, humano. É precisamente ao contrário. E ainda te estarás a revelar forte, confiante, corajoso. A justiça que te pedimos é a de dares sentido à desgraça. Que pode acontecer a qualquer um. E acontece.
Costa, vai a Évora. E à saída fala com os jornalistas. Abraça a paixão de Soares pela liberdade e mostra que ela contigo está bem entregue, pois és capaz de a proteger e respeitar como jóia preciosa da família. Tem tu a última palavra. Tu que és agora, e finalmente, o primeiro do partido. Acaba com a questão da tua ida a Évora para frustração e irritação dos pulhas.
Costa, vai a Évora. São 133 quilómetros entre o Largo do Rato e a Rua Horta da Capela, nº 20, indo pela A6 e A2. 1 hora e 22 minutos, diz o Google como se soubesse a que velocidade rasgarás o asfalto. E se fores nesta terça, e nesta terça deves ir, apanharás um céu pouco nublado com 15º de máxima e 6º de mínima. Leva um bom casaco e volta em paz.




