O segredo para não enjoar

Agostinho da Silva gostava de recordar o segredo para não enjoar a bordo de um navio: contemplar fixamente o horizonte. O navio da nossa democracia, novinho de 40 anos, vai com 6 anos consecutivos de uma crise inaudita. Começou por ser económica, depois foi também política, depois foi também social, e agora é também moral. Os vagalhões avançam imparáveis, uns atrás dos outros e cada vez maiores. Não ir ao fundo é uma sorte, enjoar é inevitável. Precisamos de olhar para o horizonte.

No meio do nevoeiro de guerra que a Operação Marquês provocou tamanho o seu poder de fogo, o sentimento de confusão é a resposta mais natural. Não sabemos o que está em causa naquilo que nos dizem ser a causa das coisas. Mas sabemos que o Estado de direito está a funcionar. Procurador e juiz estarão a dar o seu melhor na defesa dos nossos interesses – esta deve ser uma presunção tão preciosa quanto a da inocência de Sócrates até prova em contrário.

Quem se tenta libertar do eventual sofrimento pedindo a captura judicial de outras figuras da política nacional, como se esse suposto reequilíbrio entre acusados de diferentes trincheiras fosse uma forma de justiça com mérito e oportunidade, só consegue expressar a sua impotência. Mas esse nem é o problema maior. A verdade é a de que Cavaco, Passos e Portas, para dar os exemplos equivalentes e gritados, poderão não ter cometido crime ou ilegalidade alguma. Em tempo algum. Por um lado, a Justiça nunca os acusou de nada. Por outro, quem os calunia nada conseguiria provar. E não parece lá muito inteligente pensar que vem algum benefício pelo aumento de criminosos na sociedade.

O nosso horizonte é o Estado de direito democrático. Uma conquista que é uma civilização. Representa o triunfo sobre a animalidade, sobre o tribalismo, sobre a oligarquia, sobre a ditadura. É o esqueleto que mantém os órgãos do regime no seu lugar e permite a vida saudável da comunidade, porque livre. Todos nunca seremos de mais para o defender, desenvolver e melhorar. Só que nem todos o defendem.

Quem nesta altura exulta com a prisão de Sócrates já tinha a sua convicção formada há muito e para sempre a conservaria mesmo sem este processo. Os mais batidos na caçada saltaram frenéticos para a rua e andam a passear impantes em desfile militar, exibindo as medalhas pelo serviço prestado à deturpação do Estado de direito. Lembram que foram os primeiros a levar o bandido a tribunal e a fazer a decisão transitar em julgado. A pulsão de ódio que os anima clama por mais sangue e sonham com regenerações, purificações, guilhotinas, amanhãs que cantam, purgas, cordões sanitários. Riem felizes à gargalhada. A destruição do inimigo parece-lhes absoluta e orgástica.

Conta-se que Tomás de Aquino foi alvo de uma brincadeira nos seus tempos de estudante. Um colega interrompeu-lhe a leitura e disse para ir ver uma vaca que estava a voar. Ele de imediato se levantou e correu para a janela, só para deparar com as pachorrentas vaquinhas ocupadas na mastigação de patas bem assentes na terra. Foi a gozação geral. Mas o Tomás, exímio aristotélico, saiu-se com a seguinte habilidade destinada à posteridade: “Acho mais lógico ver uma vaca a voar do que um monge a mentir.” Atente-se à simplicidade geométrica do critério.

A lição aplica-se ao nosso tempo de violação organizada do Estado de direito, onde quem resista à cumplicidade na sua degradação passa por crédulo a pedir para ser ridicularizado. Acontece que um ingénuo nunca se engana, apenas acrescenta novos conhecimentos. Já o cínico nada consegue aprender, prefere esperar sentado até que a razão vá ter consigo. No que ao cidadão Sócrates diga respeito, prefiro mil vezes a ingenuidade, mãe da curiosidade, do que ficar ao lado daqueles para quem o Estado de direito não passa de uma anedota. Estes pulhas, além de estúpidos, são perigosos.

56 thoughts on “O segredo para não enjoar”

  1. Valupi, tem todo o direito de desconfiar da justiça, de achar que a justiça não foi justa, etc. Mas isso não invalida que a justiça deva quebrar o segredo de justiça, pelos vistos útil para o sucesso da investigação (e o sucesso de uma investigação é boa para quem está inocente), para saciar a curiosidade que naturalmente existe.
    Eu posso desconfiar do médico que vai operar de urgência o meu amigo que sofreu um acidente de viação mas não vou querer que ele o opere no parque de estacionamento para eu poder assistir. Em primeiro porque isso poria em causa o sucesso da operação (e esta é a mais importante delas todas), em segundo porque eu não tenho conhecimentos em medicina que me pudessem avaliar o trabalho do médico. Isso só iria levar a especulações minhas sobre algo que não conheço.

    A nossa democracia não é tão nova assim. É mais velha que a espanhola, que a da metade da Alemanha e que a da maioria dos países de leste.
    Em 1985 vivia na Alemanha e nunca me lembro de ter visto um alemão dizer que a democracia deles só tinha 40 anos. Palavra que nunca me lembro.

  2. Transcrevo um comentário de Marinho e Pinto. Está tudo aqui:
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    Comentando a medida máxima de coação aplicada ao ex-primeiro-ministro José Sócrates, António Marinho e Pinto afirmou, tal como já tem vindo a dizer nos últimos anos, que “em Portugal se abusa da prisão preventiva”, considerando que o Ministério Público “prende para investigar”.

    Para o eurodeputado, que falou à Lusa à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, o país corre o risco de entrar numa República dos Juízes: “Quem estiver a contas com a Justiça não fica sob alçada da lei, como deveria ser num Estado de direito, fica completamente nas mãos dos magistrados, como acontece em qualquer ditadura”, afirmou.

    Marinho Pinto diz que, depois de regimes dominados pela igreja ou pelos militares, “o pior [que] podia acontecer ao país era uma República dominada por juízes ou magistrados”.
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    O que está a acontecer não é novidade nenhuma, e sob esse ponto de vista é possível que, no decurso da presente comédia, que se vai com certeza arrastar por muito tempo sem perda de visibilidade, Sócrates possa estar a prestar um serviço ao país.

    Quem ainda não percebeu a que situação chegámos, leia e releia o processo Casa Pia e a investigação Maddie, de que só nos lembramos em especial porque conhecemos mal os outros casos. Mas não são excepções de incompetência ou malevolência, são a regra de que os cidadãos não se apercebem devido precisamente à regra do silêncio que tudo permite.

    E oiça com atenção tanto os magistrados do estrelato televisivo como os síndicos da classe. É que não se trata só de broncos ou patetas (embora broncos e patetas que nos podem a qualquer momento mandar para a cadeia à sombra de leis de má qualidade, que no fundo desprezam os direitos individuais). Trata-se também de gente que sabe muito bem o que quer e para onde vai.

  3. Não sei se as vacas podem voar ou não. Consta que no contexto de certas praças sitiadas (de que os famosos Monty Python se fizeram eco no seu filme MP & the Holy Grail) voaram mesmo, a partir de catapultas. O que sei é que o «segredo de justiça» é o manipanço mais mal parido que os feiticeiros usam para prostrar a nossa desgraçada tribo, e está a precisar urgentemente do mesmo tratamento.

  4. ai! fico emocionada quando leio coisas assim. é por isso que está sempre a nascer esta admiração que te tenho e me faz gostar tanto de ti, Val.

  5. Calma camaradas! temos que ter esperança! O guarda-redes do adversário é anão!

    A Operação Marquês, que tem este nome para fazer lembrar os Távoras e os jesuítas ( e não a rua Braancamp), pode vir a revelar-se um grande safanão nos votantes indecisos. Se isso acontecer, não será nada mau para o PS.

  6. Val,

    gosto do teu texto e gosto ainda mais de a ingenuidade ser a mãe da curiosidade.
    Mas a curiosidade implica que um dia se transforme em conhecimento, caso contrário é apenas burrice.

    Estou contigo sobre a defesa do estado de direito e, em especial, do procedimento que é o garante da equidade e justiça.
    No entanto, essas considerações são válidas na perspectiva estrita da justiça. Da liberdade fisica.

    Na perspectiva que me interessa da politica e da moral, Sócrates já é culpado. Basta que tenha feito 1/10 do que lhe imputam e mesmo que seja distorcido, para que já não mereça o meu apoio moral e politico.

    Não há seres humanos perfeitos e Sócrates nunca o seria. Mas, tambem pelo facto de ser alvo de perseguição, tinha uma obrigação acrescida de se manter liso e inatacável.. Todos que o que o defenderam quando era dificil, mereciam isso.

    Não perdoo a Sócrates ter dado razão á matilha de pulhas que rejubilam. Não interessa se é muita, pouca, ligeiramente diferente ou ao lado.
    Não lhe perdoo, não ter honrado as horas que gastei a defende-lo.
    Não lhe perdoo, ter tornado a vida mais fácil aos pulhas que nos governam e aos que nos querem governar.

    Em relação á prisão, espero que o tratem com a equidade e justiça que todos os cidadãos mercem. O que, evidentemente, não está a acontecer. Desde a forma como processo se iniciou (talvez a CGD ainda tenha de vir a explicar afinal o que notificou á PGR…ou se a conta dele teve “tratamento especial”) até á recepção no aeroporto e a continuar na prisão preventiva. Não me parece que vá melhorar nos próximos tempos e junto a minha voz aos que reclamam uma justiça digna.

    Quanto á defesa do homem Sócrates, politica, ética e moral por contraposição á matilha de pulhas que nos enchem jornais e televisões…eu quero é que o Sócrates se foda! Só me pôem os cornos uma vez.

    Miguel

  7. Caro Val, não sei como vou poder presumir a inocência do magistrado e do juiz que conduzem o processo de Sócrates, quando vemos claramente visto a violação grosseira dos procedimentos legais. Ou o Valupi considera ou presume que a violação da lei por parte dos magistrados pode ser levada à conta do exercício normal do seu ofício? Talvez por todos os Valupis deste país terem chegado a esta presunção do que deve ser a actuação dos magistrados, é que todos aceitam, ano após anos, a miséria do segredo de justiça que temos. E, já agora, vejam o posicionamento complacente e irresponsável da direcção do PS. Num caso gavíssimo como este, onde um PM-PS em exercício é acusado/suspeito de ter coberto de ignomínia o mais alto cargo da governação, tal facto não mereceu mais que uma breve nota de roda-pé na vida normal do partido. Depois da suspeição ter sido flagrantemente convertida em acusação e linchamento público por parte de toda a comunicação social livre ( a voz das democracias, diz-se, e não um simples e anónimo mal-dizer) a direcção do PS cala-se perante a violação grosseira da lei, concorrendo para a ideia feita-lei de que se está perante um “persuasível culpado” e não um “presumível inocente”. Pensará que rende votos não se “colar” a um presumível culpado e por isso não queimou nem gastou um vintém a defender Sócrates como presumível inocente. Quem pensa que esta política ainda rende, está bem enganado. Ontem ouvi, na TV, o António Costa gaguejar, repito gaguejar, porque foi mesmo assim, algumas bondades da herança da governação socrática. Ele gagueja porque pensa que não pode fazer mais que gaguejar, a ver se escapa de ser “colado” ao presumível culpado Sócrates.
    Este post do Val, muito bem engendrado (como ele sabe fazer) parece-me ser um alinhamento mal disfarçado com a “lei” vigente do “persuasível culpado”. Se estiver enganada, peço desculpa.

  8. Marinho e Pinto tem toda a razão quando avisa contra o perigo da «república dominada por juízes ou magistrados».

    Não esqueçamos que de todas as classes de depositários de poder, à excepção da dos militares, a dos juízes e burocratas legais é a mais cega, obediente e ciosa de estatuto e privilégio, uma conjugação perigosa que devia ser mantida em respeito por leis que garantisssem de facto os direitos individuais.

    Quando falo, por exemplo, na república de juízes soviética sob a batuta do juíz máximo Estaline, impecavelmente acolitado pelo procurador Vishinsky e outros que tais, tenho presente aquilo que investigações como a de Nicolas Werth nos arquivos da ex-URSS revelaram, para surpresa de muitos: o impecável legalismo e documentação burocrática em triplicado, profusamente controlada e assinada desde o juíz de topo até às troikas de juízes fuziladores, no prenchimento das suas quotas mensais de execuções etc..

    A república dos juízes é isso e apenas isso: é, em países desleixados por séculos e séculos de escravidão intelectual, gente vulgarmente estúpida, ou extraordinariamente estúpida, desinformada, ou mal-formada, mas rigorosa e vigilante, com vocação de poder e o poder terrível de julgar moralmente sem leis que reprimam a sua tendência natural.

    Se se sentem revoltados por infâmias como as sentenças do processo Casa Pia, suas confirmações em recurso, e subsequente silêncio tumular de classe sobre o assunto, bem como pela desprezível cobardia que os suspiros de alívio dos bem-pensantes revelam, consolem-se com o poema Le jugemente des juges do poeta fascista Robert Brasillach, a primeira coisa que um juíz, qualquer juíz, em especial se acha que merece mais do que lhe é concedido por quem o emprega, devia ser condenado a ler.

  9. miguel,compreendo a tua tristeza,mas tem calma.as palavras corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal,muitas das vezes,não têm relevância.é só fumaça!

  10. Neste altura e nomeadamente neste caso contemplar o horizonte é um certificado para enjoar e sem quaisquer expectativas de melhoras. E a crise não começou económica mas financeira e com o remetente bem conhecido de todos. As questões mais estruturais são outra conversa completamente distinta.

    A presunção expressa no 2º parágrafo ainda é algo mais complicado. Como já disse, nenhum poder judiciário precisava de dois jornais com uma investigação séria. Já para não falar de algo que qualquer cidadão português, independentemente do posicionamento político, devia questionar – os suspeitos do costume, sempre os mesmos, procurador e juiz. Se isto não cheira a perseguição…

    Não houve fundamentação da prisão preventiva de quem governou o país porque simplesmente nunca existiu. A serem mesmo da esposa do advogado os tweets no SOL esteve muitíssimo bem a senhora. Quando são os próprios mensageiros do poder judiciário a dizer que agora é que vão investigar a origem dos milhões?! A grande justificação para a medida de coacção máxima, a preventiva!? É como apanhar um puto com a mochila cheia de CDs, por novos que sejam e engavetá-lo sem sequer solicitar factura. E pior, sem sequer saber de que presumível estabelecimento comercial. E estava aqui um dia inteiro com analogias.

    Já o único argumento do outro lado da barricada é o vulgar não há fumo sem fogo. Já foram muitos casos, blá, blá, blá. E que casos! Não tenho dúvida nenhuma do ressabiamento de muita gente, que agora exulta e que foi logo a correr abrir o espumante.

  11. O segredo para não enjoar é… conhecer a verdade.

    Politicamente, José Sócrates já foi condenado, pois foi derrotado em eleições pelo triunvirato Passos/Relvas/Portas, com a inefável ajuda do inquilino do Palácio de Belém. Qual é o objectivo de mais condenações políticas? O que é que o PS actual tem a ver com os alegados crimes de um seu militante, removido há quatro anos, pelos portugueses, de cargos de responsabilidade no país e no partido? Não será o objectivo o de recauchutar o tema da campanha eleitoral de 2011?!

    Convém, a propósito, recordar que a derrota eleitoral de Sócrates foi obtida ludibriando o eleitorado. Passos Coelho prometeu aquilo que, no memorando que o PSD também discutiu e assinou com a troika, se havia comprometido a não fazer. Memorando esse que, devo recordar, o PSD apoiou pública e incondicionalmente, anunciando aos sete ventos que a ajuda técnica do FMI era bem vinda. Passos Coelho fez tudo para acolher essa ajuda técnica; até colocou um homem de mão do FMI — Vítor Gaspar — à frente do Ministério das Finanças. Tal traição ao eleitorado é coisa de somenos importância…

    Que o cidadão comum seja constantemente ludibriado pelos órgãos de comunicação social acerca das causas objectivas da crise económica nacional, também é coisa de somenos importância… O facto de o povo não conhecer as reais causas da nossa crise facilita a vida a todos os que querem fazer de Sócrates o bode expiatório das maleitas nacionais, com o único propósito de não terem que assumir as suas responsabilidades próprias.

    E é assim que Sócrates vem a arcar com todas as culpas de o país ter errado na adesão ao euro; e, já agora, com todas as culpas de o país se ter inserido pessimamente na globalização. Como pode este homem ser culpado disso tudo? Alguém me consegue explicar?! O alegado facto de Sócrates se ver acusado de movimentações ilícitas de capitais tem pouca ou nenhuma relação com a realidade de o país se ter afundado por ter aderido ao euro e por se ter inserido desastradamente na globalização. (Aliás, até se pode argumentar que a causalidade foi invertida: que a adesão ao euro é que desregulou os movimentos de capitais).

    Os acordos de comércio livre que a UE assinou com a Ásia favorecem a Alemanha, mas foram catastróficos para boa parte da nossa indústria. Acresce ainda que a moeda demasiado forte, o euro, na qual são denominadas as nossas exportações, impede um desenvolvimento concorrencial de parte importante da nossa produção de bens transacionáveis. Como sabemos, a maior parte das culpas deste desgoverno económico recaem sobre as maiorias absolutas do PSD e sobre o líder das mesmas, Cavaco Silva, bem como sobre os grandes interesses financeiros nacionais (e de outros sectores não transacionáveis) que, no professor Cavaco Silva, encontraram o deus de que precisavam para poderem “crescer e multiplicar-se”…

    Porque será que aqueles que são “donos disto tudo” não arcam com “a culpa disto tudo”?…

  12. Estou como o Miguel, que parece dos poucos a começarem-se-lhe a abrir – ainda poucochinho, mas é dos primeiros – os olhinhos cheios de ramelas de Crença peril e Mitificacão cega ( uma boa psicanálise agora dava jeito para perceberes a pulsão que te fez apaixonar pelo Pinoquio tão platónica mente !!!! ) … eu quero é que o Sócrates se FODA!
    E não foi a mim que me pôs os cornos …

  13. Por isso, está decidido: vou votar no Gungunhana Marinho Pinto! Neste Costa a tresandar e a gaguejar a socrátismo envergonhado e azedo é que Jamé!

    O Socras que se FODA!

  14. A propósito de fumos sem fogos, se há mais alguma coisa ou não para além do «crime» de transporte de dinheiro à perna, em vez de electrónico, não sei nem posso saber, mas uma coisa eu sei. É que se não há, estamos pura e simplesmente perante o sequestro de alguém para assegurar a sua condenação na praça pública sem hipótese de se defender.

  15. Henrique Neto , empresario e destacado militante socialista em Dez de 2009 :
    “passados quatro anos e meio de Governo de José Sócrates, a credibilidade da justiça portuguesa bateu no fundo”. “O primeiro-ministro tudo faz para esconder dos portugueses as conversas em que foi apanhado ao telefone a organizar o apoio às empresas do regime” e o presidente do STJ e o PGR “entendem-se com o mesmo objectivo, com base numa lei feita pelo actual Governo”
    http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1435379

  16. Miguel, o que escreves pressupõe a culpa. Não creio que possas recusar a possibilidade de Sócrates estar inocente. Porém, concordo em absoluto contigo: bastará haver uma qualquer ilicitude para Sócrates passar não só a estar acabado para a política como até a poder ser considerado um traidor ao PS e mesmo ao País. Tal é o grau da sua responsabilidade por causa dos cargos que assumiu e das causas que protagonizou.

    E se ele for mesmo culpado de corrupção, então aí estaremos perante uma situação que ultrapassa em muito a justiça e a política, porque seria um histórico e monstruoso caso de manipulação colectiva que, para começar, talvez acabasse com o PS.
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    Maria Abril, pois a minha explicação para as suspeitas que recaem sobre os operadores da Justiça, nalguns casos com prova abundante da sua culpabilidade (como resulta das fugas ao segredo de justiça, por exemplo) , remete para o abandalhamento geral, comunitário, em relação ao Estado de direito. É por nós não o querermos defender que acabamos reduzidos à inútil, prejudicial, vocalização de suspeitas e ressentimentos.

    Repara: os procuradores e juízes não podem fugir às consequências dos seus actos, havendo matéria para os censurar ou até para os criminalizar. Terá é de haver quem queira respeitar a Lei, e isso seria inevitável se partíssemos do princípio de ser o Estado de direito o nosso melhor e mais fiel amigo.
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    P, certo, começou como crise financeira, mas foi só enquanto crise económica que chegou a Portugal.

    Quanto às legítimas suspeitas sobre ilicitudes várias na Operação Marquês, tal consciência não chega para anular estoutra de que ao não sabermos quem as cometeu continuamos a ter como melhor opção apostar na idoneidade dos responsáveis judiciais. A esse respeito, nunca um inquérito à violação do segredo de justiça foi tão escrutinado como este agora aberto vai ser. As cabeças de todos os envolvidos estão na berlinda, a menos que apareçam provas definitivas a respeito da culpa de Sócrates. Até lá, tudo é passível de estar a acontecer, seja uma conspiração política ou uma acção exemplar da Justiça.

  17. oh ceguinho! esse tal neto só disse isso depois de deixar de ser empresário do regime, até o guterres lhe acabar com o sonho ministro da indústria e o socras lhe cortar os subsídios era tudo fixe, a partir daí foi só desgraças para o empresário de sucesso, as empresas não faliram porque o sócio correu com ele e até protagonizou umas fugas ao fisco, certamente com o intuito de mostrar o seu descontentamento com o governo.

  18. Ignatz, ceguinho apaixonado e viciado na bajulação do preso 44: começa a lavar as toneladas de ramelas dos olhos e pode ser que o choque com a realidade te possa ser menos doloroso … até podes fazer flocos delas para o pequeno almoço, durante o resto do ano e próximos! Aproveita pra economizar e saboreia o crocante estaladiço …

  19. O que vejo é um estado de direito democratico meramente formal a funcionar. Sócrates ficará preso preventivamente sem que se saibam os fundamentos e apesar da presunção da sua inocência. Os juizes além de intocáveis estutariamente são aclamados pela elite do poder político e económico português. Isto cheira tanto a ditadura que tresanda, mas na ótica do Val eu sou um pulha. Obrigadinho, pá!

  20. Proponho já a prisão preventiva da justiça e não penso estar a ser nada injusto.

    Uma justiça que se auto-proclama de lei, desta lei de fugas de informação e deste circo mediático, destes agentes de justiça travesty em noite de cabaré máxime não a é.

    Uma justiça de de mines e tremoços tascas tasquinhas de esquinas que de fuga em fuga de informação pré condena. Condena-se a ela própria.

    A muitos jornalistas proponho já que sejam enviados para reciclagem. Àqueles que resistam, proponho de imediato que os façam ler o código deontológico no topo dos Himalaias todas as manhãs durante os próximos 698 dias. Se ainda assim houver dúvidas têm sempre o crédito para abrirem uma mercearia. ( o lápis já têm)

    Aos homens que coordenam a atribuição de carteiras profissionais destes artistas que se prenunciem de uma vez por todas.

  21. Ele era de graça pantoprazol para o estomago, de graça era a glucosamina para a artose, eu sei lá, talvez ainda tenha que ir também a Évora em dia de visita.

    Este governo tirou tudo aos velhotes.

    Vivam nós os velhotes.

  22. Enapa, se considerares culpado alguém que ainda é só um arguido, nesse caso serás um pulha. E se lançares calúnias seja sobre quem for, também.

  23. @Val

    Acredito na idoneidade do sistema judicial, mas deverás ter em conta que a opinião pública irá necessariamente explorar estes acontecimentos. Alguns actores políticos irão parasitar as decisões judiciais, para delas obter dividendos políticos.

    A publicitação das acções da Justiça é um dos seus propósitos mais importantes. É suposto que uma pena de prisão manche negativamente o prestígio social de uma pessoa. Isso desempenha, na prática, uma função social de prevenção do crime.

    Daí que a acusação de figuras públicas constitui, à partida, um terreno minado. Facilmente o cidadão, especialmente se foi prejudicado pessoalmente por decisões da figura em questão, se ilude a si próprio e considera que a sua prisão deriva de uma deficiência do seu carácter. Daí até considerar que tal deficiência de carácter estaria também na base das decisões políticas que o prejudicaram, é um passo muito curto.

    Evidentemente que nós sabemos que Justiça condena crimes definidos de forma objectiva; e que, no contexto da acção da instituição judicial, os juízos de valor são, ou devem ser, pouco relevantes.

  24. “Miguel, o que escreves pressupõe a culpa. Não creio que possas recusar a possibilidade de Sócrates estar inocente. ”

    Nao… Apenas pressuponho alguma culpa. Que uma pequena parte do que têm dito è verdade.
    Sócrates tinha de estar completamente limpo. Neste caso, “pequenas coisas” sao grandes coisas.

    Miguel


  25. Muito de acordo com o post, mas poderia apertar-se ainda + a malha não para abandalhar, mas para falar de Política com P grande. Existe um outro pilar que – não sei se por medo da oposição em *politizar* uma questão que é da Política (o bom discurso de António Filipe do PCP, um comunicado do PCTP/MRPP nas margens e mesmo as corajosas declarações de Guilherme Silva do PSD, vi-os todos ontem, serão as três excepções que consegui apanhar até agora; ou se o universo político-partidário, que estará a pesar *pragmaticamente* e a cada momento as palavras audíveis, não estará na ressaca de uma operação ao estilo de choque e pavor à portuguesa; ou, ainda, porque a pró-direcção do PS se sentirá excessivamente visada -, mas existe um pilar, dizia, que não tem sido abordado. Tudo isto acontece quando o ministério da Justiça é ocupado por uma senhora desiquilibrada (não é elegante mas não consigo ser + claro), o que deveria reforçar o medo dos cidadãos sobre o que está a acontecer. É tempo de a oposição iluminar o assunto?

  26. Sim, este caso é político e um grande desafio à nossa capacidade de presumir que o estado em que vivemos é ainda de direito democratico e atuar dentro das suas regras, que são, de facto, as que melhor conhecemos para viver em sociedade.
    É.me, num certo sentido, irrelevante se Sócrates é culpado ou não. A admiração que tenho por esta pessoa e, acima de tudo, pelo seu legado civilizacional – nunca esqueço, por exemplo, que se não fosse ele ainda hoje provavelmente se condenariam mulheres por abortarem neste país – permitiriam, face ao tipo de crimes e/ou pecadilhos pelos quais seja eventualmente condenado, ainda assim, que a minha consciência o perdoasse.
    É tempo agora de todos aqueles que pensam assim de defenderem esta pessoas com unhas, garras e dentes, e tudo o que o estado de direito democrático nos permitir. Aliás o seu maior legado foi precisamente a consolidação da ideia desse estado.
    A minha consciência não me permite outra coisa que não seja estar do seu lado, hoje e amanhã, seja qual for a decisao judicial que venha a ser proferida.

  27. Não tenho nada contra o estado zen do Valupi nalgumas circunstâncias, e com efeitos terapêuticos. Mas, se é para concluir que a justiça está a funcionar, faço notar que a justiça também estava a funcionar nos antigos tribunais plenários ou nos julgamentos sumários. O que não estava a funcionar era o estado de direito. O engenheiro está visivelmente a ser vítima de um julgamento sumário que envergonha um estado de direito (acusado publicamente em grandes parangonas, preso sem conhecer os factos imputados, remetido compulsivamente ao silêncio, sem hipóteses de defesa), logo, o estado de direito não está a funcionar. E não há zen que possa impedir a obrigatoriedade moral da denúncia deste tipo de situações (do engenheiro ou de outro qualquer cidadão – e parece-me que aquele senhor do SEF, mais anónimo, não andará longe). Ou seremos todos cúmplices de uma máquina judicial a funcionar lindamente para efeitos de linchamento. Que, no caso do ex-primeiro ministro, é político, obviamente. Aqui não me dou sequer ao trabalho de argumentar.
    Em suma: a razão não pode ser histérica, mas também não pode ficar silenciosa (máxima que não é do A. da Silva, é da decência básica)

  28. Uma modesta contribuição para o debate instalado!
    Da audição dos programas de antena aberta, retira-se
    que muita gente está convencida que o Malévolo já
    foi julgado e condenado, os mais ignorantes apesar de
    se intitularem engenheiros, economistas e até juristas
    acham que finalmente a Justiça agiu e bem pois, ele é
    o culpado pelo estado a que o País chegou, nem havia
    dinheiro para pagar os salários e as pensões pior, a
    quantidade enorme de autoestradas que mandou cons-
    truir para não falar das 5 cinco linhas de TGV e o novo aeroporto do jámé!
    Os magistrados não estão acima dos outros cidadãos
    tão pouco são omniscientes, há mais de vinte anos que o procurador da operação “Marquês” espera ver um caso
    por si investigado vencer em tribunal, há sempre qualquer
    coisa que falta/falha! No famoso caso “Moderna” também
    aconteceu fuga de informação que, foi identificada e o en-
    tão diretor da PJ foi demitido (dr. Negrão, juíz), por coin-
    cidência o seu adjunto encarregue do caso era o procura-
    dor Rosário (DN, hoje)!
    Creio que, o mais importante é ajustar aquilo que dizem
    ser o tempo da justiça com o nosso tempo, não passará
    pela cabeça de alguém que, a prisão preventiva do ex. P.
    Ministro se possa prolongar para lá do Natal! O País es-
    tá a descer em muitos dos seus níveis de credibilidade
    com esta, ponderada decisão, os mercados não estão a
    gostar … e para já, deixaram de entrar os 12 mil euros que,
    o agora preso 44, recebia de honorários, fora outros dis-
    sabores, como troca de fotos na comunicação social inter-
    nacional, mostrando o irrevogável preso e, os vistos ???

  29. acordo sempre sem cuecas, alcoólico anónimo.

    falta saber, marvl, se o homem foi preso da forma que foi precisamente porque a gravidade é maior do que aquela que julgamos e que sabemos – pois para já a verdade é que sabemos nada e só temos de confiar na justiça.

  30. Em tempo: A glocosamina que tomo e era gratuita, é da octapharma.

    Este governo acabou com a gratuitidade porque não gosta da octapharma.

    Lá terei que ir a Évora, que eu não sou ingrato.

    Mais longe era a Tunisia e Mário Soares também lá foi ver o Betino do PSI.

  31. marvl, do facto de termos a Justiça a funcionar não decorre necessariamente que esteja a funcionar bem. Neste caso de Sócrates, não faltam denúncias nesse sentido, e de gente influente. Mas esses aspectos, como o da espectacularidade intencional da detenção de Sócrates e as fugas ao segredo de justiça que de imediato apareceram para forçar a opinião pública a aceitar a sua culpabilidade, não se devem confundir com o âmago da questão: caso haja crime, a Justiça, apesar das falhas e excessos, agiu bem e quem sofre será o PS; caso não haja, a Justiça torna-se responsável por um ataque político sem paralelo na sua história e que obriga a tremendas consequências no seu edifício, pois seria uma verdadeira crise de regime.

    O que está em jogo é da maior gravidade, e é por isso mesmo que o zelo pelo Estado de direito, mesmo que comece por aparecer como forma de distanciação de um presumido inocente, é a melhor estratégia para quem esteja interessado em fazer justiça implacavelmente e doa a quem doer, chegue a quem chegar.

  32. Ola,

    ” O engenheiro está visivelmente a ser vítima de um julgamento sumário que envergonha um estado de direito (acusado publicamente em grandes parangonas, preso sem conhecer os factos imputados, remetido compulsivamente ao silêncio, sem hipóteses de defesa), logo, o estado de direito não está a funcionar”

    Nada permite justificar esta afirmação neste momento.

    José Socrates esta em detenção preventiva quando, aparentemente, poderiamos pensar que tem garantias de representação. Ha aqui um aspecto que me parece excessivo, OK, mas infelizmente José Socrates esta muito longe de ser o unico nesta situação. Como sabemos, a detenção é usada pelos magistrados como uma forma de pressão, nomeadamente para obter confissões, e julgo mesmo que não é exagerado dizer que, na pratica, ha por vezes uma espécie de “chantagem” feita pelos juizes com esta situação. Isto não acontece apenas em Portugal, muito longe disso, e não chega (infelizmente) para podermos falar num atropelo excepcional ao Estado de direito…

    Quanto ao resto, não vejo julgamento sumario nenhum. Vai haver instrução, e tudo aponta para que o caso seja tratado nos trâmites habituais… e legais. Pelo menos ainda não vi nada em contario.

    Fala-se do caso nos jornais, como é inevitavel e como julgo que aconteceria em qualquer outro pais (bom, as televisões apostarem ostensivamente no facto de as pessoas ficarem penduradas 72 horas na esperança idiota de assistirem a uma merda de um não acontecimento, tal como ver um carro a passar numa rua, isso talvez não tivesse acontecido noutros paises…). Mas, salvo erro, os jornais ainda não estão autorizados a pronunciar sentenças judiciais, de condenação ou de absolvição. Comportar-se como se eles o fizessem é que pode ser problematico do ponto de vista do Estado de direito…

    Mais uma coisa. Vejo que estão preocupados com o Estado de direito. Tenho uma boa noticia : o Estado de direito, somo nos… Querem mudar o codigo de processo penal para que, de aqui em diante, os antigos primeiros ministros não sejam submetidos ao direito comum, ou não possam estar em preventiva ? E’ isso que estão a dizer ?

    Boas

  33. oh viegas, começaste a corrigir o tiro e eu que pensava que tinhas ido para o basófias comemorar com o amorim, a matos e o cunhal. na volta correram contigo por não terem conseguido interpretar as tuas liberalices neo parvas.

  34. Caro Valupi, estou sem tempo para fazer um comentário decente, mas não queria deixar passar sem te dar os parabens pelos dois ultimos posts. Espero que alguém no PS os leia com atenção, a tempo do próximo congresso. Respostas vagas, tipo “estamos todos chocados” funcionaram nas primeiras 48 horas, mas o discurso tem de ser rapidamente actualizado sob pena de se perder o chão.

    O voluntarismo de Soares, embora reflita parte dos eleitores do PS, não refletirá provavelmente a maioria que apenas quer ver uma decisão rápida e justa – ou seja, caso existam motivos para condenação que ela seja pronunciada. Caso esses motivos não existam, pois que a absolvição apareça e que as devidas consequências políticas e judiciais sejam também retiradas.

    “Todos” acreditámos em Sócrates e “todos” o defendemos contra as acusações infundadas da direita e a irresponsabilidade política e demagógica da esquerda que nos atirou para os braços da Troika amiga.

    Se temos uma exigência, que seja que o processo decorra de forma limpa. E isto, até ao momento não temos motivos para acreditar, quer pelas fugas de desinformação, quer pela fogueira que foi montada em conluio entre ministério público e comunicação.

    Há uma fogueira montada e um corpo para queimar, o único problema é a chuva que cai com intensidade – entenda-se a verdade dos factos, até ao momento, desconhecida.

  35. “não queria deixar passar sem te dar os parabens pelos dois ultimos posts”

    Mister H, não sei se era a intenção, mas v. conseguiu sem duvida demonstrar que, de facto, esta sem grande tempo para ler. O post de hoje é radicalmente incompativel com a parvoeira de ontem e apenas se explica porque, muito felizmente, o Valupi compreende que não é assim tão dificil uma pessoa largar o vinho, o que so tem efeitos benéficos.

    Boas

  36. Ignatz, Nada de precipitações. Eu não disse, nem penso, que o José Socrates esta inocente daquilo de que é acusado. Na verdade, não sei, e não excluo que possa estar, tal como não excluo que possa ser culpado, o que seria grave.

    Uma coisa é certa, no entanto, as probabilidades que isto pese no meu voto, a favor do PS, ou a favor do restabelecimento imediato da obrigatoriedade de comer crianças ao pequeno almoço, são infimas.

    Boas

  37. oh viegas, o voto é secreto e livre, nunca ninguém saberá em quem votas e ninguém te impedirá de o fazer, mas de uma coisa tenho eu a certeza, o costa nunca será eleito por gajos com a tua opinião. portantes mete o teu voto no cu e poupa-nos a conversa de puta.

  38. ahaha, val preso por ter cao e por não ter, já o outro está preso por ter cabritos e nao ter cabras, ..
    enquanto os socráticos, ao longe, vao chamando caniches aos cabritos…au ainda nao decidi se abomino mais a raça que nao sabe e acredita no corrupto-mor (me desculpe o soares de lhe retirar o titulo)ou dos que sabem e ainda o defendem, claro, da mesma matilha…

  39. Caro Valupi,
    Tenho todo o gosto em discutir Economia noutra altura. De qualquer modo e com todos os problemas estruturais, Portugal ainda cresceu depois de 2008 com as políticas certas. Até à descoberta das contas gregas ou ao que fizeram à Grécia. E mesmo já com as políticas erradas o que faltou mais uma vez foi o financiamento externo, nomeadamente do BCE que nunca esteve preparado para crise nenhuma. Para além de não ser possível num país como Portugal, a bica à noite custar 50 escudos e na manhã seguinte custar 50 cêntimos – nem nunca houve mais ajustamento nenhum – a UEM numa UE com tantas velocidades não passa de uma utopia sem transferências massivas de capital para o sul da Europa! E o resto é tudo conversa fiada! Ou então no mínimo devolvem-nos os sectores que nos tiraram. Ontem, hoje e amanhã! Nunca se podia ter escarnecido dos gregos como se escarneceu em Portugal e todas as forças políticas, cada uma com as suas razões. Era fundamental um lobby muito forte dos países periféricos no seio da UE. E sobretudo um líder que não andasse preocupado com a cara que aparece na Europa. Ou seja, um paspalho que nunca fez nada na vida, para ser simpático. E daqui a minha analogia com o Burro do Caralho.

    Queira desculpar mas como já disse não há acções sérias do poder judiciário, quanto mais exemplares, com uma Cabrita como protagonista. É impossível e só denota que ainda nem todos conhecem muito bem bem certas raças de gado, infelizmente autóctones. Ou o Valupi também já viu alguém sério a citar o CM? Eu a única coisa que penso é que isto não é um caso sério e com dados muito razoáveis para tal. E claro que depois conjecturo. Num Estado de Direito Democrático as opiniões são todas legítimas, inclusive alguém que diz que José Sócrates foi a pior coisa da Democracia em Portugal. E por isso mesmo é que não se pode engavetar, nem que seja preventivamente, o último 1º Ministro sem o fundamentar muito bem junto de todos os portugueses. Quando surgem dúvidas solicitam-se esclarecimentos e se as dúvidas persistirem de que é que adianta prender preventivamente alguém? Claro que era preciso fundamentar tudo muito bem, de sobremaneira depois do circo todo que ajudaram a montar à volta. O Valupi quando ouve na televisão que recaem suspeitas de corrupção sobre um governante de algum país distante, o que é que fica a pensar desse país? É o que que já estão a pensar todos e quaisquer potenciais parceiros de Portugal! É mau para o Estado de Direito Democrático e péssimo para Portugal.

  40. Estado de direito Valupi?

    Mas que estado, minimamente merecedor desse qualificativo (se) pode permitir que um processo se transforme num esgoto a céu aberto, onde confluem as mais variadas informações e detalhados relatos, cuja proveniência, pelo teor da informação “libertada”, facilmente se adivinha ser o próprio Estado através dos órgãos com que exerce e/ou julga a acção penal? Informações e relatos cuja veracidade ninguém consegue, naturalmente, escrutinar, porque o objectivo é precisamente o de não serem escrutináveis em tempo útil, de forma a assegurar uma bem sucedida condenação popular para colocar suficiente pressão sobre o juiz a quem vier a cair em sorte o julgamento do processo.

    O despautério deste descontrolo “informativo” atingiu tal dimensão que, julgo eu, hoje em dia qualquer jornalista pode, se lhe der na gana e sem levantar o traseiro da cadeira ou contactar quem quer que seja, inventar o que bem quiser sobre o processo que toda a gente vai pensar que ele também bebe das mais finas “fontes do processo”.

    E pergunta-se? Quem pune isto? Quem fiscaliza o fiscal? Quem investiga o investigador? Ninguém!

    Porque a verdade é que a pretexto da independência dos tribunais criou-se um monstro cada vez menos controlado (ou antes, auto-controlado). Um monstro onde convivem elementos de grande competência e honestidade com gente encostada a comezinhos interesses corporativos e, mais preocupante, com gente que parece acalentar desmesuradas ambições de poder. Um monstro que tem sido alimentado pelo oportunismo de sectores do poder político com incontroladas tendências justicialistas, mas que neste momento se arriscam a ser, também eles, reféns do monstro.

    Já é muito mau, para quem tropece no sistema judicial, ter de se limitar a acreditar que os investigadores e julgadores que lhe aparecerem pela frente serão justos e equilibrados e não que o sistema é justo e equilibrado. Pior será quando os justos e equilibrados forem totalmente anulados pelo sistema. Quero, apesar de tudo, crer que ainda estamos no primeiro patamar.

  41. Caro João Viegas, não encontrei nenhuma incompatibilildade entre os dois posts de Valupi.
    Quanto ao resto, só tenho a agradecer a atenção às minhas palavras – que não lhe são dirigidas – mas que apesar disso o tocaram tão profundamente.
    Faço votos que encontre uns momentos para refletir e se perdoar, essa raiva não é boa para a saúde física e tolda-lhe a saúde mental.

  42. Vai sendo tempo da academia pegar no assunto. Seria um trabalho interessante compilar tudo aquilo que foi dito e escrito, ao longo dos anos, por Manuela Moura Guedes, Felícia Cabrita et al. acerca da vida pessoal de José Sócrates.

  43. Caro Mister H,

    Não encontrou incompatbilidade nenhuma entre “O nosso horizonte é o Estado de direito democrático” (post de hoje) e “Se o Estado de direito aguenta esperar pela morosidade da Justiça, como tem aguentado há décadas e décadas, a política não. Portugal não pode esperar pela sua Justiça quando está em causa uma acusação de corrupção contra um ex-primeiro-ministro. O segredo de justiça tem de ser levantado neste processo…” (post de ontem) ? Mas em contrapartida encontrou “raiva” no meu comentario ?!?

    Diabos. Algo me diz que v. não procurou com grande empenho, ou com grande seriedade…

    Boas

  44. oh viegas, ninguém encontra raiva no que escreves, tu só transmites imbecilidade e reaccionarice disfarçada de práfrentismo liberal. contenta-te em enganar os emigras aí em paris que aqui a coisa não pega.

  45. J. Madeira: «Os magistrados não estão acima dos outros cidadãos tão pouco são omniscientes, há mais de vinte anos que o procurador da operação “Marquês” espera ver um caso por si investigado vencer em tribunal, há sempre qualquer coisa que falta/falha! No famoso caso “Moderna” também aconteceu fuga de informação que, foi identificada e o então diretor da PJ foi demitido (dr. Negrão, juíz), por coincidência o seu adjunto encarregue do caso era o procurador Rosário (DN, hoje)!»

    É verdade que os magistrados não são omniscientes, mas também é verdade que devem fazer todos os seus possíveis para serem justos, objectivos e desapegados das vaidades do poder.

    Devo dizer que a psicologia e pequenos hobbies e prazeres destes juízes que temos me despertam a curiosidade, especialmente quando se trata dos tais «superjuízes» que os media nos apresentam como verdadeiros sacerdotes incorruptíveis da deusa Justiça.

    Por exemplo, parece que o patriarca Vidal é grande amante da caça e Alexande, o não menos grande, devoto entusiasta da tauromaquia (segundo o Observador).

    Esta coisa de juízes sãos e desportivos que vociferam na televisão contra «os políticos» e não sabem o que é a tentação do poder e a corrupção a que ela conduz, mas se divertem a matar e a ver matar (ou pior) não deixa de me parecer interessante.

    É uma simples observação. Não é nenhuma previsão dos sóvietes dos mãos-limpas a breve prazo.

  46. Devia ter escrito: «mas se divertem a matar e a ver matar (ou pior) inocentes não deixa de me parecer interessante».

    Não faz mal, escrevo agora.

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