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«Não sei o que é», 12.ª repetição

[1] «Não sei o que é rapidamente esclarecido na opinião do Presidente da República [sobre o caso Charrua]. O que sei é que estas palavras foram proferidas a 23 de Maio», referiu Paulo Gorjão sobre as declarações de Aníbal Cavaco Silva.
Não sei o que é não saber na perspectiva do autor do Bloguítica. O que sei é que estas palavras já foram lá publicadas 12 vezes desde o dia 12 de Junho. Já deveria ter dado para aprender alguma coisita, caramba.

Edição Extra – SIC Radical

15 DE JUNHO – 1ª PARTE

15 DE JUNHO – 2ª PARTE

15 DE JUNHO – 3ª PARTE

15 DE JUNHO – 4ª PARTE

A renovação da comédia em Portugal continua a bom ritmo e com a marca da SIC Radical. Agora, este Edição Extra inova pelo registo nonsense, mas em perfeita sintonia com o suporte original da imagem, intensificando o efeito humorístico no contraste, e simultânea ligação (raccord), entre imagem documental e texto vocalizado. Um dos segredos desta fórmula está no fio da navalha atravessado pela paródia, onde não há um pingo de ressentimento nem de cinismo. Outrossim, os alvos da sátira salvam-se, são incluídos na nossa comunidade. Ninguém é vilão, somos todos iguais.

Um sucesso a merecer sucesso. Ainda por cima, isto é facílimo de escrever e produzir (havendo a sensibilidade, a peculiar inocência sabida, sei).

Neste episódio há várias cenas hilariantes, elegendo o encontro entre Cavaco e Al Gore como um dos melhores momentos de comédia alguma vez criado por portugueses (3ª parte).

Bushmania

Sou confesso admirador de Bush. O facto de não fazer a mínima ideia de como ele conseguiu chegar a presidente dos EUA ajuda muito ao culto. Mas são os seus desconcertantes e repetidos sinais de patarequice que me encantam. Deve ser adulto de quem as crianças gostam. Este momento não engana: eis um puto a brincar.

Warhammer: Mark of Chaos – E3 2K6 Trailer

Realizado por Istvan Zorkoczy, nos estúdios digitais Digic Pictures, este filme, de apresentação do jogo Warhammer: Mark of Chaos, é uma lição de cinema. O movimento de câmara, a montagem e o som revelam um brilhantismo impecável. Não faz sentido falar de fotografia, pois não temos luz natural nem película. Assim, que nos deleitemos com esta pintura animada, de ver e rever e voltar a ver.

Aqui, a versão em HD (lembrando que o HD pede computadores recentes, ou artilhados, para que flua e deslumbre).

Casa de Papel

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Gostaria muito que começassem a ler este livro no mesmo estado em que iniciei a sua leitura: na mais pura das ignorâncias. O que me seduziu, quando o vi numa livraria há cerca de um mês, foi o seu aspecto. A Remastered Full-Color Edition de House of Leaves de Mark Z. Danielewski é um objecto que irradia magnetismo: como se a invenção de Gutemberg tivesse esperado mais de cinco séculos para cumprir finalmente nesta obra todas as possibilidades da arte da tipografia. Adquiri assim o livro num impulso de bibliófilo que, até aquele dia, não sabia existir em mim: mesmo que as suas páginas estivessem escritas numa língua que não me fosse inteligível, o livro, enquanto objecto, justificaria a compra. Deve-se olhar primeiro para as páginas desse romance como a mesma inquietação que olhamos para uma pintura. Numa era em que o papel tende a perder a sua importância, o livro de Danielewski é a mais violenta demonstração que conheço do quanto o seu suporte é insubstituível. E foi assim que olhei para as suas páginas, uma a uma, durante uma tarde inteira sem nunca me passar pela cabeça iniciar a leitura. Acabei de o ler hoje de manhã e mais não digo. Porque estou certo que haverão de querer relê-lo um dia no mesmo estado em que finalizei essa primeira e inesquecível leitura.

Camilo Pessanha

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A propósito do último post do meu primo Valupi (e de um comentário muito pertinente da sininho), veio-me à memória uma boleia que apanhei há muitos anos de um colega de trabalho. Eu tinha entrado para a empresa há muito pouco tempo com apenas dezassete anitos: era um jovem muito tímido que, para além de apenas vir a perder a virgindade na semana seguinte, possuía gostos muito duvidosos em matéria tão diversa e essencial como a música, a literatura, o cinema e o vestuário. O Engenheiro que me deu a boleia chamava-se Eurico e estava particularmente bem-disposto, porque aquele era o seu último dia de trabalho nesse antro que era (será que ainda é?) a EFACEC. O Eurico tinha sido seleccionado num concurso internacional para trabalhar no Parlamento Europeu, onde ia ganhar o triplo e trabalhar muito menos – ou, pelo menos, eram estas as expectativas do seu ego inchado. Ao longo da viagem, ele foi-me dizendo essas coisas sempre com uma mão no volante e a outra a tentar tirar um macaco do nariz. Era uma visão que me provocava um misto de repulsa, riso e angústia. Isso durante uns bons vinte minutos, enquanto seguíamos para Gaia: Ah, que engraçado a gente se conhecer logo hoje no meu último dia (dedo no nariz), em Bruxelas parece que as gajas são umas doidas (dedo no nariz), tens um sotaque mesmo esquisito (dedo no nariz). Quando já estávamos a chegar à minha casa, oiço um

– Ai ai!

e uma explosão de sangue salpica o pára-brisas. De tanto furar o dedo no nariz, o Eurico tinha rompido uma veia e estava a sangrar que nem um desalmado. Ele lá encostou o carro a muito custo, sempre com uma das mãos a fazer pressão no nariz (Ó puto! Não tens um lenço, caralho?!), a camisa cheia de sangue, a Rádio Cidade aos berros, aquilo era tudo uma coisa muito aflitiva para mim. Entramos num café, o Eurico foi à casa de banho e de imediato a clientela se interessou pelo caso, devido à quantidade de sangue que tinha nas calças. Lá fui explicando que o meu colega tinha começado a sangrar do nariz quando ia a conduzir e começaram logo a chover os conselhos da praxe (Ele que ponha água, Que vire a cabeça para trás) mais um que jamais irei esquecer até ao fim da minha vida (Ele que coma uma banana). Passado cinco minutos, o Eurico voltou muito pálido com o nariz vermelho e inchado: continuava a esvair-se em sangue numa gloriosa hemoptise de poema final. O dono do café (Que pena não ter aqui uma banana, caramba) lá ligou para as emergências, que tratava dessa merda e que uma ambulância já vinha a caminho. Quando os moços do INEM chegaram, o Eurico já tinha desmaiado e levado bofetadas duas vezes (cada vez que lhe batiam nas bochechas, saía ainda mais sangue do nariz). Os paramédicos perguntaram-me se era familiar (Não? Então não pode ser) e o tipo lá foi sozinho para o Hospital perante o olhar solidário da pequena multidão que se tinha juntado em frente ao café (Ouçam o que vos digo: aquele gajo ainda vai morrer). Nunca mais o vi. Não sei se chegou a fazer um trabalho meritório ou a comer gajas doidas em Bruxelas: apenas vos posso dizer que no outro dia o Fiat já não estava lá. Tinha deixado no café um papel manuscrito dentro de um envelope com o meu nome. Pedia imensas desculpas pela ocorrência da véspera, que agora já estava bem e que agradecia do fundo do coração a minha paciência. Em baixo, havia um boneco com uma banana enfiada no nariz. O desenho era muito giro.

Um estado policial

Segunda, 28 de Maio, 10.07 da matina. Este exemplar pagador de impostos, e vosso humilde escriba, recebe ordem para encostar o seu magnífico bólide numa rotunda de Cascais, mesmo no raio da rotunda. O agente é carrancudo, e, logo que se apanha com os documentos da viatura, dispara “O senhor sabe porque é que foi mandado parar?…”. O meu intrigado e resignado “Não…” demorou menos de 1 segundo, mas nesse intervalo tive tempo de rever o trajecto por uma rua sem trânsito, sem semáforos, sem traços contínuos, de sentido único, e percorrida dentro do limite de velocidade. Também tomei consciência da inovação metodológica: a pergunta a suscitar a autoavaliação, o Estado a promover a responsabilidade, o agente a ser agente de pedagogia. Fiquei dividido entre a elevação da abordagem e a suspeita de me estar prestes a descobrir inusitado vilão rodoviário.

“Onde está o documento da inspecção?…”. Também gostaria eu de saber, eu que nem sabia da obrigação de andar com ele. “Que documento é esse?…”, larguei enquanto fazia o número de procurar várias vezes na carteira. Olhava para o chão do carro, bancos, portas, à espera de dar com gavetas imaginárias a abarrotar desses documentos. “É um assim verde!”, e mostrava-me o papel do seguro numa mão e a impaciência de quem manda na outra. “Pois, não tenho. Mas tenho ali o selo…”. Marquei pontos, havia uma prova a meu favor que o obrigou a um movimento defensivo. “Sim, isso eu sei que também consigo ver, mas falta o documento!”. E faltar o parvo papel correspondia a 30 euros a menos no meu parco papel, fui informado. Entretanto, uma voz terceira invadiu o nosso colóquio. Transmitia referências precisas de um automóvel, marca, cor, e sentia-se urgência na voz. O agente dava passos incertos, dobrava a minha papelada, mirava a entrada da rotunda. Comecei a ficar concentrado no acto seguinte, antecipando o pagamento por Multibanco nos próximos segundos.

Aproximou-se da janela, abaixou-se e, quase íntimo, perguntou “Vinha a falar ao telemóvel?…”. Desta vez ultrapassei o segundo antes de responder. Talvez um segundo e meio, mais coisa menos coisa. Até deu para catrapiscar os meus dois telemóveis ali em frente às mudanças. Que pergunta incrível. Era uma pergunta que nos catapultava num lance epistemológico. Tanto eu como ele estávamos obrigados a mudar de papéis. Agora, era eu o agente da autoridade, com poder de aplicar a lei. Ele, um civil que está perdido, a pedir informações. As possibilidades eram variadas, feéricas. Era-me dada a possibilidade de ser infractor, denunciador, fiscalizador e juiz em causa própria. E tudo isto antes da 11 da manhã. Apetecia-me, então, prolongar esse estatuto. Usar o cargo para resolver problemas bem mais importantes, como os relativos às questões existenciais. Por exemplo, responder às perguntas “Ando a falhar a minha vocação?” e “Sou verdadeiro com os que amo?”, procedendo depois à passagem das respectivas multas em caso de transgressão. Ou dizer que iria pensar, que responderia depois do almoço, lá mais para a tarde, se não chovesse. Enfim, a pergunta era pessoal. Que tinha aquele gajo a ver com as minhas chamadas telefónicas?

I am a DJ, I am how I say

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Abram alas, que o Daniel Jonas tem um novo livro de poesia. Após a edição do belíssimo Os Fantasmas Inquilinos (Cotovia, 2005) e da sua magnífica tradução de Paradise Lost de John Milton (Cotovia, 2006), o Daniel está de regresso com um livro que promete surpreender até os seus leitores mais suspeitos, categoria na qual me incluo com grande euforia. Se uma das características mais notáveis do autor de Moça Formosa, Lençóis de Veludo (Cadernos do Campo Alegre, 2002) era o seu perturbador domínio do poema na sua forma extensa, Sonótono (Cotovia, 2007) surpreende por ser integralmente constituído por 50 sonetos (todos originais, exceptuando a tradução do soneto 17 de Milton). Menos surpreendente, para o leitor assíduo de Daniel, será a componente auto-refencial ou metapoética de quase todos estes poemas. Ao lê-los, fiquei com uma visão do formato dos quatorze versos em tudo comparável com a que Jonas deve ter tido do corpo da baleia. Até os elementos mais intrínsecos da escrita do soneto (como a métrica, a rima, a pontuação, a cesura ou o encavalgamento) surgem nestes poemas sobretudo como mecanismos de análise ou dissecação das potencialidades do formato: não é a escrita que se traveste de soneto, é o próprio soneto que surge despido pela acção da escrita. Num autor que sempre se caracterizou por uma ímpar inventividade lexical e por uma fala árida (não é por acaso que, a páginas tantas, surge o nome de Luís Miguel Nava), Sonótono consegue, ainda assim, ser o seu livro mais difícil e fascinante. Mas apenas será feliz o leitor que, a este livro, aplicar todos os princípios necessários à da visão dos estereogramas.

BENGALEIRO OU HORACIANAS

Físico o tractor quente arremessou
Contra as colheitas de ouro o breu de corvos
Trazendo a noite em ondas de onde andou
De foice afoita, a luz sugando a sorvos.
Modorrento, o vapor da chaminé,
Máquina de fazer nuvens, levando
Ondinas ao empíreo mar, rapé
Da paz entre titãs que ordenhando
Alheias colinas se houvessem mais
Desavindo. Van Gogh ou Fabergé:
Ovos de palha, gemas siderais
Chocados em estrelado canapé.
      Entrar nesta pintura eu queria
      Se à entrada não pedissem a poesia.

(in Daniel Jonas, Sonótono, Cotovia, 2007)

Sincronias assíncronas

Os blogues com comentários são mais enciclopédias do que jornais. Mas enciclopédias inacabáveis, já vencidas da vida nisso de nascer. As suas entradas são actualizadas pelo utilizador, não pela actualidade. Ou dizer melhor: a actualidade consiste na utilização do utilizador, abrindo a enciclopédia à permanente consumação da sua potencialidade, à sua morte e ressurreição no acto de aceitar o comentário. Fogo que não queima, nem gasta, o texto originador.

É o que está a acontecer aqui na casa nalguns casos paradigmáticos, por serem tão diversos:

Um new look para o empresário português?, de 9 de Agosto de 2006, teve um ressurgimento de freguesia a partir de Maio de 2007.
Floribella estraga-se, de 8 de Setembro de 2006, tem sido regular íman para inocentes meninas.
Portugal, queremos “isto”?, de 19 de Abril de 2006, continua a reunir bom vento e boas conversas dos nuestros hermanos e primos.
Not obstante, de 21 de Fevereiro de 2007, recebeu há dias a visita da celebridade em causa, o magnífico Jallapão (ou alguém por ele, tanto faz).

Há outros casos, pontuais. Que irão crescer. Esta enciclopédia não acaba de acabar.

Confissões, VI, 3

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Contrariamente ao que dizia Ruy Belo (e ao que ainda hoje afirmam alguns autarcas), o verdadeiro problema não é o da habitação, mas o de saber respirar. Se Santo Agostinho gabava Santo Ambrósio por este conseguir ler como quem respira («Quando ele lia, os seus olhos esquadrinhavam a página e o coração procurava o sentido, mas a sua voz mantinha-se em silêncio e os lábios e a língua não se moviam»), eu gabo os que respiram como quem lê, isto é, todos aqueles cujo coração jamais se cansa de procurar. O problema da respiração é uma inquietação que herdei do meu pai, que teve de aprender a respirar uma língua nova, quando emigrou para França, aos 48 anos. Foi aprendendo aos poucos, com a necessária dificuldade, a entender de forma pragmática a maioria dos enunciados. De vez em quando, sobretudo quando estava a ver televisão, perguntava a mim ou aos meus irmãos o significado de uma palavra desconhecida. Ele não queria traduções ou perífrases aborrecidas, mas a palavra portuguesa exacta que, na sua ingenuidade, correspondesse à do idioma proibido. Depois, pedia-me para escrever pequenos lembretes que ia acumulando nos bolsos no meio das moedas e dos maços de tabaco. Ele nunca se preocupava em repetir em voz alta as palavras novas que aprendia e há já alguns anos que me assombro com o facto de nunca o ter ouvido dizer uma única palavra em Francês. Quando eu tinha dez anos, chegou a minha vez de aprender a respirar esse «infinito que nos acena de além do mar», de que falava Vergílio Ferreira. Com a minha língua materna, adquiri uma respiração tensa e sôfrega com a qual, malgré moi, ainda hoje me identifico. Com o Português, aprendi a compreender melhor o pudor do meu pai: não é impunemente que se aprende a inspirar a vossa língua e a sentir nos pulmões, em plano suavemente inclinado, a vertigem do mar. Se gosto tanto do Português, não é apenas por essa língua não ser minha, mas por nessa distância lá caber toda a tristeza de me saber de nenhum lugar. O meu corpo é uma desgraça: inspiro frases de um Português límpido e cheio de maresia para depois expirar uma língua tosca na qual nem sequer me será permitido um dia naufragar. Sonho muito com isso, sabem. Respirar água, para depois, finalmente, abrir os braços os pulmões a boca. E conseguir falar.

Obrigado, MPT

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A democracia resiste aos canalhas e às canalhices. Porque a democracia é para todos, canalhas incluídos. Contudo, a democracia depende dos democratas. E eles são poucos, raros. Porque ser democrata é ser valente, ser justo. Como cada um poderá atestar por si, valentes e justos não são fáceis de identificar. Chega a parecer que não existem em lado nenhum.

No caso da marcação das eleições autárquicas em Lisboa para 1 de Julho, estávamos perante uma canalhice, organizada por vários canalhas e tendo a cumplicidade de uma mole deles. Estávamos, assim, num estado de normalidade democrática. Veio, então, o Movimento Partido da Terra lembrar que a democracia pode também ser anormal, onde uma minoria actualiza os fundamentos da justiça. Que tal façanha seja protagonizada pelo partido mais simpático do mundo — pois é o partido de Gonçalo Ribeiro Telles, um português que o Portugal decadente não merece —, é verde sobre azul.

Desarrolhar o Maio

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Da nossa amiga sininho, chegam-nos este texto e imagem:

Desde “sempre” que o mês de Maio tem muito significado para os habitantes de Lagos.

Maio, o mês das flores!

Talvez por isso, e para realçar a sua beleza, as populações locais terão concebido “AS MAIAS” enfeitando com muitas flores, e outros adornos, umas “BONECAS” feitas artesanalmente, e que depois colocavam às portas e às janelas, não só para mostrar as suas habilidades como para que os passantes verificassem que a tradição das “MAIAS” subsistia – o que a todos agradava. A satisfação era tal que as donas das “MAIAS” ofereciam aos mirones o tradicional figo torrado acompanhado de uma boa aguardente de medronho. Ofereciam também deliciosos bolos de miolo de amêndoa que se chamavam “ROLHAS DE MAIO”, que eram muito apreciados e disputados.

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Não é de votar, mas é de aplaudir

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Andou a ser alimentado pela máquina desde o berço político. É o acabado homem do aparelho. Servente dos chefes. Não lhe conheço uma única ideia ou volição. Confesso, António Costa sempre me irritou pela sua pose intelectualmente invertebrada, até tosca. Contudo, Sócrates volta a pensar bem ao sacrificar o braço direito por Lisboa. Sendo tão raro, quase que espanta ver políticos inteligentes.