Casa de Papel

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Gostaria muito que começassem a ler este livro no mesmo estado em que iniciei a sua leitura: na mais pura das ignorâncias. O que me seduziu, quando o vi numa livraria há cerca de um mês, foi o seu aspecto. A Remastered Full-Color Edition de House of Leaves de Mark Z. Danielewski é um objecto que irradia magnetismo: como se a invenção de Gutemberg tivesse esperado mais de cinco séculos para cumprir finalmente nesta obra todas as possibilidades da arte da tipografia. Adquiri assim o livro num impulso de bibliófilo que, até aquele dia, não sabia existir em mim: mesmo que as suas páginas estivessem escritas numa língua que não me fosse inteligível, o livro, enquanto objecto, justificaria a compra. Deve-se olhar primeiro para as páginas desse romance como a mesma inquietação que olhamos para uma pintura. Numa era em que o papel tende a perder a sua importância, o livro de Danielewski é a mais violenta demonstração que conheço do quanto o seu suporte é insubstituível. E foi assim que olhei para as suas páginas, uma a uma, durante uma tarde inteira sem nunca me passar pela cabeça iniciar a leitura. Acabei de o ler hoje de manhã e mais não digo. Porque estou certo que haverão de querer relê-lo um dia no mesmo estado em que finalizei essa primeira e inesquecível leitura.

8 thoughts on “Casa de Papel”

  1. E luzinhas a piscar, tem luzinhas, o livro do Danielewski? É impresso em caracteres de néon? É que eu só compro tipografia fluorescente. Porque, cum raio, já estamos no sec xxi, e não se justifica que ainda se editem livros que não emitem luzinhas.

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