Não é de votar, mas é de aplaudir

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Andou a ser alimentado pela máquina desde o berço político. É o acabado homem do aparelho. Servente dos chefes. Não lhe conheço uma única ideia ou volição. Confesso, António Costa sempre me irritou pela sua pose intelectualmente invertebrada, até tosca. Contudo, Sócrates volta a pensar bem ao sacrificar o braço direito por Lisboa. Sendo tão raro, quase que espanta ver políticos inteligentes.

27 thoughts on “Não é de votar, mas é de aplaudir”

  1. Valupi,

    Desta vez não percebo nada.

    Já sabia que o homem era árido de ideias e de actos. Mas que a inteligência do PM viesse tão rutilamente brilhar nesta escolha, aí está aonde não atingiria.

    Ajudas um atrasadinho, ajudas?

  2. Fernando,

    Percebo eu a tua ansiedade. E, para ilustração geral, aqui vai a Pedra de Roseta: é inteligente mandar António Costa para a luta de Lisboa, pois é a figura mais importante da equipa de Sócrates.

    Continuando com a pedagogia: e por que será inteligente mandar o braço direito para a autarquia lisboeta? Porque a Capital tem um capital simbólico que ultrapassa a dimensão autárquica. O que Sócrates está a dizer ao País é: perante grandes problemas, tomo as melhores decisões, mesmo que sejam as mais difíceis.

    Ninguém questiona a credibilidade política de António Costa. Ninguém lhe exige qualquer tipo de rasgo, mera marca, intelectual. Dele se sabe ser competente (ou, melhor, dele se sabe não ser incompetente… ou, ainda melhor, dele ainda não se conhece a incompetência – podendo nunca vir a conhecer-se, claro) na gestão dos labores políticos, e isso chega. A sua entrada na corrida, neste interim dos dois anos restantes, é estrategicamente avisado para segurar o eleitorado. É uma lógica inevitável num partido de poder como é o PS, partido esse que tem sido superiormente bem chefiado por Sócrates.

    Finalmente, uma singela constatação: desde o grego ao brasileiro, nunca existiu um qualquer Sócrates que não fosse inteligente.

  3. Bem visto Valupi. O Costa portou-se ‘bem’ nos incêndios do ano passado, tendo em conta a inércia da máquina da indústria do fogo que vinha com a pedalada dos anos anteriores. Vamos a ver o berbicacho que o Rui Pereira vai enfrentar, mas como é juiz até estou curioso.

  4. Estes raciocínios deixam os meus neurónios à beira de um colapso… E se, mais simplesmente, para o comum dos mortais, a coisa fosse assim: o PS está tão à rasca de militantes capazes, que tem que tirar um ministro do governo para o pôr na Câmara de Lisboa? É só um ideia. Singela, naturalmente

  5. ana

    É hipótese legítima, claro. E a banalidade da oposição já a apresentou. Mas, porquê achar que seja a mais credível?

    E já agora: o “à rasca de militantes capazes” não será um exemplo de “circulus in demonstrando” (isto é, para os mortais mais comuns, a falácia do raciocínio circular)?

  6. Vamos lá, então, queimar o resto dos neurónios.
    Ele põe o Costa porque está à rasca; ele está à rasca e põe o Costa.
    No seu caso: Lisboa é importante, Costa é importante, logo, Costa para Lisboa.
    Então, mas não havia mais ninguém importante?
    Avanço outra hipótese: talvez o PS esteja CHEIO de militantes tão capazes que o Sócrates quer pôr algum deles no lugar do Costa

  7. ana

    Não havia ninguém mais importante do que o meu primo Costa. Isso é a única evidência para quem está de fora. Por isso usei a figura do “braço direito”, pois António Costa tem sido o mais próximo de Sócrates, tem sido o homem da confiança máxima.

    Haver mais gente importante? Bom, mas haverá alguém que não seja importante? Ou ainda: e que importa? O que importa é que a escolha foi a que foi – ou seja, a escolha não foi a que não foi. Esta lapalissada para concluir: fantasiar ser a decisão da candidatura de António Costa o fruto de uma fraqueza política, é má-fé, e de pouca imaginação.

    E deixo-te um conselho: não estragues os neurónios por tão pouco.

  8. É nestas alturas que eu me zango com a Esquerda… ainda acabamos com o Paulo Portas a presidir a Câmara da capital. Chiça!

  9. Sócrates cometeu um erro, ao despachar sem despacho a dona Helena Roseta. É pela boca que o peixe morre sempre.
    Não quero dizer com isto que ela devesse ser a candidata do PS. Quero dizer que o PS não devia desprezar o que ela significa.
    Sócrates devia ter analisado a possibilidade de coligações à esquerda. Disponíveis, em teoria. E dar assim uma cabazada na direita, que em Lisboa nos tem feito lembrar um terramoto antigo.
    Não me parece muito inteligente mexer no governo, desprezar energias eleitorais, e correr riscos desnecessários. Aparentemente.

  10. Helena Roseta nunca teria lealdade para com Sócrates. Poderia tornar-se indomável, um berbicacho de todo o tamanho para a imagem de Sócrates-chefe.

    Qualquer coligação à esquerda seria sinal de fraqueza para quem conquistou a 1ª maioria absoluta para o PS, e tem vencido todos os desafios políticos, até aqueles onde perde. Está visto que não entendes o homem.

  11. Muito gostam os portugueses de mitificar os políticos: salazar, cunhal, cavaco.. Agora é o Sócrates. Vá lá, o Soares, humano demasiado humano, escapou a isso. Mas será o homem, refiro-me a Sócrates, assim TÃO inteligente? É que pela maneira como tirou o curso nem parece…

  12. py

    Tens toda a razão. E, entretanto, o Sá Fernandes está apenas a ser igual a si próprio. Excelente notícia.
    __

    ana

    Sócrates mitificado? E por ser inteligente? Bom… espero que sim! Seria a prova de que ele foi inteligente até ao fim, coisa que mal não faria a Portugal.

    Quanto a esses portugueses que mitificam Salazar, Cunhal e Cavaco, não os conheço. Mas, a existirem, terão a sua graça.

  13. Valupi
    Terei percebido bem: o facto do candidato, Soares, que o PS de Sócrates apoiou para as presidenciais ter perdido, foi uma vitória?
    A verdade é que se o Sócrates cair e o António Costa não estiver por lá, pelo menos, temos substituto inócuo.

    E agora vem o Manuel Monteiro… são mesmo 7 cães a um osso.

  14. sininho

    O que digo é que as derrotas eleitorais (várias) do PS de Sócrates não afectam a sua popularidade e poder político. Na verdade, o seu carisma só tem crescido. Vamos agora ver qual vai ser o desfecho do caso da licenciatura. Ou ele perde tudo ou continua a crescer. À sua volta não tem concorrência.

  15. António Costa, José Miguel Júdice, Saldanha Sanches, juntos em triunvirato… Os romanos ao menos tinham a Cleópatra

  16. Atarefado, cidade acima, cidade abaixo, dou, quando dou, com um «cyber». E remoo: ou Lisboa está já bem digitalizada, ou não o estará tão cedo.

    O ganho, esse, não deixa dúvidas. É encontrar estas belas, amplas, conversas no Aspirina.

    E sentir saudades da minha mesa de trabalho, lá longe, cyberizada de cima a baixo. Assim, esfomeado, valorizo a fartura.

    Abraços mil.

  17. Fernando,

    Belo postal. Junta aí mais um abraço aos mil.
    __

    py,

    Eu também acho… normal. E jamais votaria naquela matilha. Quanto à Roseta, veremos.

  18. o PS está tão preciso de militantes competentes, que tem que tirar um ministro do Governo(?) para o pôr na Câmara de Lisboa!
    Menos um inteligente!

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