Arquivo da Categoria: VISITAS ANTIGAS:

Al Jazeera para consumo entre infiéis

Aviso do blogger egípcio the big pharaoh:

So Al Jazeera launched its English channel today. I’m telling you that it’s going to be very different from our Al Jazeera. You’re simply not going to get what we have here. Ours is propaganda mixed with sensationalism and I’m sure the Western editors of the English channel are wise enough not to give that to a Western audience who’re accustomed to professional media outlets. So don’t worry you’re not going to get Jihad TV.

Mais um momento Braz & Braz

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A Má Criação tem o prazer de vos apresentar “Dias Eléctricos”, uma obra de Banda Desenhada construída de acordo com um dispositivo algo original. Um só tema, um só argumentista, e sete desenhadores, entre veteranos como João Fazenda ou Jorge Mateus, jovens promessas e estreantes absolutos.
A electricidade é o ponto de partida para as oito histórias que preenchem estes dias; os traços e as formas de contar, radicalmente diversos entre si, representam algumas das rotas que a BD nacional hoje percorre. São 120 electrificantes páginas com capa dura e um preço quase ridículo: apenas 10 euricos!

Podem aqui aceder a uma página de cada desenhador, em PDF:
Armando Lopes
Daniel Lima
Susana Carvalhinhos
Jorge Mateus
Frederico Rogeiro
Tiago Albuquerque
João Fazenda

Contando com apoio da REN, “Dias Eléctricos” promete vir a ser o início de uma colecção de recolhas similares. Assim queira sua majestade, o Mercado (um pouco de graxa aos nossos abonados amigos liberais).

Miguel Sousa Tavares sem rede

Talvez escaldado pela confusão em redor do “colorido narrativo” que foi pescar a obra alheia, Sousa Tavares lançou-se, na sua crónica do “Expresso”, num arriscado voo a solo, sem consultar fontes. E, ao que parece, estatelou-se contra os factos.
Foi o Joaquim Vieira, no indispensável Observatório de Imprensa, que deu pela coisa:
«”A primeira vez que fui aos Estados Unidos foi em 1976, o ano do Bicentennial, estava o país inteiro eufórico com os seus duzentos anos de independência”, escreve hoje Miguel Sousa Tavares no “Expresso”, para acrescentar mais à frente: “E cheguei a tempo de assistir na televisão aos impiedosos interrogatórios da comissão parlamentar de inquérito ao Watergate – autêntica lição prática do que é o sistema de balança de poderes e que culminaria, meses mais tarde, com a renúncia do pantomineiro Richard Nixon”. Ora, o presidente Nixon resignou devido ao Watergate, é certo, mas em 1974, pelo que alguém do “Expresso” devia ter alertado o seu articulista em relação a uma memória algo confusa.»
Mais coisas que talvez uma consulta atempada ao Google tivesse esclarecido: «que não é “Ali Burton” mas sim “Halliburton”, que Rumsfeld não é (nem nunca foi) secretário de Estado mas sim da Defesa, que a Convenção de Genebra não é centenária mas sim cinquentenária e que os EUA não foram “o único país que votou nas Nações Unidas contra o comércio livre de armas de guerra”, mas sim o único que votou contra o controlo desse comércio (ou seja, a favor do tal comércio livre de armas de guerra).»
Como não li a coluna referida, não sei se chegava a acertar em alguma coisa.

PS: já li a coisa e posso confirmar que há alguns acertos. Julgo, por exemplo, que o nome do colunista saiu sem erros.

Ena, ena!

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O Luis, e com ele o Aspirina, ascendeu ao «Diz-se», no Espaço público do «Público». Assim:

“Seria simpático que Santana, como qualquer cadáver político que se preze, se dedicasse mais à decomposição e menos à composição destas rábulas grotescas.”
Luís Rainha

aspirinab.weblog.com.pt, 14-11-06

Nem mais.
Nem menos.

À êga!

Depois de horas às voltas com comentários em triplicado, entradas que não entram, ficheiros que não se actualizam e outras anomalias, declaro-me oficialmente farto. Alguém que me avise quando o weblog, com ou sem Balsemão, voltar a funcionar de forma decente. Até lá, estou em greve.

À atenção de quem imaginou que Cavaco poderia ser um presidente apresentável

Durante a presidencial visita ao Uruguai, ninguém se lembrou de abordar temas económicos, área em que Cavaco teria imenso a dar ao mundo, de acordo com os seus apoiantes. Pior ainda foi que se lembraram de falar de História, descrevendo, por exemplo, a fundação de Colónia do Sacramento por portugueses, ainda hoje reflectida no aparecimento de velhas moedas lusas nas revoltas correntes do La Plata. Resposta profunda de Cavaco Silva, após as delongadas explicações: “ai, este rio é tão castanho!”. O que vale é que a primeira-dama correu de imediato em seu auxílio: “e tão violento!” Isto entre outras aventuras, que meteram, por exemplo, não reconhecer a indumentária de um paisano fardado de soldado português do século XVIII e alguns discursos proferidos em fluente portunhol.
Mas, ao fim de contas, quem é que precisa de cultura geral quando sabe de Economia?

Só para maiores (de 90 anos, ou coisa que o valha)

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Descubro que um novo e trepidante êxito editorial acaba de emigrar da blogosfera para o mundo real. Mais concretamente, uma coisa chamada “O meu ponto G”, oriunda do blogue homónimo.
Encurtando a crítica, que não ha tempo nem pachorra para muito, aquilo mete medo. Uma escrita que gostava de ser erótica mas que se fica pela brejeirice, prosas clonadas dos “contos” da revista “Maria”, lugares-comuns pegajosos repetidos até à exaustão. Rabos “empinados” há 5, só na página de entrada. “Paus” são 10, invariavelmente “duros”. “Ratas” e “ratinhas” formam uma matilha com uma dúzia de alegres convivas.
Aqui vos deixo exemplos um pouco mais extensos, para poderem medir a originalidade e a finura da prosa: “Ao sair de dentro de mim, Felino, os nossos fluidos escorreram pelas minhas pernas, obrigando-me a correr para a casa de banho.” “E chuparei cada pedaço dessa carne só minha, apertá-la-ei nos meus lábios e senti-la-ei a palpitar dentro da minha boca, enquanto engulo o teu leitinho divinal”; “abraçaste-me carinhosamente e assim ficamos, de pé, olhando-nos ao espelho e vendo o lindo casal que formamos…”
“Lindo” é como quem diz. Estamos em presença de um verdadeiro tratado de porno-chanchada, repetitivo, foleiro, piroso, intragável. “O meu ponto G” tenta com vigor enjoar-nos para as delícias do sexo; julgo mesmo que deveria ser leitura obrigatória em seminários e outros locais onde a cópula seja veementemente desencorajada.
Mas quem se lembrou de gastar bom papel neste aglomerado incoerente de paus, ratas e fluidos? Jorge Reis-Sá. Precisamente: o mesmo editor que há uns tempos clamava pelo regresso do “sublime” à poesia lusa, bramando contra quem “a retém nos urinóis”. Ao que parece, a prosa não merece cuidados similares: pode bem ficar presa em boudoirs manhosos.

Mas como? Como é que um tipo destes chega sequer a presidente da junta?

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Santana Lopes continua a efabular cabalas, conspirações e outras malfeitorias. E, supremo exercício de autismo, continua convencido de que Sampaio “fez mal” ao país quando nos livrou do “menino guerreiro” e sua turba de comediantes involuntários. Seria simpático que Santana, como qualquer cadáver político que se preze, se dedicasse mais à decomposição e menos à composição destas rábulas grotescas.

24 meses depois

Há precisamente 2 anos, escrevi isto. Hoje acho-me incapaz de deixar à vista dos demais prosas assim. Não que tenha perdido qualidades enquanto pai deliquescente e sempre babado. Mas perdi por certo qualidades como blogger; a começar pela candura e pela falta de pudor.
Enfim, pode ser que o mau-génio acrescido compense.

Conforme original

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Recebeu-o das minhas mãos e acariciou-lhe, por duas vezes, o “Ne varietur” da capa, como que para o fazer seu (pois naquele nunca tinha tocado) e para se certificar (e a mim) que nada tinha mudado desde que o havia passado para as folhas do Bombarda (receio inusitado, que uma edição “Ne varietur” serve para isso mesmo – atesta que ninguém lhe foi, à sorrelfa, mudar as palavras e os sentires).

Depois de, à segunda vez, ter percebido o nome de quem o interpelava, passou-o para o papel, precedendo-o de um “Para” e preenchendo os espaços vazios, e assinou.

Sem acento no “o” de António.

E, de novo, passou por duas vezes o polegar da mão esquerda no “Ne varietur” da capa.

Descansado, entregou-mo – “o Barrigana continua lá”, disse-me (em azul e sem abrir a boca).

Apontando com os olhos para o “Para” dela, Para Maria Eugénia, a senhora da caixa, ao reparar que também eu levava um “Para”, atirou-me: “É um malandreco, aquele! Não fazia ideia!”.

Depois, sem mos pedir, disse-me que eram vinte e cinco euros.

Aceitando o eufemismo (é uma Bertrand, caramba), entreguei-lhe as duas notas que tinha.

Apressa-te lentamente

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Atravessará Portugal um período de democracia musculada? Não nos vamos tornando, cada dia que passa, um pouco mais críticos da discriminação positiva? Acabará Salazar entre os dez «maiores portugueses», convertido em déspota esclarecido? Não se sentiu você já paralisado numa dupla fidelidade? Enfim, não se escreveu aqui, no Aspirina, que o melhor do Gonçalo M. Tavares era um desleixo estudado?

Sempre os paradoxos me fascinaram. Sobretudo esses assim, apertadamente semânticos. Eles causam, um por um, um curto-circuito mental, uma minúscula confusão, estimulantes e deliciosos.

Um dia pus-me a coleccioná-los, aos mais correntes, e dessa colecção de paradoxos forneci, aí acima, os da letra «D». Ele há-os banalizados, como publicidade negativa (e a reconfortante afirmação de que ela não existe), há-os descaradamente eufemistas, como crescimento negativo, e há-os consagrados, transformados em cultura, como o pessoano título O Banqueiro Anarquista. Aliás, do autor do opúsculo se diz que prezava um fingimento sincero. E é esse Pessoa estuante de engenharia conceptual aquele que mais nos fala, sejamos honestos.

Outros paradoxos são de mais difícil gestão. Eles existem em línguas estranhas (em mentes estranhas, é bem de ver), sem que nos tenham ainda suficientemente ocorrido. Assim, eu gostaria dum correspondente português para o alemão «Schadenfreunde», o prazer na desgraça alheia. Ou para o inglês «selffulfilling prophecy». Ou para o neerlandês «remmende voorsprong», o progresso inibidor, ou o avanço retardante (por exemplo, as primeiras cidades com metropolitano têm também o material mais antiquado). Ou o também neerlandês «plaatsvervangende schaamte», a vergonha pela desvergonha alheia.

Aqui vão mais alguns.

caos organizado
fracasso sublime
imprevisto desejado
(em «Estação», de Nuno Bragança)
indignação selectiva
loucura lúcida
neutralidade colaborante
oposição construtiva
resistência pacífica
susto retroactivo
(num artigo de David Mourão-Ferreira, de 1990)
tolerância repressiva

Se souber de outros, vá dizendo. Ainda acabaremos o que se diz espertos.

Chega-me aí o microfone

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A política – aí está um terreno em que nada me atrai. Suponho-a uma profissão de recurso, para os que não deram coisa que enchesse melhor a vida. Políticos interessantes, não vejo um sequer. E, depois, aquele ar cronicamente stressado, aquela fluência de lugares-comuns, aqueles reflexos tão bem treinados de, fingindo responder às perguntas, ir passando a insensata mensagem. Nada para mim, repito.

Mas, às vezes, em momentos de fraqueza… Sim, vou confessar um secretíssimo anelo: eu apreciaria fazer um discurso no Parlamento. Tal e qual. Mas sem televisões, sem rádios, sem jornalistas. Só para aquelas circulares bancadas, só para aquele espaço imponente e luminoso, só para aqueles 150 escolhidos ouvintes.

Sei que o desejo é vão, e que exprimi-lo é altamente inconveniente. Mas, entre as loucuras mansas, esta pode ter, até, uma misericordiosa cotação.

De resto, não seria – ouso pensar – um completo desatino dar-se, de vem em quando, a um paisano o microfone parlamentar. A voz popular encheria então a vertiginosa abóbada. Não digo que o poder tremesse. O poder não treme. Mas haveria, pelo toque mágico de umas babelas bem esgalhadas, um certo descontrair daqueles rostos.

Fica a sugestão.