Arquivo da Categoria: VISITAS ANTIGAS:

Much Ado About Nothing

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Iraque! Iraque! Iraque! E os Democratas safam-se? E os Republicanos são os únicos culpados? E a Pelosi?! E os Democratas?! E os Republicanos?! E os Democratas?! E os Republicanos?! E o João Miranda?! E o Badaró?! Tanta retórica para um problema cuja solução é por demais óbvia e simples: arranjar mais 350.000 soldados que acabem o serviço mal feito! Como ninguém os vai arranjar….olhem… é não enforcarem o outro e devolverem-lhe a loja.

Momento Braz & Braz

Nenhum animal tem um território tão bem demarcado na nossa imaginação colectiva como o Lobo. O caçador, o habitante de mitos e lendas, mas também o animal acuado, perseguido e deixado à beira da extinção. Todas estas facetas do Lobo surgem em Lobos em Portugal, a última obra de Paulo Caetano e do biólogo Joaquim Pedro Ferreira.
Entre os dados científicos e os ecos de histórias fantásticas que ainda são sussurradas de geração em geração, passado pelos relatos de caçadas antigas e modernas em Portugal, este livro apresenta-nos um retrato preciso mas apaixonado da vida deste predador soberbo nas nossas serranias, ao longo do séculos.
São mais de 230 páginas, ilustradas por centenas de fotografias impressionantes e ainda por vários desenhos de Jorge Mateus. Descrevendo e mostrando um animal de que, afinal, sabemos tão pouco. Para citar o prefácio de Clara Pinto Correia, Lobos em Portugal “é um manancial inesgotável de informação, uma festa para os olhos, e não raras vezes, pois essa é a magia da matéria-prima em análise, quase um obra poética de inspiração luminosa.”

PS: Este título da fenomenal editora Má Criação, segundo volume de uma colecção iniciada em 2005 com “Abutres de Portugal e Espanha”, está já disponível nas livrarias pelo preço quase simbólico de 40 euricos.

Uma ponte sem outra margem

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Durante quase todo o ano de 2004, o documentarista Eric Steel filmou a Golden Gate Bridge, em S. Francisco, não perdendo um minuto de luz diurna. E capturando 23 dos 24 suicídios que ali ocorreram.
O resultado é “The Bridge”, um documentário já estreado no Tribeca Film Festival e fonte de polémica instantânea. Além das imagens de mergulhos para a morte, Steel integrou na sua obra entrevistas com familiares de suicidas, autores de tentativas frustradas e até mesmo sobreviventes à queda de 67 metros.
Esta icónica ponte, a mais longa do seu tipo, é uma das obras de engenharia mais famosas do mundo. A sua beleza suspensa atrai turistas, produtores de posters… e gente em busca de morte rápida e certa. Trata-se do local em todo o planeta onde ocorrem mais suicídios. Em média, cada quinzena traz mais um salto letal; a contagem oficial foi interrompida em 1995, pouco antes do milhar, para que não eclodisse uma corrida à celebridade póstuma (não resultou, diga-se: Eric Atkinson, de 23 anos, foi o infeliz vencedor).
A polémica surgiu, para além do óbvio choque de ver mortes filmadas como se num documentário sobre espécies em vias de extinção, porque o autor falseou a descrição da sua obra ao pedir as licenças necessárias. Para impedir que as notícias das filmagens atraíssem suicidas em busca de estrelato, defendeu-se Steel; evitando recusas mais que certas, contrapõem os críticos. Enfim, teremos de ver o filme para decidir se terá valido a pena mentir para o poder realizar. Note-se entretanto que a equipa de filmagens salvou várias pessoas, alertando em diversas ocasiões as forças de segurança para a presença na ponte de transeuntes suspeitos.
Ao procurar informações sobre o documentário, dei com este fabuloso artigo de Tad Friend, na New Yorker. Só depois descobri que tinha sido a inspiração inicial de Eric Steel. Leiam, que vale bem a pena. A prosa oscila entre o informativo e o pungente, como esta passagem de uma carta de suicídio: “vou caminhar até à ponte. Se uma pessoa me sorrir pelo caminho, não salto”. Mas o testemunho mais relevante para quem esteja a contemplar uma saída antecipada deste mundo é-nos dado por um sobrevivente à queda: “percebi naquele instante que tudo na minha vida que eu via como não tendo remédio era totalmente remediável — excepto o salto que tinha acabado de dar”. Acabou por ter direito a uma segunda oportunidade; algo que nenhuma das “estrelas” involuntárias de “The Bridge” conseguiu.

PS: Este filme sempre serviu para ajudar uma boa causa: depois de anos e anos de discussão, parece que vai por fim ser instalada na ponte uma barreira anti-suicídio.

Venceu a Boa América… a Católica

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Apurados os resultados dos Governadores eleitos para os diferentes Estados temos:

– Católicos – 11 governadores: 4 Republicanos e 7 Democratas;
– Metodistas – 4 governadores: 3 Republicanos e 1 Democrata;
– Baptistas – 3 governadores: 2 Republicanos e 1 Democrata;
– Episcopalianos – 3 Governadores: 2 Democratas e 1 Republicano;
– Presbiterianos – 3 Governadores: todos Democratas;
– Protestantes – 2 Governadores: todos Republicanos;
– Ortodoxo Oriental – 1 Governador: Democrata;
– Mormon – 1 Governador: Republicano.

Parece que a imigração irlandesa, escocesa e latino-americana tem mantido a Boa América num ganho relativo do produto original face à concorrência com as cópias do puritanismo evangélico.
Do lado Judaico, poucos para estarem à altura da fama de dominadores globais, mas suficientemente bons para que 3 Governadores tenham conquistado o melhor da América: Nova Iorque, a histórica Pennsylvania e o Hawaii.
Os Mormons não se estarão a safar muito mas, em todo o caso, o povo do Nevada recusou a legalização da marijuana e, em contrapartida, elegeu um Mormon. À drova leve preferiram a pesada.
Nenhum Governador Luterano eleito.
Constata-se, dos restantes grandes credos, uma manifesta sub-representação do Islão e do Sport Lisboa e Benfica.
Na Georgia venceu um Republicano chamado Perdue.
Foram eleitos três Governadores que se declararam sem religião: um Republicano e dois Democratas. Houve, entre todos os derrotados, quatro que se declararam sem religião: eram todos…Republicanos.

A estes, a tristeza dá-lhes para o delírio

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Quer perceber o que aconteceu nas eleições americanas? Esqueça o NY Times, a CNN, etc. O Insurgente é que sabe: contrariamente ao que os “comentários anti-Bush da nossa comunicação social” insinuam, o verdadeiro culpado da hecatombe republicana foi Mark Foley, não a Administração de George Bush.
Ora passa-se que a Fox News, antes tida como um baluarte dos apoiantes de Bush, deve ter sido comprada pelo Dr. Pinto Balsemão. É que até a direitista emissora, também conhecida como “Faux News”, consegue abrir os olhos para esta realidade: «The 2006 midterm elections were largely a referendum on the Bush administration and the war in Iraq»; «The Congressional elections came down to the war in Iraq, the president who took the country there and an electorate looking for change»; «Those who support the president and the war in Iraq largely voted for the Republicans in their district. Those who oppose the war or who have an unfavorable view of the president typically voted for the Democrat.»
Poder-se-ia ser mais claro? Naturalmente, ninguém diz que cada voto nos Democratas foi uma vergastada em Bush; mas não adianta tapar o Sol com peneira tão esburacada e miserável.

PS: apesar de o nome de Mark Foley ainda constar nos boletins de voto, o seu substituto só perdeu por uma unha negra. Ao que parece, nem na sua circunscrição o “efeito Foley” foi tão devastador como o Insurgente o pinta…

Há nomes que são todo um programa

“Como o Cinema era belo”. O título do presente ciclo de Cinema da Gulbenkian é transparente. “Era”, garante-nos o director da Cinemateca, autor da selecção de 50 grandes filmes que agora ilumina o Grande Auditório da nossa bem-amada Fundação.
Mesmo assim, lá se infiltrou na lista uma magra dezena de obras posteriores à década de 60. Seriam talvez menos, se a Orquestra Gulbenkian não estivesse sem tempo para animar projecções de filmes mudos. No entanto, a falta de música ao vivo poderia ter sido facilmente ultrapassada. Bastaria para tal um guitarrista e uma voz. A banda sonora, bem ao estilo de Bénard da Costa, seria apenas esta, claro: “Ó tempo, volta para trás”.

Relendo Hans Morgenthau # Política e Moral

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Political realism refuses to identify the moral aspirations of a particular nation with the moral laws that govern the universe. As it distinguishes between truth and opinion, so it distinguishes between truth and idolatry. All nations are tempted-and few have been able to resist the temptation for long-to clothe their own particular aspirations and actions in the moral purposes of the universe. To know that nations are subject to the moral law is one thing, while to pretend to know with certainty what is good and evil in the relations among nations is quite another. There is a world of difference between the belief that all nations stand under the judgment of God, inscrutable to the human mind, and the blasphemous conviction that God is always on one’s side and that what one wills oneself cannot fail to be willed by God also.

Intellectually, the political realist maintains the autonomy of the political sphere, as the economist, the lawyer, the moralist maintain theirs. He thinks in terms of interest defined as power, as the economist thinks in terms of interest defined as wealth; the lawyer, of the conformity of action with legal rules; the moralist, of the conformity of action with moral principles. The economist asks: “How does this policy affect the wealth of society, or a segment of it?” The lawyer asks: “Is this policy in accord with the rules of law?” The moralist asks: “Is this policy in accord with moral principles?” And the political realist asks: “How does this policy affect the power of the nation?” (Or of the federal government, of Congress, of the party, of agriculture, as the case may be.)

This realist defense of the autonomy of the political sphere against its subversion by other modes of thought does not imply disregard for the existence and importance of these other modes of thought. It rather implies that each should be assigned its proper sphere and function. Political realism is based upon a pluralistic conception of human nature. Real man is a composite of “economic man,” “political man,” “moral man,” “religious man,” etc. A man who was nothing but “political man” would be a beast, for he would be completely lacking in moral restraints. A man who was nothing but “moral man” would be a fool, for he would be completely lacking in prudence. A man who was nothing but “religious man” would be a saint, for he would be completely lacking in worldly desires.

[Hans J. Morgenthau, Politics Among Nations: The Struggle for Power and Peace]

Bem-aventurados os homens de Fé…

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O insurgente Helder acaba de deixar numa das nossas caixas de comentários uma divertida e reveladora pregação: “Se você comparar a acção de Tony Blair ou da Greenpeace com a da Toyota, fácilmente concluirá que a segunda faz muito mais pelos objectivos de redução de emissões que os primeiros. E isso tem um nome: capitalismo.”
A Fé nos mercados e nas empresas há-de levar esta malta ao Céu. Mas descamba por vezes numa comicidade irresistível.
O santo Helder está mesmo convencido de que colossos industriais como a Toyota se dão ao trabalho de investigar novas tecnologias e alterar processos de fabrico, criando produtos menos nocivos para o Ambiente… apenas movidos pela bondade intrínseca dessa acção! Já encontrei testemunhas de Jeová menos crédulas em milagres e outras divinas intervenções.
Se não receasse abalar profundamente as fundações mágicas do reino de fantasia do bom Helder, talvez lhe explicasse que está a ver tudo ao contrário: os fabricantes de automóveis fabricam carros cada vez menos poluentes em resposta aos regulamentos cada vez mais exigentes que alguns países vão adoptando. E preparam-se já para as restrições ainda mais draconianas que se adivinham ao virar da esquina. Quanto aos governos, como o de Tony Blair, grande parte da sua motivação para intervir neste campo vem da pressão da opinião pública; e aqui fica explicado o papel que organizações como a Greenpeace (por sinistras que sejam) têm nesta tendência.

Mas não digam nada ao Helder. Deixem-no continuar emigrado no seu lindo mundo, onde a indústria automóvel acolhe com um sorriso estas imposições (como já o fez quanto aos airbags, por exemplo), os produtores de guloseimas protegem a saúde das crianças e as tabaqueiras reduzem de moto próprio a nicotina nos seus produtos e ainda os decoram com simpáticos avisos. Tudo para bem do Homem e do seu Deus Único, o Mercado.