Miguel Sousa Tavares sem rede

Talvez escaldado pela confusão em redor do “colorido narrativo” que foi pescar a obra alheia, Sousa Tavares lançou-se, na sua crónica do “Expresso”, num arriscado voo a solo, sem consultar fontes. E, ao que parece, estatelou-se contra os factos.
Foi o Joaquim Vieira, no indispensável Observatório de Imprensa, que deu pela coisa:
«”A primeira vez que fui aos Estados Unidos foi em 1976, o ano do Bicentennial, estava o país inteiro eufórico com os seus duzentos anos de independência”, escreve hoje Miguel Sousa Tavares no “Expresso”, para acrescentar mais à frente: “E cheguei a tempo de assistir na televisão aos impiedosos interrogatórios da comissão parlamentar de inquérito ao Watergate – autêntica lição prática do que é o sistema de balança de poderes e que culminaria, meses mais tarde, com a renúncia do pantomineiro Richard Nixon”. Ora, o presidente Nixon resignou devido ao Watergate, é certo, mas em 1974, pelo que alguém do “Expresso” devia ter alertado o seu articulista em relação a uma memória algo confusa.»
Mais coisas que talvez uma consulta atempada ao Google tivesse esclarecido: «que não é “Ali Burton” mas sim “Halliburton”, que Rumsfeld não é (nem nunca foi) secretário de Estado mas sim da Defesa, que a Convenção de Genebra não é centenária mas sim cinquentenária e que os EUA não foram “o único país que votou nas Nações Unidas contra o comércio livre de armas de guerra”, mas sim o único que votou contra o controlo desse comércio (ou seja, a favor do tal comércio livre de armas de guerra).»
Como não li a coluna referida, não sei se chegava a acertar em alguma coisa.

PS: já li a coisa e posso confirmar que há alguns acertos. Julgo, por exemplo, que o nome do colunista saiu sem erros.

13 thoughts on “Miguel Sousa Tavares sem rede”

  1. Acertou numa coisa: na sua própria credibilidade como comentador.

    E não foi apenas nessa crónica, mas noutras que cheguei a apontar.
    Finalmente, parece que alguém se digna apontar a nudez da verdade, sob o manto diáfano da fantasia.

  2. chi!, o amador de touradas desta é que levou mesmo com bandarilhas espetadas. Está a sangrar. Cá se fazem…

    PS1: não tira que continuo a dizer que gostei de ler o Equador

    PS2: noutro dia vi-o na TVI, é raro eu ver tv, está feio e inchado que me faz lembrar o triunfo dos porcos, porque um bode é muito melhor. Bom os porcos também se abatem, com muita guincharia aliás, e eu sou gamado em torresmos, presunto e enchidos.

  3. Eu li o referido artigo do MST. Um artigo brilhante, diga-se. Aliás, todos os atigos de MST são excelentes.
    Todas essas coisas que Joaquim Vieira fala, em nada beliscam a força do artigo.

  4. Eu estou de acordo com o seda 130, o artigo é muito simpático, tirando o facto (menor) de não acertar em nenhum dado factual, e ter alguns erros de cultura geral.Mas,volto a repetir, para texto de Miguel Sousa Tavares,está muito bom.

  5. Bom Luís, valendo o que vale, a primeira das Convenções de Genebra parece ser mesmo centenária, mesmo que não em uso hoje em dia. Ou seja, a noção dos tratados que é regularmente chamada de “Convenção de Genebra” (assim mesmo, no singular), parece datar de 1864.

    Por outro lado, segundo a mesma fonte, a que está actualmente em vigor (a quarta), data de 1949 e é realmente pouco mais que cinquentenária.

    Pode ser que este não seja exactamente um erro para lá do de precisão absoluta. Já bastam, creio, os outros.

    A fonte, está claro, foi a Wikipedia:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Geneva_Conventions

  6. João André,

    Sem querer ser picuinhas e teimoso, que o texto original nem sequer é meu, sempre digo que que o MST, ao escrever “fez tábua rasa da centenária Convenção de Genebra sobre o tratamento dos prisioneiros de guerra” só pode estar a falar da terceira Convenção, pois as duas anteriores diziam respeito a feridos, doentes e náufragos, não especificamente a prisioneiros de guerra, como é o caso da seguinte.

  7. Lendo aquele comentário do Py só tenho a dizer-lhe: Você é um infantil, deprimente e bem invejoso. Contente-se com a sua língua de porco e pare de falar nos outros.

    Acerca desse artigo digo que errar é humano e o Miguel Sousa Tavares, por muito Bom que seja, também o é. Logo, tem TODO direito de errar. E muitas das vezes escrevemos coisas para os jornais e eles colocam lá erros, como se fosse dificil de perceber a escrita.

    E sim, concordo com quem disse o “tens muito que pedalar ” … Para chegar aos calcanhares dele, é preciso bastante.

    beijo *

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