Chega-me aí o microfone

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A política – aí está um terreno em que nada me atrai. Suponho-a uma profissão de recurso, para os que não deram coisa que enchesse melhor a vida. Políticos interessantes, não vejo um sequer. E, depois, aquele ar cronicamente stressado, aquela fluência de lugares-comuns, aqueles reflexos tão bem treinados de, fingindo responder às perguntas, ir passando a insensata mensagem. Nada para mim, repito.

Mas, às vezes, em momentos de fraqueza… Sim, vou confessar um secretíssimo anelo: eu apreciaria fazer um discurso no Parlamento. Tal e qual. Mas sem televisões, sem rádios, sem jornalistas. Só para aquelas circulares bancadas, só para aquele espaço imponente e luminoso, só para aqueles 150 escolhidos ouvintes.

Sei que o desejo é vão, e que exprimi-lo é altamente inconveniente. Mas, entre as loucuras mansas, esta pode ter, até, uma misericordiosa cotação.

De resto, não seria – ouso pensar – um completo desatino dar-se, de vem em quando, a um paisano o microfone parlamentar. A voz popular encheria então a vertiginosa abóbada. Não digo que o poder tremesse. O poder não treme. Mas haveria, pelo toque mágico de umas babelas bem esgalhadas, um certo descontrair daqueles rostos.

Fica a sugestão.

5 thoughts on “Chega-me aí o microfone”

  1. “Políticos interessantes, não vejo um sequer.”

    A política, a mim, tal e qual a conheço, também não me atrai.

    Mas tenho de discordar quando diz ser “profissão de recurso”.
    Sendo de Coimbra, tendo tido alguma proximidade à Academia (enquanto trabalhei na RUC – Rádio Universidade de Coimbra) e conhecendo algumas pessoas que pertencem ou já pertenceram às listas candidatas à Direcção Geral da UC, pude verificar que, de facto, há pessoas que gostam realmente de todo aquele mundo!

  2. O «gostarem» os políticos do seu modo de vida, o gostarem mesmo muito, nada resolve. Muitos loucos também são felizes nos manicómios. Até com as suas, muito lúcidas, razões.

  3. Partindo da hipótese que todos os deputados são políticos (?) e ao abrigo da poupança do Estado não faria sentido reduzir o seu número, digamos, a metade?
    Será que se iria notar muito no que produzem?
    Não será que temos já deputados a mais?

  4. Comentários? Apenas um! Eu também gostaria de lhes fazer um Dicurso. O pior, é que ía “Democraticamente” preso! Estes Cavalheiros, no pior sentido da palavra Cavalheiro, (que creio no bom sentido haver poucos já em Portugal), vivem do nosso trabalho, dos nossos Impostos, da nossa paciência… Já me faz lembrar um desabafo que em tempos ouvi: se soubesse que tinha uma doença terminal, metia-me num Avião, em dia Solene em S. Bento, e despenhava-me sobre S. Bento! Só se perdia o Monumento!” Choca-me a mim, Português de trabalho,de Alma e de Raça, ver esse conjunto de analfabetos juntos, a viver à nossa custa. Até quando, Senhor? Que nome se dava antigamente àqueles senhores que viviam à custa de uma mulher? A Pátria, é uma MULHER! Uma MULHER de bem, com filhos descastados!

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