Conforme original

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Recebeu-o das minhas mãos e acariciou-lhe, por duas vezes, o “Ne varietur” da capa, como que para o fazer seu (pois naquele nunca tinha tocado) e para se certificar (e a mim) que nada tinha mudado desde que o havia passado para as folhas do Bombarda (receio inusitado, que uma edição “Ne varietur” serve para isso mesmo – atesta que ninguém lhe foi, à sorrelfa, mudar as palavras e os sentires).

Depois de, à segunda vez, ter percebido o nome de quem o interpelava, passou-o para o papel, precedendo-o de um “Para” e preenchendo os espaços vazios, e assinou.

Sem acento no “o” de António.

E, de novo, passou por duas vezes o polegar da mão esquerda no “Ne varietur” da capa.

Descansado, entregou-mo – “o Barrigana continua lá”, disse-me (em azul e sem abrir a boca).

Apontando com os olhos para o “Para” dela, Para Maria Eugénia, a senhora da caixa, ao reparar que também eu levava um “Para”, atirou-me: “É um malandreco, aquele! Não fazia ideia!”.

Depois, sem mos pedir, disse-me que eram vinte e cinco euros.

Aceitando o eufemismo (é uma Bertrand, caramba), entreguei-lhe as duas notas que tinha.

8 thoughts on “Conforme original”

  1. Se a contrapartida de escreveres menos fossem textos como estes, aceitava de bom grado que escrevesses uma vez por ano.

  2. parabéns pá, obrigaste-me a esquentar os neurónios e a gastar mielina, (até ao google fui) mas gostei. Boa semana ou coisa assim…

  3. Não sei se é muito «à maneira de» (talvez tenhas que trabalhar ainda a coisa), mas pela intenção fui lá. Bem apanhado, Afixe.

  4. Parodiar, no máximo, Fernando. E mais com as ambiências. Nada de querer fazer a coisa à “maneira de”. Teria, realmente, que comer muita sopinha.

    py: mas deu para perceber que é da Margarida Rebelo Pinto que se trata? :)

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