Less social media makes you happier and more efficient at work
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Prescrição de contato com a natureza para a saúde física e mental
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Eating meals early could reduce cardiovascular risk
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Apes remember friends they haven’t seen for decades
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Creativity in the age of generative AI: A new era of creative partnerships
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Artificial intelligence can predict events in people’s lives
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Public opinion polls may not be as straightforward as you think
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Arquivo da Categoria: Valupi
Dominguice
Para quem ainda se lembra da histórica emissão da TSF no incêndio do Chiado, em 1988, e que depois passou uns 20 anos com o hábito de acordar com a TSF, e com a TSF ir para a faculdade e para o emprego, a perspectiva de esta estação de rádio vir a desaparecer surge como uma perda pessoal. Até à compra pelo Marco Galinha, em 2020, a TSF continuava a ser um dos raríssimos meios de comunicação social onde o editorialismo não afectava o noticiário. Apesar de ter tido directores com agenda política (sempre laranja), ou mera preferência militante (laranja sempre), o corpo redactorial produzia conteúdos que respeitavam o que de melhor o código deontológico do jornalista coloca como ideal. Algo aparentemente simples de servir ao público: “Just the facts, ma’am”. A presença de Fernando Alves, verdadeiro artista da recriação poética do poder da rádio como experiência de intimidade através dos sons da palavra, igualmente conferia à TSF um estatuto único onde conviviam a feérica atenção à actualidade com o respiro de uma tradição arcana de fazer rádio. A crescente e imparável digitalização da sociedade, com o inerente hibridismo de linguagens mediáticas, permitiu uma fluída e enriquecedora transição para o modelo de rádio pós-antenas. Parecia ter tudo para ficar como património nacional do que o jornalismo deve ser, não parece que vá resistir ao dinheiro e à falta dele.
Ou o Estado financia o jornalismo como serviço público ou um investidor interessado nesse paradigma terá de compreender que a informação e a opinião não valem nada, por existirem em excesso. O que vale, o que merece ser pago, é a coragem da integridade e a cultura da inteligência.
Que pena a sonsice tratante não pagar imposto
«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confessou esta quinta-feira que estava já a pensar em bater, com António Costa, "o recorde de ter um só primeiro-ministro durante dez anos" e lamentou que o destino não tenha querido que assim fosse, dado que o líder do Governo está demissionário. Na apresentação de cumprimentos de Natal em Belém, a última de Costa enquanto primeiro-ministro, o Presidente da República revelou até que tinha "uma fórmula" para o que pensava que seria ainda o futuro político comum aos dois, que "estava convencido de que ia durar mais tempo".»
Exactissimamente
Passos Coelho corta 3500 milhões a reformados e funcionários https://t.co/iZnr2CXdlL indecente e má figura .
— Isabel Moreira (@IsabelLMMoreira) December 21, 2023
Perguntas simples
Corrigindo Marina Costa Lobo
«As atitudes populistas em Portugal estavam difundidas há anos. Temos inquéritos que comparam Portugal com outros países onde os partidos de extrema-direita têm muito mais peso, e as atitudes dos cidadãos não eram substancialmente diferentes. Os cidadãos portugueses eram tão populistas, ou mais populistas, do que os de outros países. A diferença é que não havia oferta partidária, não havia um partido que representasse essas atitudes.»
Falso. Existia oferta partidária para o populismo larvar antes do Chega. Esquecendo o PCP (cujo populismo está subjugado pela identidade partidária vivida como religião messiânica), constatou-se no PSD, logo desde 2004 com Santana Lopes, que o principal partido da direita portuguesa abdicava de elaborar projectos de governação (como com Cavaco) e de ter líderes a jurar missão de vida (como com Durão). Em vez disso, apareceram pela primeira vez em Portugal as campanhas negras imitadas dos EUA. Santana apostou em conspurcar o adversário, não em encantar ou sequer convencer o eleitorado. Há racionalidade nessa opção, dada a sua inferioridade política na comparação com Sócrates nesse contexto, mas o custo afectou todo o regime, alterando a qualidade das interacções no sistema político e começando a dissolver a comunidade. Foi assim que Santana promoveu pessoalmente os boatos lançados pela sua máquina de campanha sobre uma burlesca relação homossexual entre Sócrates e Diogo Infante. Foi assim que Santana deu luz verde para se lançar e explorar o caso Freeport. A partir daqui, o PSD jamais viria a abandonar a pulsão de judicializar a política, e depois de politizar a Justiça — mecanismos centrais no populismo da extrema-direita.
Ferreira Leite foi escolhida em 2008 para presidir ao PSD por duas razões: (i) Passos Coelho nessa altura era apenas um tipo jovem e bem parecido mas oco e estouvado, em quem Cavaco não confiava; (ii) a Manela era a personagem ideal para Cavaco poder interferir nas eleições de 2009, usando o PSD como instrumento da estratégia de Belém. A campanha que fizeram foi abertamente de assassinato de carácter (o “falar verdade”) e judicialização da política, usando o Face Oculta e a Inventona de Belém para cobrirem o Governo, o PS e, especialmente, o primeiro-ministro de suspeições de crimes gravíssimos, inauditos. Ferreira Leite, passando numa ocasião em Aveiro (o centro da espionagem a Sócrates), chegou a fazer declarações sobre o seu medo de poder estar a ser escutada pelo Governo. Há mais do que ironia, ou espanto, na avaliação desta atitude. Há a identificação de um potencial sinal relativo ao que ela conhecia acerca do que estava a acontecer ao seu adversário.
Logo em 2010, logo depois de se tornar presidente do PSD, Passos sugeriu explicitamente que apoiava a ideia de se condenarem judicialmente governantes por causa das suas opções políticas. Esta bandeira populista por excelência viria a ter concretizações variadas. Por um lado, é o substrato do futuro discurso castigador sobre os “piegas”, “a zona de conforto”, a “seleção natural”, “ir além da Troika”, etc. Por outro lado, é a semente da invenção de Ventura como artista populista, fenómeno que ocorreu por iniciativa e apoio de Passos. Meter Ventura em Loures, em 2017, foi o que ocorreu ao líder do PSD de então para abrir uma frente de crescente extremismo com um PS suportado pelo PCP e BE. Ele sabia que Ventura iria ensaiar pela primeira vez em Portugal um discurso retintamente populista com a chancela de um partido fundador do regime democrático. O Pedro sabia disso, o Pedro queria isso.
As declarações de admiração por Passos de Ventura, e de legitimação de Ventura por Passos, têm-se sucedido desde o nascimento do Chega. Ainda mais significativamente, a retórica “contra a corrupção” e o fetichismo com Sócrates não foram invenção de Ventura, já tinham mais de 15 anos de sistemática exploração pela direita partidária e mediática. 15 anos em que a degradação das instituições, em que o culto do “andam todos a roubar” e “os governantes são criminosos”, foi obra de políticos e ex-governantes da área do PSD e CDS.
Donde, estás parcial mas substantivamente errada, Marina.
Vamos lá a saber
Começa a semana com isto
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New Theory Claims that Identity Resides in the Human Genome and is Compatible with Cognitive Perspectives of ‘Self’
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Dominguice
José Luís Carneiro apoiou Seguro contra Assis em 2011, e de novo em 2014 contra Costa. Isto parecia-me uma certidão de óbito para o futuro político do senhor, confirmada pelo seu perfil mediático discretíssimo e reforçada com o episódio do telefonema para a administração da RTP aquando da polémica com um desenho animado da autoria de Cristina Sampaio: “Carreira de Tiro”. Aparecendo como rival do antecipado vencedor Pedro Nuno Santos na corrida a secretário-geral do PS, foi tratado como figurante no espectáculo da vedeta barbuda, destinado a rapidamente sair do palco sem deixar saudade nem lembrança. Terminada a votação, conhecidos os resultados e, especialmente, atendendo ao que descobrimos do candidato a primeiro-ministro José Luís Carneiro, impõe-se um desagravo: pode ser ele o sucessor de Pedro Nuno Santos, assim tenha saúde e vontade quando tal oportunidade surgir. Porque o principal poder político foi demonstrado, isso de inspirar confiança para liderar uma governação competente e responsável.
O que prova outra coisa. Coisa terrível. A evidência de o PS ter excelentes quadros, vários potenciais grandes líderes, muitos recursos humanos para ocupar diferentes funções governativas com eficácia à altura das necessidades. E a evidência de o PSD ser um deserto na comparação. E de a restante oposição ser quase toda um circo, um zoo ou um covil no que toca a qualidade política.
Lucília sem papas na língua
«“Estão hoje também bem patentes as profundas e entrecruzadas raízes dos ataques desferidos a uma magistratura com provas dadas e que permanecerá inquebrantável e incólume a críticas desferidas por quem a visa menorizar, descredibilizar ou mesmo, ainda que em surdina ou subliminarmente, destruir”, afirmou Lucília Gago.
“É de lamentar e de refutar abordagens bipolares que tanto parecem enaltecê-lo como quando fustigado por vendavais, que incidem e impacientam certos alvos de investigações, o passam a considerar altamente questionável e inoperante, clamando por redobradas explicações nunca suscetíveis desse ponto de vista de atingir o limiar da suficiência”, acrescentou.»
Temos uma procuradora-geral da República que se permite fazer declarações públicas onde lança para o ar a suspeita de haver quem queira “menorizar, descredibilizar ou mesmo, ainda que em surdina ou subliminarmente, destruir” o Ministério Público — e o Carmo e a Trindade nem sequer tremem de frio. É um discurso político, com tripla finalidade: (i) tribal, falando para dentro ao garantir que vai continuar a defender os prevaricadores; (ii) persecutório, ameaçando com represálias maximalistas quem ouse vocalizar críticas às acções dos procuradores; (iii) terrorista, espalhando alarmismo estapafúrdio e canalha.
Lucília Gago, portanto, está na posse dos nomes daqueles que querem destruir o Ministério Público. Destruir. Não só menorizar, não apenas menorizar e descredibilizar. Destruir. Ou seja, desfazer, demolir, arrasar, exterminar a tal magistratura “com provas dadas”. Não seria, então, seu óbvio e indelével dever denunciar esses tão perigosos inimigos da Justiça, da Constituição, da República, da democracia, da liberdade? Como pode o regime, as instituições, o sistema partidário continuar a funcionar como se uma das mais importantes magistradas em Portugal não tivesse alertado a Grei para uma ameaça existencial à sua continuidade como Estado de direito democrático?
Acontece que ninguém liga. A técnica consiste em ficar calado, deixar passar. Porque não há em Portugal, verdadeiramente, uma singular figura política interessada em acabar com os crimes cometidos por procuradores. Acabar? Corrijo: não há em Portugal uma singular figura política, ou jornalística, interessada sequer em denunciar os crimes cometidos por procuradores. Lucília Gago sabe bem com quem está a lidar.
Estado de negação colectivo
A transformação de Rui Rio num herói do combate a um Ministério Público disfuncional e criminoso expõe luminosamente o estado de negação colectivo que, na inconsciência e impotência que provoca, é o que permite a disfunção e os crimes na Justiça.
Sim, Rio mandou umas bocas assanhadas contra os procuradores-gangsters e tentou um pacto para a Justiça cuja singular medida relativa ao abuso de poder consistia em alterar a composição dos conselhos superiores. Se tal chegaria para acabar com a devassa, se tal faria qualquer diferença, é outra discussão. Mas Rio é a mesma vácua personagem que escolheu o caluniador Paulo Rangel para liderar a campanha das europeias em 2019. Rio é a mesma triste figurinha que tratou Azeredo Lopes como culpado no caso Tancos, Costa como seu cúmplice, e isto em cima da ida às urnas em Setembro de 2019. Rio é o trágico banana que não teve estaleca para impedir Ventura de contaminar o PSD e o regime.
Não, pá, este fulano não é herói de coisa alguma.
O Pacheco não é parvo
Quando não há provas suficientes, faz-se fugas de informação ou faz-se aquelas cenas de buscas sistemáticas. E isto é que é uma prática que, podendo ser legal no limite, é uma prática inaceitável do ponto de vista da democracia. É uma prática que inquina a vida pública. Implica em muitos casos abuso de poder. Porque muitas vezes a atitude é esta: "Tenho indícios". O que é que são indícios?...
*_*
Que é sempre uma forma que tem efeitos na opinião pública, porque é sempre uma maneira de dizer que não há fumo sem fogo. Portanto, se o Ministério Público faz estas coisas é porque há fogo.
*_*
Vá lá ver... Eu não sou jurista, mas não sou parvo. Quando digo não sou parvo é no sentido do senso comum. Quer dizer, a gente vê coisas e o senso comum implica interpretá-las. Eu não acho que isto seja a mesma coisa de um primeiro-ministro andar desconfiado dos bancos, e andar com maços de notas entregues por um motorista, do que aqui se veio a saber. Portanto, eu faço distinções, e distinções a partir do que se conhece publicamente.
Pacheco Pereira, 3 de Dezembro
Pacheco Pereira é um cidadão com crescente poder político e mediático desde os anos 80. Abandonou a política activa em 2011, continuando militante do PSD, sendo há uns bons trinta anos um dos mais prolixos e influentes dos comentadores políticos. Embora seja designado como historiador, graças às suas investigações e obras de diferente tipologia nessa área de estudo, a sua formação académica foi em Filosofia. Tem como marcada característica comportamental achar que sabe tudo acerca do passado, do presente e do futuro da humanidade. Estes os predicados para o considerar a mais donosa das vedetas da indústria da calúnia.
Porquê? Porque são incontáveis as suas declarações, textos, posições políticas e cívicas com as quais não só é fácil concordar mas que até apetece aplaudir, louvar, mandar a cartola pelos ares no júbilo de assinar por baixo. Como aqui — A ideologia antidemocrática do justicialismo — cuja versão oral televisionada se encontra acima ligada. Este é o Pacheco em versão Dr Jekyll, promovendo a salubridade do regime, do espaço público e da comunidade. Só que logo depois, no caso acima citado com uma diferença de poucos minutos, aparece o Pacheco em versão Mr Hyde. Neste papel, a sua obsessão com Sócrates tolda-lhe o juízo, implode o seu edifício moral, arrasa a sua ética, e a pulsão assassina comanda-lhe a motivação.
Veja-se do que é capaz. Começa por reconhecer que o Ministério Público comete abusos de poder a coberto da figura dos “indícios”. Admite que o Ministério Público é autor de fugas de informação quando não consegue obter provas. Explica que essas fugas de informação, sob a capa de serem “indícios”, funcionam na opinião pública como provas da culpabilidade dos visados por causa da autoridade institucional do Ministério Público. E, de repente, num rebate de consciência, sente necessidade de excluir a Operação Marquês da lógica da sua crítica, apesar desse processo ser histórica e exemplarmente adequado a ilustrar tudo o que tinha acabado de denunciar. Exclusão que não pode sustentar pelos factos, o que leva a sua dissensão cognitiva a agarrar-se à mais infantil imbecilidade no afã de manter a sua identidade de Torquemada do Sócrates. Ao invocar o “senso comum” como critério interpretativo para avaliar partes soltas e esconsas de um caso com a complexidade homérica da acusação a Sócrates, o Pacheco desmente-se a si próprio. Assume aliviado o seu lugar no rebanho que pasta o que o Ministério Público abusador do poder, literalmente criminoso, quer que ele engula.
Este suicídio da sua honestidade intelectual é o fruto podre de o Pacheco se ter servido de todos os abusos, e crimes, fornecidos pelo Ministério Público aquando da operação Face Oculta. Então, o Pacheco era o general de campo do tandem Ferreira Leite-Cavaco, e o PSD e o Presidente da República serviram-se abertamente da espionagem feita a um primeiro-ministro. Falhada essa intentona, a dois meses das eleições foi lançada a Inventona de Belém. E na última semana de campanha, quando já era pública a farsa montada por Cavaco, o Pacheco apareceu frente às câmaras a profetizar que estaria para breve a revelação de graves crimes cometidos pelo Governo socialista. Meses mais tarde, o mesmo Pacheco iria chafurdar nas escutas a Vara e Sócrates, mais uma vez aparecendo frente às câmaras a garantir que elas tinham indícios de crimes sortidos, embora não tivesse dado a mínima explicação acerca do que caluniosamente denunciava. João Oliveira, deputado do PCP que ouviu o mesmo material captado na espionagem, disse que não havia ali nada com relevância criminal.
Ou seja, o Pacheco afinal é cá dos nossos. Tem dois pesos e muitas medidas. Em competição eleitoral, vale tudo, e um Ministério Público abusador e criminoso a favor do laranjal torna-se de uma utilidade preciosa para cobardolas e pulhas. Ele limitou-se a aproveitar as vantagens ao dispor na ocasião. Fora desses transes, há que trabalhar para a fantasia de ser um impoluto e sapiente senador da República. O paladino da moral, da decência e dos bons costumes, tais como se elaboram a partir da magnífica biblioteca da Marmeleira. É que ele não é parvo, é apenas um tipo que troca a filosofia pelo senso comum quando não resiste a mergulhar de cabeça no justicialismo.
Exactissimamente
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NOTA
Até parece que Deus, ou um deus qualquer, existe. E que tem tão pouco para fazer, ou que é tão misteriosamente perverso, que ocupa os seus poderes a dar lições de teodiceia irónica a este e àquele. No caso, a António Costa. O qual foi exímio, em 2014, a colocar o PS como mero espectador do auto-de-fé que consumiu Sócrates na Justiça, na comunicação social e no povoléu. O mantra dessa atitude que se cristalizou como estratégia foi o ambivalente chavão “à política o que é da política, à justiça o que é da justiça”. Num primeiro nível de leitura, estamos perante a descrição superficial da teoria da separação de poderes, paradigma do Estado de direito democrático. Pensando três a quatro segundos no que está a ser dito, a sentença esgota-se num eufemismo de alta eficácia pragmática. Confrontado com a imparável e ubíqua perseguição onde o tema Operação Marquês é arma de arremesso contra o PS, Costa, em vez de responder a jornalistas e adversários políticos com um genuíno “Não me fodam com o Sócrates. Deslarguem-me, caralho”, solta o foguete de sinalização “à justiça o que é da justiça” e continua o seu caminho sem ser atingido pelos mísseis da pulharia. Quando todos já estavam convencidos de ser impossível abatê-lo por esse flanco, eis que um parágrafo-guilhotina teclado pela procuradora-geral da República o decapitou no patíbulo de Belém. Divina graça: à justiça o que é da golpada política.
Não gostei de ver o PS refém dos criminosos com títulos de procuradores, juiz e jornalistas — factual e caudalosamente criminosos — mas é evidente que para Costa não havia alternativa ao abandono do tal ex-secretário-geral prisioneiro em Évora. Por estas duas incontornáveis razões: (i) Sócrates poderá vir a ser condenado por um ou vários crimes (quase 10 anos depois da sua detenção, não fazemos ideia do desfecho do processo); (ii) a menos que o PS decidisse abdicar de tentar conquistar o poder, a única via disponível, no meio do linchamento social e institucional do mais odiado e diabolizado socialista, era a da contenção dos danos recorrendo a uma implacável impiedade política contra a vítima. Sócrates leu, e correctamente, essa escolha como uma traição pessoal. Mas Sócrates não tem a razão toda.
Ainda não chegou o tempo de se fazer a avaliação moral e política de Sócrates, haja ou não condenações em tribunal. Por enquanto, dada a histórica violência que se abateu sobre ele, e através dele sobre a comunidade, o tempo é para essa luta que preenche o seu texto acima disponível. Subir às muralhas da cidade e defendê-la dos invasores. Infelizmente, como recorda a propósito de Mário Soares e do seu papel fundador na democracia liberal que desfrutamos, o PS há muito que não se vê nas barbacãs onde se faz frente aos mais poderosos inimigos da liberdade — actualmente, aqueles a quem entregámos as chaves e as armas da cidade.
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Dominguice
Uma chave da interpretação e compreensão do que preenche o bestunto de Marcelo Rebelo de Sousa está na sua relação pública com a Igreja Católica. Dele se diz que, antes de ser Presidente da República, ia à missa várias vezes ao longo da semana. Em 1996, logo após ter sido eleito presidente do PSD, foi apresentar cumprimentos ao cardeal-patriarca de Lisboa. Semanas depois, estava a fazer coro com o bispo Maurílio Gouveia na condenação de Herman José por ter criado uma rábula humorística da “última ceia de Cristo”. Acabado de entrar no Palácio de Belém, a sua primeira visita oficial foi ao Vaticano. Em 2019, no Panamá, para onde tinha ido participar na Jornada Mundial da Juventude, gravou-se em vídeo a celebrar a escolha de Lisboa para o encontro seguinte das juventudes católicas de todo o mundo. O episódio, por causa do seu desvario emocional, foi simultaneamente aberrante e patético. Em Outubro de 2022, em cima da descoberta do que tinha sido encoberto pela Igreja Católica em Portugal relativamente aos abusos sexuais, teve a inacreditável estultícia de dizer que 424 casos não parecia “um número particularmente elevado”. Para além disto, na sua presença mediática de décadas como o mais popular comentador político da terrinha, não se lhe conhece qualquer laivo de exemplo ético ou misericordioso, de espiritualidade ou sapiência, que possamos relacionar com o legado histórico, intelectual ou meramente cultural da tradição cristã. Bem ao contrário.
Totalmente ao contrário. O seu sucesso como actor da política mediática, da política partidária e da política-espectáculo teve sempre na hipocrisia, no cinismo e na mentira a fórmula e a energia. Hipocrisia, cinismo e mentiras que a sociedade acolheu, acarinhou e celebrou. Era o nosso Marcelo, pilhéria sofisticada com bronzeado de Cascais, engraçadíssimo e cheio de graça. Da TV aos domingos para a TV todo o santo dia, Marcelo continuou a ser igual a si próprio. Populismo em versão popular e degradação institucional foi o que se seguiu, levando um primeiro-ministro exasperado a denunciá-lo como violador do sigilo protocolar a que estava obrigado pelo seu juramento e pela mera decência. E pior, a verbosidade incontinente e o presidencialismo irracionalizante a consumirem o segundo mandato. O que nos leva à seguinte inferência: às tantas, o catolicismo de Marcelo reduz-se à pulsão para o abuso.
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Hipótese
Pode acontecer que o eleitorado vá tomando consciência da histórica irresponsabilidade (terrorismo judicial?) do Ministério Público ao lançar a operação Influencer envolta num turbilhão de crimes de violação do segredo de justiça e lançando um ataque político contra o primeiro-ministro. Pode acontecer que o eleitorado vá tomando consciência da histórica irresponsabilidade (golpe de Estado presidencial?) de Marcelo Rebelo de Sousa ao aceitar a demissão do Governo e ao dissolver a Assembleia da República existindo uma maioria absoluta do PS no Parlamento. Pode acontecer que o eleitorado vá tomando consciência da histórica irresponsabilidade (traição nacional?) das oposições que se limitam ao bota-abaixo e à demagogia, sem ideias, sem quadros, sem ponta por onde se lhes pegue.
