O Tribunal da Relação de Lisboa considerou ter JMT direito a ofender Sócrates desde que o faça numa crónica e se escude em matérias divulgadas na comunicação social. Nada a opor.
A passagem que me despertou mais asco na famigerada crónica não foi a das calúnias com que abre o texto, e onde vai buscar a hipocrisia canalha para o resto, mas esta:
eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático
Independentemente do que o autor identifique como os pilares essenciais de um regime democrático, assunto acerca do qual não perderia tempo a escutá-lo nem que me pagassem o que recebe como publicista ao ano, não nos enganaremos muito se dissermos ser a Justiça um desses pilares. Ora, Sócrates recorreu aos tribunais para marcar uma posição: sentia-se prejudicado pessoalmente pela difamação resultante daquela opinião. Com essa acção, contribuiu para dois corolários: fez de JMT uma vedeta na indústria da asfixia democrática e deu ainda mais munição aos ataques de carácter contra si. Digamos que, para um bandido do calibre deste Sócrates, é demasiado amador. Toda a gente sabe que não é na Justiça que se resolvem chatices com atrevidos, não vale o esforço e dá péssima fama. O engenheiro anda muito mal aconselhado, como é sabido e notório, e depois cometem-se erros de palmatória como este de teimar em respeitar o filha-da-puta dum pilar que não acolheu as suas razões. Tanso.
Maneiras que JMT pode assaltar a imagem pública de Sócrates e assassinar-lhe o carácter sem correr o risco de ser crucificado. A liberdade de expressão não se incomoda, não precisa da prova dos factos, lava as mãos – mas, neste caso, por uma questão de higiene.


