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V9

Com os meus contactos na assembleia, tive acesso às perguntas a que o Primeiro-ministro terá que responder, e que vão finalmente esclarecer cabalmente toda esta situação. Aqui vão:

1 – O Sr. primeiro-ministro ordenou a compra da TVI pela PT com o intuito de afastar Manuela Moura Guedes?
2- Tem a certeza?
3- Absoluta?
4 – Só pode estar a brincar. Isto é um caso muito sério. Acha que alguém acredita nisso?
5 – Não quer pensar melhor, e mudar as respostas 1-4?
6 – Você é teimoso, caramba. Acha que essa sua teimosia influenciou a sua resposta às perguntas acima?
7 – Que credibilidade tem então o Sr. primeiro-ministro, tendo em conta que mente descaradamente nas respostas anteriores?
8 – Mais uma vez, você não está claramente a perceber a gravidade do caso. É ou não verdade que tentou comprar a TVI para afastar o casal Moniz?
9 – Ah! Não tentou afastar o casal Moniz. Então, sendo assim, admite que o objectivo era apenas afastar Manuela Moura Guedes?
10 – Mas se não tinha intenção de afastar Manuela Moura Guedes, porque é que mandou comprar a TVI? Não vê a contradição?

42 – Estamos cansados das suas mentiras, e fartos de lhe dizer que isto é um caso sério. Reveja por favor as respostas 1-41. Não as quer alterar?
43 – Porque é que insiste em mentir a esta comissão?

66 – No pequeno almoço com Figo, quem é que pagou a conta dos galões e torradas?
67 – Se foi o Sr. primeiro-ministro, não acha que é um abuso dos recursos do estado?
68 – Se foi Figo, acha que é adequado receber benesses de particulares? Conhece a expressão “não há pequenos-almoços grátis”?

74 – Se fosse homenzinho, tinha vindo a esta comissão pessoalmente responder. Há algum problema com a sua masculinidade?

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Quando à ida de Silva Pereira ao tribunal da santa aliança, ler o Miguel

Transparências

Não é possível a nenhum político ser mais transparente do que o foi Ricardo Rodrigues: estando na Assembleia da República, e a ser filmado, apropriou-se de material que pertencia aos jornalistas que o entrevistavam.

Depois disto, ver naquela cabeça a frieza para cometer crimes que a Justiça não consegue detectar é temerário. Quem o ataca com essas suspeições também se mostra transparente.

Sabedoria da vizinha

A comissão de inquérito vai enviar a Sócrates 74 perguntas, fala-se em prolongar os trabalhos para além do prazo acordado, o Taguspark é o novo alvo, esperam-se transcrições de escutas e o PSD ameaça levar o Procurador-Geral a tribunal para conseguir sacar o máximo de informações obtidas com a espionagem política feita em Aveiro. Esta comissão investiga um negócio legítimo entre privados que não chegou a ser feito por pressão pública da oposição e do Presidente da República.

Quando Oliveira e Costa foi à comissão de inquérito ao BPN, depois de se ter recusado a falar, trataram-no como uma rock star. Avisou ter ficado muito mais para contar, pelo que tivessem juizinho com ele, e quase que saía em ombros com aclamação geral. A comissão lidava com um calote que poderá chegar aos 10 mil milhões de euros. Ao contrário de todos os casos que permitem criar suspeições contra Sócrates, o BPN é alérgico às violações do segredo de Justiça, as capas dos jornais têm azar com esta rapaziada.

É como diz a minha vizinha do 4º andar, não há duas comissões de inquérito iguais.

Fraternidade

A Palmira é uma das subscritoras da petição Cidadãos pela Laicidade, a qual talvez te interesse conhecer e assinar.

Eu não a assinarei – por a considerar falaciosa, confusa, sectária e irrelevante – mas o pleonasmo é inatacável: ser cidadão implica a assunção da laicidade.

Cavaquismo apocalíptico

O Eduardo antecipou-se e já fez a pergunta:

Não seria mais consentâneo com os seus pergaminhos formarem um partido de salvação nacional e irem a votos na primeira oportunidade?

Mas isso eles não querem, a democracia dá muito trabalho. Quem passou uma vida nas canseiras da opulência merece o remanso do Palácio de Belém, onde os graves assuntos de Estado se decidem entre chazinhos e torradinhas.

Grands seigneurs

A exclusão de Passos Coelho e Miguel Relvas do Parlamento levou a que Miguel Macedo tivesse sido escolhido para liderar a bancada. Acontece que esta é uma opção medíocre, pese a simpatia que a sua figura cavalheiresca possa suscitar. Macedo é limitado nos recursos oratórios e vago na argumentação. Acima de tudo, não representa com fidelidade o presidente do partido, é uma solução de recurso.

Ferreira Leite e Pacheco quiseram vingar-se de Passos e não se importaram nadinha de nada com as consequências; fosse na imagem do partido para as eleições ou na qualidade do grupo parlamentar. Importava era o castigo, humilhar quem tinha ousado fazer-lhes frente, quem se entregou à disputa do poder interno. O facto de Passos ter concorrido um ano antes para presidente não contava, ter sido indicado pela distrital de Vila Real também não. É este o código de conduta dos grands seigneurs: matam sem misericórdia os fidalgotes que os ameaçam. O vale tudo não é um espasmo de desespero, antes um automatismo cultivado com deleite – desde as promessas de vingança do Pacheco contra os anónimos dos blogues que ousavam ser críticos do PSD até à manipulação do Parlamento e da Justiça para fazer assassinatos de carácter. São muitos séculos de soberba terratenente, uma crença debochada na impunidade.

A ira persecutória deste PSD decadente acabou por nos prejudicar a todos, visto não termos o líder do maior partido da oposição na linha da frente do combate. Isso, curiosamente, acaba por o proteger, pois não está sujeito ao confronto com Sócrates. Passos tem a ganhar estando em silêncio, tal e qual o que Ângelo Correia queria que Menezes tivesse feito. Como sabemos, o visionário de Gaia fez tudo menos estar calado, com os esplendorosos resultados que rapidamente apareceram para exasperação do Ângelo. Passos não tem apenas o patrono, tem também um problema similar ao de Menezes, uma característica que se descreve com três letrinhas apenas: oco. Assim, a sua estratégia vai ser a de só começar a expor-se quando se moer Sócrates para lá da recuperação – fenómeno que não é garantido, porém, dependendo do que acontecer em duas frentes imprevistas, economia e Justiça.

Entretanto, Miguel Macedo, chega aqui. Vou dar-te o grande conselho da tua vida: sê tu próprio. Sim, já o conhecias, mas dito por mim é outra loiça. Não vás para os debates armar-te ao pingarelho, por favor, porque não tens estaleca para isso. Escolhe antes a via da suavidade, da calma, da classe. Marca a diferença recusando a retórica balofa e cretina do Rangel, do Portas, do Louçã, do Jerónimo. Sê tu próprio, respira. Respira fundo, homem. Os pensamentos profundos começam no diafragma, como bem sabiam os antigos.

Os cínicos ladram

Neste texto, que se lê em 5 minutos (muito menos se não pescas nada de inglês), encontramos citações de estudos que reforçam esta ideia: desconfiamos uns dos outros porque temos medo de confiar – caso confiássemos, rapidamente confirmaríamos que há muitos à nossa volta a merecer tanta confiança como aquela que outorgamos a nós próprios (ou mais, e muito mais…).

Esta evidência, pois se trata de algo evidente em todos os lugares, lembrou-me uma das minhas passagens favoritas do Evangelho, a Parábola dos Talentos:

Acontecerá como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamando os seus empregados, entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, e um ao terceiro: a cada qual de acordo com a própria capacidade. Em seguida, viajou para o estrangeiro. O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco. Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu patrão.

Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi ajustar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: “Senhor, entregaste-me cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei”. O patrão disse: “Muito bem, empregado bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu confiar-te-ei muito mais. Vem participar da minha alegria”. Chegou também o que havia recebido dois talentos e disse: “Senhor, entregaste-me dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei”. O patrão disse: “Muito bem, empregado bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu confiar-te-ei muito mais. Vem participar da minha alegria”. Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento e disse: “Senhor, eu sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e recolhes onde não semeaste. Por isso, fiquei com medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence”.

O patrão respondeu-lhe: “Empregado mau e preguiçoso! Sabias que eu colho onde não plantei e que recolho onde não semeei. Então devias ter depositado o meu dinheiro no banco, para que, no meu regresso, eu recebesse com juros o que me pertence”. Em seguida o patrão ordenou: “Tirai-lhe o talento e dai-o ao que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a este empregado inútil, lançai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes”.

Eis uma sabedoria milenar que não pode ser mais actual e universal. O medo de perder inibe, atrofia, mata. A confiança, ao contrário, é uma força, um movimento, uma abertura. É também da confiança que nasce a sorte, porque a sorte é o resultado matemático da multiplicação das oportunidades.

Os cínicos sempre ladraram, por medo. Em Portugal estão à direita e à esquerda, em pânico, raivosos. Mas há uma caravana a passar, e que já não vai parar.

Espionagem política – Modo de usar

Quer o juiz, quer o procurador do Ministério Público de Aveiro, João Marques Vidal, se mostraram disponíveis para enviar os documentos solicitados pela CPI. Aliás, o procurador até defendeu, tal como o DN adiantou ontem, a existência de um “interesse objectivo” no conhecimento de tais factos, por forma a que se faça uma análise mais cuidada do caso. Marques Vidal até chegou a fazer a contabilidade do número de escutas feitas a Armando Vara e Paulo Penedos que constam do processo relacionadas com o caso TVI: ao todo, das já transcritas, são 173 conversas. Destas, 144 ocorreram no mês de Junho de 2009, uma data central em todo o processo de aquisição de parte do capital da TVI pela PT. Mesmo assim, João Marques Vidal salientou aos deputados que aquele número foi o apurado pela investigação de Aveiro antes de enviar as certidões para a Procuradoria geral da República. “Não é de afastar que existam outras comunicações relevantes”, escreveu o procurador.

DN

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Conversas entre um advogado e um funcionário bancário, respeitantes a negócios entre privados e assuntos pessoais, foram gravadas sem aviso e sem autorização, permanecendo disponíveis para deputados que têm um interesse declarado em confirmar suspeitas relativas ao carácter e privacidade do Primeiro-Ministro.

Temos de louvar o pessoal de Aveiro, uma tramóia destas nunca antes tinha sido sequer tentada em Portugal. E agora que todos os magistrados e juízes sabem como se faz, e que não acarreta qualquer tipo de risco – tendo-se chegado a ameaçar fazer rolar as cabeças do Procurador-Geral e do Presidente do Supremo – imagino o alvoroço que vai por essas comarcas afora. Afinal, não consta que Manuel Godinho tenha sido o único cidadão a ter negócios com o Estado, apenas se deu o caso de ter sido muito, mas mesmo muito, bem escolhido. Foi a desculpa certa no ano eleitoral adequado.

É repetir a dose até se obter o efeito desejado.

Génio de Carvalhal

Nenhum treinador teria feito melhor do que eu, informou o genial Carvalhal após o jogo com a Naval, e essa é uma verdade incontestável num jogo onde tudo correu bem. Miguel Veloso, Yannick e Moutinho exibiram o seu indescritível talento, enquanto as bancadas aclamaram o futebol de um clube do Porto. Só faltou a vitória do Guimarães para melhor aconchegar um Sporting que não é de Braga.

O triunfo dos Silvas

A escolha de Lula da Silva como o líder mundial mais influente*, pela revista TIME, não resulta de nenhum gosto diletante pelo exótico, antes manifesta o retumbante e colossal sucesso económico e político do Brasil. E, por isso, de Portugal.

Uma parte substancial da economia portuguesa acontece em Terra de Vera Cruz; como a PT, GALP e EDP o descrevem exuberantemente nos relatórios de contas, para dar os exemplos maiores. Mas há mais: Brasília tem ideias e planos para África, e também por aí Portugal tem a ganhar. Lembremo-nos de Angola e de um ancestral triângulo a ligar três continentes.

Sim, Agostinho da Silva foi mesmo profeta.

Vulcanologia política

Uma infeliz coincidência dá a ver o problema maior da direita portuguesa. Começa aqui, onde Joana Alarcão resume o caso de Inês de Medeiros com sensibilidade e inteligência. E acaba aqui, onde Carlos Botelho recorre ao nazismo para ofender Sócrates, à mistura com outras bacoradas patéticas.

Estes dois textos ficaram juntos num acaso, mas representam mundos que não têm qualquer ponto de contacto. No primeiro, explica-se uma situação com rigor, realçando a injustiça dos ataques à Inês. No segundo, utiliza-se um elemento simbólico que convoca o maior crime alguma vez cometido na Humanidade, e contra a Humanidade, para rematar o ataque ad hominem a um político que se odeia.

Obviamente, da Joana Alarcão fica o desejo de a ler mais, pense ela o que pensar de Sócrates, do Governo e do PS. E do Carlos Botelho fica no ar uma peçonha fedorenta que causa tão mais perplexidade quanto o Cachimbo de Magritte é um dos raros blogues políticos, se não for o único, onde se celebra a cultura e religião judaicas.

E aqui temos o maior problema da direita portuguesa: as ilhas de lucidez e defesa do bem comum são constantemente devastadas pelos fluxos piroclásticos de ranho.

Mas foi o Vara que telefonou? Chibem-se lá, seus cagões

José António Saraiva denunciou uma putativa tentativa de condicionamento da liberdade de imprensa, a qual tinha o mérito de conseguir ligar Sócrates, Freeport e BCP. Agora, a ERC fechou esse caso e disse que as denúncias não foram provadas, bem pelo contrário.

O mais interessante na notícia consiste nesta informação:

A entidade explica ainda que, de acordo com os elementos constantes do processo, “nada (…) permite confirmar a identidade do autor de um telefonema recebido por Mário Ramires, subdirector do jornal Sol, que teria ocorrido em 15 de Janeiro de 2009, alegadamente de ‘alguém muito próximo do primeiro-ministro’, bem como o seu teor e finalidade, até porque aquele responsável editorial não o quis revelar, não se provando, assim, a alegada chantagem sobre o jornal Sol”.

Quer-se dizer, o Sol não está interessado em provar seja o que for, apenas em difamar quem lhe apetecer. Caso contrário, fariam o óbvio: apresentavam o nome desse alguém muito próximo do primeiro-ministro. Não admira, pois, a indignação do Zé Manel, aqui reclamando o direito a que os jornalistas caluniem sem terem de provar ponta de um corno.

Seja como for, a ideia de que o impedimento da saída de uma notícia num dado jornal, assim salvando a pele a um poderoso corrupto, vale uma fortuna em crédito bancário é algo que remete para o século XIX e a imprensa de província. Trata-se de um enredo básico, para consumo apressado e distraído pelas massas. Ter como protagonistas esses dois Dâmasos Salcedes do jornalismo conspirativo, Saraiva e Zé Manel, eis o que fica como exibição do acerto do mundo.

Comissão Paranormal de Inquérito

Depois de ouvir João Semedo perguntar a Nuno Vasconcelos pelas suas intuições, impressões e sensações – justificando que os deputados estão a investigar essa dimensão da realidade – tenho a certeza absoluta de que o relator da comissão de inquérito vai chegar a conclusões fantásticas.

A que horas fala?

A que horas irá Manuel Alegre deixar clara a sua inequívoca oposição a este Governo de extrema-direita que está a espoliar os trabalhadores, fazendo cortes e mais cortes nas ajudas sociais, mas não tocando nos bancos que nos chupam o sangue e os ossos? Ou espera por um telefonema de Louçã a autorizar essa declaração conforme ao sonho da grande esquerda bloqueada?

Todos pelas agências de rating

A situação de Portugal é “menos séria” do que a da Grécia porque o Governo tem história de redução do défice e o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) “é significativamente melhor que o da Grécia”, afirmou hoje o director da agência de avaliação de risco (rating) de crédito Fitch.

Fonte

Risco da dívida portuguesa recua pelo terceiro dia consecutivo

Fonte

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Perante a degradação das condições ideais para a golpada, e isto apesar de o Governo ter afirmado no Parlamento que cumpre com as suas responsabilidades e tem uma política de investimento público e protecção social de que não abdicará, formou-se um grupo de cidadãos que vai protestar em frente à Assembleia da República contra a frouxidão das agências de rating. Está previsto vestirem-se de cor de burro quando foge e levarem cartazes com as seguintes palavras de ordem:

A Fitch não é fixe

No nosso Standard, os outros que fiquem Poor’s

Estou com a Moddy’s em baixa

I love CDS

Na Política de Verdade não cabe a ética nem a caridade

Sócrates perverteu a juventude ateniense, daí os actuais problemas na Grécia

Sócrates é procurado pelas autoridades de Atenas desde 399 a.C., já chega de impunidade

A manifestação ocorrerá entre 16h45 e as 17h, estando prevista uma pausa nos protestos para serem servidos scones e chá, patrocínio das Vicentinas, aos elegantes presentes.

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Adenda – A realidade é quase tão rápida como a minha imaginação.