Espionagem política – Modo de usar

Quer o juiz, quer o procurador do Ministério Público de Aveiro, João Marques Vidal, se mostraram disponíveis para enviar os documentos solicitados pela CPI. Aliás, o procurador até defendeu, tal como o DN adiantou ontem, a existência de um “interesse objectivo” no conhecimento de tais factos, por forma a que se faça uma análise mais cuidada do caso. Marques Vidal até chegou a fazer a contabilidade do número de escutas feitas a Armando Vara e Paulo Penedos que constam do processo relacionadas com o caso TVI: ao todo, das já transcritas, são 173 conversas. Destas, 144 ocorreram no mês de Junho de 2009, uma data central em todo o processo de aquisição de parte do capital da TVI pela PT. Mesmo assim, João Marques Vidal salientou aos deputados que aquele número foi o apurado pela investigação de Aveiro antes de enviar as certidões para a Procuradoria geral da República. “Não é de afastar que existam outras comunicações relevantes”, escreveu o procurador.

DN

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Conversas entre um advogado e um funcionário bancário, respeitantes a negócios entre privados e assuntos pessoais, foram gravadas sem aviso e sem autorização, permanecendo disponíveis para deputados que têm um interesse declarado em confirmar suspeitas relativas ao carácter e privacidade do Primeiro-Ministro.

Temos de louvar o pessoal de Aveiro, uma tramóia destas nunca antes tinha sido sequer tentada em Portugal. E agora que todos os magistrados e juízes sabem como se faz, e que não acarreta qualquer tipo de risco – tendo-se chegado a ameaçar fazer rolar as cabeças do Procurador-Geral e do Presidente do Supremo – imagino o alvoroço que vai por essas comarcas afora. Afinal, não consta que Manuel Godinho tenha sido o único cidadão a ter negócios com o Estado, apenas se deu o caso de ter sido muito, mas mesmo muito, bem escolhido. Foi a desculpa certa no ano eleitoral adequado.

É repetir a dose até se obter o efeito desejado.

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