Transparências

Não é possível a nenhum político ser mais transparente do que o foi Ricardo Rodrigues: estando na Assembleia da República, e a ser filmado, apropriou-se de material que pertencia aos jornalistas que o entrevistavam.

Depois disto, ver naquela cabeça a frieza para cometer crimes que a Justiça não consegue detectar é temerário. Quem o ataca com essas suspeições também se mostra transparente.

15 thoughts on “Transparências”

  1. Dos crimes contra a propriedade
    Artigo 203.º
    Furto
    1 — Quem, com ilegítima intenção de apropriação para si ou para outra pessoa, subtrair coisa móvel
    alheia, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.

    Cumpra-se a lei

  2. Azar do caraças, esqueceu-se que estava a ser filmado, caso não fosse filmado seria mais uma cabala contra o PS.

  3. O Deputado Ricardo Rodrigues é um cidadão exemplar e um incompreendido. Numa altura em que todos apelamos à poupança nas despesas do Estado, o ilustre deputado veio mostrar como é que se rouba à vista de todos. Assim poupamos muito tempo e recursos em investigações e processos judiciais.
    Proponho Ricardo Rodrigues para uma medalha pelo contributo que deu a favor da transparência

  4. Estou de acordo, no que respeita à transparência do Sr. Deputado Ricardo Rodrigues, um dos melhores (senão mesmo o melhor!) do Parlamento e um homem de que Portugal precisa muito, segundo as palavras do também Sr. Deputado Francisco Assis.
    Na verdade, o seu gesto é – de certo modo – a materialização de algumas das suas intervenções na A.R. .Digamos que, nesse sentido, o seu gesto foi também de uma profunda coerência.
    Para além de transparente, o Sr. Deputado Ricardo Rodrigues é também “irreflectido”, algo que destoa numa pessoa que é advogado e fui membro do governo regional dos Açores.
    Espero bem que esta sua “irreflexão” não medre na bancada parlamentar do PS, senão os jornalistas portugueses não ganharão para gravadores.
    Valupi bem dizia que andavam desnorteados, mas decerto que nem ele imaginaria que o Sr. Deputado Ricardo Rodrigues, que aceitou dar uma entrevista, gostasse tanto de se ouvir ao ponto de levar com ele a gravação da sua magnífica voz.
    E a gravação em vídeo, não constituirá um acto de espionagem política?
    E digam-me, com pessoas desta “qualidade”, de que se queixa o PS?

  5. Há quem diga e talvez pense que as figuras públicas têm que se deixar emporcalhar pela comunicação social sem reagir, sem se ofender, mesmo que ofendidos. Terá mesmo que ser assim? Também é verdade que algumas figuras públicas se deviam deixar de protagonismos e recusar ser entrevistados por um qualquer jornalista. Ainda ontem tive o desgosto de ver Mário Soares a ser entrevistado pelo Crespo. Para quê e porquê?

  6. Mas este senhor ainda não está preso por furto? Foi apanhado em flagrante. Ainda ontem aqui na minha terra um sem-abrigo foi levado à esquadra por ter levado um pão de uma padaria, sem pagar.

  7. Qual preso? O homem devia era ser condecorado pela oposição. Se não fosse ele, é provável que na blogosfera, por exemplo, o silêncio à volta da audição do Ministro Silva Pereira (aquele que deu um baile memorável aos deputados) tivesse dado mais nas vistas. Assim não, os bloggers tiveram de produzir posts às pazadas acerca do´furto’, aproveitaram para chamar tudo ao deputado e de caminho ao partido socialista (aquela gente). Por um dia, mal se ouviu falar em ratings, por um pouco o Trichet também tinha passado despercebido, até porque não alinhou nas semelhanças entre Portugal e a Grécia. Parece que, por causa do deputado socialista, até o vulcão islandês só hoje retomou a sua regular emissão de cinzas. :)

  8. A abordagem “jornalística” teve como objectivo causar uma reacção. Não estavam à espera é que fosse tão boa.

  9. Coitadito do deputado que é honesto porque age descaramente e sem maldade. Isso é que é sinceridade, porque roubo, ou é descarado, à vosta de todos porque todos viram, ou então já não é roubo, não senhor, mas desvio de fundos para fins apropriados. Minudências que o Valupi deixa passar. Paz à sua tolerância.

  10. O CASO DO GRAVADOR
    Todo o PS com Ricardo Rodrigues, agora conselheiro de Segurança Interna
    por Ana Sá Lopes, Publicado em 07 de Maio de 2010

    Jaime Gama diz que o assunto dos gravadores deve ser tratado na justiça. Socialistas lançam onda de solidariedade com o deputado
    Depois de levar os gravadores dos jornalistas da “Sábado”, Ricardo Rodrigues passou a ser conselheiro especial de José Sócrates para a segurança interna. Uma coincidência totalmente cómica: o deputado foi ontem designado, em Diário da República, membro do Conselho Superior de Segurança Interna, órgão de aconselhamento e consulta do primeiro-ministro. Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada parlamentar do PS, tinha sido eleito pela Assembleia da República no dia 23 de Abril, em conjunto com o ex-líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar Branco, para aquele órgão.

    O “gesto irreflectido” de Ricardo Rodrigues teve o apoio total do PS, mas Jaime Gama, que preside à Assembleia da República, demarcou-se da onda de solidariedade socialista e considerou que o lugar correcto para discutir este assunto é a justiça: “A relação entre deputados e jornalistas deve merecer o nosso respeito, quer quando corre bem, quer quando corre mal. Aí funciona a justiça.”

    Francisco Assis voltou a dar todo o seu apoio ao seu vice-presidente. Os socialistas “não valorizam” a cena os gravadores e o grupo parlamentar demonstrou “inquestionavelmente total apoio” ao vice-presidente. “Foi uma reacção irreflectida” perante “uma situação de indignação”, diz o líder parlamentar do PS ao i. Para Assis, Ricardo Rodrigues não tem que ser sujeito a perguntas relacionadas com a sua demissão do governo regional dos Açores em 2005, quando boatos com repercussão pública o associaram a um escândalo de abuso sexual de menores. Apesar dos boatos não terem fundamento, como foi provado pela justiça, Ricardo Rodrigues decidiu abandonar o governo regional.

    Na reunião de ontem do grupo parlamentar houve aplausos para Ricardo Rodrigues. A solidariedade já tinha sido expressa na véspera, com a presença de Assis na declaração pública que Ricardo Rodrigues fez a justificar “o acto irreflectido” e o recurso “à acção directa”. “Mantenho evidentemente toda a minha confiança e tive até já a oportunidade de exprimir a minha solidariedade ao dr. Ricardo Rodrigues”, disse então Assis, defendendo que Ricardo Rodrigues teve uma atitude natural para alguém que “estava profundamente indignado com a forma como a entrevista estava a ser conduzida”. Tratou-se, em suma, de um “gesto que qualquer um de nós podia ter num momento de reacção a quente e dominado por um sentimento de profunda indignação pelo tipo de interrogatório a que estava a ser sujeito”.

    Miguel Vale de Almeida, independente eleito nas listas do PS, escreveu no seu blogue que o jornalista “acabava de lançar uma pergunta, assumidamente com base num boato, e relacionada com pedofilia. Isso é torpe e jornalismo-armadilha”.

    Na sua declaração de quarta-feira, Ricardo Rodrigues condenou o “tom inaceitavelmente persecutório” das perguntas e os “temas e factos suscitados, falsos e mesmo injuriosos”. “Porque a pressão exercida sobre mim constituiu uma violência psicológica insuportável, porque não vislumbrei outra alternativa para preservar o meu bom nome, exerci acção directa e, irreflectidamente, tomei posse de dois equipamentos de gravação digital”, justificou.

    Se o Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa considerar fundamentada a queixa da revista “Sábado” e quiser constituir Ricardo Rodrigues arguido, terá de pedir autorização ao presidente da Assembleia da República. Como para os dois crimes em causa (furto e atentado à liberdade de imprensa) a pena máxima prevista não ultrapassa os três anos, o levantamento da imunidade não é obrigatório. No limite, mesmo que o Ministério Público venha a deduzir acusação contra o deputado socialista, o inquérito poderá ficar suspenso até que termine o mandato.

    Em 2003, na sequência de dúvidas levantadas por magistrados, o procurador Souto Moura clarificou os procedimentos a seguir: mesmo para interrogar um deputado na qualidade de testemunha ou assistente, é necessário dirigir um pedido de autorização ao presidente da Assembleia. Com Inês Cardoso

  11. E se um dia os políticos começarem a vasculhar a vida dos jornalistas e dos jornais? Cuidem-se, meninos, cuidem-se!

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