O meu 25 de Abril

Sonhei que a Joana Amaral Dias e a Rita Rato, alegando suspeitarem que Sócrates foi informador da PIDE durante os anos em que frequentou a Escola Secundária Frei Heitor Pinto, aliciaram a Francisca Almeida para um encontro no parque de estacionamento do Freeport. Assim que a Francisca entrou na Ford Transit conduzida pela Joana, a carrinha arrancou em alta velocidade.

O sonho saltou para o interior de um quarto. A Francisca estava amarrada pelos braços e pernas a uma cama. A Joana e a Rita torturavam-na recorrendo a estranhos instrumentos, pressão corporal e vernáculo de carroceiro. Tentavam que a social-democrata admitisse a superioridade do movimento das forças amadas e respectivo processo revolucionário em cama. Nisto, ouve-se um estrondo e entra pela janela a Carolina Patrocínio. Diz que vem numa missão de sacrifício para resgatar a sofredora. As raptoras dizem-lhe que só libertam a refém se a Carolina estiver disposta a um desgoverno de coligação. Ela concorda, junta-se à Francisca e rapidamente assumem a posição de bloco central rotativo. Quando as quatro se preparavam para uma conferência de líderes, acordei.

É este o meu 25 de Abril. De sonho.

27 thoughts on “O meu 25 de Abril”

  1. “Que força é essa amigo? / Que força é essa amigo? (…) Que força é essa? Que força é essa que trazes nos braços?” para, Val, uma tão espantosa criatividade, eivada de uma invulgar capacidade crítica, de cultura, humanismo e excelso humor, te assaltar assim a escrita?…
    Um grande, grande abraço e um cravo – daqueles que faz sentido no que de melhor sonhamos que foi e deveria ser o 25 de Abril :)

  2. Eu quase que garanto que se sonhasse com Joana Amaral Dias, Rita Rato ou Carolina Patrocínio nunca teria como tema o “25 de Abril” nem uma qualquer manobra politico-partidária, por mais revolucionária, ou reaccionária, que fosse. Considero que seria um desperdício e afirmo-o com todo o respeito que as personagens me merecem.
    Mas enfim. Cada um sonha o que quer e o “25 de Abril” também se terá feito para isso.
    Só tenho dúvidas é que se possa considerar um sonho algo que tem todos os ingredientes para ser um pesadelo, apesar das intervenientes.
    Mais do que o “25 de Abril”, recorda-me muito mais o “25 de Novembro”…

  3. Se o Sócrates fosse fascizante, a esta hora já eras investigado e desaparecias bem rapidinho. Após uns tempos eras encontrado morto por… acidente.

  4. Para ti Ary:

    Partiste mas não morreste
    Meu irmão, meu camarada
    P´lo povo tudo fizeste
    Seguimos tua peugada.

    Ary, ó voz da razão,
    ó poeta da verdade
    Teus poemas, coração
    Do motor da liberdade.

    São para ti estes versos
    Com os teus não os confundo
    São para cantar nos berços
    Dos filhos de todo o mundo.

    Levantem alto as bandeiras
    Pois tombou um combatente
    Mas na frente das fileiras
    Tu Ary… Sempre presente.

  5. pensa lá comigo,vá, tu que és contra os filhos da puta do ps: que adianta seres contra – ou a favor – da rosa, do cravo ou dos verdes e da fruta que houver?

    (o que interessa não é que eu posso, enquanto leio o que me apetece, pendurar os marcadores nos bicos das mamas?) :-D

  6. Bom dia Val,
    Um pequeno detalhe : em 1974 já havia Ford Transits ?
    As jovens ainda não tinham Joana e Rita ainda não teriam nascido. Felizmente já nasceram em democracia, mas gostariam de ter vivido em fascismo. Não lhe façamos a vontade.
    Um abraço

  7. O discurso de Cavaco Silva no 25 de Abril:
    E diz o roto pró nu… Ao ouvir o discurso sobre o 25 de Abril do PR, fiquei boquiaberto quando se referiu ao bónus recebidos por várias personalidades. Se estivesse no lugar deles insurgia-me contra este facto e revelava que só recebia lições de moral e ética por quem a pratica.
    Agora vir denunciar actos e quando se recebe juros mirabolantes – do BPN – dizer que não prestava nenhuma actividade política é de uma desvergonha inqualificável. Quem recebeu o bónus, recebeu algo imposto pela administração e pelo seu empenho na condução da empresa. Quem recebe juros acima do estipulado, recebe-o pelo compadrio e amigalhaços, porque os outros depositantes não foram assim contemplados.
    Bela frase de frei Tomás: olha para o que digo e não para o que faço. Há personalidades por se julgarem no alto do seu pedestal que tudo podem fazer ou dizer. Aqui só vejo uma explicação. Não foi Cavaco Silva que escreveu o discurso – se não reparava que a bota não condizia com a perdigota – e riscava essa chamada de atenção.
    Nós portugueses devemos de nos insurgir contra esta lavagem de memória – ou uma mentira dita várias vezes torna-se verdade? Depois dizem não serem imperadores. Gostava que o tal juiz fizesse ver a Cavaco que quem manda é os juízes. Por ser o supremo da Nação não lhe dá o direito de dizer e fazer a seu belo prazer. Há, contas a prestar ao povo.
    Pobre Nação que é assim liderada e julgava eu que os exemplos vinham de cima. Que ignorante eu sou e acabo com a frase em que pus reticências: que mal vestido vens tu.

  8. Manuel Pacheco, o discurso ainda mais infeliz é o do Rui Rio. Além de defender a famosa política da verdade, ainda se sai com um parágrafo com laivos machistas e retrógados de primeira categoria:

    “Poderão algumas virgens ofendidas insurgir-se contra o que acabo de dizer, mas, para mim, é claro que só não o quer reconhecer, quem, por alguma razão, se precisa de acoitar no tal discurso hipócrita e politicamente correcto em que já poucos acreditam”, afirmou.

  9. ………………………………………

    O pedestal elevado ao céu, opus
    do teu sonho acima da vida,
    contém em sí a medida
    do humano, e vem da luz
    o inamovível signo preto
    dito sombra, uma sem-figura
    que indica amarra segura
    indivisível o corpo concreto
    à alma e aponta a todo
    mortal que pelo pensamento
    julga poder definir o modo
    a medida o lugar e o tempo
    do homem feito esquema,
    abolindo a vontade própria
    exigindo seja papel de cópia
    sem alma de um sistema
    sem sombra de dúvida, que voa
    tão alto que perde de vista
    a sombra, esta não lhe perdoa,
    atrai-o ao chão e imperialista
    amarra-o a sí, obriga-o a correr na sua pista.

    A sombra está lá viva vigilante
    sempre presente como seta
    apontada ao homem, a preta
    mancha lembra ao ignorante
    ao tolo ao sábio que a meta
    final é uma cova no chão
    onde vão parar juntos intelecto
    alma pensamento e seu abjecto
    objecto corpo carnal, maldição
    iniludível da humana condição.

    nenhum Abril nos liberta desta
    amarra que trazemos aos pés
    seja vontade ideia-única seja fés
    crentes de existências em festa
    sempre. Nenhum Abril haverá
    que automaticamente
    pós-festa de liberdade aumente
    ao que há o que não há
    ou faça ser nova a velha gente.

    Só douto farsante demagogo
    vende felicidade porta a porta
    proclama a memória morta
    promete ser Prometeu e fogo
    novo que traz num fósforo
    mágico a chama redentora
    do mundo sujo e geradora
    final do feliz mundo próspero.

    ………………………………………..

  10. Ò Cláudia, não tenho grande simpatia pelo Rui Rio, mas não vejo nada de machista nem retrograda no paragrafo que transcreve, se fizesse o favor de me elucidar, ficar-lhe-ia imensamente grato.

  11. Virgens ofendidas! Que vá procurar outra expressão! Por exemplo, virgens ofendidos.
    Tu também deves ser outro macho armado ao pingarelho, Ibn Erriq.

  12. eu não sei bem se foi para mim a pergunta, tété, mas aqui vai: para chamar o sono dou corda à caixinha de música.

    (os livros são para outra coisa) :-)

  13. Ó Cláudia, não percebo a irritação, conheço uma coisa equivalente ao machismo primário, o feminismo burro.

    A expressão virgem ofendida aplica-se a qualquer género, faz parte do léxico comum.

    “Virgens ofendidas! Que vá procurar outra expressão!” Porquê esse tem direito de autor? Oh pobreza de espírito!

    Amor, não estou armado a nada, perguntou só para saber, pelos vista convive mal com as questões, olhe, azar seu.

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