Dirijo, finalmente, aos portugueses uma palavra de confiança. Nenhuma Nação vence sem confiança em si própria. Esse sentimento de confiança deve prevalecer sobre o negativismo e sobre o pessimismo, atitudes que só conduzem à descrença, à paralisia e à desistência do futuro. Pela minha parte, o que tenho a dizer aos portugueses é isto: nós vamos vencer esta crise.
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Perguntas complicadas
Social-democratas pelo socialismo
As 10 melhores razões que o PSD encontrou para irmos todos votar PS
1ª – Se Sócrates ganhar, Cavaco terá de se demitir – Santana Lopes
2ª – Se o PSD não obtiver maioria com o CDS, Passos não fará parte de um eventual Governo de coligação onde esteja Sócrates – Passos Coelho
3ª – Se o PSD não tiver deputados suficientes para conseguir eleger Nobre como Presidente da Assembleia, Nobre abandona o Parlamento – Fernando Nobre
4ª – O PSD quer substituir o líder do PS e até tem uma lista dos nomes que pretende ver nesse lugar – Miguel Relvas
5ª – Os governantes que têm lidado com as crises económicas e financeiras desde 2008 devem ser julgados em tribunal – Eduardo Catroga
6ª – Os parentes de Sócrates devem sentir vergonha e esconder essa relação familiar – Miguel Relvas
7ª – Quem recebe benefícios sociais são os aldrabões – Diogo Leite de Campos
8ª – O recurso ao subsídio de desemprego deverá implicar uma redução de direitos na pensão de reforma – Mais Sociedade
9ª – Precisamos de um sobressalto cívico – Cavaco Silva
10ª – O hino do PSD para a campanha de 2011 pede para que nos unamos de modo a conseguir mudar o Passos Coelho – Equipa de marketing do PSD
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Este é um top dinâmico. Pedimos a colaboração dos estimados ouvintes para uma permanente avaliação das melhores razões que o PSD, sem falha, continuará a disponibilizar aos eleitores até ao dia 5 de Junho, inclusive.
Vega9000 vendeu a alma ao demónio
O nosso amigo Vega9000 acaba de ser recrutado para um dos blogues de proa na Frente da Calúnia, essa tenebrosa organização a mando do Gabinete onde pululam empregados do governo, e às vezes mais acima, tal como oportuna e em 1ª mão o Pacheco denunciou. Ora, tive de ir ao Rato tratar da papelada e dinheiros para este novo agente. Deixo aqui a conversa de modo a que se possa apreciar o profissionalismo com que o Gabinete conduz operações de informação, contra-informação e desinformação, usando técnicas dos serviços secretos. Aprendam, seus barrascos da oposição:
Pedro Silva Pereira (disfarçado com bigode, nariz e óculos à Groucho Marx) – Olá, Valupi! Que bom apareceres. Olha, toma lá esta saca cheia de dinheiro que ainda sobrou do BPN. Sim, é das autênticas e tudo. Olha aí de lado o Made in Puerto Rico… Hahaha… Aqueles gajos eram uns pândegos… hehehe… Leva-a que bem mereces, tens trabalhado tanto. E então, que há?
Valupi – Bom, Senhor Director Ministro, era, faxavor, para Vosselência autorizar a contratação de mais um anónimo lá para o Aspirina… É que com a campanha eleitoral a aproximar-se, e isto do PSD não nos dar descanso com as suas anedotas diárias, um tipo já nem consegue ir a todas…
Pedro Silva Pereira – Como é que esse anónimo se chama?
Valupi – Vega9000, Senhor Director Ministro.
Pedro Silva Pereira – Sim, bem esgalhado, é um óptimo nome para um anónimo. Tem qualquer coisa de informático, de choque tecnológico… Mesmo como a gente gosta… Não é, Valupi?…
Valupi – É, sim, Senhor Director Ministro.
Pedro Silva Pereira – E ele sabe o que tem de fazer?
Valupi – Já lhe expliquei como é que a coisa funciona: cada texto tem de ter pelo menos três elogios ao nosso grande líder e nove insultos aos ranhosos ou aos imbecis, é opcional. Se não cumprir, é despedido e nunca mais poderá sequer entrar nas caixas de comentários da nossa magnífica e rosácea Frente da Calúnia.
Pedro Silva Pereira – Rosácea… Tu levas jeitinho com as palavras, Valupi! Qualquer dia ainda te metemos num jornal e tudo, vais ver. Tens é de ter um pouco mais de paciência.
Valupi – Sim, Senhor Director Ministro.
Pedro Silva Pereira– E quanto aos pagamentos? Está a par do esquema?
Valupi – Por acaso ele pergunta se pode ser um seu primo, o Abílio, a recolher os envelopes castanhos, porque esse primo trabalha num café do Montijo e assim pode ir ao Freeport levantar o dinheiro, pois fica a caminho de casa e tal… Sabe como é, o trânsito na Margem Sul…
Pedro Silva Pereira – Mas claro, mas claro, não tem problema nenhum. Um primo! Vem mesmo a calhar, temos muita experiência a lidar com primos, é ginja. Olha, já sabes aquela do quanto mais prima, mais se lhe arr…
Valupi – Sim, Senhor Director Ministro.
Pedro Silva Pereira – Pois, não interessa… Então, temos o assunto resolvido e só me resta desejar-vos bom trabalho. Sempre a malhar neles, hã? Vamos!… Tenho de ir agora tratar da nova carta do Catroga. Que chatice de homem, já estou farto de triturar papel, ufa… Adeusinho.
Valupi – Muito obrigado, Senhor Director Ministro.
Corolários para os carolas
Não deixa de ser incrível
A voz apavorada de quem diz não ter medo
Quem hoje ameaça o Estado Social é quem anda a fazer TGV’s a todo o custo, é quem anda a endividar o país, é quem anda com o dinheiro que não lhe pertende a diminuir as possibilidades de apoiarmos os que mais precisam.
Escuta a gritaria deste valentão
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Quem anda a fazer “TGV’s” é que ameaça o Estado Social? Os “TGV’s” que serão pagos em grande parte com dinheiros europeus, que são uma peça central da estratégia económica como país periférico e atlântico, onde só a ligação a Madrid pode ter um custo/benefício estimado em cerca de 10 mil milhões de euros, que continuam sem ter qualquer impacto nas contas presentes e não terão até 2013, pelo menos? Esta é a demagogia primária de quem entrou em desespero.
Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares
Brain Imaging Demonstrates That Former Smokers Have Greater Willpower Than Smokers
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Power and Choice Are Interchangeable: It’s All About Controlling Your Life
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Higher Levels of Social Activity Decrease the Risk of Cognitive Decline
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Botox Can Dull Ability To Read Emotion In Other
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Muslim women: beyond the stereotype
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Male Doctors More Likely to Be Disciplined for Misconduct, Australian Study Shows
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Kids with Savings Accounts in Their Name Six Times More Likely to Attend College
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Discovering the Healing Powers of Music, Music Therapy
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The Role of Spirituality in Modern Medicine
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Digging in Dirt, Arbor Day Planting, May Help Build Citizenship: UMD Study
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Prejudice and the President
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Wedding in White: Queen Victoria Set the White Wedding Trend in 1840
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When political speech turns profane
YouTube Auto Replay
O trabalho da inteligência
Tirando as aparições de Augusto Santos Silva para malhar nos infelizes que calhem aparecer-lhe à frente, Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva protagonizam o único programa de debate político que tenho pleno gosto em ouvir: Bloco Central. Estamos perante dois independentes, cuja bondade cívica e honestidade intelectual é patente, indubitável. Do lado de Marques Lopes, PSD, há essa raríssima capacidade de se assumir contra todas as indecências, morais e intelectuais; venham elas do PSD, de Cavaco ou de figuras públicas da sua família política. Do lado de Adão e Silva, socialista, há uma especial autoridade para ser crítico do PS e do Governo, pois foi membro do Secretariado Nacional do PS na direcção de Ferro Rodrigues e foi convidado por Sócrates para integrar o grupo que redigiu a moção estratégica que o secretário-geral levou ao congresso de Fevereiro de 2009. O resultado do encontro destes perfis é um debate que não ofende, antes celebra, as regras básicas com que se faz uma comunidade – nomeadamente o respeito pelos valores da pluralidade democrática e da honorabilidade dos adversários. Um oásis na paisagem mediática entregue à actual decadência da direita e sectarismo da extrema-esquerda, portanto.
Dito isto, do que mais gosto é de discordar deles. E não por me crer com argumentos melhores, apenas por daí poder nascer uma ocasião de aprendizagem para mim. Como neste caso, tirado da mais recente emissão:
[…] Uma coisa é certa: a partir de Junho sabemos que não teremos um Governo minoritário. Não sei por que razão nem Cavaco Silva nem José Sócrates pensaram nisso há um ano e meio. Não consigo perceber, continua a ser uma coisa que me escapa, o entendimento. Na verdade, há um ano e meio ninguém se empenhou activamente naquilo que era uma necessidade imperiosa que era estabilidade para enfrentarmos este ciclo de austeridade. […] porque José Sócrates, enquanto Primeiro-Ministro, na verdade nunca os promoveu. E, portanto, ninguém vê José Sócrates como um promotor e actor activo da ideia de consensos e entendimentos. […]
PAS
[…] De Sócrates, estes apelos ao consenso… quer dizer… Eu acho que Sócrates ’tá convencido que as pessoas não têm memória, e às vezes parece que anda a brincar! […] Ver Sócrates a apelar ao consenso, quando Sócrates foi o responsável por aquela cena perfeitamente surreal de ter proposto coligações a todos os partidos do espectro parlamentar, quando, quer-se queira quer não, Sócrates é um dos grandes responsáveis pelo clima de crispação que existe na sociedade portuguesa e pelo afastamento, pela incapacidade que parece haver neste momento de fazer pontes, ver Sócrates agora neste papel de cordeirinho incomoda-me porque não bate a bota com a perdigota.
PML
Voulez-vous?
Cortesia da Shyznogud
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ADENDA
A Shyznogud diz que respirou três vezes para não se mandar à do “encontro viril”, referindo-se a uma passagem na reportagem do JN sobre Miguel Relvas, e quando li o artigo pela primeira vez, na diagonal, nem me preocupei em encontrar esse naco de prosa. Mas há minutos deu-me um peso na consciência e fui saciar a curiosidade. Bom, o que encontrei é indescritível. De facto, não se aguenta sem partilhar este delirante momento entre dois cabeleireiros da política:
A derrota apertada de Manuela Ferreira Leite nas legislativas de 2009 tratou de soltar as habituais divergências conjugais na São Caetano à Lapa. Mas Pedro Passos Coelho lá conquistou a liderança, apesar das rivalidades domésticas. O nervo da vitória – mais de sessenta por cento dos votos – deixava pouca margem para dúvidas. Amigos como dantes. Agora, a São Caetano à Lapa é de Passos Coelho e dos seus acólitos. E, entre estes, Relvas é o que goza de mais proximidade e até intimidade com o líder. O suficiente para que, num dia difícil em que acabou de chegar de um encontro viril com José Sócrates por causa do resgate financeiro do país, Passos atire despreocupadamente ao amigo: «Tens o cabelo diferente, Miguel. O que é que fizeste?» Interrompendo a combinação do habitual almoço com Miguel Macedo, o secretário-geral do PSD ensaia uma resposta de algibeira: «Mudei de shampô, deve ser isso. Mas já se nota?» O líder sorri, com a franqueza só possível em dois amigos de longa data. «Não é isso, o cabelo está diferente», e os dedos avançam à frente das palavras na direcção da cabeça do secretário-geral. «Estás a dizer que estou melhor?» Passos concorda: «Se era para ficares melhor, ficaste.» Riem os dois. É esta cumplicidade que permite mudar de imediato a conversa para um registo sério quando desatam a acusar José Sócrates de ter entrado por uma política de terra queimada e assumem que a entrada do FMI em Portugal será acompanhada por medidas de austeridade muito severas.
Burros que nem uma porta
O PSD sabia o que fazer para resolver os problemas económicos e financeiros do País logo desde 2008, quando Ferreira Leite venceu Passos Coelho e se tornou Presidente do partido. O PSD continuava a saber o que fazer para nos salvarmos quando se recusou a governar com o PS e se recusou a qualquer acordo parlamentar para a reforma ou protecção do Estado em 2009. O PSD possuía as soluções que deviam ser aplicadas já em 2010 mas resolveu aprovar dois Orçamentos com o quais não concordava e nunca apresentou uma moção de censura. O PSD chegou a 2011 e derrubou o Governo quando este tinha acabado de obter o apoio de toda a Europa para um plano que teria evitado o colossal prejuízo económico e social da ajuda externa.
Não foi o PSD que nos trouxe até aqui, claro. O PSD nem com bússola, mapa e tabuletas na estrada consegue encontrar o caminho. Um caminho. Qualquer.
A loucura da impotência
O pedido de ajuda externa ficou decidido no final da semana anterior ao seu anúncio, segundo se percebe apenas olhando para os acontecimentos públicos: a reunião do Conselho de Estado, a 31 de Março, donde saiu a marcação de eleições, e a declaração de Fernando Ulricht, a 1 de Abril, onde pedia que a ajuda externa viesse urgentemente. Isto passa-se à quinta e sexta-feira. Na segunda-feira, dia 4, os principais banqueiros reuniram com o Governador do Banco de Portugal e anunciaram-lhe a decisão conjunta de interromper a compra de dívida pública. Esta reunião foi imediatamente publicitada e tinha uma única leitura: o pedido de ajuda externa já estava em marcha, seria apenas uma questão de acerto no calendário político para ser assumido pelo Governo. No terça-feira, dia 5, Durão Barroso reafirmava que a União Europeia estava pronta para responder ao pedido de Portugal. Também nestes dias, os juros da dívida soberana continuavam a bater recordes e o rating dos bancos tinha ficado a um nível de ser considerado junk. Na manhã de quarta-feira, dia 6, Jorge Lacão afirmava que o pedido poderia estar iminente. Sócrates anunciou o pedido à noite.
Baratas tontas
O BE, o partido dos professores, mandou a Ana Drago dizer umas inanidades face à decisão do Tribunal Constitucional a respeito da golpada eleitoralista contra a avaliação. Nada mais. Nem sequer deu um sinal de responsabilização, ou mera consciência, pela tentativa ilícita de interromper a meio do ano o processo sem ter apresentado qualquer outro modelo alternativo.
O BE, o partido da grande esquerda, recusou-se a negociar o pacote de medidas com a UE e FMI, só para descobrir que continuava em queda nas sondagens, para além de ver aumentada a contestação interna a Louçã. De repente, quer saltar para dentro do comboio em andamento, perto da estação de chegada, para poder dizer que não negociou com os malandros mas tinha propostas magníficas que os malandros recusaram.
O BE, o partido que desaparecerá no dia em que Louçã cair de podre, foi a maior desilusão desta legislatura. Desperdiçaram os duzentos mil votos que tiraram ao PS em Setembro de 2009 – sacrificados no altar da megalomania de um fanático que preferiu aliar-se a esta miserável direita para boicotar e derrubar o Governo em vez de tentar uma negociação com o PS e o PCP que realizasse nalguns objectivos a expectativa do seu eleitorado.
Cavaquismo vintage
Silva Pereira, que representa o Executivo à mesa das negociações com a oposição, garantiu que “o PSD está a impedir que o país fale a uma só voz”. “Por isso o Governo insiste no apelo a um comportamento responsável”, disse.
Em resposta, Catroga afirmou que “o fartar vilanagem de Sócrates foi uma tragédia nacional” e sublinhou que o presente governo devia ir a tribunal.
“As gerações mais jovens deviam pôr este governo em tribunal”, afirmou Eduardo Catroga ao Expresso de hoje, sábado.
Os últimos e os primeiros
Estava curioso a respeito da ida de Sócrates ao Fórum TSF. Isto porque todos os dias oiço o programa, pelo menos parte. Quem tenha a mesma experiência, e já lá vão anos e anos e anos deste hábito, sabe que os jornalistas que conduzem as emissões são de um profissionalismo inexcedível. E sabe que não se faz qualquer tipo de manipulação editorial das participações, pois a mancha opinativa que chega à emissão é plural. Invariavelmente. E também representativa das flutuações sociológicas e respectivas comoções psicológicas inevitáveis na população. Assim, esperava que a brigada dos desvairados, raivosos, catastrofistas, anti-socráticos e saudosos de Salazar aparecesse em massa como o faz todo o santo dia.
Ora, nada disso aconteceu. Em duas horas de emissão, só se ouviu um participante a colocar uma questão nascida de uma análise negativa para o Governo e Sócrates. Um único! As restantes questões opositoras vieram pela mão da jornalista que as repescou na Internet. Mas ainda mais estranho foi constatar que as perguntas, especialmente as primeiras, eram chapadas cábulas partidárias, artificiais no texto e na leitura. A coisa foi de tal maneira que Sócrates, no começo da segunda hora, manifestou o seu incómodo, ou surpresa, com a situação. Seguramente, também ele se tinha preparado para outro ambiente.
Informação útil
Informo os estimados ouvintes de que poderão enviar para este blogue os vossos presentes destinados ao casal Kate e William. Por razões de simplificação do processo, aconselho a entrega de numerário ou a opção pela transferência bancária. Em tempo útil, encarrregar-me-ei de fazer chegar à Coroa Britânica as manifestações da vossa amizade. Muito obrigado.
Viva os noivos!
Perguntas simples
Relvas, o Educador
Convidado para falar aos alunos de mestrado em ciência política do Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCP), em Lisboa, numa aula aberta à comunicação social, Miguel Relvas afirmou também que o PSD recusa “fazer campanha como o engenheiro Sócrates: discurso escrito, teleponto e muita falta de vergonha”.
Para começar, quem foi a luminária que convidou o Relvas para falar com alunos, e logo de ciência política? Quem irá assumir responsabilidades no ISCP quando metade desses alunos – alegando stress pós-traumático ou a súbita urgência de irem inscrever-se na Legião Estrangeira – abandonarem o mestrado em resultado da palestra?
“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele”.
Não há engano, é mesmo como está escrito. Relvas anuncia que irá governar para a filha. A sua filha será a bitola do sucesso ou insucesso do Governo a que pertencer, avaliação medida pelo orgulho expresso pela menina e percepcionado pelo pai ao chegar a casa.
Relvas também tem mensagens para os parentes de Sócrates, presumindo-se, pela proximidade da referência, que esteja a dirigir-se directamente aos filhos do actual Primeiro-Ministro. Para Relvas, esses miúdos devem sentir vergonha do pai que têm. Caso não a sintam, algo de muito errado lhes está a acontecer. Há ainda uma forma de salvarem a face, mesmo que se reconheçam deficientes em matéria de sentimentos próprios da gente de bem, e tal via consistirá em passarem a esconder que são filhos de tão vergonhoso pai, negando que alguma vez tenham sequer falado com ele e trocando de passeio calhando cruzarem-se na rua por algum infortúnio do destino.
Percebido? Pelo menos a mim, parece-me cristalino o que Relvas está a dizer com as letras todas, todinhas.
Na sua intervenção sobre comunicação política, Miguel Relvas disse que o PSD se vai apresentar nestas eleições com a mensagem de que o PS é “mais do mesmo” e de que esta “é hora de mudar” de política para pôr a economia a crescer, como aconteceu “nos Estados Unidos em 1992, salvaguardadas as devidas diferenças”, com Bill Clinton.
Finalmente algo de tangível acerca do programa do PSD: vamos ter mamadas em S. Bento.
No entanto, o secretário-geral do PSD reconheceu que há resistência à mudança: “Nós temos sondagens, ‘tracking diário’, e vejo a evolução, como é que a coisa está, e vejo que sempre que falamos verdade, sempre que vamos mais longe na mudança, os portugueses retraem-se”.
Até parece que os portugueses vos topam, não é, Relvas? E logo vocês que compraram a patente da Verdade… Grande azar, pá.
“Sabem que é uma coisa que me custa muito, é que a sensação que eu tenho é que ainda há uma parte do eleitorado que quer ser enganada. Ainda há uma parte do eleitorado que quer ser iludida, quer ser enganada e quer ser iludida”, lamentou.
Neste observação, estamos todos de acordo. Relvas não se engana nem engana. Ele só se esqueceu de referir, porque é educado e humilde, que a parte do eleitorado que quer ser enganada tem vindo a diminuir de tamanho – mérito inquestionável do PSD.
Segundo Miguel Relvas, contudo, “é bom que haja sondagens que aproximem” PSD e PS: “Na hora da verdade vai ser o clique de que os portugueses vão precisar. Boas sondagens para o engenheiro Sócrates é o clique da nossa mensagem para ganharmos as eleições”.
Puro génio. Quão melhores as sondagens para o engenheiro, mais perto o PSD fica da vitória. É a famosa teoria do clique, quem não a conhece. Se sair uma sondagem que dê 90% de votos para o PS, nem precisamos de ir votar. É só fazer clique e abre-se uma janela no monitor a dizer que Relvas já é ministro.
“Estou convencido de que as pessoas vão arriscar a mudança, porque nós merecemos o benefício da dúvida”, reforçou.
Mas qual dúvida? Ninguém tem dúvidas, homem. Toda a gente sabe o risco que corre se votar no PSD.
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Sites do jornalismo amarelo

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Os nossos jornais de referência abastardam tranquilamente a Língua, nem sequer tendo uns segundos para carregar no botão de itálico tal a lufa-lufa com que nos entregam as notícias fresquinhas. Itálicos era no tempo dos tipógrafos, esses seres muito lentos que arranjavam pachorra para estar ali a montar o texto letra a letra. Os novos licenciados jornaleiros têm mais o que fazer. Há muito site para visitar, muito site onde aparecer, sites cheios de colegas, outros sites cheios de amigos, mais os sites onde dormem, comem, dançam e lêem uns books ou downloadam os files dos movies. No fundo, os jornais modernaços querem-se tal e qual como browsers para atravessar rapidamente a realidade, permitindo um bookmark aqui, outro ali. Mas só se não for bué da chato e não tivermos de fazer itálico, essa sinalética morta e tão pouco bold.