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E as crianças, Senhor?

O director do Correio da Manhã, Octávio Ribeiro, foi o orador de um seminário na Universidade Católica de Lisboa com o tema ‘Como se faz um jornal’ destinado aos alunos de Jornalismo daquela instituição.

Octávio Ribeiro reforçou a importância de produzir diariamente um jornal “livre e independente”, que não seja “subserviente aos poderes instalados”, e as exigências que tal implica.

O director do Correio da Manhã reforçou ainda a importância de o jornal dar notícias que sejam perceptíveis para todos os públicos.

Director do CM explica “como se faz um jornal” a universitários

Já só o Pacheco Pereira nos poderá valer

Acerca da publicação no Correio da Manhã de supostas escutas a Sócrates, Estrela Serrano e Fernanda Câncio apontaram para o que há de mais urgente a esclarecer no episódio. Acerca do próprio Correio da Manhã, apenas lembrar que não estamos perante um jornal de escândalos e porcalheiras convencional, um mero tablóide. Há uma intenção política na linha editorial que toma como alvo o PS, especialmente Sócrates e seus próximos, fazendo deste pasquim um instrumento poderoso para os objectivos da actual direita partidária, especialmente do PSD. Aliás, o modo como alimentam o ódio populista contra políticos e depois o conseguem canalizar contra individualidades estrategicamente seleccionadas é uma operação que merece estudo, um trabalhinho de manipulação muito bem feito.

Todavia, porém, contudo, o que nos interessa é o Pacheco Pereira. Esta sumidade da inteligência nacional passou os anos de 2007, 2008, 2009 e 2010 a berrar inflamado as suas descobertas a respeito da malignidade de Sócrates: tratava-se do maior monstro que alguma vez tinha ocupado o gabinete de primeiro-ministro em Portugal, tendo ao seu serviço uma equipa de meliantes que tinha tomado conta do Estado e da sociedade através de técnicas dos serviços secretos e de dois ou três blogues (não necessariamente por esta ordem). Longe de mim duvidar da honestidade e perspicácia do Pacheco, e se ele o disse e escreveu é porque indubitavelmente assim aconteceu. De resto, este ex-deputado teve a valentia de cheirar as cuecas da sua presa dentro da Assembleia da República, no que fica como um triunfo ético e civilizacional que espero o acompanhe ao deitar para o resto da sua vida. Mas, eis o cabrão do meu berbicacho, como é que esses cromos todos das artes da espionagem deixaram Sócrates andar a ser escutado aqui e ali, sabe-se lá mais onde e porquê? Só sabemos para quê, graças ao Correio da Manhã, ao Sol, aos magistrados de Aveiro e inclusive ao próprio Pacheco que, no Verão escaldante de 2009, garantiu virem a existir futuras revelações das perfídias de Sócrates que causariam um pequeno fim do mundo. Era fixe que o Pacheco nos ajudasse a lidar com a contradição, mesmo porque não há mais ninguém nesta terra com os seus conhecimentos.

A “Inventona de Belém” tinha sido até agora o episódio político mais extraordinário a que me fora dado assistir em Portugal. O que teve de extraordinário foi o facto de ninguém de ninguém ter pedido responsabilidades a Cavaco face a uma tentativa de perversão de actos eleitorais. É do domínio do fantástico. E se do lado da direita tal não surpreende dada a sua actual decadência, embora continue a chocar, do lado da esquerda raia o mistério. BE e PCP, no fundo, viram com bons olhos essa conspiração made in Casa Civil, esperando colher vantagens. O Estado de direito, a decência das instituições, a democracia, tudo isso era para queimar juntamente com Sócrates. Pior ainda, indescritivelmente pior: dentro do PS havia quem enchesse a pança de gozo com os ataques à liderança do seu partido. O resultado foi o silêncio, e pelo silêncio os ficámos a conhecer.

Esta publicação de supostas escutas ultrapassa a gravidade da golpada de 2009. Faltam-me as palavras, literalmente, para exprimir o espanto perante, mais uma vez, o silêncio de tudo e de todos. Nem Ministério Público, nem partidos, nem PS, nem Sócrates, nem jornalistas, nem figuras públicas, nem ex-Presidentes da República, nem o cão do Alegre, nem a minha vizinha do 4º andar. Ninguém diz nada, o auto-de-fé prossegue no seu ritmo diário, para júbilo de ranhosos e broncos. E o que tal diz do país onde pagamos impostos é, como bem sintetizou a Fernanda, assustador. O susto não consiste na pulhice da exposição da privacidade de um cidadão sem aparente legitimidade legal, muito menos moral, adentro de uma campanha de assassinato de carácter. O susto vem da cumplicidade dos que estão calados, alheados, divertidos.

Haja a esperança de que o Pacheco Pereira, num dos seus mil veículos mediáticos onde ganha aquilo com que se compram os melões, encontre uns minutos para nos demonstrar como continua a ser Sócrates o único culpado por ter sido apanhado a tratar de assuntos privados ao telefone.

Esquizologia

Não queremos que pensem que somos esquizofrénicos.

Passos

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O uso de esquizofrénico como adjectivo no discurso político está em alta neste mês de Fevereiro e atingiu políticos e comentadores por igual, na direita como na esquerda. Começou com a entrevista de Relvas à RDP, no dia 2, termina a 29 com o Primeiro-Ministro.

Alguém, de preferência na área da saúde mental, devia dizer uma palavrinha sobre o assunto, nem que fosse para aliviar o estigma que permanece como factor escondido de agravamento da doença dos verdadeiros doentes.

Shame on you, Bloco Central

Marcelo Rebelo de Sousa esteve hora e meia no Bloco Central e nenhum dos três bravos companheiros de palestra aproveitou para lhe pedir a sua professoral opinião a respeito da “Inventona de Belém”. Tendo em conta a inaudita gravidade do caso, o seu picaresco e a superioridade analítica do convidado, perdeu-se uma oportunidade de ouro para finalmente recebermos de alguém com autoridade jurídica, política e moral um esclarecimento definitivo a respeito.

Compreendendo eventuais melindres nessa matéria que justifiquem a timidez interrogativa, já acho inaceitável que os estimados feitores do Bloco Central não tivessem repescado esta passagem da mais recente lavagem cerebral:

Ah, e a Espanha quer mudar as metas do défice… Mas a Espanha não está com um programa com a troika. Ainda está na fase anterior, está na fase que nós estávamos com o Sócrates, que era discutir se realmente o défice pode ser um bocadinho maior ou menor.

Marcelo estava aqui a justificar o discurso do Governo de recusa de qualquer alteração ao acordo com a troika enquanto outros países europeus já iniciaram negociações para atenuarem as medidas de austeridade, dessa forma facilitando a obtenção de crescimento ou diminuindo o risco de recessão. E saiu-se com esta verdade: a Espanha poderá adoptar políticas mais inteligentes porque não se enfiou no beco sem saída do resgate. Ora, se na TVI não houve ninguém para continuar o raciocínio, esperava eu na minha santa ingenuidade que o melhor espaço de debate político no País não deixasse fugir os corolários. E que são estes: se o acordo com a troika impede Portugal de estar agora a fazer o mesmo que Espanha e Irlanda, então estávamos melhor sem esse acordo; e se teria sido preferível não ter recorrido à “ajuda externa”, então aqueles que a pediram insistentemente, mais aqueles que a provocaram ao boicotarem uma alternativa, são os responsáveis por estarmos fatalmente incapacitados de defender os nossos interesses.

A pergunta a fazer seria, pois, a seguinte: quantos valores dá o professor àqueles que impediram Sócrates de continuar a lutar por melhores condições para os portugueses tal como agora Rajoy está a lutar por melhores condições para os espanhóis?

Uma pergunta que ganha importância a cada dia: como é que chegámos aqui?

A comunicação social tinha-lhe perguntado se tinha esperado por esta campanha eleitoral para assumir todas as divergências que tem com o Governo do PS.

O candidato presidencial apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP acrescentou: “Eu já disse, e repito, que, em relação a qualquer Governo, serei muito exigente pela situação crítica em que o país se encontra, mas sempre aberto a cooperar com o Governo para resolver os grandes interesses nacionais”.

Depois, alegou que não se tem pronunciado sobre “medidas concretas”, porque não quer “entrar na luta político-partidária”, preferindo “ficar pelo enunciar de princípios, de orientações gerais, de estratégias para o futuro”.

Referindo que “um Presidente da República não tem programa, tem compromissos traduzidos sob a forma de orientações gerais para a sua atuação”, Cavaco Silva convidou os portugueses a lerem o manifesto que lhes dirigiu: “Aí eu digo claramente como me proponho atuar no futuro”.

Cavaco, declarando na última semana de campanha vir a cooperar com o Governo em exercício para juntos encontrarem soluções para a crise

«As medidas que agora aparecem são melhores para os portugueses» do que as do PEC 4, afirmou, recordando contudo que «é um programa de austeridade, que é preciso por causa de seis anos de Governo socialista, que levou o país à beira da bancarrota».

Eduardo Catroga critica a atitude do Governo que se «apresenta como vítima e como vencedor de uma negociação que foi sobretudo negociada pelo maior partido da oposição». «O PSD deu um grande contributo para este processo. Portugal vai ter uma grande oportunidade para fazer as medidas que se impõem, para dar esperança», disse ainda.

«Tivemos uma reunião altamente frutuosa com a troika, que percebeu a nossa atitude diferenciadora, de defesa do Estado social. O PEC 4 ataca pensões, não falava em reduzir o gordo estado paralelo…»

Catroga, no final das negociações, declarando que o PSD defendeu o Estado social junto da troika e que Portugal vai entrar em crescimento com o acordo alcançado

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Continuar a lerUma pergunta que ganha importância a cada dia: como é que chegámos aqui?

Futebol não é metáfora, é metonímia

Condeno os amarelos por palavras dirigidas aos árbitros, já conversámos sobre isso no grupo, e ficou claro que esses cartões têm de ser evitados ao máximo.

Vítor Pereira

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É das coisas mais estúpidas que se vê em campo, os protestos contra as decisões dos árbitros. Evidência de que o futebol não é uma actividade profissional, pois esses jogadores que protestam cresceram a ver que os protestos nunca produzem o efeito desejado, aumentando o risco de levarem a um cartão de imediato ou na repetição da estupidez. Ora, já muito jogador dito profissional acabou expulso, ou a não poder jogar na partida seguinte, por causa das suas infantilidades. Se os clubes supostamente profissionais fossem geridos e/ou treinados por verdadeiros profissionais, jamais esses jogadores repetiriam as irracionalidades que só causam prejuízos a quem lhes dá aquilo com que se compram os melões a troco de andaram a correr em calções aos domingos.

Parabéns, pois, ao Vítor Pereira por estar a trazer o assunto à baila e a mostrar que pretende ser um profissional do futebol.

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Já no ano passado foi assim: Jesus começa a ganhar, anda umas jornadas embalado e de repente começa com um discurso mágico onde o Benfica deixa de ser uma mera equipa de futebol e se transforma na versão pontapé na bola dos Globetrotters. Pouco depois, inexplicavelmente, o esférico deixa de entrar. E a culpa passa a ser do árbitro.

Eis o peso de um nome: a auto-crucificação.

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Se o Domingos quisesse ficar no Sporting nunca teria insultado o clube como o fez ao reagir às críticas do João Braga. Acresce que a sua presença no banco irradiava insegurança e cerebralismo. Ele não se sentia parte da equipa, era o seu capataz preocupado com a imagem que tinha ou deixaria de ter. Por isso começou a despejar a sua frustração para cima dos jogadores nas entrevistas, explicando os maus resultados por falta de empenho de alguém nunca nomeado, logo de todos.

Sá Pinto, que jamais terá boa imprensa mesmo que ganhe a Champions com uma equipa de juniores, está durante o jogo a aplaudir a mera intenção dos jogadores até quando não finalizam bem. O resultado tem sido um futebol tão mau como o pior de Domingos, mas com a fezada suficiente para ganhar. Os jogadores são os mesmos, a táctica é a mesma e a substituição de um treinador por outro a meio da época é a prova provada da fantochada em que consiste a função. A única diferença tem de ser atribuída à mística. Aquilo que, no fundo, se vai sentir e celebrar num estádio.

Impressionar a troika, brilhar para a troika, seduzir a troika

Dogma Overturned: Women Can Produce New Eggs
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Anticipation of Stressful Situations Accelerates Cellular Aging
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Trusting Feelings When Predicting Future Events: The Emotional Oracle Effect
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Gay Judge Refuses to Marry Straight Couples
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The Very Real Pain Of A Broken Heart
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In the Genes, but Which Ones? Studies That Linked Specific Genes to Intelligence Were Largely Wrong, Experts Say
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Recharge Your Cell Phone With a Touch? New Nanotechnology Converts Body Heat Into Power

Atlas da situação

De Francisco Assis a Santos Silva, de António Costa a Vital Moreira, de Luís Amado a Teixeira dos Santos, de Pedro Silva Pereira a Maria de Lurdes Rodrigues, e em muitos outros políticos protagonistas do ciclo anterior pelo PS, constata-se que as suas intervenções públicas são exemplares no respeito pelas instituições e papéis inerentes às funções e aos momentos que Ministros e País atravessam. Assistimos a explícitas defesas de certas acções do Governo por parte destes ex-governantes e altas figuras do partido, chegando ao ponto de fazerem pedagogia política, e cívica, quando não exploram o conflito decadente entre o decadente Cavaco e o decadente Governo e quando protegem o discurso em que Passos Coelho se recusa a admitir qualquer fragilidade no cumprimento do acordo com o trio de credores.

De facto, é óbvio que o Primeiro-Ministro não pode dar qualquer sinal de reconhecimento do provável falhanço deste 1º resgate, pois isso só iria aumentar o problema ou impedir fatalmente a sua resolução. Isto é evidente. Tal como evidente era a lógica que levava Sócrates a dizer exactamente o mesmo numa situação análoga, cumprindo com a sua obrigação. Caso Sócrates dissesse que Portugal precisaria de um empréstimo de emergência antes de ter esgotado todas as alternativas, seria ele o único responsável por esse desfecho. Porém, toda a oposição declarava que essa postura era irrealista e que Sócrates não passava de um mentiroso. Um mentiroso irrealista, portanto, oxímoro para consumo dos broncos alimentados a palha e baldes de merda por uma comunicação social em campanha permanente pelo falhanço dos esforços do Governo socialista na tentativa de encontrar uma saída que evitasse a ruína presente. Era tudo mau. Era tudo culpa de um homem muito mau. Satânico.

Assim que esta direita partidária conquistou o poder, de imediato introduziu a causa Europa nos seus discursos a respeito da origem e resolução da crise e apelou à união nacional. Caso não tivesse tomado o poder, estaria ainda hoje a fazer o que fez desde 2008 num combate de vida ou morte: ininterruptas campanhas de assassinato de carácter, golpadas judicial-mediáticas, boicote legislativo, aproveitamento das comissões no Parlamento para difamações sistemáticas, ataque à credibilidade das instituições com tutela do Estado, promoção da desconfiança pública a respeito das informações fornecidas por entidades estatais, ocultação ou denegação de qualquer dado positivo acerca da realidade nacional, activa produção de imagens negativas de Portugal no estrangeiro, apelos à insurreição popular espontânea contra o Governo e os serviços públicos. Tudo isto de mãos dadas com os aliados vermelhos, iguais na demência de preferirem a terra queimada à negociação com aqueles que não toleram e gostariam de ver desaparecer para sempre.

Moral da história: o PS leva o regime às costas.

Falar verdade aos portugueses – Casos práticos

O Presidente da República, Cavaco Silva, continua sem explicar qual o “impedimento” que o impossibilitou de realizar a visita à escola artística António Arroio, em Lisboa, há precisamente uma semana. Recusou ainda dizer se já sabe quanto é que vai receber de reforma do Banco de Portugal.

Questionado sobre o assunto, ao final da manhã, no arranque do V Roteiro para a Juventude que iniciou no Norte do país, não esclareceu qual a razão que o impediu de visitar a escola que tinha à sua espera uma manifestação de alunos.

Cavaco Silva fala num impedimento de última hora, que não especifica, e faz questão de relembrar o seu percurso político, quase a justificar que não foi a manifestação dos estudantes o motivo pelo qual desmarcou o encontro.

Questionado pelos jornalistas se já sabe quando é que vai receber de reforma do Banco de Portugal, depois de há algumas semanas ter dito que as pensões mal lhe chegam para as despesas, Cavaco Silva limitou-se a responder: “Neste momento entendo que não devo contribuir de forma nenhuma para aumentar polémicas ou desinformações.”

Cavaco recusa esclarecer casos António Arroio e pensões de reforma

Louçã, um neoliberal afinal

Portugal tem que ter “coragem” para “despedir ´troika´”, diz Louçã

Louçã, o genial estratega que tem conseguido manter o BE nesse éter nefelibata donde os puros da esquerda pura escarram para cima dos vendidos que têm os pés na terra, a inteligência rara por detrás da reeleição de Cavaco, o paladino da renovação partidária na mesmidade, quer agora despedir aqueles senhores que ele ajudou a contratar. É que nem sequer um ano passou desde que Louçã disse que o chumbo do PEC IV seria o começo do fim da crise e já anda a querer ver-se livre dos que vieram para cumprir a sua profecia.

Louçã é um daqueles neoliberais que acha que o mercado da demagogia é que deve ditar as leis da empregabilidade das ideias. Não admira que a rotatividade da sua retórica seja intensa e o custo do trabalho intelectual baixíssimo.

A corrupção dos xuxas é bué pelintra: 147,72 euros por mês

Esta capa é um exemplo de puro sensacionalismo cujo objectivo é continuar a difamar políticos, e personalidades, ligados a Sócrates e ao PS do ciclo Sócrates. Na sequência, Santos Silva esclareceu que os seus gastos com o cartão correspondem a uma média de 147,72 euros por mês, para um total de 2.954,39 euros em 20 meses. Ficamos agora à espera que os honestíssimos jornalistas do Correio da Manhã venham anunciar terem recebido informações de uma fonte credível não identificada que garante saber terem sido esses 147,72 euros mensais gastados em putas e vinho verde. Futuras investigações deste Avante dos ranhosos tentarão descobrir ao cêntimo qual o custo das putas e qual o custo do vinho verde de modo a melhor se poder avaliar o desempenho de Santos Silva à frente do Ministério da Defesa. A questão não é despicienda, como qualquer representante da gente séria poderá sem esforço, e com manifesto gosto, explicar.

Entretanto, o Diário de Notícias fez uma notícia com o assunto. Porquê? Para poder escrever o seguinte:

Na nota publicada publicada hoje de manhã, Santos Silva recua na insinuação de que para a atual equipa ministerial da Defesa, liderada por José Pedro Aguiar-Branco, teria tido”útil” a manchete do Correio da Manhã.

Pelo contrário, agradece na pessoa dos “mais altos responsáveis” do ministério da Defesa, a “celeridade” com que lhe “facultaram a informação solicitada”, “compreendendo a sua relevância para a defesa” da sua “honra pessoal” e, na sua “modesta opinião”, “também para a defesa da dignidade institucional das funções” que teve “o privilégio de exercer”.

Donde, dupla vitória para Aguiar-Branco e Governo: da difamação já ninguém livra Santos Silva junto dos broncos e os actuais governantes ainda passam por bons da fita. É destes inestimáveis serviços que vive, e para que vive, o pasquim do laranjal.

Ideólogos da pobreza

Segundo este analista, “o problema de Portugal não é a política orçamental”, mas sim “o excessivo consumo do sector privado, que durante mais de dez anos se habituou a gastar muito mais que o seu rendimento”.

“À primeira vista podemos ser tentados a dizer: e então? Porque deverão os mercados preocupar-se se os agregados familiares continuarem a consumir e as empresas portuguesas invistam com crédito? Desde que o Governo coloque as suas contas em ordem, o prémio de risco na dívida do Governo deve cair. No entanto, os mercados retiraram uma lição desta crise: a dívida privada excessiva torna-se, no final, dívida pública”, escreve o director do centro de estudos.

Daniel Gros considera assim que o Governo português tem pela frente o grande desafio de não só colocarem as contas públicas em ordem como também fazer com que o seu sector bancário assegure que as despesas caiam para níveis compatíveis com os rendimentos.

“Tal requereria uma nova queda no consumo (privado) acima dos 10%, e uma descida semelhante no investimento na construção. Ambos seriam altamente impopulares. Mas se tal não for feito, os esforços de ajustamento do país não poderão ser bem-sucedidos”, conclui.

Fonte