Atlas da situação

De Francisco Assis a Santos Silva, de António Costa a Vital Moreira, de Luís Amado a Teixeira dos Santos, de Pedro Silva Pereira a Maria de Lurdes Rodrigues, e em muitos outros políticos protagonistas do ciclo anterior pelo PS, constata-se que as suas intervenções públicas são exemplares no respeito pelas instituições e papéis inerentes às funções e aos momentos que Ministros e País atravessam. Assistimos a explícitas defesas de certas acções do Governo por parte destes ex-governantes e altas figuras do partido, chegando ao ponto de fazerem pedagogia política, e cívica, quando não exploram o conflito decadente entre o decadente Cavaco e o decadente Governo e quando protegem o discurso em que Passos Coelho se recusa a admitir qualquer fragilidade no cumprimento do acordo com o trio de credores.

De facto, é óbvio que o Primeiro-Ministro não pode dar qualquer sinal de reconhecimento do provável falhanço deste 1º resgate, pois isso só iria aumentar o problema ou impedir fatalmente a sua resolução. Isto é evidente. Tal como evidente era a lógica que levava Sócrates a dizer exactamente o mesmo numa situação análoga, cumprindo com a sua obrigação. Caso Sócrates dissesse que Portugal precisaria de um empréstimo de emergência antes de ter esgotado todas as alternativas, seria ele o único responsável por esse desfecho. Porém, toda a oposição declarava que essa postura era irrealista e que Sócrates não passava de um mentiroso. Um mentiroso irrealista, portanto, oxímoro para consumo dos broncos alimentados a palha e baldes de merda por uma comunicação social em campanha permanente pelo falhanço dos esforços do Governo socialista na tentativa de encontrar uma saída que evitasse a ruína presente. Era tudo mau. Era tudo culpa de um homem muito mau. Satânico.

Assim que esta direita partidária conquistou o poder, de imediato introduziu a causa Europa nos seus discursos a respeito da origem e resolução da crise e apelou à união nacional. Caso não tivesse tomado o poder, estaria ainda hoje a fazer o que fez desde 2008 num combate de vida ou morte: ininterruptas campanhas de assassinato de carácter, golpadas judicial-mediáticas, boicote legislativo, aproveitamento das comissões no Parlamento para difamações sistemáticas, ataque à credibilidade das instituições com tutela do Estado, promoção da desconfiança pública a respeito das informações fornecidas por entidades estatais, ocultação ou denegação de qualquer dado positivo acerca da realidade nacional, activa produção de imagens negativas de Portugal no estrangeiro, apelos à insurreição popular espontânea contra o Governo e os serviços públicos. Tudo isto de mãos dadas com os aliados vermelhos, iguais na demência de preferirem a terra queimada à negociação com aqueles que não toleram e gostariam de ver desaparecer para sempre.

Moral da história: o PS leva o regime às costas.

19 thoughts on “Atlas da situação”

  1. O meu caro comportasse como um verdadeiro fanático, o Sócrates está na dele e nós numa péssima situação em larga medida por ele perceber tanto do assunto como de lagares de azeite.

    Quanto a meter tudo no mesmo saco é de muito mau gosto, o Luís Amado por exemplo, já está de malas aviadas para um banco com problemas, vai por ao serviço do seu patrão o que? As boas amizades que estabeleceu como governante, o que até é óbvio, a escola é toda a mesma.

    Porque teima o meu caro refazer a virgindade do Sócrates, por acaso ele pediu-lhe esse favor ou é doença sua. O PS tem hoje à sua frente um “caracole” que pensa fazer o que viu os outros fazer com sucesso para chegarem a Primeiro Ministro, isto é, não fazer ondas. Nada fazer dando a impressão que se faz muito dá muito trabalho.

    Fale do que bem sabe, deste povo maníaco e depressivo.

  2. Tens uma fixação no pobre do Sócrates que não és capaz de dar uma resposta inteligente sem essa muleta psicológica. Já só funcionas com Sócrates como motivo.

    Não és o Valupi nem pintado, estás só de serviço ao Socrates já percebi.

    Ao teu jeito deveria responder que maníaco depressivo é a puta da tua tia.

    Devolve a pasta não tens jeito para ser o Valupi.

  3. Este “a ponto r” não será o anónimo que por aqui pasta ?
    Ou é jornaleiro do CM ?
    Força nele Valupi que ele perde a lucidez !
    Jnascimento

  4. Caro Valupi,
    Foram campanhas de assassinato de carácter que continuam, foram golpadas judicial-mediáticas que continuam mas foram acima de tudo tentativas conspirativas pensadas e preparadas para derrubar um governo legítimo e arrasar o PS como partido indefectível defensor da legalidade democrática.
    Quem deu aval aberta e descaradamente acabando por um quase incitamento ao levantamento da rua contra o governo estava e continua no mais alto cargo do Estado que tomou tomou conta e adoptou a função ao serviço da sua desconfiada e auto-convencida mesquinha persona.
    Viveiros de grupos instalados nas costas do Estado impondo a seu belo-prazer mordomias corporativas e negócios chorudos à conta do Estado, já não suportavam mais a honestidade do governo que obrigava os melhores a mostrarem que eram mesmo melhores sem favores e a trabalharem em prol do país e não para sí próprios: o psd é um grupo vastíssimo desde pme a ge com empresários que são precisamente do grupo para trabalharem politicamente os negócios de suas empresas dado que apenas sabem negociar e obter contratos de favor e jamais modernizar e tornar competitivas as suas empresas pelo ganho tecnológico ou organizacional.
    Mexer neste pântano de viveiros de oportunismo e imobilismo bem e comodamente instalados, obrigando-os a trabalhar e mostrar as suas capacidades para além do xico-espertismo, é como despertar um saco de víboras venenosas. O país não estava minimamente preparado para tal sacudidela e, talvez esteja aí um dos erros de Sócrates, devia primeiro preparar mais lentamente o assalto e a destruição sem tibiezas do amiguismo e situacionismo técnico-cultural que vem desde salazar.
    Não foi ainda possível desta vez mas ficou o fermento que é isso mesmo que o Valupi nota nas actuais posições críticas mas com total sentido de Estado que os melhores do governo anterior e do melhor que o país tem, vêm tomando sem recorrer ao populismo ultra-demagogo de pp, nem ao ultra-alarvismo dos macedos, aguiar-brancos(brancos e broncos mesmo), nem às falsidades mesquinhas de cavacos, ppc, relvas, nem às manhas político-perversas travestidas de culturais de pachecos, vgm e outros que gostam de adular bacocos embevecidos face à sabedoria livresca que ostentam para se alcandorarem a reis em terra de cegos.
    Podem enganar o povo muitas vezes, estes e os seus mainates e capatazes da imprensa, mas não o vão enganar sempre. Sócrates deixou a semente do que é governar assumindo o dever de defender o país e desbravá-lo do joio por meio da aposta na honestidade política e do conhecimento científico. os labregos, mais tarde ou mais cedo, serão mandados às urtigas.

  5. É preciso lembrar constantemente aos garotões amnésicos da direita e da extrema esquerda as manigâncias sujas que se fizeram e disseram contra o anterior governo.

    Diabolizaram Sócrates para se legitimarem, para justificarem a merda que fizeram e continuam a fazer.

    É preciso esfregar-lhes essa verdade nas fuças todos os dias, pelo menos até 2015.

    Eles julgam que a mentira colou e querem agora passar impunemente às galgas seguintes.

    É um serviço público denunciar a hipocrisia deste governo e o apoio sorrateiro que a extrema-esquerda tem dado à direita em Portugal.

  6. já sei que isto vai dar confusão, mas meto o comento na mesma: anonimo, apereces na barra, mas o link não dá nada (Val, este sistema não é user friendly e eu gosto que se cultive a amizade pelo utilizador, porra).

    (ainda por cima, depois do submit, volta e meia, lá vem a história de que estou a enviar comentários demasiado depressa…tenho culpa do sistema ser sloooooww????)

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