Uma pergunta que ganha importância a cada dia: como é que chegámos aqui?

A comunicação social tinha-lhe perguntado se tinha esperado por esta campanha eleitoral para assumir todas as divergências que tem com o Governo do PS.

O candidato presidencial apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP acrescentou: “Eu já disse, e repito, que, em relação a qualquer Governo, serei muito exigente pela situação crítica em que o país se encontra, mas sempre aberto a cooperar com o Governo para resolver os grandes interesses nacionais”.

Depois, alegou que não se tem pronunciado sobre “medidas concretas”, porque não quer “entrar na luta político-partidária”, preferindo “ficar pelo enunciar de princípios, de orientações gerais, de estratégias para o futuro”.

Referindo que “um Presidente da República não tem programa, tem compromissos traduzidos sob a forma de orientações gerais para a sua atuação”, Cavaco Silva convidou os portugueses a lerem o manifesto que lhes dirigiu: “Aí eu digo claramente como me proponho atuar no futuro”.

Cavaco, declarando na última semana de campanha vir a cooperar com o Governo em exercício para juntos encontrarem soluções para a crise

«As medidas que agora aparecem são melhores para os portugueses» do que as do PEC 4, afirmou, recordando contudo que «é um programa de austeridade, que é preciso por causa de seis anos de Governo socialista, que levou o país à beira da bancarrota».

Eduardo Catroga critica a atitude do Governo que se «apresenta como vítima e como vencedor de uma negociação que foi sobretudo negociada pelo maior partido da oposição». «O PSD deu um grande contributo para este processo. Portugal vai ter uma grande oportunidade para fazer as medidas que se impõem, para dar esperança», disse ainda.

«Tivemos uma reunião altamente frutuosa com a troika, que percebeu a nossa atitude diferenciadora, de defesa do Estado social. O PEC 4 ataca pensões, não falava em reduzir o gordo estado paralelo…»

Catroga, no final das negociações, declarando que o PSD defendeu o Estado social junto da troika e que Portugal vai entrar em crescimento com o acordo alcançado

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A estratégia que levou ao derrube do poder eleito em 2009 consistiu na maior operação de engano do eleitorado na História de Portugal. A fraude foi meticulosamente planeada e eficazmente assumida. Nem sequer a pedra no sapato por Rangel ter perdido para Passos impediu Belém de se lançar numa jogada de altíssimo risco que poderia ter tido consequências de verdadeiro caos institucional. E assim, nos idos de Março de 2011, quase todo o País – dos partidos da falsa direita aos da esquerda verdadeira, dos patrões da comunicação social aos patrões dos sindicatos – se uniu para expulsar Sócrates e entregar a soberania a estrangeiros e seus lacaios portugueses implacáveis no projecto de suspensão da democracia e asfixia económica.

Cavaco nada fez para promover um Governo de coligação após os resultados de 2009. Deu posse a um Executivo sem minoria parlamentar porque essa era a melhor situação para os seus interesses individuais, para os interesses do PSD e para os interesses da oligarquia. Bastaria aguentar o barco até às presidenciais, ocupando o tempo a queimar Sócrates e os socialistas de todas as maneiras possíveis e imagináveis. A evolução das crises económica e financeira internacionais, com a convulsão europeia a centralizar todas as preocupações, era o cenário ideal para atribuir ao Governo de então a exclusiva responsabilidade pelos problemas nos mercados da dívida. O PSD liderou, de facto, a oposição, transformando o combate político em terrorismo moral e contando com a voluntária – e fundamental – aliança do BE e PCP para as coligações negativas que desgastavam e bloqueavam o Governo, consumadas no último acto da farsa pelo chumbo do PEC IV. Neste contexto, Cavaco vendia-se como a única fonte de credibilidade nacional, o único que tinha a capacidade de aguentar a pressão externa, o único que estava acima dos políticos incompetentes e mentirosos. Chegou ao ponto de acusar Alegre por ser imprevisível, pintando-o como um político inexperiente que iria abrir uma crise política gravíssimamente irresponsável na situação de fragilidade do País caso se apanhasse como Presidente da República. Chegou ao ponto de usar a chantagem dos mercados para apelar ao voto em si na primeira volta. No seu Manifesto Eleitoral despejou um chorrilho de vulgaridades, ambiguidades e duplicidades à volta da necessidade da sua continuidade na Presidência, da sua superioridade apolítica e da tão decisiva estabilidade para sair da crise que só ele podia garantir com os seus supinos conhecimentos, insuperável experiência e imaculado carácter.

Passos conhecia todos os números da realidade financeira e económica nacional quando decidiu ir para eleições. Passos conhecia todas as consequências para o País da abertura de uma crise política que levaria ao inevitável pedido de resgate internacional. A sua campanha consistiu em repetir à exaustão que a austeridade que o Governo de Sócrates vinha a aplicar gradual e cautelosamente não era a solução, muito pelo contrário, antes a causa de um problema para o qual ele tinha uma solução fulminante e indolor: cortar gorduras no Estado. Os sacrifícios iriam acabar e a sociedade seria finalmente libertada do polvo socialista que corrompia Portugal internamente e provocava as crescentes pressões dos mercados. O seu enviado para negociar com a troika igualmente repetiu o panfleto antes, durante e depois de ter falado com os senhores do dinheiro. A situação era a ideal, afiançou, pois com esta “ajuda externa” as “reformas” iriam mesmo ser feitas desse lá por onde desse. Catroga berrou incansavelmente, fazendo coro com os restantes dirigentes do PSD, que o chumbo do PEC IV tinha sido altamente benéfico para os portugueses mais desfavorecidos e que a classe média podia respirar de alívio por não se ir aumentar impostos caso o PSD ganhasse as eleições.

Cavaco e Passos fizeram exactamente o contrário do que prometeram ao eleitorado assim que tomaram posse. As suas primeiras acções não podiam ser mais contraditórias com os discursos produzidos em campanha. Cavaco ousou um inédito e aviltante comício na Assembleia da República onde insultou e ofendeu toda a classe política e apelou a uma revolta nas ruas contra o Governo, seguido de uma passividade rancorosa perante o desabamento da única esperança de evitar a perda da soberania financeira. Passos levou a austeridade e os sacrifícios que tinha abominado no passado recentíssimo para níveis inimagináveis por todos, incluindo a própria troika que não tinha pedido um suicídio tão rápido. A frieza, o desdém, a sobranceria com que ambos faltaram à palavra dada e prejudicaram os principais interesses nacionais pede-nos uma resposta a esta pergunta: que sabem eles a nosso respeito para agirem com tamanha impunidade e despudor?

A actual direita partidária vem de 6 anos seguidos de humilhação e ódio. Durante esse tempo não desenvolveram qualquer projecto de sociedade que sequer merecesse a atenção deles próprios por estarem completamente carentes de talentos intelectuais para tão esgotante e inútil elaboração. Não acreditavam que pudessem ganhar eleições apenas pelo mérito das suas ideias, porque eles não acreditam nos portugueses que não conseguem comprar. Em vez disso, apostaram tudo nas tácticas ancestrais de conspiração, dado que possuíam todos os meios para as aplicar pelo tempo que fosse preciso. A campanha pela vinda do FMI foi em tudo igual ao recrutamento de um exército de mercenários estrangeiros para combaterem os seus inimigos internos. Na antropologia calada da gente séria, no que revelam entrelinhas e entre paredes, sentem-se predestinados para governar pois sabem-se donos dos principais poderes fácticos desde o berço: grande empresariado, altos magistrados, super-escritórios de advogados, selecta academia, comunicação social engajada. Irem para a oposição causa-lhes um tormento existencial, deixam de acreditar que o mundo tenha sentido. Precisam da diabolização dos adversários e da moralização da política para se conseguirem organizar. Práticas milenares.

Cavaco foi reeleito depois de ter sido o responsável por uma tentativa de manipulação de actos eleitorais, entre outros episódios degradantes enquanto Presidente da República. Sendo o político há mais tempo em actividade, e que mais poder acumulado apresenta no currículo, a lavagem que faz das suas responsabilidades passadas e presentes é do foro do grande deboche. Passos jurou que Portugal precisava das receitas que estavam a destruir a Grécia e garantiu que as aplicaria com gosto e com gana de as agravar custasse o que custasse. A crise europeia que arrastava o País para a penúria era a oportunidade de ouro para brincar aos tiranetes armados em castigadores do povoléu sujo e calão. Dizem que poderá voltar a ganhar as eleições desde que consiga chegar ao último ano da legislatura com dinheiro para distribuir. O que mostram estas desgraças ambulantes acerca de nós? Mostram que o voto continua a ser a arma do povo, mas que há demasiados zarolhos a apontar a arma para a cabeça do vizinho, quando não para as próprias.

Cavaco e Passos são apenas mais dois políticos medíocres, hipócritas, cínicos. Todavia, representam a oligarquia, servem os seus propósitos com obstinação, aceitam e procuram a rasteira glória de terem a protecção do clã ao longo da vida para si e para os seus. Por isso nos tratam assim. Estão convencidos de possuírem um direito natural para conduzirem o rebanho aos seus currais. Uma vez lá dentro, podemos berrar à-vontade. Virá a tosquia, a ordenha e o abate. Eles têm bocas para alimentar.

21 thoughts on “Uma pergunta que ganha importância a cada dia: como é que chegámos aqui?”

  1. Continuas lúcido, Valupi, mas olha que não são apenas zarolhos com a arma do povo na mão, dando tiros no vizinho, na família e em si próprios. Trata-se mesmo é de burros e idiotas masoquistas, paletes deles, cardumes deles, talvez para compensar a falta de sardinha na nossa costa. São eles que vão enchendo a pança aos fdp que nomeias e fode-me o juízo acabar por fazer parte do cardápio no meio de tão patética bicharada. É montes de democrático, mas, como diria o almirante Pinheiro de Azevedo: “É uma coisa que me chateia, pá, ser empalado.”

  2. esqueceste as corporações da justiça e do ensino que agora são apoiantes do regime.

    oh camacho! tás a fazer purgressos, já escreves “fode-me”. ainda vais a nobel da literatura encaixotada.

  3. Para ajudar a suportar a ingominia da mentira que mina as instituições da República, como sabe bem este discurso verdadeiro e lúcido do Valupi, escavado nos factos indesmentíveis da nossa história recente. É esta verdade dos factos a martelar impiedosamente os espiritos rasteiros e tortuosos usurpadores do poder, que os faz bolsar manchetes caluniosas, quase diárias, contra Sócrates. O seu fantasma persegue-os, sentem eles, e não conseguem olhar a sua criminosa actuação no espelho da triste realidade que estão a servir aos portugueses.
    Não esperem que o povo os absolva, quando der conta da fraude gigantesca.

  4. Chegámos aqui porque houve «alguéns» que faltaram com o respeito ao dever e outros «alguéns» que em vez de pensarem em limpar, contribuíram para a sujidade, ora calando-se, ora votando sempre na mesma «merda», pese embora a mosca mudasse, etc, etc, e agora continuamos a gastar energia a discutir palhaços como esse gajo de Massamá. Esclarecido?

  5. Mas com uma governação tão boa entre 2005 e 2009 o me que intriga é porque razão os eleitores não voltaram a dar maioria ao PS e ao seu chefe supremo. E se és capaz de dizer estas asneiras, imagino o que dirias se tivessem derrubado um governo do PS poucos meses depois de tomar posse e com maioria no parlamento. Tens de começar a fazer aquilo que aconselhas aos outros…. larga o tintol.

  6. (Sic)A estratégia que levou ao derrube do poder eleito em 2009 consistiu na maior operação de engano do eleitorado na História de Portugal(Sic)

    Estes publicitários são uns exagerados (e depois ainda têm “lata” para se queixar da linha editorial dos pasquins do “outro lado”).

  7. Caro valupi,
    a sua análise do sinistro desenrolar dos acontecimentos ao longo de 2010 e 2011, em particular das intenções e actos da oligarquia é muito acertada e pertinente. Falta-lhe porém um aspeto fundamental: a análise do crucial papel dos média na execução do complô. De facto, o discurso de Cavaco e Coelho no início de 2011 só deu frutos porque o povo engoliu a habilmente construída cassete anti-socrática, para a qual em muito contribuiu a generalizada e passiva ignorância, quando não activa conivência dos média. De quase todos sem excepção.
    Não sei o que é pior. Se as milenares práticas que denuncia, ou a inexistência, em pleno século XXI, de média que o sejam verdadeiramente, órgãos livres e informados.
    Hoje, ao fim de anos, em editorial no JNegócios, de PSGuerreiro dá um giro decisivo no discurso paroquial dominante, pondo a tónica na “big picture”, e falando mesmo (milagre!) na importância do endividamento privado na agudização das fragilidades da nossa economia.
    É claro que tanta clarividência só é possível com Krugman. Como sempre, de forma muito pequenina e provinciana, precisámos que viesse alguém, “de fora” e “com currículo”, para que passássemos a acreditar na evidência.

  8. Só utiliza superlativos (“a maior”, “a melhor”, “a pior”, etc.) para classificar algo em determinada categoria, quem tem a certeza de que assim é “de facto”, quem trabalhe em publicidade, em política, ou para um tablóide.

    Agora é só escolher. E nem me vou dar ao trabalho de explicar qual foi “a maior”.

    “Assertividade”, aparentemente é um vocábulo desconhecido por estes lados.

    Vocês nunca mais se convencem que o exagero leva à descredibilização.

  9. Apenas por esta vez, e para demonstrar que não venho aqui só para te chatear ou bater no enorme ego do teu colega “poeta”, aconselho que te documentes sobre o referendo de 1933.

    Quanto ao teu grau de “Assertividade”, está bem patente na frase com que me respondeste.

  10. Morto de Riso, era porreiro que não falasses aos bochechos. O referendo de 1933 não é uma operação de engano do eleitorado, é um acto de fraude eleitoral. Então, uma decisão falseou os resultados, agora não existiu nenhuma falsificação do que apareceu nas urnas. Em 2011 os eleitores votaram livremente em quem prometeu algo e descobriu que eles fizeram exactamente o contrário.

    Ora diz lá: achas que se Cavaco tivesse dito que o seu plano era derrubar o Governo PS na primeira ocasião, mesmo que isso levasse Portugal para a perda de soberania e para a ruína económica, teria sido reeleito?; e se Passos prometesse cortar os subsídios de Natal e Férias, aumentar impostos e taxas para lá imaginável ao tempo e desmantelar o Estado social, teria vencido?

  11. Valupi, também não vou fazer muito alarido à volta do modo como utilizas o termo” fraude ” no teu texto. Uma vez que assumes que o acto de enganar com intuito de obter algo é igualmente fraude (o que é verdade à luz do Direito Penal).

    Quanto à segunda parte, não. Nenhum deles teria vencido. Assim como todos os anteriores que lá estiveram.

    Porém garanto-te que qualquer um deles poderá eventualmente voltar a ser eleito em qualquer outra altura. Mas o Tio Balsemão já explicou anteriormente isso muito melhor do que eu, quando misturou os políticos e os sabonetes naquela tão famosa “gaffe”.

  12. Morto de Riso, existe a dimensão judicial e existe a dimensão moral. Apesar dos seus pontos de contacto não são a mesma realidade.

    Mas já que estás a dar-me a honra e o proveito desta conversa, que queres dizer com “Nenhum deles teria vencido. Assim como todos os anteriores que lá estiveram.”? Estás a dizer que todos os outros que lá estiveram fizeram o que estes dois acabaram de fazer?

  13. Não, Valupi.

    Não fizeram o mesmo que estes dois estão a fazer. Existe uma suficiente variedade de “erros” para que nunca tenham que se repetir ou repetir os dos antecessores.

    Quando o meu filho era pequeno, expliquei-lhe a dada altura que o facto de nunca repetir um “erro”, não serviria de justificação para “errar” sistemática e impunemente.

    Gostaria que alguém lhes (aos que lá estiveram) tivesse feito o mesmo.

    (Uso aqui o termo “erro” com uma certa liberdade, apenas para não iniciar mais um debate que só nos iria consumir mais tempo)

    Ao contrário do que possas pensar, eu leio este blog porque gosto de algumas coisas que aqui escrevem.

    Até amanhã.

  14. Morto de Riso, gabo os teus dotes de telepatia. Quanto ao ponto em discussão, não creio que conheças um qualquer exercício do poder político que esteja isento de “erros”. Os erros começam logo por serem apreciações subjectivas, pelo que existirão sempre opiniões díspares enquanto existirem humanos.

    Se os políticos anteriores não fizeram aquilo que Cavaco e Passos fizeram para vencerem eleições, então continuo a sustentar a tese que começaste por rebater: nunca na História de Portugal o eleitorado foi tão enganado – enganado numas eleições presidenciais e, logo de imediato, enganado numas eleições legislativas.

  15. Nós não chegámos aqui…nós nascemos aqui.

    E nunca chegámos a sair daqui. Tivemos ilusões que alguns ilusionistas nos meteram pelos olhos a dentro.

    Acontece com outros, poucos parvos!

  16. Diálogo interessante, este. Concordo com ambos: o eleitorado é sempre “enganado”, em alguma medida, mais ou menos grave, e nunca na História (da Democracia) o eleitorado português terá sido tão enganado como no biénio 2009-2011.

    Mas se o eleitorado se deixa assim enganar, torna-se moralmente menos condenável a sua manipulação. O que iliba, de certo modo, os manipuladores históricos.

    E já que esta conversa não busca a virtude moral, então é bom que nos preparemos para novas e sempre mais aperfeiçoadas formas de engano e manipulação no Futuro, para não fazermos, como alguns, o papel de anjinhos. Este Mundo (das Democracias), pelos vistos, não é para tó-tós…

    Estaline e Hitler sabiam-no como ninguém. Pois é, pois é, moralista que há em ti, leitor, conforta-te com esta: todo o pecado será castigado. Tão certo, como toda a festarola ter a sua ressaca. O segredo está em medir bem a capacidade de resistência, ou arcaboiço, ao povaréu ignaro.

  17. Valupi, o primeiro parágrafo do Marco Alberto Alves é o que mais se aproxima da opinião que eu tenho sobre o assunto (mas volto a frisar que nenhum dos anteriores está isento de culpa).

    Marco, o castigo para o “pecado” é como a chuva. Teoricamente é destinado a todos mas só atinge os desprotegidos. Já agora. Para mim, a última frase seria perfeita desde que em substituição de “capacidade de resistência” se utilizasse “paciência”.

    Vou agora ser apenas um pouco cínico em relação ao “eleitorado se deixa assim enganar”. Na realidade o eleitorado deixa-se “comprar”, um pouco à semelhança de qualquer rameira de berma a quem o cliente foge, sem pagar o serviço prestado.

  18. Pois é. E porventura cá estaremos todos ainda para ver o glorioso espetáculo da desforra e quem será o desgraçado do “cliente” futuro que vai levar a punhalada traiçoeira e fatal, “só” por causa do seu belo relógio de ouro, que sempre servirá à rameirinha para mitigar os prejuízos causados e, sobretudo, vingar as humilhações que lhe foram inflingidas pelos maus e fujões clientes anteriores.

    E quando ela cai, a tal chuva diluviana e purificadora, acontece que, às vezes, o desgraçado que paga as favas por atacado nem sempre é o mais culpado, ou até pode nem ser culpado de nada! Ou, então, calha ser quiçá o mais culpado de todos. É uma lotaria…

    Nestas coisas da Justiça, com Maiúscula, que alguns acreditam ter origem divina, é tudo uma questão de Fé. Ou de “escrita”. E de “linhas”, mais direitas, ou mais tortas, que no fundo acaba tudo por ir dar ao mesmo. Sim, é verdade, “paciência” é um substantivo particularmente adequado…

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