O melhor da ida de Relvas ao Parlamento para explicar a sua relação com Jorge Silva Carvalho esteve no registo de novas mentiras saídas da sua boca suja. O facto de os políticos terem de mentir em inúmeras ocasiões como obrigação mesma da sua responsabilidade não seria notícia caso não estivéssemos perante hipócritas deste calibre, os quais têm rastejado agarrados à “verdade” no charco da redução da política ao moralismo mais venenoso e bronco. Desta vez, Relvas mentiu quando lhe perguntaram se tinha comunicado ao Primeiro-Ministro a recepção dos SMS com nomes para reestruturar os serviços secretos. Ouçamos o guincho mentiroso e a resposta em falsete:
Não considerei importante… Não!… Não, não, não, não, não, não, não, não, não!
Porque é que estamos perante uma mentira descarada em sede parlamentar? Porque, e vamos esquecer o mero bom senso que chega e sobra para o gasto, caso Relvas não tivesse partilhado com Passos esse acontecimento estaria a violar a sua confiança. O “Super-espião”, que se demitiu com estrondo do SIED em 2010 para provocar danos políticos ao Governo de Sócrates e foi para um Grupo de fortíssima influência empresarial e social, é um passarão demasiado pesado para caber apenas no telemóvel do braço-direito do menino de Massamá. Assim, face a uma pergunta que iria expor Passos a mais pressão jornalística, Relvas opta por mentir a deputados numa questão que sabe ser impossível de investigar por remeter para a esfera sigilosa da sua relação executiva e pessoal.
Relvas disse que tudo não passava de uma tempestade num copo de licor. Tem razão.
