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Licor de merda

O melhor da ida de Relvas ao Parlamento para explicar a sua relação com Jorge Silva Carvalho esteve no registo de novas mentiras saídas da sua boca suja. O facto de os políticos terem de mentir em inúmeras ocasiões como obrigação mesma da sua responsabilidade não seria notícia caso não estivéssemos perante hipócritas deste calibre, os quais têm rastejado agarrados à “verdade” no charco da redução da política ao moralismo mais venenoso e bronco. Desta vez, Relvas mentiu quando lhe perguntaram se tinha comunicado ao Primeiro-Ministro a recepção dos SMS com nomes para reestruturar os serviços secretos. Ouçamos o guincho mentiroso e a resposta em falsete:

Não considerei importante… Não!… Não, não, não, não, não, não, não, não, não!

Porque é que estamos perante uma mentira descarada em sede parlamentar? Porque, e vamos esquecer o mero bom senso que chega e sobra para o gasto, caso Relvas não tivesse partilhado com Passos esse acontecimento estaria a violar a sua confiança. O “Super-espião”, que se demitiu com estrondo do SIED em 2010 para provocar danos políticos ao Governo de Sócrates e foi para um Grupo de fortíssima influência empresarial e social, é um passarão demasiado pesado para caber apenas no telemóvel do braço-direito do menino de Massamá. Assim, face a uma pergunta que iria expor Passos a mais pressão jornalística, Relvas opta por mentir a deputados numa questão que sabe ser impossível de investigar por remeter para a esfera sigilosa da sua relação executiva e pessoal.

Relvas disse que tudo não passava de uma tempestade num copo de licor. Tem razão.

BPN? A culpa é dos socialistas, diz a gente séria

A 1ª comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN, em 2009, reuniu a direita da verdade e a esquerda verdadeira no tiro ao Constâncio, tendo exultado com a grande conclusão que milhares de páginas e centenas de horas permitiram alcançar: o mau da fita, no fundo e para o que importava, era o Banco de Portugal.

Depois disso, alguma arraia-miúda tem ensaiado a paranóia auto-reflexiva de que a nacionalização do BPN foi decidida apenas para ficar a conhecer os segredos de Cavaco.

Agora, Cadilhe avança com mais uma seríssima teoria da conspiração:

Miguel Cadilhe, antigo presidente do BPN até à nacionalização, declarou hoje no Parlamento que, em 2008, “muitas pessoas” lhe referiram existir uma “relação causa-efeito” entre a nacionalização do banco e um processo em curso de denúncia ao Ministério Público de vários atos suspeitos da gestão de Oliveira e Costa. “Mas não foi possível colocar uma pedra, ou calhau, no assunto, porque os processos eram imparáveis”, declarou Cadilhe.

O antigo presidente do BPN recordou que, dias antes da nacionalização, uma equipa de inspectores tributários liderados pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira fez uma busca às instalações do banco. “Eu e a minha equipa ficamos com a percepção, sem confirmação, de que a investigação já sabia que a nacionalização iria acontecer e que, antes que acontecesse, queria recolher informação no banco”, declarou Cadilhe, após ter sido questionado pelo deputado João Almeida do CDS/PP.

Ora, vamos lá fazer a soma das parcelas: havia roubalheira colossal no BPN, a qual era do conhecimento do Banco de Portugal ou que este se recusava a investigar, por isso as coisas chegaram onde chegaram, e depois, como rebentou a bronca, Oliveira e Costa, Dias Loureiro e/ou Cavaco foram a correr pedir a Teixeira dos Santos e/ou Sócrates para se sacrificarem numa nacionalização que iria prejudicar gravemente a sua governação tanto na dimensão política como na económica, e de cujo estigma não mais se livrariam, apenas para salvar a pele dessa malta amiga do PS.

A gente séria diz isto e nem procura disfarçar a risota. São muitos séculos a virar patos na grelha.

Muitos portugueses percebem, outros só quando lhes chegar ao osso

O deputado do PSD Miguel Frasquilho disse nesta segunda-feira, em Felgueiras, que “os portugueses percebem o caminho que está a ser trilhado pelo Governo e que não havia outra alternativa”.

Comentando o crescimento do desemprego, em 2011, na região do Vale do Sousa, que ultrapassou os 20% face a 2010, Miguel Frasquilho insistiu que só as políticas que o Governo está a executar “poderão proporcionar”, no futuro, “mais crescimento económico e criação de emprego”. “É este Governo que está a desendividar Portugal e que está a transformar estruturalmente a sociedade portuguesa e a tornar o país mais competitivo e mais atractivo”, afirmou.

Para o deputado social-democrata, “o Governo está a corrigir anos de desvario”, um trabalho que, sublinhou, exige “esforço, coragem e empenho”. Ainda a propósito da subida de desemprego no interior do distrito do Porto, com números que admitiu serem “dramáticos”, revelou que o PSD já previa que a situação evoluiria nesse sentido, acrescentando: “Esperávamos um agravamento da situação de 2011 para 2012 e, em termos de desemprego, 2013 poderá ser ainda um ano muito complicado”.

Fonte

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Ah, como Frasquilho tem razão, como tudo o que diz é a verdade verdadinha. Este Governo está mesmo, mesmo, mesmo a transformar estruturalmente a sociedade portuguesa. Isso é inegável, inquestionável, indisfarçável. Precisaríamos de recuar a 24 de Abril de 74 para encontrar a mesma tristeza no povo, o mesmo desespero nas famílias, a mesma ideologia bolçada pelos soberbos governantes, a qual despreza os pobres, a classe média, os trabalhadores e os considera culpados de todos os vícios, em especial da preguiça e da gula. Ah, o desvario dos últimos anos, quem pode esquecer. Que loucura, que bacanal. Bastava ler os relatórios do Banco de Portugal, do Instituto Nacional de Estatística, do Eurostat, da OCDE, da Comissão Europeia, dali e dacolá. Toda a gente a denunciar a loucura, era uma loucura. Ah, o desvario das Novas Oportunidades, essa irracionalidade de atribuir competências a quem não nasceu para doutor. Ah, o desvario do programa Magalhães, esse desperdício que só serviu para irritar professores e espalhar literacia informática. Ah, o desvario dos investimentos em ciência, tecnologia, energias renováveis, diplomacia económica, renovação do parque escolar, cultura de avaliação nas escolas, rede viária, ligações de transportes, reforma do Estado. Que inacreditável suicídio colectivo esse de acreditar que Portugal poderia crescer através da qualificação e da modernização.

Sim, Frasquilho, o teu PSD, esse partido que nos ofereceu Santana e Menezes, Cavaco e BPN, Jardim e troika, Passos e Relvas vai deixar este país num brinquinho, a brilhar de tanto o lixarem. Convosco não há desvarios, está tudo controlado.

Um pouco mais de azul

Comprei este. Porque é azul. Um cartaz azul. Uma nascente de azul e infinito. Mas tu podes comprar um dos outros. Ou algo completamente diferente. E também podes comprar o que eu comprei, pois claro, mas só se ainda fores a tempo tendo em conta que apenas vão imprimir 30, os cabrões – os meus queridos amigos da Musa.

Zona Neuro

Precisamos de abandonar a Zona Neuro com a maior urgência possível. Hoje mesmo. Como o fazer? Declarando a falência do medo e anunciando que não temos mais atenção para dar a quem insulta a nossa inteligência.

O que mais custa é começar, precisamente por não sabermos por onde começar, tal a quantidade e variedade de insultos vindos de todas as direcções. Mas depois, se lhe tomarmos o gosto, não queremos outra coisa.

Bute, bazemos: adios, adieu, auf wiedersehen, goodbye Zona Neuro.

Da regular disfunção das instituições democráticas

Bem sabemos que esperar de Cavaco que seja o garante do regular funcionamento das instituições democráticas, este mesmo Cavaco que conspirou contra um partido e dois Governos assim conspurcando a Presidência da República e violando a Constituição, será algo mais improvável do que ver Pacheco Pereira a organizar um jantar de desagravo a Sócrates. Porém, contudo, todavia, não existe mais ninguém a quem possamos fazer esta pergunta: o facto do Procurador-Geral da República ser desmentido pela Ministra da Justiça e, acto contínuo, a Ministra da Justiça ser desmentida pelo Procurador-Geral da República, sendo o assunto em causa um processo que envolve a possibilidade de corrupção ao mais alto nível do Estado, entra dentro do que a lei fundamental portuguesa considera como regular funcionamento dessas duas instituições democráticas em causa?

Não há nenhuma entidade, ou mera figura pública, que fale nesta inacreditável ausência de responsabilização entre dois titulares de cargos tão elevados em radical contradição entre si numa matéria do foro judicial. Nem à direita nem à esquerda, nem dentro dos partidos nem fora deles, nem para criticar nem para questionar, nada de nada de nadinha de nada é dito. É como se não tivesse acontecido, não estivesse a acontecer todos os dias, a toda hora, enquanto uma das partes não assumir o seu erro ou demonstrar o erro alheio.

Está a ser umas das mais reveladoras experiências políticas da minha vida.

Revolution through evolution

Why We All Love The Sound Of Our Own Voice
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Babies’ Brains Benefit from Music Lessons, Even Before They Can Walk and Talk
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Orangutans Communicate with iPad Autism App
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Park Improvements Lead to Increased Vigorous Exercise, Not Just Greater Use
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Purpose in Life May Protect Against Harmful Changes in the Brain Associated with Alzheimer’s Disease
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Smell More… Eat Less
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Middle-Age Spread: Study Shows Range of Perceptions About When Midlife Begins
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Eating Fast Increases Diabetes Risk
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Creepy People Leave You Cold

O nível deste Primeiro-Ministro é insuportável

Passos foi à tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação e disse umas banalidades com que a gente séria costuma explicar a pobreza dos pobres em almoços e jantares, casamentos e baptizados, cocktails e vernissages: que o povoléu, no fundo, não quer é trabalhar (tal como os pretos e os ciganos, por isso igualmente pobres) nem gosta de estudar. Se fossem como a gente séria, estariam a meter cunhas aos tios, primos e amantes da mãe para irem para boas empresas ter uma carreira, ou mesmo para empresas assim-assim mas com direito a carro e tudo. Ou então iam para boas universidades no estrangeiro, ou mesmo para universidades assim-assim ou que nem sequer são universidades, e voltavam doutores e a falar línguas. Pois não, os pobres são de uma passividade exasperante, preferindo ficar a olhar para os palácios em vez de irem a correr bater ao portão e oferecerem-se para servir no que for preciso. Foi disto que Passos falou, incentivando a audiência a não se deixar contagiar pela preguiça dos miseráveis e tratar de agarrar as oportunidades que preenchem o dia-a-dia da frenética gente séria.

Bom, mas isso foi à tardinha. Da parte da manhã, Passos tinha enviado para os tímpanos da Nação esta novidade:

O nível da carga fiscal é insuportável em Portugal.

Vamos então admitir que Passos entende o que diz e que diz o que quer. Nesta hipótese, quis dizer que a carga fiscal ultrapassou os limites. Quais limites?… Who fucking cares?! Basta que seja o Primeiro-Ministro a dizê-lo para que possamos todos invocar a sua palavra e deixar de pagar impostos até que a situação seja regularizada.

Outra problema, só para os curiosos, é o de descobrirmos o que leva Passos a largar bacoradas atrás de bacoradas, e isto com tal regularidade e amplitude que configura um óbvio caso de bronquite asnática. Uma forte pista estará naquilo que levou Soares a esta simpatia:

Passos Coelho é uma pessoa bem-intencionada com quem se pode falar.

É altamente provável que esta descrição seja absolutamente correcta. Passos será alguém com quem se pode falar porque ele diz tudo como os malucos; o que é sempre engraçado, dispõe bem. E é essa, unicamente, a sua intenção: agradar ao seu interlocutor, dizer-lhe o que acha que ele quer ouvir. Foi isso que fez com Louçã, juntando-se a ele num lamento partilhado. A sua vontade era a de ir até à bancada do BE e dar um emocionado abraço ao grande líder da esquerda grande, dizendo-lhe com voz trémula e olhos marejados: “Vamos conseguir reduzir os impostos, Francisco, vamos conseguir! Mas não pode ser já, infelizmente… Tu compreendes… Tu ajuda-me!”.

E assim como diz qualquer coisa que lhe pareça ir agradar a terceiros, de imediato se esquece e faz exactamente o contrário. A sua campanha eleitoral e o que decidiu logo que entrou em S. Bento são o padrão do que podemos esperar para o presente e para o futuro. Passos é como um tipo que viesse enfiar-se com o seu carro no nosso jardim, saísse para ver os estragos e começasse a falar connosco contra os tipos que andam por aí a conduzirem como doidos e a enfiarem os seus carros nos jardins alheios. Depois arrancaria a fundo e nunca mais o víamos.

Servicinhos secretos

O Presidente da República recusou hoje comentar o ‘caso das Secretas’, considerando que “os dirigentes políticos não se devem pronunciar” sobre essa matéria por estar a ser investigada pelo Ministério Público.

“É uma matéria que está a ser objeto de investigação por parte do Ministério Público e enquanto se desenvolve uma investigação dessa natureza entendo que os dirigentes políticos não devem pronunciar-se”, afirmou Cavaco Silva, em Matosinhos, depois de visitar o Fórum do Mar, a decorrer na Exponor.

Presidente da República, reconhecendo a sua inutilidade para se dirigir ao País perante situações que ameaçam a segurança nacional ou solicitar aos responsáveis governativos que o façam adentro da sua directa responsabilidade

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Face às dúvidas fortes que neste momento estão instaladas na sociedade portuguesa, é importante que os responsáveis da empresa de telecomunicações expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a PT e a TVI. É uma questão de transparência.

Presidente da República, protagonista de uma acção de pré-campanha envolvendo um negócio imaginário, das várias que patrocinou para as legislativas de 2009 e 2011

Se não podem tapar as sarjetas, distribuam máscaras

O PS é o principal partido do regime, que o mesmo é dizer da democracia portuguesa, e tem um vasto espectro de militantes e simpatizantes, representando com fidelidade o País na sua diversidade e unidade. Contudo, é de uma acabrunhante inércia no que respeita à produção intelectual que sirva para alimentar, desenvolver e remodelar o espaço público. O lançamento do “Laboratório de Ideias”, e vamos esquecer a ofensa de Seguro ao partido ao ter querido entregá-lo a Carrilho, é uma iniciativa ensimesmada, uma desculpa para as células partidárias fazerem mais do mesmo: nada que o cidadão veja.

Um líder socialista interessado em ganhar eleições – ou, pelo menos, em ajudar o próximo líder – estaria neste momento à espera de receber com carácter de urgência um estudo a respeito da manipulação dos órgãos de comunicação social a favor das estratégias e agendas da direita. Esse foi um dos principais factores que explicaram o desfecho tanto das eleições presidenciais como das legislativas em 2011. E constantemente testemunhamos quão obscenos conseguem ser os jornalistas que diariamente produzem peças ao serviço de interesses políticos determinados. O que se passa, nem que fosse só para servir a estudantes universitários, merece mais do que um estudo académico.

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How to fuck a brand

As recentes declarações de Soares dos Santos vieram colocar a acção promocional do 1º de Maio numa outra, e bem diferente, perspectiva. Do plano urdido com feroz profissionalismo e agressividade comercial, assim pintado pelos apologistas, ou manobra degradante de contorno e intento ideológico, acusação dos detractores, deixou de haver sinal. As declarações do patrono do Grupo, a começar pela admissão de não ter sido avisado, o que revelam é uma surpreendente fragilidade na administração. Aparentemente, a coincidência com o feriado do trabalhador diz mais respeito ao calendário, o ser o primeiro dia de um mês antes do Verão e suficientemente afastado do Natal, do que a uma bizarra e rocambolesca forma de fazer a grande distribuição de ideais políticos. A guerra com o Continente, em que este tem resistido como líder apesar do excelente marketing do Pingo Doce até à fatídica data, mais do que justifica uma acção de grande espectacularidade e impacto como essa da redução de 50% na factura. Do que não estávamos à espera é desta imagem de confusão e desorientação passada por Soares dos Santos.

Aliás, e do ponto de vista da concorrência, há agora novas oportunidades para reposicionamentos que explorem a negatividade comunicacional gerada por esse dia de convulsão retalhista. A extensa cobertura mediática com imagens e notícias sensacionalistas, prolongada nos dias seguintes pela polémica social e política, inevitavelmente arrasta a marca para um território de associações com a pobreza, a exclusão, o desespero. De repente, o discurso pragmático que permitiu resolver sem espinhas de maior o berreiro na comunicação social a propósito do pagamento de impostos na Holanda – resolvido, simplesmente, com a continuação das promessas de vantagens para os consumidores através de preços baixos – não vai desta vez chegar para colmatar os danos. O Pingo Doce, por incúria ou risco, permitiu-se ferir a identidade da classe média, a qual admite tranquilamente querer pagar o menos possível por bens de primeira, segunda e terceira necessidade, mas que não suporta perder a pouquíssima auto-estima que lhe resta.

Por Toutatis, mas o que é isto?


“Nós temos que continuar a confiar no diálogo entre as forças políticas. Este é um tempo que requer muito bom senso e muita serenidade. A Europa vive um tempo muito, muito, muito complexo e Portugal até este momento está a ser olhado de forma positiva no que diz respeito a esses dois ativos que já hoje sublinhei, o ativo do consenso político e o ativo do consenso social.”

[…]

“Eu, até por aquilo que aconteceu hoje aqui, onde foram atribuídos prémios de inovação, de empreendedorismo e de conhecimento, e também pelos indicadores que tenho recolhido nos meus encontros com empresários no país, tenho a esperança – eu disse também que não posso garantir – que no segundo semestre, lá pelo fim, possa ocorrer uma inversão da tendência da produção nacional”, esclareceu.

“Deus queira que seja assim”, sublinhou.

Do fulano cuja hipocrisia e soberba são um insulto diário à República

Good food for good thought

The reason I like talking about fear is that it’s a human experience. We know that security is important, and it’s only going to get more important. So as we look 10 to 15 years out, what I want to do is to think: What do we really need to be afraid of? I’m on sort of a personal campaign against fear. When we talk about what it means to live in a safe and secure world, there’s a lot of misinformation and a lack of information out there. Because of that, people are creating bogeymen. We’re creating these irrational things, and that’s very dangerous—especially when we’re making decisions, whether it’s hardware design or something else. We need to take a fact-based approach to what should we be afraid of and what shouldn’t we be afraid of. And the stuff that we shouldn’t be afraid of, we need to push that aside. The stuff we should be afraid of, we really need to dig into.

What’s frustrating is that talking about this fear is not usually a technology question; it’s a cultural conversation. When I’m out teaching or lecturing, 50 percent of the questions I’m asked have to do with fear, something that someone is worried about. Let’s find out what people are afraid of and attack it. I’m an incredibly optimistic person. The problem with fear is that fear sells. It even has policy implications. I want to pull people away from the fear because otherwise people will gravitate toward it. Very few innovations have come out of being fearful.

Intel Futurist Discusses Data’s Secret Life, the Ghost of Computing and How We Should Attack Fear

Temos uma direita de bimbos

A intenção de acabar com feriados alegando que tal contribui para o aumento da produtividade é a ideia mais estúpida do século XXI em Portugal. Evidentemente, o século está apenas a começar e a sua actual posição de topo não deverá manter-se, mas não vai ser fácil destronar esta aberração que ofende ao atingir duas datas que, pelo contrário, ganhariam era em receberem investimento festivo. Sintomaticamente, as alimárias que se lembraram disto passeiam-se com a bandeira nacional na lapela para todo o lado. Não tenho a certeza, porque não percebo muito desses assuntos difíceis, mas dá ideia de estarmos perante o 1º Governo pós-moderno da História de Portugal, onde as grandes narrativas míticas que estruturam a vivência cultural e social do Povo, celebradas em datas solenes, são substituídas pela semiótica do crachá. Se juntarmos a patetice das viagens em económica, a parolada das gravatas e os regulares espectáculos da decadência e perfídia cavaquistas, grandes símbolos do poder triunfante, temos que a presente direita reúne o que de mais bimbalhão se encontra nesta terra à beira-mar atrofiada.

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E o Vaticano ao preferir manter o 15 de Agosto, uma data sem relevância popular, assim abdicando do Dia de Todos os Santos, uma tradição profundamente enraizada na sentimentalidade pátria? Que não haja dúvidas, insondáveis são os caminhos destes senhores.

Chá, café ou laranjada?

“São momentos de angústia para muitas pessoas em Portugal, é preciso dizer que nós não nos deixamos vencer por essas dificuldades”, disse hoje Passos Coelho, discursando na sessão do 38º aniversário do PSD.

“Mais, as pessoas esperam que quem está no Governo não ande a chorar, mas, pelo contrário seja mobilizador, para que aqueles que têm capacidade para acrescentar valor e para mudar as coisas no país se sintam mais confortados, mais confiantes de que esse é o caminho que vale a pena fazer”, frisou.

Fonte

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Com o PSD no Governo, as pessoas esperam força, virilidade, garbo, diz-nos Passos. O discurso tem de ser mobilizador, de forma a confortar aqueles que acrescentam valor e mudam as coisas, esses heróis da revolução laranja. São esses que têm de se encher de confiança de forma a conseguirem resistir à angústia dos outros e evitarem o contágio da sua fraqueza, esses muitos que não acrescentam valor e não mudam as coisas.

Com o PS no Governo, as pessoas esperam a verdade e nada mais do que a verdade. A verdade, como se sabe, não é bonita quando governam os socialistas, porque os socialistas estragam tudo, desperdiçam recursos, abandalham a fazenda pública, mentem, roubam e levam o País à bancarrota.

E é isto. O PSD é isto e não mais do que isto.

Espera, afinal a Grécia é Portugal

André Freire considera que o governo socialista de José Sócrates foi um executivo centrista, por opção do líder. Era uma versão mais próxima da social-democracia à inglesa. O investigador considera que, após as eleições de 2009, Sócrates estava disponível para dialogar com quem quisesse para que fosse possível formar um governo de minoria socialista. “E ninguém quis. O mínimo que a esquerda radical (PCP e BE) devia ter feito era testar se Sócrates estava a falar a sério, dizendo ‘o nosso caderno de encargos é este’, e ver o que aconteceria. Não fizeram isso. Portanto a situação entre 2009 e 2011 foi de deterioração política. Mas não era obrigatório que assim fosse, podia ter sido de outra maneira”, refere.

Fonte

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Logo a seguir às eleições de 2009 e respectiva constituição de um Governo minoritário, ainda com a sucessão de Ferreira Leite em aberto, chegou-se a falar que o Orçamento de 2010 poderia não ser viabilizado pelo PSD, o que levaria à necessidade de repetir as eleições de imediato dada a impossibilidade do PS em governar. Claro, tratava-se apenas de retórica para os fidalgotes laranjas brincarem à política, sendo que a Manela rapidamente impediu essa fagulha de alastrar. O plano era todo outro, e passava por duas datas: a eleição do novo presidente do PSD, que os cavaquistas estavam seguros e desejosos de ser Paulo Rangel, e a reeleição de Cavaco. Pelo meio, Sócrates, Governo e PS continuariam a ser queimados num fogo cada vez mais intenso, boicotados no Parlamento, perseguidos na Justiça e emporcalhados na comunicação social. Era simples e foi feito com plena eficácia, mesmo com essa mudança de casting que a vitória de Passos introduziu.

Hoje, há quem diga que Sócrates devia ter-se demitido após a moção de censura apresentada por Cavaco na Assembleia nos idos de Março, outros chegam ao ponto de dizer que Sócrates nem sequer devia ter aceitado formar um Governo minoritário. São treinadores de bancada, francos no lamento mas reduzindo a complexidade daquelas situações ao seu quadro emocional presente. Caso Sócrates se tivesse demitido após a golpada de Cavaco na sua tomada de posse, de imediato seria apodado de irresponsável, cobarde, calculista, maquiavélico, doidivanas. Certo? Certíssimo. E ainda pior seria a decisão de se recusar a governar em minoria, numa altura em que se estava a conseguir resistir à crise económica e ainda antes de rebentar a crise das dívidas soberanas. Em ambos os casos, os portugueses não conseguiriam compreender, muito menos premiar, tais espadeiradas nesses nós górdios. E os adversários, à direita e à esquerda, entrariam em êxtase com a oportunidade de devassarem o eleitorado socialista, urrando que ficava provado ser Sócrates um tirano que precisava da maioria absoluta para conseguir exercer o poder.

Este é o cenário onde a reflexão de André Freire se destaca com cristalina nitidez. E este é o mesmo cenário que acontece na Grécia, onde os partidos à esquerda poderiam somar mandatos para uma solução governativa, mas onde o sectarismo alucinado prefere o caos ou a repetição do acto eleitoral. Por cá, de 2009 a 2011, o BE e o PCP preferiram trabalhar alegremente para a vitória da estratégia da direita, alinhando em todas as suas acções e golpadas. Foi, como agora sabemos e sentimos no lombo, o seu contributo para o caos.