How to fuck a brand

As recentes declarações de Soares dos Santos vieram colocar a acção promocional do 1º de Maio numa outra, e bem diferente, perspectiva. Do plano urdido com feroz profissionalismo e agressividade comercial, assim pintado pelos apologistas, ou manobra degradante de contorno e intento ideológico, acusação dos detractores, deixou de haver sinal. As declarações do patrono do Grupo, a começar pela admissão de não ter sido avisado, o que revelam é uma surpreendente fragilidade na administração. Aparentemente, a coincidência com o feriado do trabalhador diz mais respeito ao calendário, o ser o primeiro dia de um mês antes do Verão e suficientemente afastado do Natal, do que a uma bizarra e rocambolesca forma de fazer a grande distribuição de ideais políticos. A guerra com o Continente, em que este tem resistido como líder apesar do excelente marketing do Pingo Doce até à fatídica data, mais do que justifica uma acção de grande espectacularidade e impacto como essa da redução de 50% na factura. Do que não estávamos à espera é desta imagem de confusão e desorientação passada por Soares dos Santos.

Aliás, e do ponto de vista da concorrência, há agora novas oportunidades para reposicionamentos que explorem a negatividade comunicacional gerada por esse dia de convulsão retalhista. A extensa cobertura mediática com imagens e notícias sensacionalistas, prolongada nos dias seguintes pela polémica social e política, inevitavelmente arrasta a marca para um território de associações com a pobreza, a exclusão, o desespero. De repente, o discurso pragmático que permitiu resolver sem espinhas de maior o berreiro na comunicação social a propósito do pagamento de impostos na Holanda – resolvido, simplesmente, com a continuação das promessas de vantagens para os consumidores através de preços baixos – não vai desta vez chegar para colmatar os danos. O Pingo Doce, por incúria ou risco, permitiu-se ferir a identidade da classe média, a qual admite tranquilamente querer pagar o menos possível por bens de primeira, segunda e terceira necessidade, mas que não suporta perder a pouquíssima auto-estima que lhe resta.

3 thoughts on “How to fuck a brand”

  1. O pingo doce fez 50%? Olha, olha… a comunicação social não se importa de lhe fazer 100 todos os dias.

  2. a guerra parece ser entre o continente e o pingo mas NÃO É,é sim para os dois que já estão quase sozinhos (posição mais que dominante) ficarem mesmo sós.
    Veja-se caso da makro,minipreço(onde já houve um suicidio).
    Agora os fornecedores só tem 2 hipoteses ou vendem aos 2 e morrem ou não vendem e morrem!!!!!!!!
    unica saída é exportar e os 2 comprarem só na china e restos da europa(caso do leite)

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