O nível deste Primeiro-Ministro é insuportável

Passos foi à tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação e disse umas banalidades com que a gente séria costuma explicar a pobreza dos pobres em almoços e jantares, casamentos e baptizados, cocktails e vernissages: que o povoléu, no fundo, não quer é trabalhar (tal como os pretos e os ciganos, por isso igualmente pobres) nem gosta de estudar. Se fossem como a gente séria, estariam a meter cunhas aos tios, primos e amantes da mãe para irem para boas empresas ter uma carreira, ou mesmo para empresas assim-assim mas com direito a carro e tudo. Ou então iam para boas universidades no estrangeiro, ou mesmo para universidades assim-assim ou que nem sequer são universidades, e voltavam doutores e a falar línguas. Pois não, os pobres são de uma passividade exasperante, preferindo ficar a olhar para os palácios em vez de irem a correr bater ao portão e oferecerem-se para servir no que for preciso. Foi disto que Passos falou, incentivando a audiência a não se deixar contagiar pela preguiça dos miseráveis e tratar de agarrar as oportunidades que preenchem o dia-a-dia da frenética gente séria.

Bom, mas isso foi à tardinha. Da parte da manhã, Passos tinha enviado para os tímpanos da Nação esta novidade:

O nível da carga fiscal é insuportável em Portugal.

Vamos então admitir que Passos entende o que diz e que diz o que quer. Nesta hipótese, quis dizer que a carga fiscal ultrapassou os limites. Quais limites?… Who fucking cares?! Basta que seja o Primeiro-Ministro a dizê-lo para que possamos todos invocar a sua palavra e deixar de pagar impostos até que a situação seja regularizada.

Outra problema, só para os curiosos, é o de descobrirmos o que leva Passos a largar bacoradas atrás de bacoradas, e isto com tal regularidade e amplitude que configura um óbvio caso de bronquite asnática. Uma forte pista estará naquilo que levou Soares a esta simpatia:

Passos Coelho é uma pessoa bem-intencionada com quem se pode falar.

É altamente provável que esta descrição seja absolutamente correcta. Passos será alguém com quem se pode falar porque ele diz tudo como os malucos; o que é sempre engraçado, dispõe bem. E é essa, unicamente, a sua intenção: agradar ao seu interlocutor, dizer-lhe o que acha que ele quer ouvir. Foi isso que fez com Louçã, juntando-se a ele num lamento partilhado. A sua vontade era a de ir até à bancada do BE e dar um emocionado abraço ao grande líder da esquerda grande, dizendo-lhe com voz trémula e olhos marejados: “Vamos conseguir reduzir os impostos, Francisco, vamos conseguir! Mas não pode ser já, infelizmente… Tu compreendes… Tu ajuda-me!”.

E assim como diz qualquer coisa que lhe pareça ir agradar a terceiros, de imediato se esquece e faz exactamente o contrário. A sua campanha eleitoral e o que decidiu logo que entrou em S. Bento são o padrão do que podemos esperar para o presente e para o futuro. Passos é como um tipo que viesse enfiar-se com o seu carro no nosso jardim, saísse para ver os estragos e começasse a falar connosco contra os tipos que andam por aí a conduzirem como doidos e a enfiarem os seus carros nos jardins alheios. Depois arrancaria a fundo e nunca mais o víamos.

13 thoughts on “O nível deste Primeiro-Ministro é insuportável”

  1. Insuportavelmente escolhido. Tal como Cavaco, Barreto, Manuela Guedes, Crespo, os Carreira, o Toni e o Medina. E outros muitos. São parte do que insuportavelmente também somos, da nossa costela foleira. Um dia ainda mudo de povo.

  2. Não me parece que tenha sido escolhido em consciencia. O véu espesso da mentira impediu gente muito bem intencionada, mas pouco dada ao escrutínio, de vêr o que aí vinha.
    Pusseram o voto nas mãos de um “salvador”.
    Mais uma vez estamparam-se contra a parede.
    O facto de termos uma oposição “violentamente” meiga e inerte têm ajudado á festa.

  3. O Gato vadio falou com sabedoria. O povo foi enganado, sobretudo aquela camada que viveu toda ou parte da ditadura obscurantista de Salazar. E ajudaram ao engano os que agora choram lágrimas de crocodilo, como Louçã ou Jerónimo acólitos da direita por seis longos anos, sem falar da valiosissima prestaçâo do Dr Mário Soares, que abonou, junto da nação, a idoneidade de Passos Coelho, nos termos referidos pelo Valupi e muito mais. O mesmo Soares que durante três horas massacrou Sócrates para se render à Troika, depois de ver o que a dita fizera com a Grécia!!! , vem agora apelar a que se rasgue o compromisso. Com que autoridade moral, o homem que foi arengar na universidade de verão da JSD, vem apelar à revolta? Pelo menos confesse que se enganou, se retrate e peça desculpa ao país e a Sócrates.
    O povo foi enganado e traido pelas republicanissimas figuras. Ou figurões. Já nâo sabe para onde se virar.
    Pelo menos hoje, virou-se, massivamente, para Nossa senhora de Fátima.

  4. …tal como caco antibes tb o nosso primeiro odeia pobre… cada um tem o falabela que merece…o brasil um grande ator nós um jotinha piegas e merdoso…

  5. pois , que é que se há-de fazer ? emquanto os cromos com voz pública continuarem a dizer que cristianismo não é possível sem os padres curas porque a confissão e absolvição são pedras basilares vamos continuar a ter primeiros ministros jotas insuportáves , que deviam mas era desempregar-se/desfiliar-se para terem oportunidade de mudar de vida , e campanhas eleitorais que não interessam nem ao menino jesus.

  6. PP,

    o povo português não foi enganado. Mais uma vez, o povo português escolheu enganar-se a si próprio, porque este povo não é normal da cabeça, o único paralelo de bezerrismo que encontro é o do povo alemão. Esse mesmo. A diferença é que o povo alemão entusiasma-se com as regras que lhe são ditadas, o povo português resigna-se com as ditas. É por isso que o povo alemão pode mais que o povo português.

  7. Val, muito bem. Este vai para difusão. A tua musa é a Consciência (por parte da mãe) da Desgraça (por parte do pai), vrais?

  8. Eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres,
    Que eu sou doutra condição, que eu sou doutra condição
    Tanta gente sem trabalho, não tem pão nem tem sardinha e nem tem onde morar
    Do frio faz agasalho, que a gente está tão magrinha da fome que anda a rapar
    O governo dá solução, manda os pobres emigrar, e os emigrantes que regressaram
    Mas com tanto desemprego, os ricos podem voltar porque nunca trabalharam
    E assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal

    (Fausto)

  9. discordo do zeca quando pergunta: “onde estão as novas gerações? as novas gerações estão a curtir uma de clowns.”. Não, estão a descurtir uma de se zangarem com a terra-merda e emigrarem, ressentidos, com as falas de “quando sais?, “já conseguiste sair?” (testemunho pessoal).
    Mas está muito atual quanto ao facto de les se prepararem para não deixar nada.

    http://www.youtube.com/watch?v=ZUEeBhhuUos

    (ah, isto era sobre o passos coelho, quase me esquecia…so? o que há a dizer sobre nada? Nada)

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