Universidade de Verão do PSD: uma aluna com potencialidades para chegar a líder
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Fazer à Constituição o que fizeram ao Caniço
Se alguém estiver a preparar uma antologia dos textos exemplarmente populistas dos tempos que vivemos, esta peça entra para lá directamente com louvor e distinção. O autor, para além de grande amigo do Vítor Gaspar, é um celebrado caluniador que escreve para alimento dos broncos e que aqui revela pretender cortar o pirilau e a tomatada à Constituição. Nem depois de ler se acredita no que chocalha dentro daquela cabeça:
Revolution through evolution
Strong Female Portrayals Counteract Negative Effects of Violent Media for Young Adults
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Gender Bias in Leading Scientific Journals
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Healthy Lifestyle Reduces Risk of Hypertension by Two Thirds
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The Hidden Truths about Calories
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Insights Into Language And Emotion From Psychological Science
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The Role of Genes in Political Behavior
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Prolonged cannabis use leads to drop in IQ, study shows
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Studying Instead of Sleeping Bites Students
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Midlife Fitness Cuts Chronic Disease Later
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Healthy Living Into Old Age Can Add Up to Six Years to Your Life: Keeping Physically Active Shows Strongest Association With Survival
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Reliance on supernatural explanations for major life events, such as death and illness, often increases rather than declines with age
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How Algorithms Rule The World
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Affluent People Less Likely to Reach out to Others in Times of Trouble?
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People of Normal Weight With Belly Fat at Highest Death Risk
A ética morreu afogada
Há oito anos que, de vez em quando, notícias dos submarinos emergem e depois, de repente, submergem. Quando interessa, aparecem e quando deixa de interessar, desaparecem.
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As notícias a que Portas se refere emergiram no Ministério Público, o qual anunciou a (re)descoberta de documentação em falta no processo da compra dos submarinos. Independentemente do desfecho do caso, esta declaração literalmente en passant é um diagnóstico letal para o regime. Eis um dos políticos mais antigos em actividade, presidente do CDS e segunda figura do Governo, a dar como normal que haja instrumentalização da Justiça para fins de ataque político.
A declaração nada tem de extraordinário no plano intelectual, onde corresponde à visão cínica sem a qual muitos nem sequer concebem a actividade partidária e governativa. Este é o mundo da violência permanente e da conquista do poder pelo poder. A única regra a ser respeitada é a de fazer batota sempre que se saiba que não se é apanhado, sendo este o critério do talento para a função.
E a declaração é toda ela incrível no plano moral. Porque diz respeito à ética. Se Portas sabe que há magistrados ou jornalistas que lançam notícias difamantes e caluniosas, que espalham sistemática e impunemente suspeitas de crime a serviço de interesses próprios ou de terceiros, onde estão as denúncias? Onde está o seu combate contra tamanha perversão e decadência? Onde está o seu compromisso com o Estado de direito? E como se permite fazer política em casos similares, como o Freeport, onde bastou o seu silêncio de conhecedor deste tipo de manobras agora denunciadas para ser cúmplice de manobras por denunciar?
Espera… vai na volta, Portas considera que no Freeport as notícias não emergiam e submergiam quando interessava. E se lhe perguntarem se vê semelhanças nos dois casos nesse aspecto, podemos já antecipar a resposta: dirá com um sorriso mavioso, o sorriso de quem já anda a virar frangos há décadas, que o Freeport não é um submarino.
Esta Lisboa já não existe, mas é
Galamba troca os olhinhos ao coitado do Abel Baptista
O sonho de uma Universidade de Verão
A Universidade de Verão do PS faz parte do puzzle que, se algum dia for completado, permitirá descobrir o que levou Seguro a boicotar o PS na sua tentativa de derrubar Sócrates e ocupar-lhe o lugar. Sócrates acabou com esta iniciativa enquanto foi secretário-geral, a qual era organizada pelo Seguro. Estará aqui a origem da vingança? Terá sido essa decisão a natural consequência de Sócrates não querer Seguro no seu círculo próximo, provavelmente por não confiar nele pelas razões que o futuro agora passado se encarregou de exibir? Será que a interrupção desta iniciativa teria ficado sem consequências caso Sócrates tivesse levado Seguro para o Governo ou o tratasse como o príncipe que ele se imaginava? Si non è vero è ben trovato, pois a ambicionada presença de Seguro à frente do PS e a inépcia da sua estratégia com líder da oposição são um verdadeiro enigma – e estamos mesmo perante uma ignomínia pelo seu apagamento da história de como a direita provocou uma crise política para trazer a troika e assim ganhar as eleições e ficar com carta branca para os negócios à custa do Estado Social.
Este evento reúne figuras da política activa e teorizada, destinando-se a uma audiência presencial de 110 jovens militantes socialistas. Acreditando na imprensa, os carolas mandantes elaboraram uma bibliografia que inclui tudo e mais alguma coisa, não faltando obras que nem após vários anos de estudo consecutivo se podem considerar assimiladas: A Política, de Aristóteles; Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels; Teoria Geral da Política, de Norberto Bobbio; A Liberdade dos Antigos Comparada à dos Modernos, Benjamin Constant; Ensaios Morais, Políticos e Literários, David Hume; Da Democracia na América, Alexis de Tocqueville; A Política como Profissão, Max Weber. Há muito, muito e muito mais na listagem, coisas incríveis e espantosas. Pelos vistos, a lógica é a de que os neófitos cheguem à Universidade de Verão com esta papelada toda lida para poderem opinar ou, quiçá, meramente entender o que vão ouvir. E não pensem que vão escapar ao rigoroso escrutínio do TPC, pois o programa vai distribuir a rapaziada por três salas após cada painel. Isso vai dar 30 e tal galfarros por cada “Reunião de Turma”, os quais terão 60 minutos para chegarem ao local devidamente reciclados de líquidos e nicotina, após o que terão de conseguir sentar-se, acalmar e calar, e ainda não descurando que terão de chegar a horas ao encerramento do painel para não atrasar o programa das festas. Tudo somado e subtraído, ficam à volta de 15 minutos para gastar na discussão colectiva a respeito dos grandes pilares da civilização ocidental e o rumo ao socialismo.
A situação de Manta Rota
António Borges explicou que está tão “otimista” em relação ao programa de ajustamento financeiro assinado com os credores internacionais e ao futuro da economia portuguesa porque, “em primeiro lugar, a situação de bancarrota desapareceu” e, ao contrário do que acontecia há um ano, o país já não vive “exclusivamente” do crédito externo.
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Há algo de muito meritório, talvez heróico, no dizer-se que um país sujeito a um programa de assistência financeira, onde os credores ditam a parte fundamental das políticas e todas as metas económicas a atingir sob pena de fecharem a torneira, já não vive “exclusivamente” do crédito externo. A frase é tão extraordinária que apela a uma interpretação mais lata, quiçá remetendo para o sentido conotativo onde Borges estaria a reconhecer que, agora sim e ao contrário do anterior, o Governo português já não tem qualquer crédito externo (nem interno, mas não sejamos demasiado exigentes com o senhor).
Este bambino d’oro está optimista porque a situação de bancarrota desapareceu. É uma excelente notícia, até a minha vizinha do 4º andar concordará. Mas que situação é essa de que o laranjal tanto fala, de que o laranjal só fala? Do que se sabe publicamente, a bancarrota aludida pertence à mesma categoria do Bigfoot, do Abominável Homem das Neves, do Monstro do Lago Ness e da responsabilização pela Inventona de Belém. São seres de que milhões de pessoas falam, de que milhares garantem a existência, de que centenas reclamam ter provas e a que dezenas (ou nenhuma, no caso da Inventona de Belém) dedicaram vidas de investigação. Pura e simplesmente, a bancarrota não aconteceu, apesar dos esforços titânicos nesse sentido feitos pelo PSD, CDS, BE, PCP, Presidente da República, sindicatos vários, super-patrões, patrões de imprensa, jornalistas honésticos e o todo da gente séria.
O que existe é a situação de Manta Rota. Consiste num primeiro-ministro populista e estúrdio, nado e criado nos corredores partidários oligárquicos, o qual papagueia o que lhe mandam dizer soberbo de ignorância e bazófia, sendo um fulano cujo braço-direito no Governo e na carreira é o mefítico Relvas.
Novíssimos provérbios – Edições Crato
A preguiça é a mãe de todos os ofícios
Deus dá o chumbo conforme a vocação
Há mar e mar, há ser doutor e vadiar
Aluno pequenino, ou canalizador ou dançarino
Junta-te aos bons e serás como eles; junta-te aos maus e vais para o ensino profissional
Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de formação
Mal por mal, antes uma turma de maus alunos do que o hospital
Não adianta chorar sobre o leite derramado, a menos que sejas um cábula, estejas a estudar para leiteiro e tenhas tropeçado num balde cheio de sumo de vaca
Exactissimamente
À atenção de António Borges e do gabinete de Relvas
Velhos, deficientes, grávidas, recém-nascidos, menores de 15 anos, doentes crónicos, doentes mentais, acamados, hospitais públicos, escolas públicas, exército, bombeiros, polícias e prisioneiros também são fonte de enorme despesa para o País. Não dá para acabar com este sorvedouro do nosso rico dinheirinho e ficarmos só com a máquina fiscal e dois ou três ministros?
O seu a seu dono
Mesmo que o Governo tivesse tido a intenção de nos pôr a falar da RTP para não falarmos do fiasco das contas públicas, intento esse logo à partida desmiolado pois resultou num acrescento de fragilidade e descrédito para Relvas e para o Executivo, a verdade é só uma: não se fala mais dos números da execução orçamental porque a oposição não quer. Já não queria antes de Borges ter lançado o barro à parede e continuou a não querer até hoje, com os troikanos regressados ao burgo. Aliás, a oposição tolera indiferente a presença de Relvas no Governo e os insultos do Primeiro-Ministro aos portugueses.
Uma das grandezas da democracia está no papel decisivo das oposições para a qualidade da governação. Pelos vistos, a nossa oposição está ao nível do nosso Governo.
Asfixia democrática? Nada disso
O que se passa com a RTP compara inevitavelmente com a TVI. Neste caso, foi preciso montar uma operação de escutas ilegítimas para apanhar registos privados de Sócrates, os quais foram utilizados para um ataque judicial, político e mediático. Essa manobra foi explorada para fins eleitorais, e tinha como finalidade conseguir que o Ministério Público acusasse Sócrates e o levasse a tribunal. Seria o seu fim político e uma reedição do caso Casa Pia quanto à decapitação da liderança política do PS. Como não se conseguiu amedrontar o Procurador-Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Belém e Lapa lançaram calúnias sucessivas através dos jornalistas engajados de forma a condicionarem as eleições de 2009, passando depois a ocupar a Assembleia da República durante meses com um circo que nos deu a ver o Crespo a tratar os deputados como se estivesse na Feira de Carcavelos e a Moura Guedes a berrar que o Rei de Espanha podia ser muito bom a caçar elefantes mas que nem ele a conseguia abater. O tema da “asfixia democrática” – lançado por Paulo Rangel no discurso do 25 de Abril de 2007 na Assembleia e tendo usado originalmente a expressão “claustrofobia democrática” para se referir à nomeação de Pina Moura para a Prisa (o Pina Moura, esse tentáculo socrático!) – teve no Pacheco o seu Galahad, passando este infeliz a cronometrar o telejornal da hora de almoço da RTP à procura do Santo Graal nesses segundos perdidos ou acrescentados nas peças emitidas acerca do Governo e da oposição, diferenças que podiam ser invisíveis aos olhos do vulgo mas que provavam o poder e alcance da asfixia, garantiu vezes sem conta sem se rir. Acabou fechado numa saleta da Assembleia da República a chafurdar na privacidade de um concidadão que odiava. Fontes anónimas garantem que o Pacheco ainda hoje guarda num frasco uma meia que conseguiu gamar ao mafarrico e que treina regularmente os seus cães da Marmeleira para quando chegar o dia da caçada final. Também teve graça descobrir através do magnifico trabalho das comissões de inquérito parlamentar, e ao arrepio das atoardas dos ranhosos alvares, que o Correio da Manhã foi o jornal que recebeu mais publicidade do Estado em 2009, seguindo-se o Público e o DN, algo que nem com um petroleiro cheio de cola Araldite dava para colar à campanha negra da “asfixia democrática”. Moral desta escabrosa história: um negócio que nunca aconteceu, a que se juntaram centenas de notícias baseadas em escutas que não deviam ter acontecido, gerou acontecimentos nunca antes vistos de baixa política e degradação do regime.
Lembra-te
Culture is the by-product of consistent behavior. Change your behavior and you change your culture. Directives, announcements, declarations, missions statements – that’s all crap. SAYING something doesn’t change culture. The only thing that changes culture are repeated, consistent actions.
Duas perguntas
Fanatismo, sectarismo, distorções morais, dissonâncias cognitivas e um sem-número de outros fenómenos mentais congéneres são características antropológicas inevitáveis na política, correspondendo à matriz tribal de onde só há pouquíssimo tempo histórico começámos a sair – e só nalgumas partes do Planeta. Observam-se por todo o lado, em todos os quadrantes ideológicos e partidários, seja cá na terrinha ou nesse mundão afora. Mas há uma imensa minoria que pede mais à política. Pede, por exemplo, que os políticos tratem os cidadãos como se acreditassem que os tais cidadãos são inteligentes.
Tomando a inteligência como critério supremo, e assim limitando ou até idealmente anulando o tribalismo, podemos olhar para a situação política nacional e fazer estas duas mui inteligentes perguntas:
– Chumbar o PEC 4 foi a melhor decisão para os interesses da maior parte dos portugueses?
– Este Governo está a executar o Memorando da melhor forma?
O regabofe da avaliação: que se lixem as fundações
A notícia que o Júlio refere tem uma parte que precisa de ser lida do princípio ao fim. É o retrato fiel da qualidade dos tipos que nos desgovernam:
Côa avaliada por lapso?
Se a Fundação Paula Rego lamenta o “vexame” causado pela classificação negativa, não é a única descontente com os danos de imagem que esta avaliação do Ministério das finanças pode ter causado. Fernando Real, presidente do conselho de administração da Fundação do Côa, responsável pela gestão do Parque Arqueológico e do Museu do Côa, também não ficou propriamente satisfeito quando viu que a instituição a que preside aparecia referida na imprensa local como “a pior fundação do distrito da Guarda”. Na verdade, a acreditar no relatório, não é apenas a pior da Guarda, é quase a pior de todo o país, com uns míseros dez pontos. Que, refira-se, foram todos obtidos no parâmetro “pertinência”, já que em eficácia e sustentabilidade levou com dois rotundos zeros. Um juízo surpreendentemente severo, que poderá ter resultado de uma interpretação equívoca das respostas enviadas por Fernando Real. A história chega quase a ser divertida e conta-se em poucas palavras. Quando o presidente da Fundação do Côa recebeu o questionário, com a indicação de que a resposta era obrigatória sob pena de uma eventual extinção – aviso que a Gulbenkian, por exemplo, também terá recebido -, achou melhor responder, ainda que estivesse consciente de que não teria muito a dizer sobre os números da fundação relativos aos anos 2008-2010, período a que esta avaliação diz respeito, pela razão singela de que a instituição só veio a ser criada em 2011. Foi já, de resto, o actual secretário de Estado da Cultura, Fancisco José Viegas, a dar posse ao respectivo conselho de administração, que só veria aprovado o seu primeiro orçamento em Junho deste ano, há coisa de dois meses.
Real tentou, por isso, responder “não se aplica” onde essa era a única resposta aplicável, mas, infelizmente, explica, onde eram solicitados números, o questionário electrónico só aceitava mesmo algarismos. Decidiu, então, optar por responder com zeros, que os responsáveis pelo tratamento de dados terão aparentemente assumido no seu significado matemático literal, mesmo quando esta interpretação era manifestamente inverosímil. Lembrando que, “logo no início da ficha, estava a data da criação”, deixando claro que a fundação ainda não existia no triénio que o inquérito se propunha avaliar, Real considera que “o erro é tão evidente e grosseiro, que é de admitir que tenha havido um lapso”.
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Está quase
Já falta pouco tempo para vermos e ouvirmos Marcelo a deitar abaixo o plano de Sócrates para entregar uma RTP sem gorduras de serviço público ao Correio da Manhã ou a uns amigos angolanos, mas continuando a ser paga pelo contribuinte. Está quase, ele até esgalhou um nome todo nice para a operação: “A tele-fórmula Sócrates”
Já agora, vale a pena pensar nisto
O conhecimento da desgraça humana é difícil para o rico, o poderoso, porque o mesmo é quase invencivelmente levado a crer que é alguma coisa. É igualmente difícil para o desgraçado porque o mesmo é quase invencivelmente levado a crer que o rico, o poderoso, é alguma coisa.
in A GRAVIDADE E A GRAÇA, Simone Weil
