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Revolution through evolution

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Exceptional Upward Mobility In The U.S. Is A Myth, International Studies Show
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Creativity Predicts a Longer Life

Borges, a eminência parva

Estamos de joelhos face ao BCE.

António Borges, Outubro de 2010

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Passos é verdadeiramente tonto. Por isso se presta a ser uma marioneta de Borges. Repete-lhe a cassete. Por isso andou pimpão a recusar qualquer ajuda do BCE na resolução da crise europeia só para vir agora reconhecer que a decisão de Draghi para a compra de dívida soberana é benéfica. E este Borges, em 2010, fazia activamente campanha pela capitulação de Portugal perante a lógica dos mercados. A direita partidária portuguesa alinhou com todas as suas forças neste propósito, sabendo que a ruína do País seria a salvação dos seus interesses.

Este general de uma ideologia onde reina a abstracção financeira não pode ter empatia, sequer simpatia, pelas consequências concretas dos ajustamentos económicos feitos a mata-cavalos. Nada do que venha a afligir as populações o irá afectar. No ecossistema protegido onde está e ficará, aconteça o que acontecer, o seu mérito mede-se pela violência com que conseguir atingir os objectivos numéricos. Quão mais rápido, mais violento. Quão mais profundo, mais violento. Quão mais violento, maior a glória.

Estar de joelhos face ao BCE ou estar de joelhos face ao Borges. É escolher de olhos abertos.

Anti-histamínico precisa-se com urgência

Os eleitores portugueses, e por inerência todos os cidadãos maiores de idade tivessem ou não votado, escolheram livremente ter na Presidência da República e no Governo fulanos que os enganaram à doida desde 2008 no acto mesmo de reclamarem a posse da “verdade”. Manuela Ferreira Leite transformou a maior crise económica internacional dos últimos 80 anos num “abalozinho”, o PSD reduziu a política ao abate de um homem enquanto enchia a opinião pública com uma avalanche de difamações e calúnias e Cavaco Silva, autor moral de uma inaudita e filha-da-puta conspiração gizada na Casa Civil contra um Governo, até 5 de Junho de 2011 desconhecia oficialmente a existência de qualquer problema na Europa e apelava a que se satisfizessem as exigências dos sábios e justos mercados. O plano resultou em pleno, tendo sido a dupla Passos-Relvas a realizar o sonho de Sá Carneiro: um Presidente, um Governo e uma Maioria para o laranjal. Assim que tomou posse, o Coelho saltou da toca cheio de raiva e desatou a fazer literalmente o oposto do que prometeu em campanha e no programa eleitoral. Perante a crescente devastação causada pelas suas favolas sôfregas, o povo foi calando e o Presidente da República foi consentindo. Como é que este fenómeno colectivo de inércia, masoquismo e falta de amor-próprio se explica? Que leva a que os portugueses prefiram ser enganados desta forma tão básica e tão obscena?

Se nos recordarmos do que aconteceu com Sócrates e seu Governo desde meados de 2007, constatamos que existiu uma santa aliança entre os partidos da oposição à direita e à esquerda e o Presidente da República, a que se juntaram feéricas a imprensa e a oligarquia. Isso levou a uma partilha de estratégias, todas equivalentes na intenção de explorarem o moralismo populista e não assumirem o papel do contexto económico e financeiro internacional. Os processos emocionais agressivos assim promovidos e deixados ao abandono levaram a situações de permanente violência mental (constantes campanhas de suspeições e deturpações na comunicação social, golpadas político-judiciais, hostilidade aberta de jornalistas sem ligação assumida a forças partidárias, incontáveis pregações de incontáveis profetas apocalípticos) e até alguma violência física (agressões a governantes à porta de escolas e não só, perturbação e boicote de acções partidárias socialistas). A mobilização conseguida não tem paralelo na história da democracia, tendo resultado em gigantescas manifestações de rua e no ódio dirigido ao bode expiatório perfeito, fetiche favorito de impotentes e decadentes, a causa de todo e qualquer mal sobre a terra: Sócrates, o guerreiro sanguíneo que apavorava os seus inimigos.

Os factos são os factos são os factos. Vivemos em democracia. Todos temos Internet no telemóvel, no emprego, nas universidades ou na casa do vizinho. A informação abunda, circula, é grátis. Existe liberdade de expressão. O PCP pode distribuir milhões de panfletos à porta do Metro que ninguém se intromete. O BE pode convocar uma ranchada de jornalistas para dizer o que lhe der na veneta. Qualquer cidadão pode fundar um novo partido. Qualquer macaco pode encher o Twitter, o Facebook, o seu blogue ou a parede de uma casa de banho pública com aquelas verdades que vão mudar o mundo. Não é, pois, por qualquer limitação à nossa liberdade que gostamos de ser enganados. Que preferimos ser enganados e explorados e gozados. É mesmo porque somos alérgicos à inteligência.

É fácil de perceber a raiva que este PGR desperta nos pulhas

Com a algazarra do Processo da Roubalheira Em Curso, nem sequer houve cabeça para dar atenção a estas palavritas sem qualquer importância para a responsabilização política, a salubridade do espaço público e a defesa do Estado de direito:

Fernando Pinto Monteiro afirmou que, nos seis anos de mandato como procurador-geral da República (PGR), “nunca nenhum governante sugeriu o que quer que fosse” à Procuradoria, garantindo que “nunca houve pressão”.

“Desafio qualquer pessoa que diga o contrário. Nunca houve pressão”, assegurou Pinto Monteiro, em entrevista ao jornal “Advocatus” cuja próxima edição sai na segunda-feira.

Quanto ao facto de as pessoas falarem frequentemente da existência de pressões, o PGR justificou esses “rumores” com o facto de, em Portugal, se pretender “resolver problemas políticos através de processos judiciais”.

“Ações tão discutidas como a do Freeport, por exemplo, são processos políticos. Foi um processo que começou a partir de uma carta anónima fabricada, mas foi sempre político. Eu nunca mexi no processo e a única vez que falei com os investigadores foi para lhes dizer ‘investiguem tudo'”.

Segundo Pinto Monteiro, basta um órgão de comunicação social dizer que “este ministro é culpado” e “não adianta nada ir aos tribunais”, porque se os tribunais entenderem que o ministro não é culpado, é “porque houve pressão”, e se “a investigação não descobriu qualquer ilícito, é porque o Ministério Público [MP] é ineficiente”.~

“A conclusão tem de ser da comunicação social, mesmo que não tenha pés, nem cabeça. É tão simples como isto”, criticou Pinto Monteiro, observando que, se mandasse investigar todos os políticos sobre os quais recebeu queixas, “muito pouca gente em Portugal escapava”.

Pinto Monteiro frisa porém que “todo aquele que comete ilícito, seja governante ou não, deve ser responsabilizado”, mas o que não se pode é responsabilizar por decisões políticas, porque “senão é o fim da democracia”.

Depois de a ministra da Justiça ter dito à agência Lusa que o próximo PGR deve ser alguém que “ame o MP”, Pinto Monteiro disse à “Advocatus”: “Será que se pede ao PGR que ame o MP como se ama um filho ou uma mulher, que desculpe ao MP as asneiras como se desculpam a um filho ou a uma mulher? Se é assim, é mau”.

Na entrevista, Pinto Monteiro lamentou ainda que não haja respeito pelo segredo de justiça, enfatizando que, “enquanto os intervenientes da justiça telefonarem para os jornalistas e os jornalistas para eles, não há lei que valha”.

Pinto Monteiro nega que alguma vez tenha sido pressionado

A responsabilidade, segundo o PSD

O social-democrata Jorge Moreira da Silva desafiou o PS a apresentar «alternativas» que permitam a obtenção de dois milhões de euros ou então a ficar ao «lado do Governo». Em declarações à TSF, Jorge Moreira da Silva questionou se a alternativa do PS será o «aumento do IVA ou do IRS, a criação de uma sobretaxa, cortar o SNS ou atacar a escola pública».

«Há um outro caminho que é dizer que, sendo autores do memorando de entendimento das metas de consolidação orçamental, embora preferíssemos outro caminho, neste contexto estaremos ao lado do Governo», afirmou este vice-presidente social-democrata, numa referência aos socialistas. Com esta via, concluiu Moreira da Silva, o PS estaria a «assumir um sentido de responsabilidade, tal como, no passado, o PSD o fez».

Fonte

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Em conferência de imprensa, e depois da conferência de líderes parlamentares ter agendado para esta quarta-feira a discussão do PEC 4, Francisco Assis lançou um apelo ao PSD.

«O que se exige a um partido como o PSD, que legitimamente aspira a ser uma alternativa política de Governo, é que apresente no debate de amanhã as suas linhas de orientação alternativas», desafiou Francisco Assis. «E, para além disso, e a partir dessas linhas, se disponha a dialogar com o Governo tendo em vista a obtenção de um consenso que nos permita ter em Abril um PEC em condições de ser definitivamente apresentado às autoridades europeias», justificou.

Fonte

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José Sócrates e Angela Merkel pedem a PSD para “mostrar alternativas”, ao PEC que chumbaram, para que Portugal possa atingir as metas orçamentais com que se comprometeu, “acalmar os mercados e restaurar a confiança”.

No final da cimeira da União Europeia, Angela Merkel afirmou que tanto o Governo, como a oposição “devem tornar claro publicamente que medidas propõem implementar para que os objectivos sejam atingidos de forma diferente”.

José Sócrates acrescentou que “os partidos têm de apresentar alternativas e esta é a hora de o fazer. Só assim contribuem para a credibilidade do País”. Chumbar o PEC sem mostrar alternativas “Não basta”.

Fonte

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Para melhor se perceber o que significa no discurso deste PSD a palavra “responsabilidade”, tomai e lede:

escrito no pedro (memória da memória)

A realidade, realmente

Um dos efeitos da crise global, que acabou por condicionar todo este ano de 2010, foi a séria crise de confiança que se abateu nos mercados financeiros sobre as dívidas soberanas dos países do Euro. Esta situação, sem precedentes na União Europeia, levou à subida injustificada dos juros, e afectou todas as economias europeias. Basta, aliás, ver o que passa lá fora para se compreender a dimensão europeia desta crise que a todos afecta embora a alguns países de forma mais intensa.

A verdade é que todos os governos europeus tiveram este ano de fazer ajustamentos nas suas estratégias e tiveram de adoptar medidas difíceis e exigentes, de modo a antecipar a redução dos seus défices como forma de contribuir para a recuperação da confiança nos mercados financeiros.

O Governo português tomou as medidas necessárias para enfrentar esta situação. Com confiança, com sentido de responsabilidade e com determinação. Definiu metas ambiciosas para 2010 e 2011 que vamos cumprir. O que está em causa é da maior importância. O que está em causa é o financiamento da nossa economia, a protecção do emprego, a credibilidade do Estado português, e o próprio modelo social em que queremos viver.

Sócrates, nas vésperas de começar a ser aplicado o Orçamento para 2011, negociado com o PSD

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Reacções da oposição:

Bernardino Soares

Foi uma mensagem de propaganda do Governo na qual o primeiro-ministro tentou alijar as suas responsabilidade e as do Governo na situação que o país vive, procurando enviá-las para outras instâncias, como a crise internacional.

José Manuel Pureza

A realidade é uma coisa e o discurso do primeiro-ministro é outra completamente diferente.

Nuno Melo

O primeiro-ministro aproveitou o Natal para um exercício muito infeliz de auto-elogio, que esta realidade não consente, e para propaganda, que é exactamente o que Portugal não precisa. Portugal vive uma realidade e há uma outra em que este primeiro-ministro gravita. O que ele vê não é seguramente o que todos sentimos.

Relvas

O primeiro-ministro voltou a omitir a realidade de Portugal para fugir às suas próprias responsabilidades na situação presente. Assistimos a mais um exercício de retórica e a mais um discurso sem novidades do primeiro-ministro. Não há nada de novo a acrescentar, além do habitual irrealismo do primeiro-ministro.

Dúvida metódica

Sendo que o PSD não mente aos portugueses, e tendo este partido garantido que o agravamento da já agravada austeridade é culpa do Tribunal Constitucional, não estará na altura de fazer um jantar de desagravo ao Seguro, agradecendo-lhe por ter tentado com todas as suas forças que a Justiça não se intrometesse no Processo da Roubalheira Em Curso?

Sim, merecemos que nos achincalhem com este à-vontade

Hoje, é fácil contrastar o profundo ceticismo de que Portugal era alvo na comunidade internacional com o voto diário de confiança que depositam em nós. Somos agora vistos pelos nossos parceiros internacionais e pelos agentes da economia global como um País confiável e merecedor de apoio, e a nossa reputação no exterior é incomparável com a que gozávamos há cerca de ano e meio. Este ativo tem consequências diretas na vida dos Portugueses, como nos demos conta quando no passado o delapidámos, quer mais recentemente quando efetuámos vários leilões de dívida pública a juros mais baixos aliviando os encargos de todos os contribuintes no financiamento do Estado.

Tudo isto é uma obra coletiva que mobilizou e mobiliza todos e cada um de nós. Uma obra de uma comunidade nacional que tem razões para deixar de duvidar de si mesma. Estou certo que neste ponto até os mais céticos concordarão.

Indivíduo que saltou de proscrito nas listas do PSD para Primeiro-Ministro por acção de Cavaco, Portas, Louçã e Jerónimo

Take five – x2

Barroso diz que resgate não deve destruir Estado social

Então, ó Zé Manel, fazes o favor de dizer isso
1. Ao teu amigo Passos Coelho,
2. Ao teu para-colega Vitor Gaspar,
3. Ao teu ex-chefe Aníbal Cavaco e Silva,
4. Ao presidente da Comissão Europeia (sabes quem é, não?),
5. E aos caras de pau que andam agora em Lisboa a dizer que temos de cortar isto e mais aquilo e mais aqueloutro na proteção aos pobres, aos desempregados, às famílias numerosas e no serviço aos doentes, às crianças, aos deficientes, aos idosos (os da troika, já ouviste falar?)

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Comissão insta Estados-Membros a reconhecer competências adquiridas fora do meio escolar e universitário

Recomendo a leitura desta comunicação da Comissão Europeia:
1. Ao Primeiro-ministro português, que achava que o programa Novas Oportunidades era a certificação da ignorância e o liquidou,
2. Ao ministro Miguel Relvas, que sabemos que achava o mesmo que o anteriormente citado pela simples razão de que o Novas Oportunidades exigia muito mais dos candidatos à certificação do que a Universidade Lusófona lhe exigiu a ele,
3. Ao ministro Nuno Crato, executor material, às ordens dos precedentes, da liquidação do Programa,
4. A todos os imbecis que, com mais ou menos galhofa, vomitaram anos a fio as maiores alarvidades sobre o método de reconhecimento, validação e certificação de competências, sem nada perceberem dele, e assim foram criando o ambiente necessário para a extinção do Novas Oportunidades,
5. E aos imbecis ao quadrado que, tendo dito o mesmo, nos irão dizer um destes dias que, em cumprimento das instruções de Bruxelas, o país se dotará de um programa de reconhecimento de competências adquiridas fora do meio escolar.

Augusto Santos Silva

Good food for good thought

Jason Fried is a founder and CEO of 37signals, a software company based in Chicago. Fried also treats 37signals as something of a laboratory for innovative workplace practices – such as a recent experiment in shortening the summer workweek to just four days. We caught up with Fried to learn how employees are like fossil fuels, how a business can be like a cancer, and how one of the entrepreneurs he admires most is his cleaning lady.

FAST COMPANY: You have your employees only work four-day weeks in the summer.

JASON FRIED: Sometimes people are not really used to working just four days and actually want to stay to get more work done.

You’re saying you have people who actually want to stay the fifth day?

When we first started this a few years ago, there was a small sense of guilt in a few corners. People were like, “I have stuff to get done, it’s Thursday, so I’m gonna work Friday and just get it done. But we actually preferred that they didn’t. There are very few things that can’t wait till Monday.

How many employees would stay to work Fridays?

I don’t know.

Because you weren’t there!

We don’t track things in that way. I don’t look at that. I don’t want to encourage that kind of work. I want to encourage quality work.

As CEO, wouldn’t it simply be rational to let people work the fifth day for you if they wanted?

If you’re a short-term thinker you’d think so, but we’re long-term thinkers. We’re about being in business for the long haul and keeping the team together over the long haul. I would never trade a short-term burst for a long-term decline in morale. That happens a lot in the tech business: They burn people out and get someone else. I like the people who work here too much. I don’t want them to burn out. Lots of startups burn people out with 60, 70, 80 hours of work per week. They know that both the people or the company will flame out or be bought or whatever, and they don’t care, they just burn their resources. It’s like drilling for as much oil as you possibly can. You can look at people the same way.

[…]

37signals Earns Millions Each Year. Its CEO’s Model? His Cleaning Lady

Não é um idiota, nem um mentiroso, nem um demagogo, nem um hipócrita, nem um sonso, nem um louco

Quando o memorando da troika foi assinado era de todos. Era da troika, que nele mostrava uma absurda confiança. Era do PS, que nos dizia ser o melhor possível. Era do PSD, que garantia ter tido um papel fundamental no seu conteúdo e que até lhe ia acrescentar mais um tempero de sua autoria. Era do Presidente, que criticava o então primeiro-ministro por ter demorado demasiado tempo a chamar os homens que nos iriam salvar. Era dos comentadores e economistas, que dedicavam odes à “abençoada troika”.

Daniel Oliveira

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O Daniel Oliveira não é um idiota, nem um mentiroso, nem um demagogo, nem um hipócrita, nem um sonso, nem um louco. O Daniel Oliveira é apenas um extraterrestre que aterrou na política portuguesa no dia 3 de Maio de 2011 à tardinha. É por isso que se permite escrever que o Memorando é do PS, o tal PS de então de um tal Sócrates que se recusou a assinar um qualquer memorando até ao ponto de ter contra si o PSD, o CDS, o BE, o PCP, o Presidente da República, os patrões de imprensa, os super-patrões, os sindicatos, os banqueiros, a gente séria, os leitores do Correio da Manhã, os espectadores do Crespo e os fãs da Manuela Moura Guedes.

Para o Daniel Oliveira justificar a inclusão do PS no elenco paternal do Memorando, traz uma súmula da mensagem de Sócrates ao anunciar o fecho do acordo: “era o melhor possível”. Isto deixado assim pendurado chega-lhe para responsabilizar o PS por uma solução inevitável, estabelecida nas piores condições para o interesse nacional, contra a qual o Governo socialista combateu isolado. O que vale é que o Daniel Oliveira não é um idiota, nem um mentiroso, nem um demagogo, nem um hipócrita, nem um sonso, nem um louco. Ao menos, isso.

Várias vezes ouvimos, e lemos, Daniel Oliveira dizer que Sócrates foi o pior primeiro-ministro da nossa democracia – ou o segundo pior, atrás de Cavaco, variação conforme ao fluxo emocional do momento. Ora, tendo em conta que o Daniel Oliveira não é um idiota, nem um mentiroso, nem um demagogo, nem um hipócrita, nem um sonso, nem um louco, há que esperar que ele nos faça igual listagem dos piores líderes partidários na oposição para finalmente conseguirmos perceber em que lugar aparece o Daniel Oliveira na classificação dos mais sectários comentadores políticos de todos os tempos.

A imbecilidade que vem de longe

Fernando Rosas, deputado do Bloco de Esquerda, garantiu ontem à agência Lusa que o seu partido não aceitará qualquer tipo de acordo, pré ou pós-eleitoral, com o Partido Socialista (PS) nas próximas eleições legislativas de 27 de Setembro.

O deputado do BE, que ontem à noite participou numa arruada no Barreiro, afirmou que “as bases políticas programáticas do PS são completamente contrárias às do Bloco”, assinalou Fernando Rosas”, para justificar a exclusão de qualquer hipótese de entendimento com o actual partido no poder. Ferro Rodrigues, ex-líder do PS, defendeu em entrevista ao Expresso que o PS deve desafiar PCP e BE para o Governo.

16 de Agosto de 2009

Este Governo é mais perigoso do que o de Sócrates.

Louçã, 2 de Setembro de 2012

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Louçã fez tudo o que pôde para desgastar, quebrar, dividir e derrotar o PS. Era este o seu único plano, sabendo que apenas receberia migalhas dos dissidentes do PCP e que era na radicalização do centro-esquerda que se jogava o seu napoleónico futuro. Em crescendo de agressividade, e definhamento de imaginação, ia revelando a megalómana ambição: liderar uma imperial “esquerda grande” sobre os escombros do socialismo democrático e a tolerância comunista.

Na primeira citação, numa altura em que se dava como certo que o PS iria perder a maioria nas eleições de 2009, vemos Ferro Rodrigues a tentar iniciar um diálogo que gere uma convergência à esquerda só para receber a maniqueísta resposta de um coronel do BE:

as bases políticas programáticas do PS são completamente contrárias às do Bloco

Isto é o mesmo que dizer-se que o PS é o principal inimigo do BE, que onde o BE é de esquerda o PS é direita, e quando o BE defende os trabalhadores o PS defende os patrões. De facto, projectando no PS a raiva ideológica máxima que se é capaz de conceber, qualquer acordo, nem que fosse a respeito de uma conta de somar, seria impossível. E impossível foi, com o BE a preferir que Portugal ficasse com um Governo minoritário de esquerda a partir de 2009, o qual estaria condenado a sofrer todas as golpadas da direita, quando e como ela quisesse.

Em 2012, depois de Louçã nos ter garantido que o chumbo do PEC 4 corresponderia à saída da crise, assoma um laivo de lucidez. Parece que o visionário já consegue vislumbrar que a solução política para a qual ele contribuiu diligente e entusiasticamente é pior do que a anterior. Este deslumbrado que continua a colar o PS à direita – esse mesmo PS que construiu e defendeu o Estado Social – já se esqueceu do que disse na noite eleitoral de 2009, a noite do maior triunfo da sua vida política, e não há ninguém que lhe tenha dado o voto que lhe peça agora responsabilidades depois da bela merda que andou a fazer com ele, mas aqui fica para se contemplar os malefícios da demagogia infrene:

Este é um novo dia para a esquerda portuguesa. Nada será como dantes. Teremos uma esquerda mais rigorosa, com mais capacidade de diálogo. Nenhum eleitor do Bloco de Esquerda terá qualquer dúvida de que todo o voto dado ao Bloco de Esquerda será gasto na defesa dos direitos fundamentais de uma resposta que possa transformar o país.

27 de setembro de 2009

Semiótica dos hipócritas

Os hipócritas adoram sinais. Adoram mostrar sinais. Possuí-los. Para si e para o seu clã. Os hipócritas precisam dos sinais para se reconhecerem. Reconhecem-se pelos sinais porque o sinal é tudo. Quão mais vistosos, mais hipócritas são os hipócritas que vemos a pavonear os sinais da sua hipocrisia.

Foi assim que apareceu por aí, algures em Junho de 2011, um bando de hipócritas que se passou a exibir com um poderoso sinal na lapela: a bandeira de Portugal. Que tamanha hipocrisia estaria a ser preparada, pensei com os meus neurónios especializados em hipócritas. Um ano e tal depois, até os surdos a conseguem ouvir, até os cegos a conseguem ver. É a hipocrisia daqueles que reduzem Portugal a um rectângulo de dois por três centímetros. De plástico. Algo para usar e deitar fora. Muito provavelmente, fabricado na China.

Bem, Amado. Mal, Amado.

A presença de Amado na Universidade de Verão do PSD provocou a reacção de duas figuras socialistas peculiares para a reflexão do que é a esquerda tribal: Ana Gomes e Alegre. A senhora, no seu registo emporcalhado, entrou em modo de fulanização e sarcasmo. O senhor, no seu registo airado, colou Amado ao neoliberalismo.

Como são valentes e rápidos estes socialistas arrumados à esquerda da esquerda, mas só quando toca a atacar o PS. Já a atacar esta decadente direita partidária são uma nulidade absoluta. De Ana Gomes, ninguém se lembra de qualquer posição a respeito da estratégia de assassinato de carácter contra Sócrates et alia, nem sequer quando se chegou ao ponto de Belém lançar uma inaudita conspiração mediática em cima das eleições de 2009. Provavelmente, terá ficado consolada com a tortura infligida ao malandro e terá celebrado a perda da maioria e a sua demissão. De Alegre, fica o seu contributo decisivo para a reeleição de Cavaco, a mais sinistra e ultrajante figura da história da democracia portuguesa.

Amado foi a um evento do PSD dizer o mesmo que dizia como governante e diz como militante socialista: que os desafios do tempo pedem consenso partidário para alcançar certos objectivos fulcrais para o interesse nacional. Estamos perante uma evidência. É evidente que o interesse nacional saiu prejudicado pela falta de consenso em relação à aprovação do PEC 4, como milhões estão agora a sentir no corpinho e uns quantos começam a perceber devagar e a contragosto. É evidente que entregar o poder a um grupo de ignorantes e vendilhões radicais, este Governo da dupla Passos-Relvas, é desastroso por comparação com o Executivo de Sócrates e o que este conseguiu fazer com as contas públicas e as políticas sociais, inclusive apesar da hecatombe económica internacional desde 2008 e da impotência europeia na protecção aos países atacados pelos mercados desde 2010. Por consequência, por ser coerente, Amado está muito bem ao repetir a mesma lógica. Lógica essa onde a RTP não justificaria uma clivagem entre PS e Governo que impeça a união no essencial. Claro que se pode discordar da sua opinião por milhentas e excelentes razões, mas castigá-lo e apelar à sua ostracização dentro do PS, como fizeram Ana Gomes e Alegre, exibe a disfuncionalidade cívica da esquerda narcísica e moralista.

Contam-se pelos dedos de meia mão as figuras públicas que defendem soluções ao centro. E é preciso ser ingénuo para o fazer, tão verrinosas e inevitáveis as agressões de que serão alvo vindas de todos os quadrantes partidários. Só que existem dois tipo de ingenuidade, a negativa e a positiva. A negativa é aquela de Ana Gomes e Alegre, os quais ingenuamente se agarram à ferrugenta armadura ideológica acreditando que ainda assustam os adversários e acabam a perseguir os seus na retaguarda das batalhas. Esta é a ingenuidade que reduz o mundo ao simplismo, que se barrica no sectarismo. A positiva é esta de Amado, nascida da tarimba e da responsabilidade. Esta é a ingenuidade que assume a complexidade do mundo, que ousa advogar a inteligência, que aponta para a criatividade.

Onde Amado se estatelou ao comprido na Universidade de Verão do PSD foi no silenciamento da temática da perseguição criminal aos políticos socialistas que a JSD e as figuras gradas do PSD têm alimentado por palavras e actos. Nessa área, sejam de direita ou de esquerda, não há consenso algum que justifique o compromisso com pulhices e com pulhas. E ao seu lado e à sua frente, como se viu na pergunta à Cândida Almeida a respeito de Sócrates, estavam alguns. Que Ana Gomes e Alegre aceitem esse tratamento dado a camaradas seus, é algo que já não choca. Que Amado desperdice essa oportunidade de afrontar olhos nos olhos quem degrada o regime, fica como um lembrete de como a cidade continua com os seus pilares ao abandono.